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Capítulo 2

"Vá para o inferno. Você também vai encontrá-la?" Dante ergueu o queixo bruscamente, olhando ao redor do extravagante Castelo Bellanova.

"Pode apostar que vou conhecê-la. Preciso te contar se ela faz o seu tipo", disse Gael, rindo.

"Sim, faça isso. Quero uma nota de um a dez para o quão feia ela é", disse Dante baixinho, certificando-se de que sua mãe não o ouvisse.

“Vou sim. Sinto muito por você, talvez eu te mande um presente no Casino Nero hoje à noite.” Gael piscou, observando a área para ter certeza de que ninguém o ouvira. Os lábios de Dante se curvaram levemente para cima, mas desapareceram quando ele viu, do outro lado da fonte, um SUV blindado desconhecido. Os Bellanovas já estavam lá. Droga.

Sua mãe soltou um som assustado que soava muito como uma maldição. Ele olhou para ela e a viu entrelaçando nervosamente o braço no do pai; a ansiedade estava estampada em seu rosto: a testa franzida e os lábios cerrados com força.

"É só uma pessoa. Eu não estou nervoso, então você também não precisa ficar", ele tentou confortá-la e tranquilizá-la, mas ela o olhou com desaprovação.

"É porque você já a odeia, enquanto eu ainda nem decidi, já que nem a conhecemos", retrucou ela, com um lampejo de irritação nos olhos. Dante revirou os olhos por trás dos óculos escuros e suspirou em silêncio.

"Não se esqueça de levar os dois presentes", disse o pai, ignorando a conversa entre a esposa e o filho enquanto apontava para as duas caixas cuidadosamente embrulhadas com fitas. "Uma para Isadora e outra para a família dela."

Ele olhou para as caixas em suas mãos. Comprara uma garrafa de uísque para a família de Isadora — a mais cara que conseguira encontrar — porque sabia que Orlando Bellanova e seu filho mais velho, Thiago Bellanova, só bebiam bebidas caras. Quanto a Isadora, não sabia o que lhe comprara, já que sua mãe o fizera por ela quando ele se recusou a perder tempo com a pirralha mimada.

Ao se aproximarem da entrada do Castelo Bellanova, uma figura surgiu de dentro assim que a porta se abriu. Era Thiago Bellanova, alto e de ombros largos. Dante e Thiago eram amigos íntimos; viam-se pelo menos uma vez por mês desde a infância. De jogos a conspirações, eram como irmãos.

Orlando Bellanova estava ao lado dele, com uma expressão séria, porém acolhedora. Orlando era como um segundo pai para Dante, o que não era nenhuma surpresa, já que ele se tornaria seu sogro em poucos dias.

O pai de Dante apertou as mãos e abraçou os dois homens, e sua mãe fez o mesmo. Thiago Bellanova deu um tapinha nas costas de Dante em cumprimento, enquanto Orlando o segurava pelos ombros, já que as mãos de Dante estavam ocupadas com as duas caixas. Orlando apertou a mão de Gael, enquanto Thiago o cumprimentou da mesma forma que havia cumprimentado Dante.

"Você parece muito feliz por estar aqui, Dante", disse Thiago entre dentes cerrados enquanto caminhava por um corredor separado, afastando-se de seus pais e de Gael, que estavam indo ao encontro da noiva. Thiago caminhava ao lado de Dante enquanto Orlando os guiava até o local onde encontrariam Élise, sua futura sogra.

—Na verdade, estou animado— a voz de Dante transbordava sarcasmo enquanto ele mantinha o rosto franzido e os olhos inexpressivos.

"Relaxa, seu desgraçado, ela ainda é minha irmã e eu te daria uma surra a qualquer hora por ela", avisou Thiago com um sorriso.

"Quero ver você tentar. Nós dois sabemos que eu tenho uma mira melhor." Dante revirou os olhos, incapaz de conter um sorriso zombeteiro.

"Talvez, mas você sabe que eu sou melhor com uma faca", brincou Thiago, fazendo o peito de Dante se contrair em uma gargalhada.

"Espero que tenha trazido alguma bebida alcoólica para mim", disse Thiago, esfregando as mãos enquanto olhava para a caixa que Dante segurava. Dante sorriu levemente, sabendo que havia escolhido o presente certo.

Eles pararam ao se aproximarem de um par de portas duplas. Orlando acenou com a cabeça para os guardas Bellanova que estavam alinhados no corredor, um de cada lado da porta.

"Aqui está. Te vejo perto do carvalho quando você terminar de pegar", disse Orlando com um sorriso, mostrando suas rugas de expressão. Dante assentiu e observou Orlando e Thiago começarem a caminhar de volta pelo corredor em direção à saída, não sem antes Thiago fazer um sinal de positivo com o polegar.

"Escolha com sabedoria. Uma dica: escolha o branco", disse Thiago, rindo, antes de desaparecer de vista. Dante balançou a cabeça com uma risadinha discreta enquanto os guardas abriam as portas para ele entrar. Ouviu a porta fechar atrás de si, mas não deu importância.

Eu não sabia o que esperar, mas não era isso.

Na imaginação dela, Isadora teria adorado vestidos grandes e extravagantes, com muita renda, brilho e volume. Talvez ela gostasse de um vestido de baile imponente como o que sua mãe escolheu para o casamento no final dos anos oitenta. Ou talvez um daqueles vestidos que se abriam a partir dos joelhos, como o da mãe.

O primeiro vestido, ajustado ao manequim à esquerda, era feito de seda branca. Era um híbrido entre um vestido tubinho e um vestido coluna. O decote era alto e desenhado para drapejar sobre o pescoço sem a necessidade de colar. Apresentava delicados bordados de miçangas ao redor do decote, com pequenas gemas em formato de gota adornando a borda.

O vestido da esquerda era o que tinha mais personalidade entre as três opções, embora mantivesse um estilo atemporal e simples. A primeira coisa que ela notou foi o corpete ajustado, envolto em chiffon branco que complementava o decote quadrado e as alças finas. O vestido tinha um corte reto, como o primeiro, com camadas de seda que drapeavam elegantemente. O manequim usava um par de luvas brancas até o cotovelo.

O vestido no centro chamou sua atenção. Como os outros, era um híbrido entre um vestido reto e um vestido de gala. Ele caía em cascata, ultrapassando os demais e estendendo-se até o chão, com uma cauda que se abria em ziguezague atrás. Era ajustado na cintura e nos quadris; o decote tinha uma leve curvatura no centro — uma combinação de decote coração e decote quadrado — formando um amplo V. As alças eram cravejadas de diamantes brilhantes, e outra alça circundava o ombro; uma alça dupla que passava por cima e por fora do ombro. Essa alça também se conectava ao decote, seguindo a curva e unindo-se do outro lado; ela flutuava acima do próprio decote, servindo como guia e mostrando cinco centímetros de espaço entre o decote do vestido e o cordão cravejado de diamantes. Os diamantes decoravam o vestido como se gotas de chuva tivessem aderido ao tecido e endurecido com o tempo, transformando-se em pedras transparentes. Não era exagerado; parecia elegante, e ele sabia que, se o sol brilhasse sobre ele como estava agora, o tecido pareceria cintilar.

Entre os vestidos, não havia dúvidas de que havia um vencedor claro. Ele já havia tomado sua decisão em menos de dois minutos. Ainda estava perto da porta e nem sequer tinha largado as caixas. Ao fazê-lo, pegou a fita azul que estava sobre a mesa no centro da sala e amarrou-a no pescoço do manequim para mostrar às costureiras que aquele era o vestido escolhido.

Mas ninguém estava preparado para o que viria a seguir.
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