Capítulo 8 - Seu Mentor
JOHN.
Samantha Banks era a mulher mais imprevisível que eu já tive que lidar.
A garota de aparência frágil, pele pálida e olhos penetrantes, era tudo menos ingênua. E se você é alguém com o mínimo de bom senso, vai querer manter uma boa distância dela.
Se conseguir...
Eu não sou o tipo de cara que se impressiona fácil. Na verdade, desde o término do meu último relacionamento desastroso a um ano atrás, tudo o que eu quero agora é me manter longe de problemas. E Samantha Banks era a própria definição da maldita palavra.
Eu não sou santo, muito menos perfeito. Mas transar com uma colega de trabalho que eu teria que lidar todo dia e de quebra ainda ser a filha do general era muita burrice.
Em dez anos em regime militar, eu nunca fiquei com ninguém dentro ou fora da base. Não sou do tipo que me relaciono sexualmente com minhas colegas de trabalho, essa era minha regra principal, já que nunca tive a pretensão de ferrar com a minha carreira.
No entanto aqui estava ela, a mulher que em menos de 24 horas me fez quebrar a porra da regra que eu sigo a mais de uma década.
Não que eu não soubesse dos olhares e comentários femininos a meu respeito, mas além de ignorar qualquer investida inclusive de oficiais de postos elevados, nenhuma delas nunca me interessou.
Até agora!
Mas levar em conta que quebrei a regra de não transar com mulheres que usam farda e de quebra ela ainda fazer parte da minha equipe era o mesmo que admitir que eu fiz merda.
É claro que nenhum de nós tinha como saber um do outro naquela noite. Supor que Samantha me falaria quem era seu pai é utopia, já que é bem visível o problema de relacionamento que ela tem com ele.
Mas isso não impediu que eu ficasse zangado, já que respeito era o mínimo que eu deveria ao meu superior.
— Capitão, o general quer vê-lo — Rhodes disse ao abrir a porta da minha sala.
Eu acenei com a cabeça e me preparei antes de seguir para a sala do general, que ficava a apenas algumas portas de distância da minha.
— Mandou me chamar, senhor?
— Sim, sente-se John — ele disse enquanto apontava a cadeira à sua frente— E sabe que não precisa de toda essa formalidade comigo garoto.
O general Miller serviu com meu pai quando eram mais jovens, eles se tornaram amigos e Miller pôde acompanhar de perto meu progresso nas forças armadas até me recrutar para ser o capitão da sua equipe tática de inteligência aqui na Delta.
Nós tínhamos um ótimo relacionamento, ele me ajudou na minha carreira militar e o mínimo que eu lhe devia era respeito. Então nesse exato momento eu mal conseguia olhar pra cara do homem, me sentindo o caralho de um traidor, já que passei a noite com a sua filha.
— Quero que seja o mentor da Samantha — ele disparou sem rodeios e senti um frio percorrer minha espinha.
Eu não faço ideia da cara que fiz, mas aquilo realmente me pegou de surpresa.
— Mentor? — foi o que consegui silabar.
— Sim, como eu fui pra você — ele falou como se eu não entendesse o significado daquilo — Quero que teste sua força que a faça superar seus medos. Samantha é uma ótima soldado, mas é imprevisível e imatura. Ela tem tudo lá para se tornar a melhor agente de campo da Delta e não há ninguém mais qualificado para fazer isso do que você, capitão.
Aquilo realmente me pegou desprevenido e fez o sentido da palavra ironia parecer piada de mal gosto.
— Senhor eu não acho uma boa ideia —falei torcendo o nariz, esperando que ele não questionasse meus motivos
— E eu posso saber porquê? — ele questionou.
Merda!
— Bem... pra começar nós dois temos a mesma idade, então eu não sei se ela vai me ouvir — eu comecei a listar os motivos — Eu ainda não a vi em campo, mas acredito que se ela está aqui, deve ser muito boa no que faz. Se descobrir que a estamos forçando, seu desempenho nas missões também pode ficar comprometido.
Essa foi a desculpa mais esfarrapada que consegui pensar no momento e me senti um idiota. O general estreitou seus olhos enquanto analisava cada palavra que saía da minha boca.
— Me diga capitão, já conhecia Samantha? — ele perguntou e eu senti meu sangue congelar.
— Eu... não entendi senhor?
— Ah garoto, estou brincando — ele sorriu e senti o ar voltando aos meus pulmões novamente — Do jeito que falou parece que a conhece tão bem quanto eu. Sei que ela ficaria uma fera, mas quero que faça mesmo assim, John. Quero que teste seus limites, que seja agressivo e duro com ela, isso vai ser importante para sua carreira e ela me agradecerá depois.
Eu não podia acreditar nessa merda. Todo contato que desejava ter com Samantha era o mais profissional e breve possível. Então agora além de ter que lidar com ela, ainda teria que ser a porra do seu mentor.
Mais que inferno!
Eu usaria o fato de estar sentindo muita raiva pra me manter bem longe daquela mulher. Se eu soubesse quem ela era nunca teria me envolvido e seríamos apenas colegas de trabalho. Agora tenho que me controlar pra não lembrar dela nua toda vez que a vejo e isso só me faz odiá-la ainda mais.
