7 - Kadu
Fiquei igual a um idiota olhando para Belinda. Ela estava linda.
Mas do que isso, ela estava maravilhosa. Ela havia abandonado a calça jeans e optado por um vestido branco curto deixando suas pernas, que por sinal, eram maravilhosas.
Seus longos cabelos ruivos sumiram, dando passagem para um tom castanho e mais curto. Uma maquiagem leve e ela estava perfeita. Nem bem tive tempo de admirar mais um pouco quando sua voz me trouxe de volta.
— Parece surpreso em me ver Kadu.
— Eu não esperava que você aparecesse.
— Mas meu nome estava na lista. — ela me desafiou com uma sobrancelha erguida.
— Não fui eu quem fez a lista. Pedi para um amigo fazer uma seleção na minha rede de amizades.
— Eu não sabia que fazia parte da sua rede de amizades. Nunca trocamos mais do que dez palavras.
Belinda falou e eu percebi ter algo de diferente nela que ia além da sua aparência. Claro, que ver ela de visual novo me deixou bem chocado, mas tinha algo mais. Era como se fosse outra pessoa, mas uma coisa ainda restava da antiga Belinda. Sua língua afiada. Ela não deixava passar nada. Entretanto, eu também sabia jogar esse jogo.
— A noite que ficamos não entrará no hall da fama, já que sua boca estava ocupada demais devorando a minha.
Belinda fechou o sorriso e ficou séria.
Bingo!
Ela olhou para os lados antes de voltar a falar.
— Se repetir em voz alta novamente, eu juro que vou te mandar para o hospital. — ela falou serrando os dentes.
— O que tem demais em falar que passamos a noite juntos? Está com vergonha agora?
— Primeiro, nós não passamos a noite juntos, foram apenas algumas horas até eu recobrar o meu bom senso. E quanto à vergonha, eu só não quero que ninguém saiba o que aconteceu naquela maldita noite.
— Você fala como se naquela noite eu tivesse te forçado algo. Não se esqueça de que foi você que me beijou primeiro.
Notei que seu rosto começou a mudar de cor.
— Eu não te beijei.
— Não? Então eu não conheço outra palavra para explicar o que foi aquele beijo.
— Para início de conversa, foi você quem me tirou para dançar.
— Eu me lembro disso, você estava sentada em uma mesa sozinha, enquanto todo mundo se divertia. Até parecia estar infeliz.
— Por que eu estaria infeliz? Nick e Nanda estavam juntos novamente…
— E chegamos ao x da questão, você estava triste com a volta dos dois.
— Por que eu estaria triste pela felicidade dos meus amigos?
— Por que apesar de esconder muito bem, você estava arrasada por ver meu irmão com sua amiga ao invés de você.
Minha franqueza pegou a de surpresa, por que ela recuou alguns passos para trás, como se tivesse sido atingida por um tapa.
— Você…
— Admita Belinda, você queria estar no lugar da Nanda naquele momento. Não duvido muito que o que aconteceu entre nós dois naquela noite tenha sido provocado por carência, e por mais que me doa admitir, você me beijou por que queria fingir que eu era meu irmão.
— Você é tão prepotente e mesquinho Kadu. Fala tanto das minhas atitudes e não consegue olhar para o seu próprio umbigo.
— Eu, mesquinho? — perguntei a ponto de rir.
— Pensa que eu não sei que você queria Nanda? Você queria a garota do seu irmão. Isso soa tão sujo.
— Então estamos empatados nesse quesito. Se formos falar das nossas sujeiras, ficaremos aqui a noite toda, mas topo, é divertido conversar com você.
Eu não deixaria Belinda sair por cima, e horrível admitir isso, mas é verdade, eu desejei Nanda muitas vezes, antes dela escolher ficar com meu irmão e um pouco depois. A forma como ela me deixou foi algo que eu não conseguia explicar.
Eu não queria nada sério com ela, além de diversão, mas ainda assim eu a desejava. Nanda se tornou um desafio que prometi a mim mesmo que venceria, mas no final, Nick acabou vencendo sem fazer nenhum esforço.
Por noites seguidas tive sonhos bem quentes com Nanda, e quando acordava estava a pontos de explodir. Dias e mais dias de banhos gelados e garotas alternativas na minha cama para esquecê-la. Eu me odiei por querer algo que era do meu irmão, e lutei para tirar ela de mim.
