Capítulo 3
Brandon
Depois que saí do heliponto, fui logo para a minha casa, mas antes tive de fazer uma coisa da qual não poderia me dar ao luxo de deixar ara depois. Peço ao meu motorista que me leve até o CATO, preciso ver como aquelas crianças estão já que todas ali são de minha responsabilidade. Era muita coisa na minha cabeça e para completar ainda tinha a chegada da Vanda. O que será que essa maluca veio fazer aqui e justo agora?
— Você não parece ter entendido muita coisa, não mesmo? — pergunta, o John. — Mas por que eu não estou surpreso?
— Ora, John. Você sabe que têm coisas nessas reuniões que são do meu interesse, mas hoje, francamente... eu estava a ponto de dormir ali dentro — digo a ele, no saguão. — Mas pegue tudo e copie para um computador com firewall, depois eu examino com mais calma.
John assentiu e eu vou até o banheiro para tirar a água do joelho. Saio e encontro a madre que cuida de tudo ali por mim.
— Vejam se não é o benéfico Brandon Hawks! — ela chega abrir os braços. — Era exatamente com quem eu queria falar!
Que coisa, ela parece ter adivinhado!
— Também é um prazer, irmã Carmem. No que posso ajudá-la? — respondo-lhe, sem muita empolgação. Caramba, um berro é bem melhor do isso.
— Não sei se você já sabe, mas acabaram de chegar duas crianças mais. Eu não pude deixar de acolhê-las, os pais foram mortos e os dois estão muito tristes. Você pode ajudá-los?
Pensei em dizer não, mas o John pisca o olho. Ele acha melhor eu disfarçar, já que fui eu o grande responsável por essa tragédia.
— Está bem, só não prometo que será logo, pois tenho assuntos pendentes ainda hoje. Minha noiva chegou a pouco de Nova York! — eu explico-a.
— Tem razão, mas ao menos nos dê a esperança de acolher esses dois.
É dor na consciência, que chama? Pois se for, a minha parece não ter se acostumado com o meu novo estilo de vida. Não posso dizer logo de cara que sou eu o grande bem feitor do CATO, apenas que sou um doador moderado de recursos.
— Senhor, tudo pronto para irmos.
Ui! Que morena gostosa é essa? Um metro e oitenta, uma cintura linda... nossa, sinto meu amigo dando o ar da graça. Mas não posso me engraçar. Vai que é freira?
— Perdoe-me. Essa é Melissa, minha secretária particular. — diz a madre. — Esse é o senhor Brandon Hawks.
— É um prazer, senhor Hawks — ela responde, apertando a minha mão.
— O prazer é todo meu!
Bom e que prazer. Mas o prazer que eu quero sentir mesmo é com ela e de preferência num local fechado, só nós dois. Mas que porra eu estou pensando? Esse é um local cheio de crianças e freiras!
Sigo a mulher e mesmo com um terninho, não posso deixar de apreciar o traseiro enorme que a cada passo que ela dá, me deixa alterado. Como eu sou sujo.
Vou até o local onde as crianças estão jantando. Eu confio muito a Madre Carmem, pois eu não seria nem doido de pôr um corrupto qualquer para administrar isso daqui. Foi ela quem cuidou de mim quando eu fui abandonado no orfanato no qual eu fui criado. É brincadeira, um órfão de pai vivo.
Sentei-me e comecei a comer junto com as crianças, mas não deixo de prestar atenção nos filhos do Kane. Os olhinhos ainda estão vermelhos, certamente por terem chorado muito. Fito meus olhos neles, prometo que não deixarei que nada lhes falte, é quando o John se aproxima mais uma vez, me pregando um susto.
— O que houve? — pergunto, discretamente.
— Vladmir Ivanov está esperando por você no campo de golfe.
— Agora? O encontro está marcado para..., — olho no relógio e fico tenso. — Merda! Eu não devia ter desviado o caminho.
— Mas ainda dá tempo, eu expliquei que está aqui!
Quem em sã consciência vai marcar um jogo de golfe à noite? Bom, mas acredito que mais insano seja a pessoa que aceitou o convite, nesse caso... eu!
— Tudo bem, mas sabe como aquele russo é. Só espero que esse encontro seja tão agradável quanto o último. Ele pode nos dizer o que está realmente se passando em Nova York.
Digo isso porque o cartel de Nova York está metido com uns chineses que certamente não têm nada a ver com o Boric e nada melhor do que um russo para pegar outro russo. Entro no carro e vou direto para o clube onde meu anfitrião me aguarda.
— Camarada Hawks. Da última vez que o vi, você parecia bem menor! — ele sorri e vem na minha direção, com aquele charuto nojento na boca e me dá um abraço. Por que os chineses são assim?
— É, eu aumentei alguns centímetros... em tudo! — sorrio, ele responde.
Olho ao fundo e vejo algumas mulheres extremamente lindas, todas me olhando de volta. Nikolay Ivanov é conhecido por ser um homem que aprecia o que é bom, não muito diferente de mim, a diferença é que já está velho.
— Vamos jogar? Trouxe seus equipamentos? — perguntou e levou novamente o charuto à boca.
