Capítulo 2
Maria Vitória
__Nao é adequado uma moça igual a você ficar andando por aí com aquele bruto. __ minha mãe diz enquanto penteia meus cabelos.
Já tem mais ou menos um mês que ela me vigia o tempo todo e não me deixa ir falar com o Rodrigo.
__Ele é meu amigo mãe! __ digo para ver se ela entende.
Minha mãe nunca gostou que eu ficasse com pessoas que não fosse da nossa classe social, e ela detesta com todas as forças a amizade que eu tenho com o Rodrigo.
__Amigo, ele fica conversando com você por que você é a patroa meu bem, nada além disso.
Me levanto da cama e pego a escova da mão dela e começo eu mesma a pentear meu próprio cabelo.
__Eu não sei o por que que a senhora não gosta dele.__ questiono e ela desvia o olhar.
__Ele é um aproveitador, você acha mesmo que um rapaz de quase dezoito anos vai ficar dando atenção para uma criança de dez?
Ele me dá atenção não dá? E além do mais eu gosto dele, sei sou apenas uma criança mas um dia eu vou casar com o Rodrigo e vamos ter três filhos e morar na casa dele.
__Voce bem conhece ele mamãe! Não gosto que fale assim dele.
Minha suspira e se senta na minha cama e bate do seu lado me chamando para me sentar perto dela.
__Meu bem, entenda, o seu amigo...
__Rodrigo. Ele chama Rodrigo.
__Tanto faz. O Rodrigo ele tá em outra fase, com certeza agora deve está namorando alguma menina da idade dele, ele não vai trocar a namorada para te dar atenção.
Namorando? Mas ele me disse que era só uma amiga.
__É claro que ele não namora mãe. O Rodrigo é meu amigo, só meu.
__Voce vai entender melhor quando crescer Maria vitória.__ ela se levanta e segue até a porta me deixando sozinha em meu quarto.
Eu não quero que o Rodrigo me abandone, ele é meu único e melhor amigo, não é justo ele arruma uma namorada e me esquecer.
Escuto barulho de carro e olho da janela e deduzo que minha mãe deve ter saído, com cuidado desço as escadas e olho ao redor para ver se realmente ela não está aqui.
Saio pela a porta da sala e vou correndo até o estabulos que é onde o Rodrigo fica.
__Maria vitória, o que cê faz aqui? __ escuto sua voz atrás de mim e sorrio, senti saudades.
__Vim te ver. __ me viro e o encaro e tenho que prender o ar, Rodrigo parace aqueles príncipes de conto de fadas.
__Achei que tinha se esquecido de mim. __ diz fazendo beiço.
__Claro que não, e que minha mãe estava me vigiando o tempo todo nesses dias atrás.
Ele parece se assustar e por um momento olha ao nosso redor.
__Nao se preocupe, ela saiu.
__E cê fugiu. __ afirma.
__Tava com saudade. Já disse. __ envolvo sua cintura com meus braços e sinto sua mão acaricia meu cabelo.
__Eu também senti saudades vitória. Esse lugar não é o mesmo sem suas traquinagens.
Sorrio para ela e logo desfazemos o abraço, ficando conversando por mais ou menos uma hora, enquanto ele fazia o trabalho dele jogávamos papo fora.
Depois voltei correndo para casa e subir as escadas e menos de meia hora depois minha mãe retornou. Dei graças a Deus que ela não me pegou lá do lado de fora.
Na hora do jantar o clima entre meu pai e minha mãe estava estranho e hora ou outra eu pegava eles me olhando.
Devem ter descoberto que eu fui conversar com o Rodrigo.
Dei de ombro e voltei a comer a minha comida.
Alguns dias depois
__Eu não vou ir embora daqui mãe. __ digo olhando ela e meu pai sentados no sofá frente a mim.
__Veja bem filha__ meu pai começa__ você vai estuda e depois volta para administrar seu legado.
__Eu posso estudar a distância.
__Voce só tem dez anos criatura. Você vai ir para um tipo de colégio interno e quando sair já vai sair formada e pronta para ser meu braço direito.
