Capítulo 5 - Coincidências
Pittsburg - Kansas
Assim que o general Miller atravessou a porta da sala de comando, sua equipe se posicionou em formação batendo continência.
— A vontade — ele respondeu enquanto seguia em direção a sua mesa.
Entrei logo atrás, esperando parecer tão confiante como o general. Apesar de estar presente somente os oficiais de patente, aquela não era uma equipe de soldados comuns.
A Delta Force é a unidade em solo mais sofisticada e altamente preparada que os Estados Unidos dispõe. A equipe de elite é composta por soldados veteranos treinados e habilidosos, então é importante que eu pareça confortável e confiante a altura.
— Senhores, essa é a primeiro-tenente Banks — o general me apresentou.
Assim que virei com um sorriso para o primeiro homem, senti meu rosto empalidecer e meu sorriso desapareceu no mesmo instante, seguido por uma sensação nauseante, como se alguém tivesse socado meu estômago.
— Esse é o capitão John Hale...
Não ouvi mais nada depois disso, estava completamente em choque diante do homem pálido que me olhava em total espanto, enquanto seus olhos assombrados correram discretamente ao redor se certificando que ninguém mais notou os olhares assustados que trocamos.
— Seja bem vinda, tenente — sua voz vacilou enquanto sentia sua mão em volta da minha, apertando em uma saudação firme. A lembrança da noite anterior ferveu em minha mente e senti arrepios quando lembrei das marcas deixadas por elas em minha pele.
Eu estava em pânico. Como diabos isso foi acontecer? Como fui capaz de ter uma noite intensa com o meu superior? Eu tentei a todo custo não demonstrar a decepção em meus olhos.
Isso era inadmissível até pra mim, a pessoa que vivia pelas própria regras, cujo a regra principal era não ter nenhuma regra. Meus pensamentos passavam rápidos pela minha cabeça, já que eu deveria ter no mínimo suposto que aquela admiração do capitão pelo discurso do general só podia indicar que ele era um de seus homens.
Mais que inferno!
— Esse é o tenente Davis — o general continua, enquanto tento me recompor do choque — E esse é o sargento Rhodes. Eu cumprimentei ambos seguido de um sorriso forçado.
— A tenente Banks começou sua carreira militar aqui nos Estados Unidos. Como possui dupla nacionalidade, mais tarde se juntou ao Serviço Aéreo Especial britânico a SAS e nos últimos anos trabalhou como agente na Inteligência — ele me olhou orgulhoso.
Depois de empalidecer, senti meu rosto queimar. Instantaneamente senti meu rosto converter todas as cores do arco-íris e eu nem era do tipo que se constrangia fácil. Mas aquilo foi totalmente desnecessário já que o único que precisava saber das minhas qualificações, era o capitão e mais ninguém.
— Como é do conhecimento de todos, Samantha é minha filha, quero que a tratem com a mesma cortesia e respeito que se dirigem a mim.
Respeito. Qual a necessidade de falar disso? Nessa base deveria haver umas trinta mulheres em serviço, fora que em sã consciência ninguém naquele lugar ousaria faltar com respeito, e se ousarem, eu já sou bem grandinha e posso lidar com isso. Apesar de que, eu duvido que alguém ali sequer olhasse pra mim agora... não depois disso.
Meus olhos escorregaram encontrando os do capitão, já que não ousei olhar para ele desde que fomos 'apresentados'.
Seu rosto estava envolto em uma mistura de fúria e desespero e eu me perguntei se estava muito encrencada.
— Capitão — o general chamou fazendo-o desviar seus olhos de mim — Mostre a base pra ela, vou confiar a você meu maior bem.
Puta merda!
Qual a parte de ser tratada igual aos outros, o general não ouviu? E que caralho foi esse de 'maior bem' ?
Eu fixei meus olhos no chão, sendo incapaz de encarar John, mas senti seus olhos se apertando em mim, provavelmente ainda mais furiosos agora, que praticamente foi designado a ser meu cuidador ou seja lá o que Miller quis dizer com isso.
Eu tô muito ferrada!
— Me encontre daqui a algumas horas, capitão e relate — Miller ordenou — Estão dispensados.
Eu fui a primeira a sair, controlando a vontade de sair correndo para bem longe como uma garotinha medrosa. Soltei todo o ar que havia retido em meus pulmões e quando me dei conta o capitão passava por mim bufando de raiva.
Caminhei atrás dele em silêncio forçando meus pés a acompanhá-lo, enquanto cruzamos o pátio que dava acesso ao outro lado da base.
— Aqui é a academia — ele gesticula com raiva assim que passamos pela entrada do lugar.
— Refeitório e do outro lado fica o estande de tiro — sua voz soa de forma ríspida e ele não faz contato visual em nenhum momento.
Essa foi a visita mais rápida que eu vi na vida. Ele parecia bem apressado em querer se livrar de mim. Engraçado que na noite passada ele parecia bem empenhado enquanto estava dentro de mim.
Pelo amor de Deus, Samantha!
— No prédio ao leste fica o alojamento. Acho que terminamos aqui— ele finalizou.
— Tudo bem, eu não vou ficar na base — respondi informalmente.
— É claro que não vai, sendo filha de quem é — ele respondeu entre dentes.
— Dá pra não ficar repetindo isso? — eu falei cruzando os braços no peito — Escuta, eu sei que está chateado...
— Chateado? Isso não é nem metade do que eu estou sentindo agora — ele me interrompeu travando o maxilar enquanto lançava um olhar furioso — Eu tô perdendo meu domingo aqui, fazendo o serviço do tenente Davis já que é função dele te mostrar a base e ainda tenho que lidar com o fato de ter transado com a porra da filha do meu superior.
— Acho que não vamos querer ter essa conversa aqui, capitão — eu disse observando os arredores já que o tom da sua voz era mais alto do que o esperado.
— Eu não quero ter essa conversa com você nem aqui e nem em lugar nenhum. Vê se fica longe de mim— ele se virou furioso e saiu.
Céus, aquilo era um pesadelo!
Tinha uns trezentos homens naquela maldita festa e eu tive que dormir justo com o meu capitão, que agora parecia me odiar com todas as suas forças.
