Capítulo 6 - Quebrando as Regras
— Ei, tenente — um dos homens me alcançou. Eu me lembrava do seu rosto mas não sabia quem era entre os dois que foram apresentados, já que meu piloto automático assumiu o controle naquela hora.
— Tenente...? — arrisquei, esperando que me revelasse seu nome.
— Davis — ele sorriu — Mas pode me chamar de Hunter.
Retomei minha caminhada e Hunter me seguiu com um olhar divertido. Ele parecia ser legal, mas eu não estava de bom humor já que meu começo aqui foi um completo desastre.
— Quer almoçar comigo, tenente? — o convite me pegou de surpresa, já que soou estranho assim que as palavras saíram da sua boca.
— Não, obrigada— respondi educadamente.
— Tem Compromisso? — ele perguntou curioso, o que me fez enrugar a testa com uma pergunta um tanto pessoal.
— Não.
— Então você não almoça?
Eu olhei para ele tentando descobrir se era só curiosidade ou ele estava tentando criar algum tipo de afinidade. Levei em conta a segunda hipótese, considerando que eu não conhecia ninguém ali, além é claro do capitão que resolveu me odiar da noite para o dia no pior sentido da palavra.
— Eu tinha esquecido como os americanos são — resmunguei sem fazer contato visual já que seus olhos estavam fixos em mim.
— E como nós somos? Bonitões, atraentes e charmosos? — ele perguntou com um riso na voz
— E com um ego enorme? Exatamente! — eu ri e ele soltou um sorriso tão bonito quanto o do capitão.
Mas porque raios eu estou pensando nele afinal?
Quando me dei conta, estava parada na porta do refeitório enquanto Hunter se afastava me dando passagem.
— Agora não tem mais volta, tenente — ele disse quando me viu exitando.
Eu não entendo porque isso estava sendo tão difícil. Afinal, é só trabalho, fácil e simples. Eu já fiz coisas tão perigosas, me arrisquei, matei pessoas, persegui, fui perseguida, no entanto estava ali parada, me sentindo acuada como uma recruta em seu primeiro dia no quartel.
Para de ser infantil!
Assim que nos servimos e sentamos, enquanto brincava com o brócolis no meu prato, percebi uma mão pequena e feminina esticada em minha direção seguida por uma voz alegre e carismática.
— Oi, sou Ally Anderson, assistente de logística da Delta — a garota com um sorriso largo e grandes olhos azuis se apresentou.
— Samantha Banks — cumprimentei gentilmente.
— Você é a filha do general, certo? — ela perguntou enquanto se juntava a nós na mesa — Todos ouvimos falar de você por semanas, mas ninguém sabia absolutamente nada já que o general foi bem discreto a seu respeito.
Olhei para Hunter a minha frente que revirou os olhos com a empolgação da garota.
— Até onde eu soube, nem o capitão parecia saber muito sobre você. É como se o general tivesse quebrado alguma regra ou sei lá — Ally riu formando uma careta.
Eu sabia que meu pai era reservado sobre suas escolhas, mas realmente não fazia sentido ele não ter entregue um dossiê ao capitão, ou pelo menos uma ficha minha, uma maldita foto que fosse. Porque ele negligenciaria o procedimento padrão? Isso teria evitado todo esse constrangimento.
Enquanto tentava entender o porquê do general ter me escondido, Ally falava sem parar, ela era simpática e cheia de energia e mesmo sendo quase um monólogo, pelo menos alguém estava conversando. Hunter por sua vez ficou mais calado, respondia o que ela perguntava e parecia bem mais sério do que o cara de alguns minutos atrás tentando ser charmoso. Eu sorria e balançava a cabeça mecanicamente, enquanto tentava entender o porquê do meu pai não ter falado sobre mim antes da minha chegada.
Assim que terminei, decidi que era hora de confrontar o general Miller.
Eu tinha perguntas e ele as respostas e eu não sairia dali sem elas.