__É por isso que estou dizendo mãe! Eu tenho dez anos! Quase onze, não vale apena eu começar a estudar e perde o resto da minha infância.
Ha alguns dias eles vieram com essa ideia de eu ir estudar fora e querem isso o mais rápido possível.
Por mais que eu negue eles não me escutam.
Não quero ir embora daqui, esse é o meu lar.
__É melhor filha, quando você voltar já vai está formada. __ Meu pai diz.
__Mas pai...
Genaro segura minhas mãos e alisa em um gesto de carinho.
__Princesa, eu preciso que você, como minha única herdeira tome conta da nossa fortuna, por isso você precisa estudar e ser bem inteligente para ficar ainda mais linda e rica.
Tenta me convencer.
__Mas pai eu gosto daqui.
__vai ser o melhor Maria Vitória. __ diz por fim e sei que não tenho mais escolha.__ No início do próximo ano você vai, e retornara depois que estiver formada.
Saio correndo da sala e sigo até onde o Rodrigo tá, meu melhor amigo.
Corro até ele que esta encostado em uma cerca e o abraço chorando.
__Eu-Eu vou e-embora.__ digo gaguejando e o aperto ainda com mais força nos meus braços.
__O que?!
__M-Meu pai... Ele... Ele...
Sua mão calejada alisa minha bochecha limpando minhas lágrimas.
__Calma aí que eu não tô entendendo é nada. Vamos sentar ali. __ aponta para o pé de uma árvore.
Ele se senta e apoio minha cabeça no seu ombro enquanto sua mão alisa a minha.
__Por que cê vai embora? __ pergunta confuso.
Tento me acalmar respirando fundo algumas vezes.
__Ele me levar para fora pra eu estudar.__ fungo.
__Isso não é ruim Maria Vitória, quando cê for cê vem visitar nós aqui.
Levanto minha cabeça e encaro os olhos azuis.
__Mas eu não quero ir embora, quero ficar aqui com você. __ encosto minha cabeça em seu peito e escuto a batida do seu coração.
__Eu sei, mas cê tem de obedecer seu pai vitória, ele sabe o que é melhor pro'ce.
__Tudo que eu conheço até hoje tá aqui, não quero larga tudo.
Rodrigo conversar comigo e me acalenta e aos poucos eu me acalmo.
__Mas Rodrigo, não é justo eles querer decidi meu futuro.
__Eles são seus pais vitória.
Por um minuto ficamos em silêncio e eu olho para seu rosto bonito e penso que agora que irei embora ele vai arrumar um monte de namoradas.
Ele já é lindo daqui a alguns anos deve que vai está ainda mais lindo.
__Quando que cê vai embora? __ Pergunta alisando meu cabelo.
__No início do ano que vem.
__Tem muito tempo ainda.
Nao respondo apenas fito o horizonte.
__Vamos nadar no rio? __ pergunta tentando me animar.__ tenho que fazer uma boa despedida daqui antes de cê ir embora.
__Ce tem que ter boas lembranças dos nosso momentos juntos e sempre lembrar de mim.
__Voce sempre vai ser meu melhor amigo. Independente de qualquer coisa. Eu te amo Rodrigo.
Digo com os olhos marejados.
Ele me da um beijo na testa e diz fazendo meu coração acelera:
__Maria vitória, cê também sempre vai ser minha melhor amiga, mesmo que passe mil anos eu sempre vou lembrar d'oce. Eu te amo pestinha. __ sorrio e volto a abraçar ele.
Naquele resto ano eu vivi os melhores dias da minha vida, andamos a cavalo, nadamos no rio, subindo nas árvores e corremos solto pelo o pasto.
E por incrível que pareça minha mãe ou meu pai não interferiu em nada.
Mas hoje ao ver minhas malas prontas a realidade chegou a minha porta.
__Mae...__ digo chorosa ao passar pela a porta da varanda.
Vejo Rodrigo me olhar debaixo de uma sombra e olho para ele com os olhos marejados.
