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capítulo 3

O escritório de Prestel pulsava com uma energia frenética, uma sinfonia de ligações e sussurros conspiratórios. A missão do Primeiro-Ministro pairava sobre ele, um fardo pesado: encontrar o espião perfeito para se infiltrar no coração do poder do Governador. A tarefa era um labirinto de segredos e subterfúgios.

Prestel examinava currículos, cada linha um enigma a ser decifrado. Ele precisava de alguém com a capacidade de se tornar um camaleão, um fantasma que pudesse se mover sem ser notado. Alguém que pudesse conquistar a confiança de Kevin Lancelot, a fortaleza que ele precisava derrubar.

"Caleb, encontre-me informações sobre todos os candidatos que se encaixam nesse perfil," ordenou Prestel, a voz carregada de urgência. "Quero saber tudo: histórico, conexões, cada detalhe que possa nos dar uma vantagem."

Caleb, seu assistente, assentiu e começou a digitar em seu computador, os dedos rápidos e precisos.

"Senhor, temos alguns candidatos interessantes. Uma ex-agente de inteligência, um especialista em segurança cibernética, um mestre da dissimulação... todos com habilidades excepcionais."

"Habilidades não são suficientes," interrompeu Prestel, a frustração tingindo sua voz. "Precisamos de alguém que saiba se misturar, que possa se tornar parte do tecido do gabinete do Governador. Alguém que não levante suspeitas."

A porta do escritório se abriu, e uma mulher alta e magra entrou, carregando uma pasta volumosa. "Senhor Assessor, encontrei alguns candidatos que podem ser de seu interesse," disse sua

secretária, com um sorriso enigmático. "Todos com habilidades... únicas."

Prestel ergueu uma sobrancelha, curioso. "Únicas como?"

A mulher abriu a pasta e entregou alguns dossiês para Prestel. "Temos um ex-contador com um talento para a falsificação, um jornalista investigativo com um histórico de escândalos, e um especialista em segurança que já trabalhou para o governo."

Os olhos de Prestel brilharam com antecipação. A variedade de habilidades era promissora.

"Interessante," ele murmurou, folheando os dossiês. "Mas precisamos de alguém que se encaixe perfeitamente no papel de secretária. Alguém que possa passar despercebido."

"Senhor, encontrei um candidato que pode ser de seu interesse," disse Caleb, com um sorriso discreto. "Uma mulher chamada Elena. Ela tem um histórico... intrigante."

Prestel ergueu uma sobrancelha, curioso. "Intrigante como?"

Caleb abriu um arquivo em seu computador e mostrou a tela para Prestel. "Ela é uma ex-professora de etiqueta, com um talento para a observação e a discrição. Ela também tem experiência em lidar com pessoas difíceis."

Os olhos de Prestel brilharam com antecipação. Uma professora de etiqueta. A fachada perfeita. "Elena," ele murmurou, um sorriso cruel curvando seus lábios. "Ela pode ser exatamente o que precisamos."

[...]

O salão de eventos do gabinete do governador estava adornado com flores e luzes suaves, criando um ambiente aconchegante e acolhedor. O aroma de comida caseira pairava no ar, misturando-se com o perfume suave das flores. Era um dia especial, um almoço de despedida para senhora Gertrudes, a secretária leal que havia servido o gabinete por décadas.

A mesa longa estava posta com uma variedade de pratos deliciosos, preparados com carinho pela equipe da cozinha. O aroma tentador de assados, ervas frescas e especiarias preenchia o ar, tornando o ambiente acolhedor e festivo. Toalhas de mesa brancas e impecáveis cobriam a superfície, enquanto elegantes arranjos de flores adicionavam um toque de cor e frescor.

Senhora Gertrudes, com um sorriso radiante no rosto, ocupava o lugar de honra, cercada por seus colegas de trabalho. Eles estavam todos reunidos para celebrar a aposentadoria da amada secretária , que dedicara décadas de sua vida ao serviço e ao bem-estar de todos.

