capítulo 2
O aroma doce dos bolinhos se dissipou no ar, substituído pelo cheiro metálico do medo. Cookie, com o coração pulsando como um tambor, segurava a irmã nos braços, tentando desesperadamente trazê-la de volta à consciência. " mana Kensani, por favor, acorda! Não me deixa!" lágrimas quentes escorriam por seu rosto, manchando a pele pálida da irmã.
Vizinhos curiosos se aglomeravam, murmurando palavras de consolo e oferecendo ajuda. Cookie, em choque, mal conseguia ouvi-los. Tudo o que importava era Kensani, sua irmã, sua melhor amiga, sua rocha.
Com a ajuda de um vizinho, Cookie colocou Kensani no banco de trás do carro adaptado, agora uma ambulância improvisada. Acelerou pelas ruas estreitas de Vulcano, o motor roncando alto, um grito de desespero em meio ao caos.
No hospital, a sala de espera parecia um labirinto de rostos preocupados e sons angustiantes. Enfermeiras corriam de um lado para o outro, médicos falavam em tons urgentes, e o cheiro de desinfetante pairava no ar, um lembrete sombrio da fragilidade da vida.
Horas se passaram, uma eternidade de espera e angústia. Cookie, sentada em uma cadeira desconfortável, encarava o chão, tentando controlar as lágrimas que insistiam em cair. Finalmente, um médico se aproximou, o rosto marcado pela preocupação.
"Sra. Rivera?" a voz do médico era suave, mas carregada de más notícias. "Sua irmã está em estado grave. Os exames revelaram uma insuficiência renal aguda. Ela precisa de um transplante de rim com urgência."
As palavras ecoaram na mente de Cookie, um golpe devastador.
Transplante de rim. Uma sentença de morte pairando sobre sua irmã. "Mas... mas ela vai ficar bem, não é?" Cookie perguntou, a voz trêmula.
O médico suspirou. "Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance. Mas a lista de espera é longa, e o tempo é crucial."
Cookie sentiu o chão sumir sob seus pés. A lista de espera. Uma corrida contra o tempo que ela não podia vencer. "Tem que haver outra maneira," ela murmurou, a voz embargada.
O médico colocou a mão no ombro de Cookie, um gesto de conforto. "Entendo sua angústia. Mas, infelizmente, não há atalhos."
A luz fria e estéril do quarto de hospital iluminava o rosto pálido de Kensani, que repousava na cama, os olhos semicerrados. Cookie, com o coração apertado, sentou-se ao lado da irmã, segurando sua mão com delicadeza.
" mana Kensani, precisa saber de uma coisa," Cookie começou, a voz embargada pela emoção. "Os médicos... eles disseram que você precisa de um transplante de rim."
Os olhos de Kensani se arregalaram, e um suspiro fraco escapou de seus lábios. "Um transplante?" ela murmurou, a voz rouca.
Cookie assentiu, as lágrimas correndo livremente por seu rosto. "Sim, mana . E estas como última na lista de espera" cookie apertou a mão da irmã, tentando transmitir conforto. " não se desespere, mana " ela disse, a voz fraca, mas firme. "Vamos encontrar uma solução. Há sempre uma solução."
Kensane levou um tempo em silêncio para assimilar a notícia triste sobre o seu estado de saúde. As palavras da sua irmã ecoavam em sua mente como um trovão distante, e o seu quarto de hospital parecia se encolher ao seu redor. A gravidade da situação pesava sobre seus ombros, mas ela sabia que precisava ser forte.
"Só pode ser um teste de Deus, e eu vou passar," ela murmurou com voz trêmula, deixando cair lágrimas silenciosas. Seus olhos encheram-se de determinação enquanto apertava a mão de Cookie, de sua irmã. Cookie estava ao seu lado, oferecendo um conforto silencioso, mas poderoso.
Cookie, sentindo a força desesperada de Kensane, deu um leve sorriso de encorajamento. Ela sabia que as palavras não eram suficientes para aliviar a dor de sua irmã , mas decidiu se mostrar otimista e firme. "Não sei ainda como, mas nós vamos sair disso juntas," declarou Cookie, sua voz cheia de convicção.
Kensani concordou por um instante, mas de repente veio à sua mente um pensamento. Ela sabia como sua irmã mais nova era altruísta e, com o espírito de servir, seria capaz de fazer qualquer coisa, ainda que fosse errada, só para agradar alguém.
