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Capítulo 1

Enquanto o calor intenso se instalava em seus cabelos loiros, Elena apertava nervosamente sua pequena bolsa preta à sua frente, as unhas cravando involuntariamente no couro liso. Diante da enorme e intimidante estrutura de aço e vidro que abrigava a sede do Grupo Alcázar, ela mordeu o lábio, incerta. Seria essa realmente sua única opção? Sua vida havia se tornado tão completamente incontrolável que ela se encontrava de volta à Espanha sob o sol impiedoso, quase vertiginoso, de outubro? Ela contemplou o sol através das árvores, sentindo o calor escaldante em seus ombros nus, lutando contra a náusea que quase a dominava.

Talvez não fosse o calor, pensou. Também poderia ser o fato de não ter comido nada nas últimas vinte e quatro horas. Olhando para o relógio, percebeu que já era hora do almoço.

Suspirando, ela reconheceu que também poderia ser medo, e não terror, de encarar o marido após quatro anos de separação.

Ela deu um pulo quando alguém esbarrou nela por trás. "Com licença", respondeu, dando um passo para o lado enquanto a pessoa tentava passar pelas pesadas portas de vidro. Ela estava parada em frente à porta havia vários minutos. Era hora de encarar as consequências — ou os gritos —, pensou.

Havia um grande pátio com fontes e oliveiras, além de outras variedades de vegetação nativa. Se Elena não estivesse tão apavorada, teria parado para admirar a paisagem. Mas a verdade era que ela esperava ser expulsa daquele prédio assim que dissesse seu nome e o que pretendia fazer.

Por que ele viera então? Não havia outra opção? Ele realmente havia esgotado todos os outros recursos?

Suspirando, Elena sabia que aquele era o último recurso. Não havia para onde ir. E era agora ou nunca, então era melhor acabar logo com aquilo. Respirando fundo para acalmar os nervos, ela se aproximou e abriu a porta de vidro, que se abriu com mais facilidade do que ela esperava.

"Bom dia", ela sorriu para os seguranças que faziam a guarda atrás de um balcão de mármore. "Gostaria de ver Nicolás Alcázar."

Os guardas ficaram surpresos com o pedido dela. "Como?", perguntaram, claramente nunca tendo ouvido essas palavras antes. Tentaram freneticamente disfarçar a surpresa e retomar a postura intimidadora. "A senhora tem hora marcada?", perguntou um deles, olhando para ela como se fosse prendê-la.

Elena balançou a cabeça e sorriu, esperando que fosse uma expressão genuína. "Não. Não tenho hora marcada, mas acho que ele vai me atender. Sou a esposa dele."

Até as palavras soavam tensas e estranhas ao saírem de sua boca. Ela ainda era sua esposa? Ela havia deixado a Espanha quatro anos atrás. Não tinha feito nada para dissolver o casamento depois de todo esse tempo?

Os guardas pareceram ainda mais surpresos antes de adotarem uma atitude desconfiada. "Desculpe, mas qual é o seu nome?", perguntaram.

“Elena Alcázar”, respondeu ela, torcendo para que não fosse verdade. Mas se fosse, não teria como contatar Nicolás, certo? E ela precisava desesperadamente dele. Bem, na verdade, não precisava tanto assim. Precisava do dinheiro dele. Muitos bancos a haviam rejeitado, e seu empregador atual se recusava a adiantar seu salário miserável. Precisava de dinheiro. Muito dinheiro. Não havia outra maneira de consegui-lo. Ele era sua última esperança.

Ela observou os guardas atenderem o telefone e falarem rapidamente em espanhol com alguém do outro lado da linha. Passaram-se apenas alguns instantes antes de desligarem, entregarem-lhe um crachá de segurança e a conduzirem a um elevador privativo.

A subida até o trigésimo andar foi aterradora, o gosto amargo do medo queimando sua garganta. Ao contrário do calor lá fora, o ar-condicionado a fazia estremecer. Ou seria medo?, ela se perguntou.