— Não, mas me adapto rápido às coisas.
— Então vamos!
Entramos no carrinho e paramos junto ao primeiro buraco.
— Dez mil por cada um! — ele propõe.
— Salgado, mas dinheiro não é problema! — aceito o desafio. — Só que você não me chamou aqui apenas para jogar golfe e depois ficar com alguma delas, como da última vez. O que está acontecendo?
Nikolay suspira e logo responde.
— São os Boric.
— O que têm eles? — pergunto-lhe, curioso.
— Acontece é que os Boric estão atrapalhando os meus negócios, tanto aqui quanto na Rússia. Ainda ontem eu perdi duas toneladas de drogas que iria enviar para toda América Latina e de lá ela seria encaminhada para a Ásia, mas os safados de Nova York bagunçaram tudo!
— Eu sei!
— Sabe? — dessa vez, ele fica surpreso.
— Recentemente eu tive de eliminar um dos meus homens por estar envolvido com os Boric. Algumas de minhas boates e bares foram comprometidos então descobri que ele havia entregado nosso esquema à escória novaiorquina. E ainda teve a cara deslavada de me chantagear...
— Você é mais parecido com o seu pai, do que imagina, Hawks. Agiu corretamente ao eliminar a maçã podre. — diz.
— Mas o que exatamente você quer de mim, Ivanov? — novamente eu faço-lhe a pergunta.
— Olha, um buraco. Vou tentar acertar. Se eu errar, você pode me tirar dez mil dólares! — ele tentou e lançou. Olhou para mim e prosseguiu. — Sua vez!
Não entendo muito a mente do Ivanov, mas sei que ele é um exímio negociador. Pego meu taco e consigo mandar a bola no buraco.
— Legal, me tirou dez mil! — ele sorri.
— Sou especialista em acertar coisas em buracos, Nikolay.
— Vigoroso que só ele. Mas, então. Eu quero que você desarticule o cartel dos Boric e não venha me dizer que não, porque você pode sim. Tem os melhores homens, Brandon.
— E como você acha que posso fazer isso? — pergunto-lhe.
O desgraçado fala no meu ouvido e o pior é que cada palavra está certa. Não posso deixar de fazer alguma coisa para deter o cartel de Nova York.
— O verão chegou, Brandon. E com ele dezenas de turistas em busca de sexo, distrações e das diversões mais profanas que podemos imaginar. Eu sei que você está com pouco material em seus hotéis e boates e eu só poderei lhe fornecer se me ajudar. Uma mão lava a outra, camarada. Agora vamos, divirta-se um pouco, enquanto pensa na proposta que lhe fiz.
— Vou terminar a minha jogada e ir embora! — comunico-o.
— Como quiser!
Entramos no carrinho e sou conduzido até a saída. Esse negócio já está parecendo uma bola de neve, quanto mais ela rola para baixo, mais fica maior. Embora eu tenha negócios com Ivanov há bastante tempo, não posso confiar nele totalmente, aliás, uma coisa que toda pessoa que se diz esperta não deve fazer é confiar em russos. Ainda mais em um que possui um passado tão cheio de aventuras quando Nikolay Ivanov.
— E então, gostou do jogo? — é o Ivanov. Ele se debruça sobre a janela do meu carro.
— O jogo foi satisfatório! — respondo, sem muita empolgação.
— Sabia que iria gostar. Assim que terminar com os Boric, está convidado para mais uma rodada.
Grande merda!
Eu pensava ter resolvido um problema, acabei me metendo em um ainda maior. Como eu irei me safar dessa e acabar com o cartel de Nova York, sozinho? Esse Nikolay só pode estar com a cabeça fora do lugar.
— Espero que tenha gostado da recepção, senhor Hawks! — uma das mulheres diz, com um sotaque meio russo.
— Simplesmente eu adorei!
O motorista deu a partida, mas no meio do trajeto, recebo uma ligação do Nikolay.
— “E então? O que decidiu?”
— Que eu aceito. Vou dar um fim nos Boric de uma vez por todas e ainda levarei o cartel de Nova York junto!
— “Perfeito...”
Era dizer isso, ou ele não me deixaria em paz!
***
Depois da conversa com Nikolay Ivanov, fui direto para casa, era hora de retornar ao lar. Fiquei observando a paisagem noturna através do vidro. Do lado do meu carro, estão os meus seguranças, não posso bobear, minha cabeça está a prêmio. Ao longe eu avisto a minha mansão e me dou conta de que ali está uma morena que certamente está mais quente que o Monte Santa Helena em plena erupção.
Chego à mansão e tudo parece estar normal. Subo as escadas e quando abro a porta...
— Surpresa!
Caramba! Vanda está deitada atravessa na minha cama e completamente nua. Bom, acho que ainda sobrou um pouco de energia. Depois do péssimo que dia que eu tive hoje...
— Nossa, isso é o que eu chamo de surpresa, hein. Como foi a viagem? — pergunto, ela segue sacudindo as pernas.
— Estou em posição — ela diz. — Por que não entra aqui atrás e depois a gente fala sobre isso?
— Por que tudo pra você tem que ser com palavrões?
Pelo modo como ela me olha, vem tempestade por aí!
