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Depois de ligar para o cara que estava atrás dele, ele foi embora feliz.
"Eu consegui!" exclamou ela, sorrindo e gesticulando com os braços. "Boa sorte", disse-me.
Ouvi meu nome por um alto-falante; era minha vez.
Havia uma mesa cinza, um laptop em cima da mesa e um cara que estava escrevendo alguma coisa.
—Bom dia—cumprimentei.
O cara nem tinha notado que eu tinha chegado. Que grosseria!
"Bom dia!" exclamei em voz alta.
Ele pigarreou, erguendo o olhar.
—Bem-vindo(a), qual é o seu nome?
—Camille.
—Camille?
—Arden.
—Certo, vou analisar seu currículo.
—Vejo que você ainda não tem nenhuma experiência.
—Isso mesmo, estou no último ano da universidade, mas sou alguém que consegue se adaptar e aprender muito rápido.
—Quanto você gostaria de ganhar?
—Bem… No momento, a prioridade não é o valor, mas sim adquirir experiência, porém gostaria de ser remunerado de acordo com minhas habilidades.
Ah, eu não tinha esquecido o que ia dizer.
—Por que você gostaria de trabalhar nesta empresa?
—Hoje sabemos que a melhoria contínua é um dos pontos-chave em qualquer empresa, razão pela qual esta empresa é tão reconhecida internacionalmente, e eu gostaria de fazer parte da equipe executiva, contribuindo ainda mais. Gostaria também de utilizar meu conhecimento, por isso acredito que esta é a oportunidade ideal para isso.
Minhas mãos suavam cada vez mais, mas parecia que o interrogatório daquele cara já havia terminado.
—Vejo que você também está solteiro —ela sorriu de forma sedutora.
Ele olhou para mim com olhos perversos; eu conseguia ver para onde suas pupilas estavam indo.
—É uma pena que uma mulher tão bonita esteja sozinha.
Apertei os lábios, talvez por educação.
—Certo, Camille. Ligaremos para você mais tarde, precisamos analisar algumas coisas. Esperamos que você tenha paciência e, se a vaga para a qual você está se candidatando for aberta, com certeza entraremos em contato. —Apertei a mão dela.
Saí da empresa; pelo menos agora eu podia respirar direito. Além disso, aquele cara parecia um tarado; não ia me enganar. Saí e peguei um táxi.
Quando cheguei em casa, me joguei no sofá. Minha cabeça doía por causa do dia. Olhei meu celular e percebi que já era 13h. Eu tinha perdido as aulas da manhã por causa da entrevista de emprego. Levantei, fui até a cozinha, peguei as quatro fatias de pizza na geladeira e coloquei no forno. Esse seria meu almoço.
Depois de comer, tomei um banho rápido, vesti uma calça jeans velha, uma blusa de manga curta e tênis brancos. Prendi o cabelo num coque desarrumado e saí de casa.
"Cami!" Ouvi uma voz atrás de mim. Me virei, só para ter certeza de que era o Jace. "Ei, espera", disse ele, ofegante, ao chegar perto de mim. Ele tinha corrido metade do corredor. Esqueci de mencionar que o Jace morava no mesmo prédio que eu, no apartamento dos fundos.
"Estou com pressa", eu disse, dirigindo-me ao elevador.
"Brielle me disse que você tinha uma entrevista de emprego", disse ela, seguindo-me. Quando chegamos ao elevador, entramos as duas. Apertei o botão do térreo e as portas se fecharam.
-É assim mesmo.
—Espero que você encontre algo permanente desta vez. O ruim é que seja na Vale Holdings.
Olhei para ele, franzindo a testa.
—Qual o problema de estar ali?
"Bem..." ele coçou a nuca, um pouco nervoso, "...ouvi coisas sobre o chefe daqui. Adrian Vale. Cuidado com ele."
"Mas o que você quer dizer?" Dei uma risada nervosa. Eu realmente não entendia a tolice de Jace; não sei se ele estava dizendo isso por ciúme ou o quê.
—Só ouvi coisas, principalmente de mulheres…
Então me dei conta.
—Claro, pois muitos terão que passar por você.
"Não é isso, Cami, é só que muitas mulheres vêm falar comigo", disse ele com um toque de arrogância. Revirei os olhos naquele momento. "E coisas acontecem em reuniões como esta."
"Escuta, se por acaso eu for aceito na Vale Holdings, vou trabalhar, não transar com o meu chefe", deixei bem claro.
"A melhor coisa que poderia te acontecer é que eles não te aceitem", sussurrou ele tão baixinho que provavelmente pensou que ela não o ouviria.
Abri a boca em espanto, mas logo a fechei. Estava ansioso para chegar à sala de estar.
"E se fosse esse o caso?", provoquei. "E se o chefe quiser transar comigo? Afinal, a vida é minha."
Num movimento rápido, Jace agarrou minhas duas mãos e me jogou contra o elevador. Encarei-o com raiva. Ele parecia furioso, como uma pessoa completamente diferente. Aparentemente, o que eu tinha dito o havia chateado.
—Jace, o que há de errado com você?
"Estou cuidando de você, Cami, você não entende? Eu não gostaria que algum idiota se aproveitasse de você. Você é tão inocente."
Balancei a cabeça negativamente porque aquele cara era maluco.
"Eu sei me cuidar, Jace, agora me solta." Tentei me soltar do seu aperto, mas foi inútil. Ele era obviamente mais forte do que eu.
"Você é teimosa demais, Cami", disse Jace, soltando-me. Nesse instante, as portas do elevador se abriram. "Vou para a universidade. Quer que eu te dê uma carona?"
"Não, obrigada", respondi, sendo a primeira a sair e caminhando rapidamente. Já estava atrasada para as minhas duas últimas aulas. Saí do prédio em busca de um táxi.
