Capítulo 1 - Calor no litoral
ERA FINAL DE ANO e estávamos a poucas semanas das festas natalinas. Eu havia deixado a minha agência de viagens, a Vecchio Tour, a cargo do meu sócio, Celso Moraes, em São Paulo e tinha embarcado numa viagem de poucos dias para o litoral Norte acompanhado da minha namorada, a linda publicitária Claudia Ferraz, da sua filha adolescente Kelly, uma amiga da menina chamada Micaela Alencar Castilho e da minha meia-irmã, Rachel, a filha do segundo casamento de meu pai Júlio Vecchio.
Eu tinha alugado uma casa muito confortável de dois andares com piscina no quintal que ficava a menos de uma quadra de distância da praia. O intuito era aproveitar a região ensolarada e quente na companhia de Claudia, mas aproveitei o ensejo para também promover o primeiro encontro entre Rachel e Kelly. As duas garotas tinham idades semelhantes, eram espertas e inteligentes na mesma medida e eu tinha quase certeza que se dariam bem logo de cara.
A filha da minha namorada havia ficado ressabiada com a minha presença desde que eu havia assumido um relacionamento mais sério com a sua mãe — na certa, ela achava que eu estava tentando ocupar o lugar de seu pai, Charles, que havia falecido há mais de oito anos — e a presença da minha irmã era uma tentativa válida de apaziguar os ânimos entre a menina de gênio forte e eu. Rachel também não era fácil de se lidar, mas era muito mais razoável que Kelly, o que já me seria de grande serventia em meu intento de promover um “tratado de paz” entre os Vecchio e as Ferraz Schneider.
Eu tinha feito várias tentativas de me aproximar da garota desde que a tinha conhecido pessoalmente na sua festa de aniversário, no último mês de setembro, mas tinha sido rechaçado com veemência por ela. Antes que eu soubesse de quem ela era filha ou mesmo antes de iniciar um romance com Claudia, eu e Kelly tínhamos nos esbarrado de maneira abrupta na arquibancada de um colégio durante um torneio de vôlei estudantil e esse primeiro encontro não tinha sido legal.
Na ocasião, eu estava no local para acompanhar da torcida o jogo da minha outra irmã, Rarissa, que atuava como oposta no time do terceiro ano do colégio Batista Genari e tinha ido buscar refrigerantes na cantina. Na volta, sem que eu pudesse prever, Kelly e a sua amiga Micaela apareceram do nada à minha frente e eu acabei tomando um banho de Coca-Cola com os copos esmagados contra o peito. A situação toda me causou muita impaciência e eu acabei sendo rude com as duas adolescentes.
Meses depois, quando voltamos a nos encontrar na tal festa de aniversário, Kelly não me reconheceu porque eu estava usando a máscara da minha fantasia de Besouro Verde — do seriado de TV —, mas quando Claudia promoveu o nosso encontro de cara limpa em seu apartamento, a garota surtou ao ver o meu rosto, e desde então, não parou mais de me lembrar, com muito rancor, da situação envolvendo refrigerantes, arquibancadas e jogos de vôlei.
Para o passeio até a praia, Kelly insistiu em levar a tal amiga que a acompanhava no dia do torneio colegial e Claudia cedeu aos pedidos da filha, já que aparentemente, as duas garotas mantinham uma relação muito próxima e quase não se desgrudavam mais. Em meio a toda aquela animosidade, a minha irmã caçula ficou um pouco arredia no começo com as outras duas, mas foi a própria Micaela quem ajudou a quebrar o gelo entre as três, fazendo a filha da minha namorada, enfim, se enturmar. Tinha sido uma ótima ideia juntar as meninas.
Naquela manhã bem cedo, fomos todos aproveitar a piscina e nadamos por mais de uma hora sob o sol ameno que brilhava naquele horário. Claudia tinha estado bastante fogosa durante a noite ainda no carro, e estava demonstrando todo o seu interesse em mim ali mesmo dentro da água, disfarçadamente das garotas. Deixamos as três se conhecendo melhor algum tempo depois na piscina e fomos para o quarto. Mal conseguimos aguentar até lá.
Minha namorada estava deliciosa num biquíni preto fio-dental e de dentro do quarto da casa, ainda dava para ouvir a agitação de Kelly, Micaela e Rachel dentro da água. Ela era quase dez anos mais velha que eu, tinha toda a experiência que o tempo havia lhe concedido e era uma das mulheres mais lindas que eu já tinha conhecido de perto; cabelos compridos loiros, olhos azuis, nariz fino e lábios carnudos. Atiçado pelo seu corpo escultural, acabei enfeitiçado pela sua volúpia e nós transamos feito loucos na privacidade daquele cômodo aconchegante. Como não podíamos ser ouvidos pelas garotas daquela distância, aproveitamos para liberar os urros e gemidos de maneira bastante pungente.
No início da tarde, após o almoço que eu e Claudia preparamos juntos — comigo agora mais bem treinado nas artes gastronômicas — as três meninas voltaram para a piscina e nós dois ficamos nas esteiras, aproveitando o sol de quase 36° que estava fazendo ali. Num dado momento, Kelly saiu da água e pediu que a mãe passasse mais protetor solar em suas costas. Com a pele já bastante bronzeada, a menina estava vestindo um biquíni branco fio-dental como o da mãe e se sentou com as pernas bem afastadas na beirada da esteira, de costas para Claudia.
