Capítulo 5
Rodrigo
Dois meses depois
__Fique de olho na vitória. __ seu genaro diz enquanto a filha não sai de dentro de casa __ Eu confio no meu futuro genro, mas sei que minha filha é muito bonita, por isso confio em você.
Quase reviro os olhos com essa baboseira toda, seu genaro teve alta dois dias depois que a filha chegou e agora mas recuperado tá voltando aos poucos o trabalho na fazenda.
__Sim senhor.
Esses dois messes que passou aquela diabinha, fez de tudo pra eu me dá mal com seu pai, mas se ela acha que é esperta, eu sou mais!
Eu não esperava que a Maria Vitória voltasse tão levada assim, pra mim ela ia voltar igual uma santa, quase freira.
Ela sai da casa grande com uma calça jeans apertada que valoriza seus quadris e a bundinha arrebitada, com uma blusa gola alta sem decote algum e os cabelos caindo nos ombros ela se despede do pai e entra na caminhonete.
Me sento no banco do motorista e escuto seu pai dizer:
__Juizo minha filha!
Dou partida no carro e aos poucos a casa grande vai ficando pra trás.
__Sera que não dá pra ir um pouco mais rápido? __ pergunta me olhando de canto.
__Esta tão ansiosa assim pra ver seu namorado? __ a pergunta escapa da minha boca no automático.
__Ele não é meu namorado. __ fala firme.
__Seu pai diz que é.
__Eu sei que não é e ponto!
Desvio minha atenção dela e volto para a estrada.
__E você não namora? __ pergunta mordendo o dedo.
__No dia que eu namorar sério com uma mulher, e por que vai ser essa que eu vou fazer minha senhora e coloca meu filho dentro dela.__ vejo ela abrir a boca chocada com o que digo.
Não estou mentindo, todo mundo tem casos de uma noite, quando estou com tesão procuro uma mulher que também esteja e juntos matamos esse tesão louco em um sexo bruto, ambos saimos satisfeitos e fim.
__E quem é essa mulher?
__Estou esperando ela aparecer na minha vida.
__Talvez ela já esteja na sua vida. __ diz me fitando de maneira que me deixa desconfortável.
__Duvido muito, não tem uma mulher aqui nesse lugar que eu não conheço.
__Voce é um safado, isso não é jeito de falar perto de uma moça.
Acabo rindo do seu jeito de falar.
__Me desculpa moça.__ quando estamos quase chegando a praça eu solto um aviso.
__Nao iremos passar das dez, amanhã eu tenho que trabalhar e vê se não se mete em confusão.
__Nao seja chato. __ resmunga.
__Fique onde eu possa ver. __ descemos no carro e como de costume toda sexta-feira a praça sempre está cheia.
__Relaxa, depois nos encontramos. __ diz e sai rebolando de um jeito que é engraçado.
Saímos do carro mas ao contrário do que eu achei ela não sai de perto de mim.
__Uai, não vai encontrar seu namorado não?
__Ja disse que ele não é nada meu. __ bufa.
Começo a andar no meio do povo e logo Jorge e sua filha Janaína vem até mim, Jorge me cumprimenta com um aperto de mão e Janaína se joga em meus braços.
__Que bom te ver Rodrigo.
__Digo o mesmo. __ retribuo seu aperto __ e oces dois? Tá tudo bem.
__Melhor agora. __ Janaína responde com a voz melosa.
Janaína é linda, mas a sua personalidade e seu espírito de soberba a faz ficar feia.
__E como está os negócios? __ pergunto pois o açougue dele a maioria da carne bovina é do Brandão.
Vejo que o velho fita Maria Vitória com curiosidade, e só entao me lembro de que não os apresentei.
__Essa é a Maria Vitória Brandão. __ digo e o vejo estender a mão para pegar a dela que retribui o gesto.
__É um prazer reve-la querida, seu pai sempre falava de você. Não sei se lembra de mim, mas me lembro de você quando ainda era uma garotinha. __ o velho diz enquanto ela sorri de modo contido.