No dia que fiquei com Belinda, eu queria tirar Nanda de vez da minha cabeça. Nem sei como tudo começou, mas quando me dei conta, ela já estava em meus braços e eu estava quase arrancando sua roupa. Se não fosse o maldito telefone tocar, haveria mais coisas para Belinda me odiar agora.
— É disso que você gosta, não é? Ter alguém a quem possa infernizar. Mas não será eu essa noite. Nem sei por que motivo resolvi vir a essa droga de festa.
— Se você odeia tanto as minhas festas, por que sei que deixou sempre bem claro a sua opinião ao meu respeito, ainda não entendo o que veio fazer aqui. Estou começando a acreditar que você sente algo por mim.
Belinda soltou uma grande gargalhada, dessas de levar a cabeça para trás. Depois colocou as mãos sobre o peito e me encarou.
— O dia em que admitir que estou interessada em você, pedirei para que me internem em um hospício, por que terei perdido completamente a razão.
— Cuidado Belinda, eu posso levar isso como um desafio, eu adoro um. — falei provocando-a.
— Então desafio aceito. O que vamos pôr em jogo? — perguntou ela erguendo uma das sobrancelhas.
Fui pego desprevenido, por nunca pensei que Belinda aceitaria uma brincadeira idiota dessas. Mas como eu não deixaria ela saber disso, fiz o meu melhor e abri um largo sorriso.
— Como sou cavalheiro, deixarei você escolher o que você quer ganhar.
— Nossa, estou quase lisonjeada com essa atitude. — disse colocando a mão no coração. — Me deixe pensar em algo bem humilhante para você fazer.
— Acha mesmo que vencerá?
— Essa aposta já está ganha.
— Eu não apostaria minhas fichas nisso. Sou ótimo em aposta.
— Bom, se você se acha tão bom…
— Eu não me acho Belinda. Sou bom.
— Seu ego é tão grande como a estátua do Cristo Redentor. — ela revirou os olhos.
— E então, o que você vai querer que eu realize de humilhante se eu perder a aposta?
— Corrigindo, você vai perder.
Belinda deu um passo na minha direção.
— Você ficará pelado no meio do campus, sem nenhuma peça de roupa na hora do almoço.
— Uau Belinda! Se você deseja tanto me ver pelado, é só pedir. Reservei uma suíte nessa casa só para a minha diversão particular. Podemos subir agora mesmo se quiser — falei só para provocar, mas, no fundo, estava desejando que ela aceitasse.
— Continue com esse sorriso idiota no rosto. Quero ver ele quando você perder. — ela falou ignorando meu comentário.
— Ok, eu topo, mas se você perder, será você a ficar nua. No meu quarto e na minha cama.
— Eu topo — disse esticando a mão em minha direção.
Olhei surpreso para sua mão antes de segurá-la.
— Então selamos aqui a nossa aposta.
Trocamos olhares desafiadores até Jessye aparecer do nosso lado.
— Nossa, foi um inferno conseguir entrar no banheiro… Oi Kadu, chegou cedo à sua festa.
— Resolvi mudar um pouco nessa festa.
— Percebi assim que cheguei. Teve até lista de convidados. Que bom que nossos nomes estavam na lista. — ela riu.
— Não esqueceria as minhas melhores frequentadoras. E Rafael, não veio por quê?
— Está em Brasília. Deve voltar na segunda.
— Que pena, esperava beber muito com ele hoje.
— Serve eu no seu lugar? — Jessye perguntou e vi Belinda fuzilá-la com um olhar.
— Vamos fazer isso mais tarde. — falo apenas para deixar Belinda ainda mais zangada. — Preciso falar com todo mundo, mas volto depois. E a propósito, vocês estão lindas nessa noite. E Belinda, adorei o seu novo visual, te deixou bem quente.
Aproximei-me e sussurrei no seu ouvido.
— Estou ansioso para te ver sem esse vestido. E adoro uma lingerie vermelha.
Pisquei para ela antes de seguir para observar o que meus convidados estavam destruindo, não sem antes olhar para trás e constatar o rosto de Belinda mudar de cor novamente.
Ela tinha me desafiado, e como um bom jogador, eu faria de tudo para ganhar. E agora por um motivo maior, ter a nova Belinda deitada na minha cama.
Eu iria com tudo nesse jogo, e se tivesse que usar artifícios pesados para conseguir ganhar, eu usaria.