— Tem que cuidar da pele, filha — recomendou a mulher —, o sol está muito forte!
Eu estava de óculos escuros e dei uma olhada em seu corpo. O bumbum da garota era empinado e estava todo dividido apoiado na esteira. Minha namorada desamarrou um pouco o nó da parte de cima de seu biquíni para passar o protetor em suas costas e por alguns segundos, seus seios ficaram livres. Ela os cobriu em seguida com as mãos, mas tinha dado para ver os seus mamilos de onde eu estava.
Os achaques constantes da garota juntamente com o seu temperamento explosivo tinham começado a mexer com a minha cabeça, tanto que eu tinha passado a ter sonhos eróticos em que ela aparecia toda faceira pedindo para que eu e ela fizéssemos as pazes. A recordação de um daqueles sonhos voltou com tudo em minha memória conforme eu espiava mãe e filha a poucos metros de mim na esteira e eu precisei conter uma ereção que já começava a ficar evidente por dentro da minha sunga. Virei o rosto, respirei fundo e procurei pensar em outra coisa menos excitante.
Se acalma, Ralph Vecchio! Ela é a filha da sua namorada! Sua enteada! Se acalma, cretino!
Algum tempo depois, eu caí na água e Claudia preferiu continuar torrando no sol de bruços na esteira. Minha irmã quis “brincar de jogar” comigo e ela montava em minhas costas para que eu a atirasse na água. Fizemos aquilo umas três vezes e foi ideia dela:
— Vem, Mica! Deixa o meu maninho te jogar também, ele é forte. Ele te aguenta!
Micaela era uma garota muito linda de cabelos ruivos naturais. Tinha olhos verdes um pouco mais escuros que os de Kelly, sardas evidentes em torno do nariz, nos ombros e acima dos seios. Vestia um biquíni vermelho muito cavado na ocasião e nadou até mim aprovando a sugestão da minha irmã. Ficou às minhas costas para montar em meus ombros e antes de subir, me sacaneou:
— Não vai gritar comigo desta vez, vai?
Eu tinha pedido desculpas pessoalmente a ela sobre o nosso primeiro encontro nada amistoso nas arquibancadas do ginásio do Colégio Paulo Dantas, onde tinha rolado o torneio intercolegial que Rarissa tinha jogado com as amigas de sala, mas de vez em quando, ela continuava me tirando um sarro. Diferente da amiga Kelly, a ruivinha tinha levado o “encontrão” na esportiva.
— Só se você me derrubar refrigerante de novo! — Entrei na brincadeira.
Ela sorriu e pouco antes de trepar em mim, perguntou:
— Tem certeza que me aguenta?
A menina tinha uma silhueta mais curvilínea e era, com segurança, a mais vistosa entre as três meninas na casa de praia. Mesmo assim, respondi firme:
— Claro, Micaela. Pode confiar.
A ruiva colocou as coxas em volta do meu pescoço e montou em mim sem muita cerimônia. A segurei pelas pernas, a senti dar uma esfregada em minha nuca e logo depois, a preparei com um aviso:
— Lá vai.
Atirei Micaela para trás sem esforço e voou água para todo lado. Claudia se virou em nossa direção por um segundo para conferir o motivo dos gritinhos agudos da garota e deu um riso. Nadei até a garota para conferir se estava tudo bem, se eu não a tinha machucado, mas ela me respondeu com um tremendo sorriso no rosto:
— Não podia estar melhor.
Logo em seguida, Rachel começou a botar pilha para que a filha de Claudia também entrasse na brincadeira de jogar com a gente e gritou de um dos cantos da piscina:
— Vai, Kelly. Sua vez!
Kelly se afastou do centro da raia em direção à borda oposta à que estava a minha irmã e respondeu, trombuda:
— Eu não vou montar nele!
— Monta, amiga. É gostoso. Ele tem ombros fortes! — Disse Micaela, emergindo de outro mergulho atrás de nós.
Rachel também insistiu:
— Para de frescura, Kelly! Ele te aguenta.
Ela ainda parecia ressabiada em me dar aquela chance de aproximação, mas resolveu ceder aos pedidos insistentes das outras. Veio para perto de mim, ficou às minhas costas e segurou em meu ombro. Me ajoelhei na água para esperar que ela montasse em mim.
— Joga ela, mano! — Pediu Rachel.
— Joga! — Insistiu Micaela.
Eu joguei. Kelly caiu na água e submergiu rapidamente tirando o excesso de água do rosto. Parecia mais relaxada agora na minha presença e por um breve instante — quase tão breve quanto um flash fotográfico —, ela me presenteou com um meio-sorriso. Voltamos a brincar mais algumas vezes antes que Claudia decidisse se virar de frente para nós da beirada da piscina e começasse a tecer comentários sobre o nosso divertido joguinho de empurra-empurra dentro da água. O primeiro passo para conquistar o coração de gelo da filha da publicitária tinha sido dado.
