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3 Ares do Meu Brasil

Maria saiu do aeroporto e foi diretamente para sua casa. A mação estava localizada em um residencial chamado Village Dumont. Assim que o motorista estacionou em frente a mação cuja fachada era toda recoberta por uma espécie de trepadeira, que durante a primavera deixava sua beleza ainda mais esplendorosa com suas belas flores em tom rosê. Já era início de tarde, quase noite, ela abriu a porta da frente. Tudo estava arrumado como no dia em que fora para outro país, mas sabia que as pessoas a quem mais gostaria que estivessem ali, nunca mais as veria.

— Quanta falta vocês me fazem. — disse ela olhando o quadro gigante de seus pais, pendurado na parede que ficava ao fundo da sala.

A iluminação estava fraca por conta das luzes que ainda não haviam sido acesas por Maria. O quadro só podia ser visualizado por causa da claridade que vinha de fora. A moça ficou ali parada e observando a pintura realista transmitindo a imagem dos pais que ela tanto amou, ao virar para o lado, sobre um aparador dourado ela viu um porta-retrato com a foto do seu irmão. Maria caminhou até o aparador e pegou o porta-retrato em suas mãos, apertando-o forte contra seu peito. As lágrimas não conseguiram permanecer em seus olhos e a jovem chorou copiosamente, era grande a sua dor e a mesma foi arrebatada por uma nostalgia sem igual, apenas a solidão lhe era por companheira naquele momento. Foi quando o barulho do telefone chamou sua atenção.

— Quem será? — Perguntou. — Será que alguém sabia que eu viria?

Maria limpa as lágrimas do rosto e depois de limpar a garganta ela pega o telefone.

— Alô? — pergunta.

“Alô!” “Maria?” Uma voz feminina do outro lado responde.

— Quem está falando? Somente uma pessoa me chama assim! — ela sorriu depois de longos momentos de choro. — Ana, minha babá!

— Me desculpe por não poder estar aí, minha menina, mas amanhã mesmo eu passo aí para te dar um abraço, viu? Os seus tios mandaram arrumar a casa direitinho? — a mulher perguntou com uma preocupação que mais parecia uma mãe. Maria disse que aparentemente sim, pois ainda não havia adentrado os outros cômodos. Mas a mulher mais velha podia sentir que sua pupila não estava bem, porém, assuntos delicados a impediam de ir ao seu encontro ainda naquela noite. As duas conversaram por alguns minutos, a mulher disse que tinha muito a contar para sua Maria, mas que haveria tempo para isso.

— Esperarei ansiosa por você amanhã, minha doce Tina. — Ela respondeu — você não sabe como eu senti sua falta todos esses anos em que estive longe de você, da minha casa, da minha vida.

“Mas esse tempo acabou, pequenina, agora estamos juntas novamente.” “Agora procure descansar e amanhã a gente conversa mais. E veja se tem comida, se não tiver, peça para alguém levar para você!”

— Está bem, Tina, eu farei isso. — Respondeu — vou tomar um banho e procurar descansar!

A jovem em fim criou coragem e acendeu todas as luzes da casa. Parece que a conversa breve como Ana lhe restaurou os ânimos e ela parecia bem mais contente. Chegando em seu quarto, a cama de solteiro ainda estava do mesmo jeito de quando ela partiu para a Europa, mas aquilo precisaria mudar, então decidiu que dormiria no quarto de seus pais. Apesar de parecer estranho, ela deveria deixar o passado para trás, pois acreditava que seria exatamente aquilo que iria querer.

Após tomar um longo e relaxante banho com várias essências aromáticas que proporcionava calma, Maria saiu da banheira e foi direto abrir uma de suas malas, ela havia se esquecido do quanto o Brasil era quente e ainda mais por que estava no verão. Ao olhar pela janela avistava o céu em um tom avermelhado por causa da fumaça que poluía a grande São Paulo.

— Eita, que isso daqui não mudou nada! — comentou retornando para dentro do quarto.

Maria desceu de seu quarto e foi até a cozinha. A casa estava há muito fechada, mas por conta de haverem empregados que faziam o serviço doméstico, com sorte algum deles poderia ter esquecido um iogurte, ou até mesmo um pedaço de torta na geladeira, mas para o azar de Maria, não havia nada ali além de água e gelo.

— Nossa, que pobreza! — falou, fechando a geladeira e dando meia volta. — Poderiam pelo menos ter deixado um sanduíche aí.

Voltou para a sala e sentou-se no sofá. Em seguida pegou o celular na bolsa e começou a pesquisar nos aplicativos de fast food. Pediu um sanduiche enorme através de um deles. Não demorou e o guarda da guarita interfonou avisando que havia um rapaz com um pedido endereçado a ela, Maria pediu para que o mesmo guarda recebesse o pedido e o levasse até sua pessoa. O guarda assim o fez, depois retornou com o dinheiro do rapaz. Vestida num shortinho jeans e uma blusa que cabiam cinco dela dentro, a jovem abriu aquele suculento sanduiche e a lata de guará, seu refrigerante favorito, comeu que passou a língua em volta dos lábios borrados com ketchup e maionese.

— Isso sim é que vida, MEU DEUS! — exclamou com a boca parcialmente cheia.

Depois de comer, Maria foi se deitar, a cama larga de seus pais a proporcionaria uma confortável noite de sono depois de uma longa viagem de avião. Mas enquanto dormia a jovem teve um sonho. Maria estava em um imenso jardim florido parecendo o jardim de sua casa, mas esse parecia bem maior. Ela estava vestida com um vestido semelhante aos que usava quando criança, basicamente o seu preferido. Ele era no tom salmão e com um babado branco, nos seus cabelos havia uma tiara de flores com alguns lacinhos da mesma cor de seu vestido, presos a ela. Maria caminhava sorrindo por entre aquelas flores de várias cores, violetas, rosas, azaleias, hortênsias, dentre outras e todas exalavam um perfume suave e agradável. Maria fechava os olhos e caminhava sempre para frente, até que ouviu a voz de sua mãe detrás de si.

“Maria, filha. Cuidado!”

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