Os olhares de admiração e gratidão voltados para Gertrudes refletiam a profunda estima que todos sentiam por ela.

Kevin Lancelot, o governador, levantou sua taça de champanhe, o brilho das luzes refletindo em seus olhos. O salão estava cheio de rostos familiares, todos reunidos para celebrar a carreira e a aposentadoria da querida Senhora Gertrudes. O murmúrio das conversas cessou, dando lugar a um silêncio respeitoso enquanto Kevin começava seu discurso.

"Senhora Gertrudes," começou ele, com uma voz forte e clara, "hoje nos reunimos para celebrar sua dedicação e lealdade. Sua presença iluminou este gabinete por muitos anos, e sua sabedoria e gentileza serão profundamente sentidas." As palavras de Kevin ressoaram pelo salão, cada sílaba carregada de sinceridade e admiração.

Gertrudes, sentada no lugar de honra, sentiu as lágrimas se formando nos cantos dos olhos. A emoção do momento era palpável, e ela não conseguia conter o sorriso que se espalhava em seu rosto. Ela sabia que aquele era um reconhecimento genuíno de seus anos de trabalho árduo e amor pelo que fazia.

"Em nome de todos nós," continuou Kevin, erguendo a taça um pouco mais alto, "agradeço por tudo o que fez. Seu compromisso inabalável e sua dedicação são exemplos para todos nós. Não apenas como profissionais, mas como seres humanos." Ele fez uma pausa, permitindo que suas palavras se assentassem.

Um coro de aplausos ecoou pelo salão, e a senhora Gertrudes, emocionada, enxugou uma lágrima com um lenço de renda. "Obrigada, sua excelência governador. Trabalhar aqui foi uma honra, uma experiência que levarei para sempre em meu coração."

Um a um, os membros do gabinete se levantaram para compartilhar suas memórias e expressar sua gratidão à senhora Gertrudes. O ambiente, já aquecido pela celebração, encheu-se ainda mais de emoção e camaradagem. Histórias engraçadas, momentos emocionantes e palavras de admiração preencheram o salão, criando um clima de união e respeito profundo.

"Eu nunca vou esquecer a vez que a senhora Gertrudes salvou nosso jantar de gala," começou João, um dos assessores mais antigos. "Estávamos todos em pânico quando o chefe de cozinha caiu doente, mas a senhora Gertrudes entrou na cozinha como uma heroína e fez magia com os ingredientes que tínhamos. Todos nós saboreamos o melhor banquete que já tivemos."

A sala explodiu em risos e aplausos, e Gertrudes não pôde deixar de sorrir, lembrando-se daquele dia caótico, mas gratificante.

Em seguida, foi a vez de Maria, a assistente pessoal de Kevin, compartilhar sua história. "Senhora Gertrudes, eu estava tendo um dia particularmente difícil quando você me encontrou chorando na cozinha. Em vez de apenas me consolar, você me fez um chá de ervas especial e me contou histórias de sua juventude. Aquele momento de gentileza fez toda a diferença para mim, e sou eternamente grata."

As palavras de Maria trouxeram lágrimas aos olhos de muitos presentes, inclusive aos de Gertrudes, que se sentiu profundamente tocada pelo reconhecimento da sua pequena, mas significativa, ação.

Dentre as muitas histórias e agradecimentos, o clima de camaradagem e respeito cresceu. Cada relato era um testemunho da influência positiva de Gertrudes sobre todos ali. Kevin, o governador, observou com um sorriso satisfeito, orgulhoso de ver a equipe unida em torno de uma pessoa tão extraordinária.

Finalmente, chegou a vez de Kevin falar novamente. "Senhora Gertrudes, as histórias que ouvimos hoje são apenas uma amostra do impacto que você teve em nossas vidas. Sua dedicação e seu coração generoso deixaram uma marca indelével em todos nós. Agradecemos de coração por tudo que fez."

