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CAPÍTULO 4

Eu sabia que você era encrenca assim que apareceu.

(I knew you were — Taylor Swift)

Quando Belinda abre a porta, o som está tão alto que consegue deixar alguém surdo. Pessoas tumultuando no espaço da sala, sendo tão grande que cabe minha casa tranquilamente.

Sofás pretos enormes de couro sendo bastante disputado, uma escada, que leva ao segundo andar, corrimões dos dois lados em tons de dourados.

Garotas que mais parecem estar em um comercial de TV, circulam pelo ambiente segurando copos de bebidas.

— Vocês conhecem alguém aqui? — pergunto curiosa.

— Alguns. A maioria são novatos ou amigos de veteranos — Belinda responde.

— Parece que elas já estão "altas" — falo.

— Isso sempre acontece. Então quando uma vomitar nos seus, é só ignorar — Belinda fala com desdém.

— Vamos procurar algo para beber — diz Ivy.

— Eu não vou beber. Alguém tem que ficar sóbria para levá-las para casa. Levem Nanda para conhecer a casa e a piscina. Vou ao banheiro rapidinho.

— Encontramos você na piscina — Jessye pega minha mão e me conduz pela casa.

Observo tudo por onde passamos até chegar na piscina. A casa é muito maior do que eu imaginava. Jessye anda com facilidade pela casa e Ivy acena para todos, como se os conhecesse.

— Vamos procurar um lugar para guardar nossas bolsas e depois vamos nos divertir — disse Jessye.

A casa está lotada. Jogos de luzes, bebidas liberadas e música alta.

— Não estou vendo Kadu.

— Ele só vai aparecerá quando isso aqui tiver mega lotado. Vamos beber o quê? — pergunta Jessye.

As duas saem em busca de bebidas, e eu fico parada olhando para aquele amontoado de pessoas.

— Um copo de vodca pelos seus pensamentos.

Viro-me rápido para dar de cara com Nick, ainda mais bonito, vestindo uma camisa azul-marinho e uma bermuda preta. Cabelos desalinhados como se tivesse acabado de acordar e uma das mãos segura um copo de bebida.

— Troco meus pensamentos por um copo de refrigerante. Eu não bebo.

— Por quê?

— Uma vez exagerei na bebida.

— Não imagino você fazendo isso.

— Eu também não me imaginava. Resolveu vir aqui e encher a cara como os outros?

— Mais ou menos...

— Porque não estou surpresa em vê-lo aqui?

Belinda surge ao meu lado.

— Adoro o seu senso de humor Belinda.

Fico ali parada observando os dois travar uma guerra de olhares. Pigarreio tentando chamar a atenção e falho.

— Vou procurar um banheiro e deixar vocês continuarem nessa disputa — falo dando um tapinha no ombro dos dois e seguindo para a casa.

De volta à sala, procuro por algum banheiro. Olho para a escada, talvez os banheiros fiquem no segundo andar.

Na parte de cima, o ambiente mantém a cor da sala, branco. Quando chego ao final do corredor, encontro uma porta destrancada. Bato e espero uma resposta. Como não recebo nenhuma, abro a porta e entro.

É um quarto. Apenas a luz do abajur deixa o ambiente claro. Sigo para outra porta onde imagino ser o banheiro. Dou uma olhada no meu visual no espelho que vai até o teto.

Quando me preparo para sair, ouço vozes no quarto. Abro a porta para ver quem são as pessoas, mas não reconheço nenhum dos dois. Volto a fechar a porta, esperando que eles não resolvam ficar no quarto por muito tempo.

— Kadu, é sua festa, os convidados estão te esperando.

Eu tinha que entrar justamente no quarto do Kadu.

— Sou o dono da festa. Posso aparecer quando quiser. Agora estou interessado em outra coisa.

— O que Babi pensará se nos encontrar aqui?

— Está preocupada com a Babi?

— Somos amigas.

— Se considerasse a Babi realmente sua amiga, não estaria aqui comigo. Não acha? Se não veio ficar comigo, por que veio a minha festa então? Não me lembro de tê-lá convidado.

Ouço um barulho. Parece um... Uau! Ele acabou de levar um tapa?

— Vai se ferrar, idiota.

As vozes ficam mais longe e tenho certeza de que estou sozinha novamente. Destranco a porta do banheiro e caminho rápido para fora do quarto. Quando toco na maçaneta, a porta é empurrada com raiva, chocando-se com meu nariz.

— Ai.

— O que está fazendo no meu quarto?

Ele vai até o interruptor e acende a luz. Ainda estou segurando meu nariz, quando encaro a pessoa na porta.

— Nick? Como mudou de roupa tão rápido?

— Eu te fiz uma pergunta. O que estava fazendo aqui?

Nick parece estar bem zangado e ainda assim continua lindo. Em toda minha vida, eu nunca tinha conheci alguém como ele.

Sinto algo inexplicável como nunca senti antes. Nem mesmo quando conheci Bernardo.

Ele dá uma olhada rápida pelo quarto, até seus olhos encontrarem os meus novamente.

— Vou ter que te sacudir? — ele estala os dedos diante dos meus olhos me trazendo de volta à realidade.

