8 - Belinda
— O que foi isso? O que perdi enquanto fui ao banheiro?
— Do que você está falando? — perguntei me fazendo de desentendida.
— Isso que acabei de presenciar. Kadu te olhando estranho, como se fosse objeto de desejo dele.
— Você está viajando.
— Não estou não. Eu sei o que eu vi. O que ele falou no seu ouvido?
— Nada que vale apena dividir com você — falei dando de ombro.
— Tem algo entranho rolando aqui. Senti algo tenso entre vocês quando cheguei.
— Vamos esquecer o Kadu, ok? Viemos aqui para ficar falando daquele idiota? Vamos beber.
— Beber? Você não falou que não iria beber?
— Você falou que não iria beber.
— Você falou sim.
— Ok Jessye, eu falei, mas voltei. Um copo não vai me matar, certo? E para aguentar essa festa a noite toda, eu preciso de algum incentivo.
— Olha, eu não sei o que aconteceu com você nesses dois meses em que ficou fora, mas estou adorando a sua nova fase. Ivy e Nanda não vão acreditar quando eu contar.
Revirei os olhos e segui para o bar. Fiz sinal para o barman, mas fui ignorada. E se tem uma coisa que odeio é ser ignorada.
— O que eu preciso fazer para conseguir uma bebida aqui?
Nenhum retorno.
— Esquece Belinda, conseguir uma bebida aqui é mais difícil do que escalar o Everest. — Disse Jessye.
Ignorei minha amiga e tentei me aproximar do barman para uma segunda tentativa.
— Oi, seria pedir demais que você me desse um pouco de atenção?
— Se eu fizer isso com você, terei que fazer com todos, apesar de você ser uma gata.
— Você está aqui para trabalhar ou dá em cima das garotas?
— Estou aqui para trabalhar, mas não posso fingir que não estou vendo várias gatas se jogando em cima do meu balcão implorando uma bebida. — disse com um sorriso sexy.
Ele era lindo, alto, cabelos castanhos espetados, olhos azuis e um furinho no queixo. Estava de baby look preta e deixava bem visível os seus músculos. Tinha quase a mesma altura do Kadu, e não perdia em nada comparado com os outros caras da festa.
— Ei vocês dois, dá para parar com esse flerte e me atender?
Olhamos ao mesmo tempo para a garota que estava ao meu lado. Era uma ruiva, com o tom bem mais escuro que os meus antigos cabelos. Estava usando uma maquiagem pesada que não combinava em nada com o pedaço de roupa que estava vestindo.
— Segue para o outro lado do bar, terá mais chance de ser atendida. — o barman falou, deixando a garota furiosa e eu com um sorriso idiota no rosto.
— É isso que dá contratar serviço de quinta categoria. — a garota saiu xingando.
— E você, o que vai querer beber? — ele perguntou me encarando.
— Acreditei que você disse que não poderia me dar atenção.
— Falei, mas você acabou de me convencer. — ele disse piscando para mim.
É impressão minha ou ele está me cantando?
Uau!
Isso é novo. E sem falsa modéstia, estou adorando. O que um vestido curto e um novo visual não faz com uma garota?
Já que ele estava dando brecha, eu entraria no jogo.
— Devo perguntar como consegui isso?
— Olha só gente, eu estou adorando ver vocês dois se comer com os olhares, mas eu também preciso de uma bebida.
Esqueci completamente que Jessye estava atrás de mim.
— Ok, vou preparar minha especialidade.
Ele piscou o olho e depois seguiu para o outro lado pegar os ingredientes para as bebidas.
— O que foi isso? Você estava dando mole para o cara do bar?
— Eu não estava dando mole.
— Verdade, você não estava. Você está dando mole.
— Para Jessye, é só um flerte inocente, ok?
— Inocente? Me mostra onde está a inocência nisso tudo. O cara estava quase pulando o balcão para te beijar.
Eu ri alto.
— Que exagero Jessye.
— Não estou exagerando. Estava observando tudo, o que me faz lembrar que você disse que daria uma chance para um garoto hoje à noite.
— Esse cara não será o barman.
— Por que não? Ele é bonito, gostoso e gostoso.
Foi a vez de ela rir.
— Deixa o Rafael ouvir você falando assim de outro cara.
— Olha só, estou namorando, mas isso não me impede de achar outro cara bonito. Que pode me assegurar que o Rafael não faz a mesma coisa?
Quando eu ia responder sua pergunta, o barman voltou trazendo nossas bebidas.
— Aqui estão garotas, drinks de abacaxi. Rum, suco de abacaxi, leite condensado, leite de coco e gelo.
— Parece ser bom. — Jessye falou.
— É uma das minhas especialidades. — o barman entregou os drinks em nossas mãos.
— Prefiro tirar minhas próprias conclusões. — falo enquanto levo o canudo até minha boca.
Levo alguns segundos para sentir o gosto da bebida. Fico surpresa, por que o drink está delicioso, nem muito forte, e nem muito fraco. Olho para Jessye e deduzo que ela tenha a mesma opinião. Quando volto a olhar para o barman, ele está sorrindo confiante que alcançou seu objetivo.
— Nada mal. Já provei melhores, mas está indo bem.
