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Capítulo 2

- Não Kátia é muita coisa eu vou passar só um fim de semana lá

- sabe como é São Paulo, frio, calor, chuva, tudo no mesmo dia

- Mas não é por isso que eu vou levar uma mala desse tamanho

- Vai com Deus, cuidado na viagem, e mande um beijo pra sua mãe e pro seu pai

- Obrigada, logo mais eu tô em casa, tchau July

Peguei a estrada as 10 da noite de sexta, não avisei que iria aquela hora, quis fazer surpresa, meus pais me esperavam no sábado. Vi no GPS: trânsito livre não vou gastar nem 2 horas

No caminho fui pensando em como a minha vida mudou, e como eu só tenho agradecer por isso. Estudar a vida toda em escola pública, não poder contar com meus pais pra pagar meus estudos, eles realmente não tinham condições, minha mãe era doméstica, fazia bicos como faxineira, as vezes passava roupas pra alguém pra complementar a renda, então se eu quisesse estudar e eu quis eu tive que me virar, eu plantei um sonho no meu coração desde os meus 8 anos de idade quando tive uma dor de dente horrível, e fui até um dentista do posto médico do meu bairro. Achei incrível a forma com que me trataram, o cheiro do consultório o barulho do "motorzinho" que pra muitos ainda é assustador me encantaram de uma forma tão linda que eu quis aquilo pra minha vida. Então mesmo quando 99% das pessoas diziam que filho de pobre não poderia ser dentista eu me esforcei. Trabalhei duro e paguei a minha faculdade tendo muitas vezes que ir a pé porque não tinha o dinheiro da passagem, ou muitas vezes ficar com fome durante as aulas porque não tinha o dinheiro do lanche. Mas não desisti! Nunca fiquei em recuperação em matéria, sempre tirei as melhores notas e hoje dou a melhor dentista da minha cidade. E com orgulho!

Meu celular tocou era Kátia falando que eu esqueci o guarda chuvas. Pra que eu ia precisar de um guarda chuvas? Tava calor e nem sinal de garoa aproveitei a deixa para parar em um liga de conveniência de um posto de gasolina

- Boa noite, um café e... Um pão de queijo por favor

- Só um instante

Fiquei aguardando a moça preparar o café expresso, um veneno para o esmalte dos meus dentes, mas infelizmente não consigo parar de tomar café, se passo um dia sequer já sinto falta.

Olhei o celular, minha mãe havia mandado boa noite há menos de 20 minutos, decidi não responder queria que ela pensasse que eu estava dormindo, pra surpresa ser mais intensa. Meu café e meu pão de queijo requentado ficaram prontos , o café até estava bom, mas o pão de queijo...

Terminei o café e deixei metade do pão, paguei e agradeci, pedi pra usar o banheiro, olhei a hora em menos de 40 minutos chego na casa dos meus pais

Quando estava saindo da loja de conveniência um isqueiro desses recarregáveis me chamou a atenção, me lembrei do meu pai, quando ele parou de fumar obrigado pelos médicos, decidiu colecionar isqueiros. Decidi levar um pra ele.

- Você não tem cara de quem fuma

- e não fumo mesmo - eu respondi pra um homem de mais ou menos uns 30 anos que estava na fila atrás de mim

- E pra que o isqueiro

- pra o meu pai, que também não fuma - eu ri

- No mínimo curioso isso

- Ele coleciona

- Ah tá explicado

- Mas fumou durante muito tempo vou levar pra ele de presente

- Ele vai gostar

- Vai sim. Adeus

Sai da loja de conveniência em direção ao meu carro, aproveitei pra abastecer, olhei pra porta da loja e vi o homem que me abordou na fila do caixa com um cigarro na boca, batendo as mãos no bolso procurando um isqueiro

- Acho que precisa de ajuda- estendi o isqueiro que eu tinha acabado de comprar

- muito obrigada, acho que esqueci o meu no carro.

- Pelo menos eu sei que funciona

- Pra colecionar não precisa funcionar

- Verdade, bom agora tchau

- Melhor que o adeus de la de dentro- ele sorriu uma dentição perfeita assim como o sorriso

- Você tem dentes lindos, não deveria fumar

- você também não deveria tomar café

- Desculpe a minha indelicadeza - eu disse sem graça

- Imagina eu também fui indelicado quando vi que vc tomava café

- Realmente eu não deveria, mas nem tudo é perfeito

- Tchau... - ele fez uma cara se interrogação e eu entendi que ele queria saber meu nome

- Mariana

- Prazer, Vitor

- Prazer Vitor, agora eu vou

- Tem telefone?

- Tenho! Quer saber o modelo ou o número?

Rimos da piada sem graça, enquanto ele estendeu o aparelho dele pra eu anotar o meu número. Anotei e devolvi

- Até mais

- Melhorou muito, de um adeus pra um até mais

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