Capítulo 7
"Existem muitas carreiras diferentes que você poderia seguir na área da literatura", ela me diz enquanto a garçonete aparece ao nosso lado e começa a servir um vinho tinto encorpado em duas taças grandes à nossa frente.
"Passei um ano dizendo isso para ele, mas não tive sorte", disse, franzindo levemente o nariz. "Foi um ano difícil, lutando contra todas as probabilidades. Eu sabia que não ia vencer, mas tentei mesmo assim. Pelo menos não desisti sem lutar."
"Você trabalha?", pergunta Jorge, pegando seu copo e dando um gole; ele parece estar gostando.
- Aos fins de semana, trabalho em uma cafeteria e, nos dias em que não tenho aulas, trabalho na livraria da universidade.
"Cercado pelas coisas que você ama?" Ele sorri ironicamente enquanto pousa o copo sobre a toalha de mesa branca e brilhante. Não consigo evitar uma risadinha discreta.
Suponho que sim, embora eu passe a maior parte do tempo desembalando livros didáticos em vez de ler. Pelo menos tenho desconto para funcionários: sinto-me estranhamente à vontade na companhia deles; parecem muito felizes em conduzir a conversa, e eu fico igualmente feliz em ser guiado por eles.
"Você gosta do seu trabalho?", pergunto enquanto tomo um gole de vinho. Embora eu adorasse que ele conduzisse a conversa, estou ansiosa para saber mais sobre ele. Os cantos de seus lábios se curvam num sorriso suave enquanto ele olha ao redor.
“Sim, é verdade. É um trabalho árduo, não tenho muito tempo livre e é muito estressante, mas eu adoro”, respondo com um sorriso e tomo um gole de vinho. Estou surpresa por gostar mais deste do que de qualquer outro vinho. Aliás, todos os outros vinhos que experimentei tinham gosto de esmalte de unha.
"Quantos hotéis o senhor possui?", pergunto, umedecendo o lábio inferior e pousando o copo novamente. Ele me observa em silêncio por um instante antes de responder.
—No entanto, existem planos para abrir mais dois nos próximos dois anos. Eu viajo muito. Você gosta de viajar? — ele pergunta.
Dou de ombros levemente. "Nunca saí do Reino Unido", admito, envergonhada. "Quando éramos crianças, nunca tivemos dinheiro para férias; nunca nem sequer viajei de avião."
“Talvez você tenha que vir comigo algum dia”, diz ele com um leve sorriso, baixando a voz. Sinto minhas bochechas queimarem enquanto tomo outro gole de vinho, esperando que meu sorriso gentil seja resposta suficiente. Será que eu gostaria de viajar com ele? Nem sei se já me sinto à vontade com ele ou se é apenas o seu charme que me deixa tranquila. Por sorte, somos interrompidos pela garçonete que traz nossa comida; ela coloca um prato de massa cremosa na minha frente, e o aroma é tão intenso que quase me faz salivar. Agradeço à garçonete antes que ela saia e pego meu garfo, dando uma mordida lenta. É rica, cremosa e deliciosa; eu poderia me acostumar com isso.
"Está gostando da refeição?", ele me pergunta depois de alguns instantes. Tento comer devagar e da forma mais saudável possível; a última coisa que quero é parecer um porco na frente dele.
—É incrível, obrigado— ele gostou da minha resposta e sorriu gentilmente enquanto cortava o próprio bife.
"Com que frequência você precisa viajar a trabalho?", pergunto antes de dar outra garfada. Nossa, essa massa está uma delícia.
A cada duas semanas, gosto de resolver a maioria dos problemas que surgem. Sou muito prático. Meus funcionários me odeiam — ele sorri maliciosamente enquanto come seu bife; eu solto uma risadinha e cubro a boca com a mão.
"Claro, isso significa que minha agenda está muito cheia. Espero que você possa ajustar a sua para se adequar à minha." A voz de Jorge mudou para um tom profissional. Eu não esperava começar a discutir os termos tão cedo, mas fico muito feliz que ele tenha feito isso. A julgar pelo rumo que este jantar está tomando, eu gostaria que desse certo.
Dou um gole de vinho. - Bem, eu não trabalho à noite, é só que durante o dia pode ser um pouco mais complicado com o trabalho e a escola.
Ela faz uma pausa. “Você não vai precisar trabalhar. Eu vou cobrir todas as suas despesas e extras para que você possa se divertir.” “Ai, meu Deus! Essa coisa toda de dinheiro. Eu morro de medo de falar sobre dinheiro de todas as formas imagináveis. Eu até tenho dificuldade para falar com a minha chefe; às vezes ela esquece de me pagar em dia, e eu me sinto a maior idiota do mundo quando peço o dinheiro, mesmo tendo ganho.”
"Gostaria que você estivesse disponível para mim sempre que pudesse", diz ele secamente. Tradução: "Gostaria de possuí-la, mas de uma forma prazerosa". Só de pensar nisso, meu estômago se revira. Estar inteiramente à disposição dele para quê? Sexo? Jantares? Eventos no hotel? É tudo tão avassalador e confuso. Mas, claro, devido à minha natureza complacente, acabo assentindo levemente.
"Sim, eu consigo, claro que teria que entregar minha carta de demissão e trabalhar o resto do mês. Não vou bancar o idiota e simplesmente sumir do emprego. Eu nunca conseguiria superar a culpa e a vergonha." Jorge toma um grande gole de vinho e acena com a cabeça.
"Está bem", diz ele, colocando a faca e o garfo juntos no prato e inclinando-se para a frente para falar suavemente. "Gostaria que isto desse certo, Daniela, mas para dar certo, você precisa ser honesta e me dizer o que pensa e sente." Engulo em seco e olho para as minhas mãos por um instante antes de meus olhos se erguerem novamente para encontrar os dele.
"Ainda não sei bem o que você quer de mim." Não sei se é a minha gagueira ou a minha afirmação que o diverte, mas ele retribui o meu sorriso gentilmente.
"Podemos discutir isso nas negociações de amanhã. Quando você está livre?" Minha mente volta à minha agenda.
"Tenho a tarde livre, minha última aula termina às...", respondo.