— Você quase quebrou meu nariz. Eu precisava ir ao banheiro, e esse foi o único quarto que encontrei aberto. Não sabia ser seu quarto — respondo ao seu olhar desafiador.

— Tem banheiro na ala da piscina. Claro, Novata! — fala dando as costas para mim e seguindo para o banheiro — você veio com quem?

— Que pergunta idiota, Nick, sabe que estou as meninas — respondo — por que está olhando o banheiro? Quer saber? Estou indo embora.

Quando estou me aproximando da escada, sinto uma mão apertando meu braço.

— Escute aqui, eu não sei o que você viu...

— Nanda, você está aí — Belinda vem ao meu encontro — Ivy e Jessye já estão no terceiro copo, preciso de ajuda com elas. Se escondendo aqui em cima, Kadu?

Arregalo meus olhos para o garoto na minha frente.

— Kadu? — indago sem entender o que está acontecendo.

— Estava cuidando de uma invasão ao meu quarto — diz soltando meu braço.

— Vejo que conheceu minha amiga — Belinda estreita os olhos para ele.

— Acabamos de nos conhecer.

— Alguém pode me explicar o que está acontecendo aqui?

— Desculpa, esqueci de contar que esse idiota aqui é o irmão gêmeo do Nick.

— Você está na minha casa de penetra e ainda me chama idiota?

— Nick tem um irmão gêmeo?

— Vamos socorrer aquelas duas antes que resolvam se jogar na piscina de roupa. Se elas fizerem isso, vão a pé para casa — disse ela me tirando do lado de Nick/Kadu.

— Claro — falo ainda totalmente confusa.

— Vejo vocês lá embaixo.

— Não tenho dúvida — responde Belinda.

Quando nos distanciamos, Belinda para e me encara.

— Ele te fez algo?

— Não. Quando você ia me contar que Nick tinha um irmão gêmeo?

— Eu realmente esqueci. Kadu é só um idiota mimado que pensa que pode ter tudo. Mantenha distância dele.

— Tenho um belo gancho de direita.

— Certo. Vamos encontrar aquelas malucas.

Quando chegamos à piscina, encontramos Ivy e Jessye sentadas em duas cadeiras, segurando copos com um líquido verde em uma conversa animada com os garotos. Vejo Nick entre eles.

— Meninas, sentem-se aqui, Nick está contando piadas hilárias — Ivy fala liberando espaço para nós duas.

— Quantos copos vocês já beberam? — pergunta Belinda.

— Não lembro, só sei que quero mais um — Jessye ergue o copo.

— Vão com calma ou teremos que ir para casa mais cedo — Belinda tenta frear Jessye.

— Sim, senhora — Jessye faz sinal imitando um soldado deixando o copo de lado.

Minutos depois, Kadu resolve aparecer na piscina acompanhado de uma garota loira que parece ter saído das passarelas.

— Boa noite, estão se divertindo?

Alguns respondem erguendo os copos.

— Bom, aos novatos sou Kadu — ele falou enquanto encontra meu olhar — bem vindos a minha festa.

Ele passa ao meu lado, e não faz questão de disfarçar o seu olhar. Sinto meu rosto queimar.

— Estou surpreso em vê-lo aqui — Kadu direciona seu olhar para Nick.

— Até onde sei, essa também é minha casa.

— Então divirta-se um pouco. Está precisando.

Kadu fala a última frase sem desviar o olhar do meu. Dá um tapinha no ombro de Nick e sai de mãos dadas com a garota loira. A semelhança entre os irmãos é gritante. Como alguém conseguia diferenciá-los?

— Está tudo bem? — pergunta Nick chamando minha atenção.

— Estou bem — minto — você não me contou sobre irmão gêmeo.

— Não saio contando para todos que tenho um irmão tão idiota.

— São idênticos.

— Meus olhos são mais bonitos.

Olho novamente para Kadu e me sinto ridícula por deixar ele me afetar.

Mais cedo fiquei encantada pelo Nick, e agora Kadu.

— Preciso ir meninas. Boa diversão. Bebam com moderação — Nick fala enquanto mexe no celular — nos encontramos na segunda-feira.

— Algum problema? — pergunto.

— Treino extra para as regionais. É uma pena não poder ficar. Tinha a intenção de conversar um pouco mais com você.

Ele devolve seu celular para o bolso, se aproxima me dando um beijo na bochecha e vai embora.

— Ok, vamos comer algo — Belinda fala em tom estranho — principalmente vocês duas. Não quero ninguém vomitando no meu carro.

Enquanto as meninas escolhem o que vão comer, fico olhando ao redor procurando por Kadu. Não entendo a necessidade de vê-lo novamente.

Encontro-o perto da entrada da casa, conversando com alguns garotos. Não consigo tirar os olhos dele.

— É melhor disfarçar.

— O quê? — pergunto sem entender.

— O Kadu. Daqui a pouco, todos vão perceber — diz Belinda — sei que ele é lindo de morrer, mas na boa, não vale apena.

— Eu só estava comparando ele com Nick — minto.