— Já provou melhores? Quando? — Jessye perguntou e eu tive vontade de socar sua cara.
Eu não deixaria que ele soubesse que eu adorei. Ele poderia alimentar o seu ego, e a festa já estava tumultuada com eles.
— Na minha viagem. Agora que conseguimos nossas bebidas, vamos dançar.
Olhei para o barman agradecendo com o olhar e depois comecei a arrastar Jessye para o espaço onde haviam montado a pista de dança. Ele piscou novamente e foi atender outras garotas histéricas que não paravam de gritar.
Quando chegamos ao centro da pista, o DJ colocou o ritmo envolvente de Wayne Wonder, a música Make up tinha uma puxada envolvente e dava para fazer alguns movimentos sensuais. Jessye adorava esse tipo de música e logo começou a dançar. Tentei acompanhar, mesmo sabendo que não tinha o mesmo gingado.
Do outro lado da pista, vi Kadu conversando com seus amigos e rindo de algo que eles estavam falando. Um deles me olhou e segurou o olhar por alguns segundos antes de virar para Kadu e falar ao seu ouvido. Em seguida, todos me olharam, como se nunca tivesse me visto antes.
De duas uma, ou eu estava dançando bem, e eles estavam gostando, ou eles sabiam o que acontecera entre mim e Kadu. Meu coração quase parou só em pensar em ser o comentário do retorno das aulas.
Me ferrando ou não, continuei a dançar e olhar paro os garotos. Kadu me olhou dos pés à cabeça, antes de ser surpreendido pela Babi. Desviei o meu olhar, mas não antes de ver que ele não ficara nada feliz com a presença dela.
Eu não conseguia entender, se ele não gostava dela, por que ainda insistia nesse namoro que mais parecia um negócio entre os dois para ser sempre o centro das atenções?
Olhei para Jessye e ela parecia estar me avaliando. Eu deveria me preparar para o batalhão de perguntas que viriam assim que estivéssemos sozinhas.
Dançamos mais três músicas, até Jessye reclamar estar com dor nos pés e precisava descansar um pouco. Acabei concordando, mas ao invés de me sentar, fui até o bar. O barman veio ao meu encontro assim que me viu aproximar.
— Outro drink?
— Na verdade, uma garrafa de água.
— Meu drink foi tão ruim assim? — ele perguntou rindo.
— Não sou de beber. Só aceitei um copo por que queria ficar firme na festa do Kadu, aquele idiota prepotente.
— Parece que você não gosta dele.
— Tenho os meus motivos.
— E mesmo assim está aqui. — não foi uma pergunta.
— Nem eu sei por que vim.
— Bom, veja o lado bom da noite.
— Que lado bom?
— Nos conhecemos. — ele riu.
— Verdade. Pelos menos isso.
— Você só não me falou seu nome.
— E nem você o seu — foi minha vez de rir.
— Nossa, que falta de educação. Marcelo. — disse oferecendo sua mão para um aperto.
Olhei alguns segundos e depois apertei de volta.
— Belinda.
— Belinda. — ele repetiu. — Nome forte. E bonito como a dona.
Eu ri.
— Isso por acaso é uma cantada, Marcelo?
— Está funcionando?
— Não, realmente não. — eu ri.
— Então não, isso não é uma cantada.
O som deu uma parada e eu pude observar uma gritaria e logo em seguida vários garotos se jogando na piscina. Algumas garotas fizeram o mesmo, caindo de roupa e tudo. Fiz uma busca procurando Jessye. Se ela estivesse no meio, eu juro que a mataria.
Não vi sinal dela. Olhei para onde Kadu estava minutos atrás e não o vi, e muito menos a Babi. Deduzi que eles foram para o quarto que ele mencionara mais cedo.
— Seu amigo não vai gostar muito quando souber o que seus convidados estão fazendo.
— Kadu já está mais que acostumado. Suas festas são sempre assim. — falei voltando a olhar para o barman/Marcelo.
— E você vai a todas?
— Eu sei o que você está pensando.
— Ei Belinda, que tal se juntar a turma na piscina. — disse Kadu interrompendo nossa conversa.
— Sem chance Kadu. Não entrarei na piscina. Nem ao menos trouxe biquíni.
— E quem disse que você precisa de um?
Olhei para Kadu, procurando o motivo de ele ter largado sua namorada no quarto e ter voltado para a festa.
— Por que não chama sua namorada? Aposto que ela vai adorar.
— Babi foi embora.
Ouvi barulhos de pessoas se jogando na piscina e desviei o olhar por um instante para observar.
— Eu sei que você está louca para fazer isso, confessa.
— Eu só entro naquela piscina arrastada.
— Não seja por isso.
Kadu veio em minha direção tão rápido que mal tive tempo de reagir. Me pegou no colo e começou a me levar para a piscina.
— Kadu, eu quero que me solte agora!
— Calma Belinda, é só água.
Soquei algumas vezes o seu peito, mas parecia que ele nem estava sentindo nada.
— Kadu, se você fizer isso, eu vou arrebentar a sua cara! — falei gritando.
— Pagarei para ver. — disse rindo.
— Estou falando serio. Solte-me seu idiota.
Kadu pulou na piscina, me levando com ele.