__Nao me lembro do seu rosto, mas com certeza ainda me lembrarei.
Olho ao redor e vejo as pessoas olhando a barraquinha com comidas, comprando artesanatos e alguns só passeando por aí.
__Bom foi um prazer rever ceis dois, mas eu vou dá umas volta por aí. __ me despeço dele e começamos a andar no meio do povo até que avisto o Otávio.
O babaca vem andando até onde eu estou com a vitória como se fosse dono do mundo, eu odeio pessoas esnobes e esse cara é o pior de todos.
__Maria vitória! __ a empolgação na sua voz me deixa irritado.
Vejo a menina fazer um beiço de descontentamento enorme.
__Otavio...
Ele se aproxima ainda mais de nos me ignorando completamente e abraça a vitória.
__Senti saudades, aposto que sentiu também. __ ela não diz nada, parece ficar sem graça com a situação.
__Vamos irei apresentar você aos meus amigos.__ diz e segura o pulso dela a puxando porém minha voz o para.
__Nao se afaste muito Maria vitória.__ aviso e vejo o merdinha ranger os dentes.
__Que eu saiba, é você quem recebe ordens e não ao contrário.
__Nao te devo explicação, mas foi o senhor Genaro que me deu ordem de ficar de olho nela.__ pontuo.
__Ela estará segura comigo. Seu futuro marido. __ diz e sai junto dela que parece meio deslocada.
Os boatos que corem sobre esse cara não são nada bons. E desde de a primeira vez em que vi o sujeito eu não fui com a cara dele.
Já ouvi muitas histórias de um tempo pra cá que o mesmo embebedou trem meninas e teve relações com elas sem estarem no seu juízo perfeito.
Como ele é rico e filho de pais ricos o caso foi abafado, mas ainda sim alguma pessoas comentam isso.
Acompanho os dois pelo o olho até sumirem no meio do povo, dou meia volta e sigo até o bar do canário que fica do outro lado da rua, bem na esquina.
Entro e cumprimento alguns conhecidos, e sigo até o balcão de madeira escura.
__Rodrigo! Cê sumiu menino, por onde andou? __ escuto a voz do canário e sorrio, eu não sumi, mas é que as últimas duas semanas as coisas tavam bem cansativa.
__Sumi nada sô! É muito serviço e esses dias a filha do patrão tá lá na fazenda.
Vejo o homi arregala os olhos e logo pega um copo e coloca uma dose da branquinha pra mim.
__A menina voltou? __ pergunta surpreso.
__Voltou e dessa vez acho que é pra ficar, viu. __ pego a dose e viro de uma vez na goela, não posso abusar pois ainda tenho que levar a Maria Vitória pra casa, mas uma dose não faz efeito não, pra me derruba tem que ser muita cachaça.
__É bom que ela já acostume a administrar o legado dela. __pontua, mas logo muda de assunto__ E seus pais? Não sei quanto tempo tem que seu pai não vem aqui Rodrigo.
__Depois que meu pai parou de trabalhar lá na fazenda, ele tem ficado mais sossegado dentro de casa com a mãe.
__Ta certo meu fi, agora que océ já tá homi eles só tem de esperar os netos vim.
__Espero que isso demore mais um pouco viu. __ brinco e bebo mais um dose de pinga.
__Rodrigo! __ escuto uma voz feminina me chamando e me viro e vejo sorraia. __ Não sabia que viria hoje aqui.
Canário rapidinho dia de fininho e me deixa a sós com a mulher.
__Vim trazer a Maria Vitória. __ digo sem dá mais explicação.
__A herdeira não foi embora ainda não? __ o seu tom de deixa levemente irritado.
__É natural que ela fique, não? Aqui está a família dela.
Sorraia me olha e vejo um brilho perigoso no seu olhar.