"Cookie, você não vai fazer nada de errado, nem tenta ser herói," Kensani interrompeu, a voz carregada de determinação. "Eu te proíbo, você me ouviu? Prometa para mim, Cookie. Prometa que você não vai se meter em nada ilegal, nada perigoso."
Cookie hesitou, o conflito dilacerando seu coração. Ela queria prometer, queria acalmar a irmã, mas a ideia de perdê-la era insuportável. Os olhos de Cookie encheram-se de lágrimas, e ela apertou os lábios, lutando contra a avalanche de emoções que ameaçava transbordar.
"Prometa, Cookie," Kensani repetiu, a voz fraca, mas firme. "Prometa que você vai esperar, que vai confiar no tempo. Prometa que você não vai colocar sua vida em risco por mim."
As lágrimas de Cookie caíram sobre a mão da irmã, molhando sua pele pálida. "Eu... eu prometo," ela sussurrou, a voz quebrada. "Mas, mana se eu te perder..."
"Você não vai me perder," Kensani interrompeu, um sorriso fraco curvando seus lábios. "Nós vamos superar isso juntas, como sempre fizemos. Mas, por favor, Cookie, prometa que você vai fazer tudo certo."
Cookie assentiu, a promessa pesando sobre seus ombros. Ela sabia que tinha que honrar a palavra dada, mas a incerteza do futuro a assombrava.
Kensani insistiu que Cookie fosse para casa naquela noite para cuidar de tudo. "Você precisa descansar, Cookie. Vá para casa e cuide de tudo. Volte amanhã com algumas coisas que eu vou precisar, já que vou ficar mais dias no hospital."
Cookie relutou, olhando para Kensani com preocupação. "Eu não quero te deixar sozinha, Kensani. E se você precisar de algo durante a noite?"
Kensani sorriu, tentando transmitir confiança e tranquilidade. "Eu ficarei bem, Cookie. O hospital tem enfermeiros incríveis e eu estou em boas mãos. Você precisa cuidar de si mesma também."
Com um suspiro, Cookie finalmente concordou. Ela sabia que Kensani estava certa, mas a ideia de deixá-la sozinha era dolorosa. Então, com um último abraço caloroso e uma promessa de voltar cedo na manhã seguinte, Cookie saiu do hospital e voltou para casa.
O caminho de volta foi uma mistura de pensamentos e emoções. A noite estava silenciosa, e a lua cheia iluminava a estrada. Cookie pensava em todas as coisas que precisava preparar para o dia seguinte. Além das roupas e itens pessoais de Kensani, ela também queria trazer algo que pudesse levantar o ânimo de sua irmã. Talvez um livro que ela gostasse ou uma lembrança especial.
Ao chegar em casa, Cookie se dirigiu diretamente para o quarto de Kensani. Abriu o guarda-roupa e começou a separar as roupas que a irmã usaria no dia seguinte. Escolheu peças confortáveis e coloridas, que refletissem o espírito vibrante de Kensani.
Derepente começou a sentir que a casa parecia menor e mais vazio do que nunca, pensou cookie . A pilha de roupas limpas para Kensani jazia sobre a cama, um lembrete silencioso da irmã que agora ocupava um leito de hospital.
Cookie abriu a gaveta, revelando o pequeno maço de notas e algumas moedas. A contagem foi rápida e dolorosa. A realidade a atingiu como um soco no estômago: o dinheiro mal daria para cobrir as despesas básicas, quanto mais um transplante de rim.
Um nó se formou em sua garganta, e lágrimas ameaçaram transbordar. Como ela poderia salvar Kensani com tão pouco? A promessa feita à irmã ecoava em sua mente, um fardo pesado demais para suportar. O desespero era uma sombra constante, sempre presente, lembrando-a da dura realidade que enfrentava.
Ela fechou a gaveta com um movimento brusco, sentindo a frustração tomar conta de seu corpo. Não era justo. Kensani não merecia passar por isso, e a impotência que Cookie sentia a corroía por dentro. Olhando em volta do quarto, suas memórias com a irmã começaram a desfilar pela mente, cada uma mais dolorosa que a outra.
Com os olhos vermelhos e o coração apertado, Cookie pegou a sacola com as roupas de Kensani e colocou num canto visível para levar amanhã cedo.