__É melhor meu amor. __ papai diz.
__Pai deixa eu ir me despedir do Rodrigo.
__Nao vitória...__ minha mãe começa mas meu pai interrompe.
__Pode filha, se despede do seu amigo. __Agradeço ao meu pai e vou ao encontro dele.
__Ja vai? __ pergunta tirando o chapéu da testa.
__S-Sim... __ Me aproximo dele__ posso te dar um abraço?
__Acho melhor não. Vou sujar seu vestido__ diz dando um passo para trás.
__Nao tem problema. Um último abraço.__ peço e me aproximo dele e enlaco sua cintura pouco me importando se minha roupa suja ou não.
__Eu vou sentir saudades Vitória.__ murmura.
__Me promete que não vai me esquecer? __ pergunto chorosa.
__Nunca. Eu sempre vou te esperar Vitória.
__Eu também não vou te esquecer. __ beijo sua bochecha coberta pela a barba fina.__ Em breve nos veremos. Eu vou. Mas eu volto.
__E eu vou te esperar. __ ele funga mas rapidinho limpa os olhos.
__Maria vitória! Já está na hora! __ meu pai grita e com dor no coração me despeço do meu melhor amigo e corro até meu pai.
__Vai ser o melhor querida. __ minha mãe murmura enquanto entramos no carro junto do meu pai.
Encosto minha cabeça no banco e abaixo os olhos e vejo meu vestido novo sujo de terra e sorrio.
Eu vou voltar Rodrigo, isso eu te juro.
9 anos depois
__Senhorita Brandão, tem uma ligação para a senhorita.__ a diretora vem até mim e me comunica e pede para mim acompanhar ela até sua sala.
Estou nesse colégio interno da alta sociedade há quase dez anos, aqui estuda somente as filhas ricas de grandes empresários, e detalhe que é um colégio apenas para meninas.
O primeiro ano foi o mais difícil, eu sempre chorava e peida para minha mãe ou meu pai me buscar, mas eles nunca atendeu esse pedido vinham me ver todos os meses mas o máximo que ficava era dois dias e logo retornava.
Já perdi as contas de quantas vezes que eu pedi eles para me levar embora, mas apenas disseram que estava fazendo isso para o meu bem.
A diretora me entrega o telefone e me dá licença.
__Alo?
Digo meia incerta sem saber com quem estou a falar.
__Maria vitória?! Graças a Deus cê atendeu minha fia, seu pai acabou passando mal noite passada e ele e sua mãe foram pro hospital...
Escuto a voz de nanda e não entendo nada.
__Calma Nanda! Não estou entendendo nada. Está me dizendo que meu pai passou mal?
Pergunto tentando não me desesperar.
__Mal não minha fia, ele teve um infarto!
Sinto o ar fugir dos meus pulmões e tento me acalmar.
__O-Oque aconteceu? __ meus olhos de enchem de lágrimas e minha garganta trava.
__sua mãe ainda tá com ele na UTI, e ainda não teve tempo nem de vir aqui em casa tomar um banho...
__Por que ela não me ligou?
__Ela pediu um peão para vim aqui me avisar océ, e o celular dela descarregou fia .
Tento não pensar no pior mas é difícil, eu preciso ir ver meu pai, saber como ele está.
__Eu vou pra fazenda. __ digo determinada.
__É justamente por isso que eu tô ligado minha fia, sua mãe pediu para cê vim pra cá pois o estado do seu pai é grave.
Sinto minhas pernas fraquejar e as lágrimas que antes eu segurava agora descem em abundância pelo o meu rosto.
__E-Eu vou conversar com a diretora para ela me liberar.
__Tudo bem então, assim que cê pousar nas terras aqui cê me liga que eu mando alguém buscar océ fia.
Me despeço dela e desligo o telefone.
Não leve meu pai Deus, por favor!
Quando a diretora entra na sala novamente converso com ela e lhe explico a minha situação e ela me libera, amanhã ao nascer do sol eu tô partindo para a fazenda Brandão.
Não sei se fico feliz pela a minha volta, ou triste por ser nessas circunstâncias.
