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Você me Pertence {7}

Estava esperando o elevador descer, refazendo mentalmente a lista do que é necessário para que eu fizesse um jantar decente. Na verdade eu não tinha nada em mente, esperava que assim que eu estivesse fazendo compras, as ideias iriam aparecer, e assim iria surgir um belo prato. Desde quando eu era mais nova fui acostumada a lidar com a cozinha, e aprendi desde cedo as mais variadas combinações. Tanto que lá em casa os pratos eram raramente repetidos, sempre a minha mãe estava inventando um prato novo, e todos eles eram muito saborosos.

Coloco a mão no peito sentindo um aperto no coração. As memórias e a dor pela perda da minha mãe ainda são recentes. É muito difícil olhar para o lado e perceber que eu nunca mais vou poder vê-la sorrir, ou comer um dos seus pratos. É muito triste pensar dessa forma, pois eu queria muito que ela estivesse viva para ver toda a minha trajetória. Estar presente para ver o quão longe eu posso ir.

As portas do elevador se abrem, e eu logo avisto Jerry, que está com a sua roupa formal usual e o mesmo olhar atento, logo na frente do prédio. Comecei a caminhar na sua direção, e como sempre, ele me notou antes mesmo que estivesse próxima, confirmando que ele é realmente bom no que faz. As palavras de Alan sobre a minha relação com Jerry ainda escurecem os meus pensamentos, de repente me deixando tímida assim que paro na sua frente.

— Senhorita Miller, precisa de algo?

Ele parece surpreso ao me ver, e logo endireita o seu uniforme. Como é final de semana e eu não tenho aula, nos últimos dias eu me acostumei a ficar em meu apartamento sem sequer pôr a cara para fora, mas agora eu me sinto sufocada e preciso sair um pouco. Alan já me fez companhia essa tarde, se eu sair para fazer compras, posso me distrair e fazer um belo jantar essa noite.

— Eu gostaria de fazer compras. Quero fazer algo novo.

Ele me encara com o seu olhar analisador. A verdade é que eu não quero que ele se sinta pressionado, pois ele deixa claro que não quer aproximação a mais do que uma relação inteiramente de trabalho. Não vou mentir que gostaria de uma relação amigável com ele, mas ao mesmo tempo o mesmo demonstra que se incomoda com isso.

— Tudo bem? — Ele questiona enquanto caminhamos até o carro, chamando a minha atenção.

Ele não costuma perguntar se estou bem…

— Sim, só estou com a cabeça cheia.

Ele assente e logo abre a porta traseira do carro. Quando já estamos acomodados dentro do carro, ele começa a fazer o caminho até o mercado mais próximo após me perguntar se eu tinha alguma preferência quanto ao lugar. Quando chegamos eu já vou logo pegar uma cestinha de compras, sentindo a presença de Jerry logo atrás de mim. Caminho pelos corredores pondo todos os ingredientes que eu possivelmente vou usar hoje e durante a semana, sem me preocupar em relação ao dinheiro, já que o colar me rendeu muito bem e ainda tinha o dinheiro da minha floricultura guardado, já que não cheguei a usar com a minha mãe já que na época não era o suficiente para o seu tratamento. Ainda assim, tenho que me agilizar o mais rápido possível arrumando um emprego. Todo esse dinheiro não vai durar para sempre.

— Precisa de ajuda? — Jerry pergunta se pondo ao meu lado, com uma sobrancelha erguida.

Eu o encaro surpresa, pois pela primeira vez desde que ele começou a me acompanhar, o mesmo nunca tinha tentado interagir comigo.

— Ah, claro… — Respondo um pouco embaraçada. — Eu queria um pouco daquelas nozes.

Aponto para um prateleira e o mesmo vai sem sequer pestanejar, voltando com suas sacolinhas da mesma noz que a minha mãe costumava comprar, e que agora já fazia parte dos meus temperos. Lanço-lhe um sorriso agradecida, pondo as sacolinhas na cesta.

— Jerry, eu quero te agradecer por ontem; — Ele franze o cenho, parecendo estar confuso com as minhas palavras. — Quando você apareceu eu não estava na minha melhor situação, então…

Faço um gesto na sua direção, sentindo as minhas bochechas corarem com as minhas próprias palavras.