Tinha que funcionar, ela se lembrou. Ela havia ensaiado seu discurso tantas vezes, mas será que daria certo? Será que ele a ouviria? Será que aquele homem ainda tinha alguma compaixão? Se não, ela estaria perdendo tempo e teria mais problemas do que podia imaginar. Porque ela havia gasto o resto de suas economias em uma passagem para vir até aqui. Ela apostaria tudo na esperança de contatar Nicolás. Se não conseguisse, tudo estaria perdido e ela ficaria arrasada.

Além disso, ele tinha bilhões! Certamente poderia ter guardado alguma coisa para ela. Ela nunca pediu nada. Nem durante os dois anos de casamento, nem depois. Quando se deu conta da situação, simplesmente fugiu, sabendo que jamais seria a esposa que ele precisava.

As portas se abriram e ela estremeceu de medo novamente. Era agora ou nunca. Sua última chance. Ela precisava convencê-lo, ou tudo estaria perdido. E havia tanta coisa a perder! Gabriel jazia em um leito de hospital, aguardando um milagre, e ela precisava lhe dar esse milagre. Simplesmente não havia outra opção.

"Bom dia, Sra. Alcázar", cumprimentou-a uma mulher, fluente em inglês. "O Sr. Alcázar está à sua espera. Se me acompanhar", disse ela, virando-se para caminhar pelo corredor.

O tapete era grosso e verde, as paredes revestidas com painéis caros e a iluminação suave, perfeitamente espaçada para proporcionar uma luz contínua, mas não intensa. Apesar do ambiente luxuoso, Elena não conseguia evitar a sensação de que estava indo para uma execução.

As enormes portas duplas de madeira estavam abertas, e Elena entrou, maravilhada com a vista panorâmica de Barcelona que se estendia diante dela. Ela não ouviu as portas se fecharem atrás de si enquanto contemplava a bela cidade, o calor brilhando nos edifícios brancos e a Sagrada Família ao longe. "Então a mulher pródiga retorna", disse uma voz grave. "A que devo esta duvidosa honra?"

Elena recuou visivelmente ao ouvir suas palavras, desviando o olhar da cena tranquila além das janelas para procurar, no vasto escritório, o dono daquela voz profunda e aveludada. Ela se lembrava tão bem daquela voz, embora ele nunca tivesse falado com ela com raiva ou desprezo. Apenas com palavras de amor e compaixão, ou simplesmente paixão. Doces palavras na noite que aqueceram seu sangue e inflamaram seu desejo a tal ponto que ela teria feito quase tudo pelo alívio que só ele podia oferecer.

A aspereza do seu tom hoje é um mau presságio para o seu pedido. Mas ele não podia desistir; quaisquer que fossem as possibilidades, ele tinha que aceitá-las. De um jeito ou de outro, ele tinha que convencê-lo.

Elena adentrou mais o escritório e percebeu que ele não se levantou quando ela entrou. Isso definitivamente era um mau sinal. Se havia algo que definia Nicolás, era a sua impecável educação quando demonstrava respeito por alguém. O fato de ele ter permanecido sentado enquanto ela entrava dizia muito sobre os seus sentimentos por ela.

Endireitando os ombros, ela sorriu calorosamente, na esperança de transmitir um pouco de confiança. Pelo menos mais do que sentia, disse a si mesma enquanto avançava, com as pernas trêmulas.

—Olá, Nicolás. Obrigado por me atender sem agendamento.

“Tenho outra escolha?”, perguntou ele, arqueando uma sobrancelha e girando uma caneta dourada entre os dedos longos e elegantes. “Vá até a sala de segurança e diga que você é minha esposa.” O que eu deveria dizer? Você deve estar enganado; minha esposa me deixou há quatro anos com um bilhete seco.

Elena encarava o chão, parada sem jeito em frente à sua grande e bela mesa. "Era necessário. Aconteceram coisas." Ela não sabia bem o que dizer, mas não era assim que havia planejado aquela entrevista. Tentou se concentrar no plano, mas a curiosidade falou mais alto. "Por que você não pediu o divórcio?"

Nicholas ergueu as sobrancelhas expressivamente. "Era para eu ter feito isso?"

Mas essa visita foi apenas o começo de algo muito mais perigoso.
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