— Ainda bem que eles têm personalidades diferentes. Eu não conseguiria conviver com dois "Kadus". A garota com ele é a Babi. Faz moda no Braz Cunha. Estão juntos desde o ano passado.

Ela é realmente linda e a maneira que se comporta ao lado de Kadu, não resta dúvida que os dois fazem o casal perfeito.

Ele parece perceber que estou lhe observando, e quando nossos olhos se encontram, desvio, como se eu estivesse cometido um crime.

— Bem, vamos comer algo — Belinda pega minha mão e me leva para o buffet enquanto Jessye e Ivy decidem fazer um showzinho particular.

— O que os pais de Ivy vão achar quando ela chegar em casa assim?

— Ela vai dormir na minha casa. Nas condições em que ela está não conseguirá chegar nem ao quarto — Belinda ri.

Às duas da manhã, já não aguento ficar na festa, enquanto os outros não parece sentir o cansaço. Jessye desapareceu à meia hora e Ivy está no banheiro vomitando a alma depois que realizar uma mistura louca de bebidas.

— Vamos procurar as meninas, estou exausta — falo.

— Vamos. Essa festa já deu o que tinha que dar. Vou atrás da Ivy e você procura Jessye.

— Ok.

Levo vinte minutos para encontrar Jessye. Atravesso a ala da piscina, e entro em outra parte da propriedade. O lugar está vazio, perfeito para uns amassos.

— Indo a algum lugar?

Nem preciso olhar para trás para saber quem é. Kadu está com as mãos enfiadas nos bolsos. Trocou de camisa e agora está vestindo uma vermelha. Seus cabelos estão molhados e não preciso pensar muito para saber a onde ele esteve metade da noite.

— Procurando minha amiga. Você, não deveria estar na piscina? — tento não parecer que estou nervosa com sua presença.

— Deveria, mas vi uma garota aqui sozinha, então...

— Então deduziu que ela estava perdida?

— Eu precisava falar com você longe de todos. Sabe como é, casa cheia de pessoas... Sobre o que você viu naquele quarto...

— Pode ficar tranquilo, não sairei por aí falando o vi no quarto. Seu segredo está seguro comigo.

Passo por ele, voltando para o lado da piscina. Sinto sua mão novamente segurando meu braço. Nossas bocas estão tão próximas que posso sentir o cheiro de vodca.

— Você tem uma boca linda. Deve ser muito gostosa.

— Uma pena que nunca terá a oportunidade de provar.

— Não existe nada que eu não possa ter — Kadu coloca sua mão na minha cintura juntando me puxando contra seu corpo.

— É aí que você se engana. Nem sempre se pode ter tudo — falo empurrando ele com força e me apressando para ficar longe dele.

Ouço uma gargalhada, o que me deixa ainda mais furiosa. Quando volto para a piscina, meu coração parece que sairá pela boca. Meu corpo ainda está sentindo o efeito das mãos de Kadu.

Vejo Jessye abraçada com um garoto negro com quase o dobro do seu tamanho.

— Onde você estava? Eu e Belinda queremos ir embora.

— Nanda deixa eu te apresentar, esse é Rafael, faz direito, quarto período. Rafael, essa é Nanda, começa semana que vem, estudante de jornalismo.

— Oi, prazer. Vamos nos encontrar muitas vezes — ele me cumprimenta com um beijo no rosto.

— Tudo bem? Odeio ter que atrapalhar, mas estou caindo de sono, vamos para casa?

— Sei como é. Tenho que estar às oito no meu trabalho.

— E ainda está aqui?

— Já estou acostumado — ele ri.

Belinda logo aparece acompanhada de Ivy e ela não parece nada bem.

— Ivy, você está bem? — pergunto.

— Podemos ir embora?

— Ivy não tem mais nada no estômago para colocar para fora — Belinda responde por ela — vamos embora.

Nos despedimos de Rafael e seguimos para o estacionamento. Ajudamos a colocar Ivy no banco do carona e depois Belinda assume a direção, enquanto eu e Jessye entramos no banco de trás.

— Ivy, tem uma sacola no porta-volume. Se for vomitar, usa a sacola. Limpará meu carro amanhã estando com ressaca ou não — ela ri.

— Será que muita gente viu meu vexame?

— Todos estavam muito ocupados enchendo a cara para notar o seu show. Relaxa, ninguém lembrará disso segunda-feira — Belinda responde enquanto dá partida no carro — Nanda, você quer ir lá para casa também?

— Obrigada pelo convite, mas dormirei em casa. Minha mãe com certeza deve estar acordada me esperando.

— Ok. Vou te deixar em casa, depois levar essas mocinhas para dormirem.

Quando chegamos ao meu bairro, me despeço e desço do carro.

— Me avisa se Ivy ficará bem.

— Não se preocupe. Banho e cama vão deixá-la ótima.

Quando chego em casa, minha mãe está adormecida no sofá com a TV ligada.

— Mãe, que tal trocar esse sofá duro por uma cama macia?

— Que horas são?

— Quase quatro da manhã. Rodrigo está na cama?

— Foi o primeiro a apagar. Está com fome?

— Não. Tudo que consigo pensar é de um banho e cama.

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