Com isso, Kevin se aproximou de Gertrudes, entregando-lhe uma pequena caixa de veludo. Dentro, havia uma joia delicada, um presente de toda a equipe em reconhecimento ao seu serviço e amizade.

Enquanto os aplausos enchiam o salão, Gertrudes sentiu-se cercada pelo calor e pelo carinho de seus colegas. Era um momento de celebração, mas também de reflexão sobre uma carreira rica em experiências e conexões humanas. E assim, com um coração cheio de gratidão, ela se despediu daquela fase de sua vida, pronta para novas aventuras, mas sempre levando consigo as memórias e os amigos que fez ao longo do caminho.

Após o almoço, Kevin se dirigiu a Derek e Maxon, seus conselheiros, com um olhar inquisitivo. "Alguma novidade sobre os candidatos para a vaga de secretária?"

Derek trocou um olhar com Maxon antes de responder. "Ainda não encontramos um candidato que se destaque, governador. Mas já iniciamos as entrevistas. Esperamos ter uma lista de finalistas em breve."

Kevin assentiu, pensativo. "Lembrem-se, precisamos de alguém confiável, alguém que possa se integrar à equipe sem levantar suspeitas. A segurança deste gabinete depende disso."

"Pode deixar conosco, governador," assegurou Maxon. "Estamos tomando todas as precauções necessárias para garantir que o processo de seleção seja impecável."

Naquele momento a atmosfera festiva do almoço de despedida foi abruptamente interrompida pelo toque estridente do celular de Kevin. Ele franziu a testa, estranhando a ligação em um momento tão inoportuno. Ao atender, a voz preocupada Governanda de sua casa ecoou do outro lado da linha.

"Sua Excelência, me desculpe incomodar, mas a Diana não apareceu na escola hoje," a voz governada soava tensa. "Já liguei para todas as amigas dela, mas ninguém a viu."

O sangue de Kevin gelou. Diana, sua filha mais velha, desde que sua mãe perdeu a vida, tornou-se rebelde, e sempre buscava maneira de ganhar atenção de seu pai de forma errada.

A ideia de que ela pudesse ter desaparecido o deixou furioso.

"Como assim ela não apareceu?" Kevin explodiu, a voz carregada de raiva. "Por que não me ligaram antes?"

"Eu... eu esperei um pouco, pensando que ela poderia ter ido para a casa de alguma amiga," a governanda gaguejou, apavorada. "Mas quando liguei para a escola, me disseram que ela não havia comparecido às aulas."

Kevin respirou fundo, tentando controlar a raiva.

" Fique atenta caso a

haja alguma novidade, vou cuidar do assunto. E não saia de casa até que eu chegue aí," ordenou, desligando o telefone com um gesto brusco.

Derek e Maxon se aproximaram, preocupados com a expressão sombria no rosto do governador.

"Aconteceu alguma coisa, sua excelência?" Derek perguntou, a voz cautelosa.

"Diana desapareceu," Kevin respondeu, a voz carregada de fúria e preocupação. "Ela não foi para a escola hoje, e ninguém sabe onde ela está."

O clima de festa se dissipou, substituído por uma tensão palpável. O desaparecimento da filha do governador era uma notícia alarmante, que exigia ação imediata.

"Vamos acionar a segurança," disse Derek, com determinação. "Faremos com discrição, como sempre, de forma a não despertar a imprensa. Não podemos correr o risco de uma comoção pública antes de sabermos o que está acontecendo. Vamos encontrá-la, sua excelência."

Kevin assentiu, sentindo um nó na garganta. Ele precisava manter a calma, mas a ideia de que sua filha pudesse estar em perigo o deixava desesperado.

Kevin, com o rosto contraído em fúria, mal conseguia conter a onda de preocupação e raiva que o assolava. A notícia do desaparecimento de Diana o atingiu como um soco no estômago, e a incerteza do paradeiro de sua filha o consumia.