Então começou a organizar algumas coisas na casa, e entre elas estava em tirar o lixo, então saiu e deu de cara com Carlos, o vizinho irritante, sempre com um sorriso debochado no rosto.
"Cookie, ouvi dizer que sua irmã não está bem," disse Carlos, a voz carregada de falsa preocupação. "O vizinho lá de baixo me contou. Sinto muito." Cookie sentiu a irritação fervilhar dentro dela ao ouvir aquelas palavras. Naquele bairro, parecia que não havia ninguém em quem ela pudesse confiar. Mesmo o vizinho que ajudou a levar sua irmã ao hospital não conseguiu guardar silêncio sobre o estado dela, espalhando a notícia para o resto da vizinhança.
Ela olhou para Carlos com uma expressão fria e desinteressada. Cookie não tinha disposição para conversar, especialmente com alguém que se alimentava das desgraças alheias. "Obrigada, Carlos," respondeu ela em um tom cortante, sem mostrar qualquer emoção. Cookie assentiu brevemente, sem vontade de prolongar a interação. Ela apenas queria ir embora o mais rápido possível.
"Mas sabe, ouvi dizer que há maneiras de conseguir um transplante mais rápido," continuou Carlos, com um tom misterioso. "Se você estiver interessada, me procure amanhã à noite. Tenho algumas informações que podem te interessar."
Cookie o encarou, desconfiada. Carlos sempre fora um aproveitador, alguém que se beneficiava da desgraça alheia. Mas a desesperança era uma força poderosa, e a possibilidade de salvar Kensani a fez hesitar. Seus pensamentos corriam em um turbilhão, uma batalha interna entre o medo do desconhecido e a vontade desesperada de ajudar sua irmã.
Ela apertou os lábios, tentando reunir suas emoções conflitantes."O que você quer dizer?" perguntou Cookie, a voz trêmula. O coração dela batia acelerado enquanto encarava Carlos.
"Coisas que você não vai encontrar nos canais oficiais. Coisas que podem fazer a diferença entre a vida e a morte," disse ele, mantendo o tom enigmático.
Carlos sorriu, um sorriso que mostrava seus dentes amarelados e dava um ar sinistro à sua expressão. "Amanhã à noite, Cookie. Se você estiver realmente desesperada para salvar sua irmã, me procure. Eu posso te ajudar."Com essas palavras, Carlos se afastou, deixando Cookie sozinha no corredor.
Cookie sentiu um calafrio percorrer sua espinha. As palavras de Carlos soaram como uma promessa sombria e carregada de más intenções. Enquanto ele se afastava, suas botas ecoando no corredor vazio, Cookie ficou parada, com a mente fervilhando de perguntas e um medo crescente no peito.
A reputação dele ela conhecia muito bem. Carlos tinha envolvimento com gangues, e sua fama de homem perigoso o precedia. Ela lembrava perfeitamente da vez que ele tentara aliciá-la quando chegaram ao bairro, propondo que ela participasse em um de seus esquemas. Mas Cookie fora prudente o suficiente para discernir que aquele era um caminho de perdição.
Naquela época, sua intuição a guiou, e ela se manteve firme em sua decisão de não se envolver em atividades ilícitas. Agora, parecia que o destino estava novamente testando sua integridade. Por que ela confiaria em alguém como Carlos? Um homem que não hesitava em explorar a vulnerabilidade alheia para benefício próprio.
Cookie refletiu sobre o encontro recente, suas mãos ainda trêmulas de raiva. Ela sentia um misto de frustração e desespero ao perceber que, mesmo em momentos de crise, tinha que lidar com pessoas como Carlos. Mas isso também a fortalecia, reafirmando seu compromisso de proteger a irmã e manter-se longe do perigo.
Com um último olhar de desdém para o contendor de lixo, Cookie se endireitou. Seu coração estava decidido a não permitir que a escuridão à sua volta a consumisse. Ela sabia que as próximas semanas seriam uma verdadeira prova de seu caráter e determinação.
No silêncio da noite, enquanto caminhava de volta para casa, Cookie prometeu a si mesma que se manteria fiel aos seus princípios. E mesmo que o destino continuasse a testar sua integridade, ela não se desviaria do caminho correto. Cookie era mais forte do que qualquer desafio que pudesse surgir, e a força que encontrava em sua própria moralidade seria sua guia inabalável.