__E você também. Será que ela já se desencantou de você?
Sei que ela fala isso pra mim estressar, sorraia pois na sua mente maldosa que Maria Vitória sente algo por mim.
__Nao diga besteira. __ pontuo, e logo mudo de assunto __ Cadê seu marido?
__Ta por aí. __ diz enquanto da de ombros__ igual sua amiga, só que sua amiga tá pendurada na boca do macho dela né.
__Nao quero saber disso sorria.
Ela se aproxima mais de mim e diz com a voz baixa e sedutora.
__Eu sei que sente vontade de comer a menina, mas já vou te avisando a concorrência tá forte.
Olho para ela com um sorriso debochado, ela realmente não noçao alguma.
__E se eu fosse océ abriria as pernas mais vezes pro seu marido__ vejo sua boca se abrir em um "o" e sorrio terminado a frase __ já sabe né? A concorrência é forte.
Sem dizer mas uma palavra a mulher sai do bar em pisadas duras.
Começo a jogar sinuca com alguns desconhecidos e quando me assusto já são quase dez, me despeço do canário e de outros companheiros e vou a procura da Maria Vitória.
Rodo o lugar todo em busca da menina, mas nada e quando estou quase desistindo chego perto de onde eu estacionei a caminhonete e escuto vozes.
__Eu não irei me casar com você.
Me aproximo e vejo ambos bem perto um do outro e ele segura o braço dela.
__Ira se não...
__Se não o que? Se eu fosse você eu a soltaria agora. __ pontuo e ele recua um pouco.
__Ta explicado! Você está dando pra esse peão não é? __ o nojento pergunta.
__Isso não é da sua conta.
Ele sorrio de modo contido e diz:
__Pois eu irei falar isso ao seu pai, que a filha dele está abrindo as perna pro seu peão de confiança.
Meu sangue já está meio quente e com as palavras desse maldito isso me faz ficar ainda mais bravo.
__Fale, que irei contar o que cê anda fazendo por aí. __ seu semblante fica branco e ele cerra os dentes.
__Isso não vai ficar assim seu babaca! __ diz e sai correndo.
Dou a volta no carro entro e encosto a cabeça no banco. Mas que merda de noite!
__O que ele faz por aí?
Maria Vitória pergunta depois de eu ter dado partida no carro e após alguns minutos de silêncio.
__Coisas que cê não deve saber.
Eu só quero deixa ela em casa e seguir pra minha, tomar um banho e deitar.
__Ele disse que em menos de um ano iremos casar. __ sua voz sai pesarosa.
__É isso que quer?
__Nao com ele. __ suas palavras ficam na minha cabeça até na hora em que estaciono em frente a casa grande.
__Obrigado por hoje. __ sussura soltando o sinto e se virando de frente pra mim.
__Era minha obrigação cuidar d'oce.
__Sempre com medo do meu pai.
__Nao é medo, é respeito e gratidão.__ levo um susto quando sinto seus lábios na minha bochecha que viro de frente pra ela com os lábios quase colados.
Os olhos azuis me fitam com um brilho intenso, a boca carnuda me parece ser a coisa mais gostosa do mundo, sua respiração se mescla com a minha vendo o quanto estamos ofegantes.
__Me beija. __ suas palavras soam como um alarme na minha cabeça e me afasto bruscamente dela, quebrando o nosso contato.
__Desculpe eu não... __ começo sem saber o que fazer, mas que merda eu estava realmente cogitando a ideia de beijar a Maria Vitória, puta merda!
Seu rosto fica vermelho pela a vergonha e antes que eu termino ela salta do carro e entra correndo pra dentro de casa.
__Cacete! __ esbravejo e soco o volante. __ Eu devo está ficando louco.
Ainda com os pensamentos nublados sigo em direção a estrada da minha casa pensando que isso deve ser devido ao cansaço e devido ao tempo em que não tenho nenhuma mulher na minha cama.
