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3

Ou pelo menos era o que eu pensava.

Parei de pensar em coisas malucas e me concentrei apenas em cozinhar os ovos.

"Lembre-se, não abra a porta para ninguém." Claire estava pronta em seu uniforme de enfermeira; ela passou o tempo todo me dizendo as coisas que eu não deveria fazer.

Eu estava sentada no sofá de pijama assistindo a um programa de televisão. Era noite.

"Não se preocupe", eu disse a ela. "Vou dormir daqui a pouco. Estou cansada do dia de hoje."

—Certo. De qualquer forma, ligo para você daqui a uma hora. Também deixei o número do hospital na mesa da cozinha, por precaução.

"Claire, eu vou ficar bem. Pode ir", sorri para tranquilizá-la. Ela retribuiu o sorriso.

"Certo. Estou indo embora." Ela saiu de casa. Eu apreciava a preocupação de Claire comigo, mas às vezes sentia que ela tinha uma responsabilidade que não era dela. Ela tinha agido como uma mãe para mim o tempo todo: indo às reuniões da escola, comparecendo às minhas formaturas e cuidando de tudo.

Saí dos meus devaneios quando a TV mudou de canal sozinha. Franzi a testa, peguei o controle remoto e voltei para o canal em que estava. Mas ela mudou para outro canal de novo.

Que estranho.

Talvez a televisão estivesse avariada.

Levantei-me e desliguei a TV. Não havia nada interessante passando mesmo. Peguei meu celular e verifiquei minhas mensagens e chamadas. Não tinha nenhuma. Pensei que talvez meus amigos se dignassem a me ligar, mas aparentemente não precisavam. Lá fora, na rua, havia alguma movimentação. Fui até a grande janela com vista para a rua e abri um pouco as cortinas. Havia um grupo de rapazes do outro lado da rua; eles estavam fumando e conversando sobre alguma coisa.

Talvez eles tenham frequentado a mesma escola secundária que eu.

"Noah!" gritou alguém da casa vizinha. Era uma das trigêmeas. Ela vestia uma camisola e arrastava um ursinho de pelúcia pelo gramado. "Mamãe quer você dentro! Lembre-se, você não pode ficar lá fora depois do pôr do sol!" A menina parecia ter uns nove anos.

Eu estava me perguntando o que ele queria dizer com estar lá fora depois do pôr do sol. Onde eu já tinha ouvido isso antes? Claro! Na mesma música:

1, 2, 3 não saiam depois do pôr do sol.

1, 2, 3 ou o lobo vai te comer.

Que música estranha. Imaginei que a ensinassem às crianças para impedi-las de sair à noite. Isso seria compreensível. Mas também era mentira.

"Maisie, entre!" o menino, que parecia se chamar Noah, era alto, loiro e um tanto magro. Ele tinha um cigarro em uma mão e um celular na outra. "Você deveria estar dormindo", disse ele à irmãzinha.

—Noé! É perigoso estar lá fora!

"Não é lua cheia, Maisie!" respondeu outro menino. "Vai ficar tudo bem!"

"Maisie, venha aqui!" Agora parecia ser a mãe de Maisie chamando-a. A menina se virou e correu em direção à sua casa.

Como todos são estranhos aqui, pensei.

Fechei as cortinas e fui para o meu quarto. As luzes da casa estavam apagadas; fazia frio e um silêncio sepulcral reinava. O lugar parecia uma cidade fantasma. Ao entrar no quarto, fui até a minha escrivaninha e me sentei. Liguei o laptop e procurei o rascunho que tinha guardado há algumas semanas. Diante de mim, a floresta e o lago. Mesmo sem lua, a luz das estrelas iluminava a paisagem.

O que eu havia escrito até então já não parecia muito coerente. Senti como se estivesse com algum tipo de bloqueio criativo. Respirei fundo e me concentrei. Olhei em direção à floresta e à trilha que levava ao lago. Tudo estava em silêncio, eu não conseguia ver nada, mas de repente vi um animal atravessar a estrada de terra correndo.

"O que foi aquilo?" murmurei. Tinha sido um animal, mas não consegui identificar qual. Meu Deus, era enorme. Isso me assustou um pouco. Levantei-me e me aproximei da janela, observando qualquer movimento perto da casa.

Eu vi! Passou correndo. Mas as árvores bloqueavam minha visão. Eu só conseguia ver sua silhueta se movendo de um lado para o outro. Que tipo de animal é esse? Um cachorro, talvez? Um lobo? Deve haver lobos por aqui. Procurei o animal, mas o pânico me dominou no momento em que o vi perto de casa, próximo à porta dos fundos. Mas o que mais me aterrorizou foi que ele era enorme. Enorme. Gigantesco. O animal levantou a cabeça e olhou para mim.

Prendi a respiração por um instante quando aconteceu aquilo. Era um lobo. Um lobo grande. O lobo negro uivou o mais alto que pôde. Ouvi gritos lá embaixo, então saí do meu quarto e corri escada abaixo. Abri a porta da frente e fui para a varanda.

"Droga, Noah, eles estão aqui!" O grupo de garotos do outro lado ficou em alerta.

Do que eles estão falando, do lobo?

"Ei!" gritei para eles, porque, sinceramente, aquilo parecia cena de filme. Eles me viram.

"Quem é você?", perguntou Noah.

—Mudei-me hoje, do que você está fugindo e por que tem um lobo enorme atrás da minha casa? —Desci os pequenos degraus da entrada.

"Ele voltou?" Noah e seu grupo entraram em pânico. "Você deveria entrar em casa e se trancar", ele me disse.

"Vamos, Noah!" O grupo de amigos fez sinal para Noah ir embora, mas como ele não reagiu, saíram correndo pela estrada em direção às suas casas. Mas Noah seria meu vizinho.

—Entre, por favor. —Noé atravessa a rua e caminha em direção à sua casa.

"Mas o que está acontecendo?", perguntei. "Você poderia explicar por que eles estão tão assustados?" Dei um passo para mais perto.

"Meu Deus!" exclamou ele, olhando para trás de mim. "Entre!" Noah correu e entrou em casa.

Meu Deus, por que tenho a sensação de que há algo atrás de mim?
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