— Não precisa me agradecer por isso. Esse é o meu trabalho. — Ele me lança um sorriso simpático, que eu logo trato de devolver.

Não conversamos muito depois disso, somente passei a ele alguns dos ingredientes que ele poderia me ajudar pegando, e assim eu já tinha pegado tudo o que eu sentia que seria necessário. Esperamos um pouco na fila, e quando chegou a minha vez e eu estava esperando que a mulher do caixa terminasse de passar tudo o que eu queria levar, eu passei o meu olhar ao redor do local, tentando lembrar de algo que talvez eu quisesse levar. Os meus olhos pararam na banca cheia de revistas ao meu lado.

"O último caso de Benjamin Hunter aparece acompanhada por um segundo homem. Internautas especulam que seja um segurança ou que a relação dos dois é aberta já que os boatos de que ele sempre está dormindo fora não param de correr. Relembrando que todas as anteriores affair dele hoje costumam sair com homens tão ricos quanto ele."

Meus olhos se abrem em espanto e eu juro que posso sentir o meu coração querendo saltar em meu peito. Meu Deus, eles realmente não perdoam. Já estão insinuando coisas maldosas ao meu respeito, e parece que a de Benjamin também. A ideia de que ele realmente tenha dormido com outras mulheres não me agrada em nada, na verdade, se isso for verdade, não sei se conseguirei sequer olhar para ele.

— O cara realmente não para.

Me viro na direção da voz, que vem da mulher do caixa. Ela percebeu que a minha atenção estava na capa da revista.

— Deve ser só mais uma interessada na grana dele, apesar de dizerem que ele é um deus do sexo. Dizem que é tão fácil dormir com ele; — Ela comenta com um sorriso no rosto, balançando a cabeça para os lados, descrente, enquanto põe minhas compras na sacola. — Ontem mesmo, a minha prima disse que dormiu com ele semana passada.

— Dormiu? — Pergunto com a voz falha, sentindo a vontade de chorar se formando em meu coração e ao redor dos meus olhos.

— Ah, senhorita, me desculpe; — Jerry nos interrompe pegando as sacolas da mão da mulher. — Vamos indo, Mel. Já está escurecendo.

Ele me puxa para fora do mercado e logo abre a porta do carro, pondo as sacolas de compras em um dos assentos. Eu fico encarando a porta aberta, sem conseguir me mexer e completamente confusa em relação aos meus pensamentos. A revista de fofoca e as palavras da mulher são tudo o que ocupam a minha mente, e agora eu não sei como me sentir. Benjamin seria tão cara de pau ao ponto de fazer isso comigo? Que dizer, eu sei que ele não me deve nada, mas é dessa forma que ele me quer? Dormindo com outras mulheres?

— Senhorita; — Jerry para na minha frente, me encarando com um olhar preocupado. — Não deveria ficar abalada com essas coisas. Desde que eu comecei a trabalhar para ele, eu percebi que as suas relações são bastante restritas. Muitas vezes ele passa a noite na empresa para poder passar o outro dia em casa. E as pessoas costumam inventar coisas como essa, quer dizer, qual é a mulher que não quer ser conhecida por dormir com ele?

Jerry parece um pouco contrariado com algo, e é quando eu levanto o meu olhar para o seu.

— Eu não quero…

Um sorriso de leve, quase imperceptível, se desenha em seus lábios enquanto assente.

— Você é uma em um milhão, Mel, não deveria se preocupar com isso. — Ele pousa uma mão nas minhas costas e me analisa com preocupação. — Parece fraca, qual foi a última vez que comeu?

Suspiro me lembrando de que Alan preparou alguns lanchinhos leves para nós dois essa tarde.

— Comi algumas besteiras essa tarde. Eu queria fazer um jantar, mas agora já estou desanimada. Acho que só vou dormir.

Ele assente e então verifica a hora em seu relógio de pulso.

— Se quiser posso preparar algo para você.

Os meus olhos se abrem em surpresa pelo seu gesto. Eu até ficaria contente caso Benjamin não estivesse ocupando os meus pensamentos, mas ainda assim, lancei um sorriso na sua direção, assentindo.

— Eu agradeceria por isso

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