Enquanto Derek e Maxon coordenavam a segurança e acionavam as medidas necessárias, um telefonema inesperado trouxe um alívio momentâneo, seguido de uma fúria ainda maior. Um dos seguranças particulares de Kevin havia encontrado Diana em uma festa na casa de uma colega de escola.

"Ela está bem, senhor Governador," informou o segurança, a voz aliviada, mas cautelosa. "Aparentemente, ela decidiu matar aula para ir à festa. Ela está com algumas amigas, todas em segurança."

Kevin respirou fundo, tentando controlar a raiva que fervia em seu peito. A notícia de que Diana estava segura trouxe um breve alívio, mas a irresponsabilidade de sua filha o deixou furioso. Como ela pôde ser tão imprudente, especialmente em um momento como aquele?

"Traga-a para casa imediatamente," ordenou Kevin, a voz carregada de fúria. "E certifique-se de que ela não saia de casa até que eu chegue."

O segurança confirmou rapidamente antes de desligar.

Desligando o telefone, Kevin se virou para Derek e Maxon, a expressão sombria em seu rosto. "Ela está em uma festa," disse, a voz baixa e ameaçadora. "Uma festa, enquanto nós estávamos preocupados com o paradeiro dela."

Desligando o telefone, Kevin se virou para Derek e Maxon, a expressão sombria em seu rosto. "Ela está em uma festa," disse, a voz baixa e ameaçadora. "Uma festa, enquanto nós estávamos preocupados com o paradeiro dela."

Derek e Maxon trocaram olhares preocupados, sabendo que Kevin não toleraria esse tipo de comportamento. "Senhor Governador, talvez seja melhor conversar com ela com calma," Derek sugeriu, tentando acalmar a situação.

"Calma?" Kevin explodiu. "Ela me deu um susto daqueles! Ela vai aprender a nunca mais fazer isso." Kevin, consumido pela preocupação e raiva, estava determinado a dar uma lição em sua filha, uma lição que ela jamais esqueceria.

A senhora Gertrudes percebeu que havia algo errado com seu ex-chefe, Kevin, agora. A expressão tensa em seu rosto e o olhar perdido não passaram despercebidos por ela.

"Posso ajudar pela última vez, sua excelência?" indagou ela, mostrando preocupação genuína.

Kevin suspirou profundamente, passando a mão pelos cabelos. "Era a Diana. Ela decidiu faltar aula e não dar satisfação. Descobrimos que está em uma festa. Não sei mais o que fazer com ela, Gertrudes."

Gertrudes olhou para Kevin com olhos compreensivos, mas firmes. "Não leve esse assunto de ânimo leve, mas esteja consciente de que tens parte de culpa. Essa afronta é uma maneira de buscar a sua atenção," declarou ela com convicção. Conhecia Diana desde pequena e sabia que a jovem estava clamando por algo mais profundo do que simples liberdade.

Kevin abaixou a cabeça, sentindo o peso das palavras de Gertrudes. "Não sei o que será daqui para frente sem ti," comentou ele, a voz embargada pela incerteza e pelo medo do futuro.

Gertrudes se aproximou, tocando levemente o ombro de Kevin em um gesto de conforto. "Você é um bom homem, Kevin. E Diana precisa de você, não como chefe, mas como pai. Seja presente, ouça-a, e talvez você encontre um caminho para se reconectar com ela."

Kevin olhou para Gertrudes, sentindo a sinceridade em suas palavras. Ele sabia que estava diante de um desafio pessoal e que a presença de Gertrudes sempre fora um pilar de força em sua vida. Agora, sem ela, precisaria encontrar essa força dentro de si mesmo.

"Obrigado, Gertrudes. Vou tentar fazer o melhor por Diana," disse ele, com determinação renovada.

Gertrudes sorriu levemente, satisfeita por ver uma centelha de esperança no olhar de Kevin. "Tenho certeza de que você vai conseguir. E lembre-se, nunca é tarde para começar de novo," disse ela, antes de se despedir e sair, deixando Kevin refletindo sobre as mudanças necessárias em sua vida.
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