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Capitulo 1: Traiçãos e Conseguencias

~Mayra Mitchell

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Sábado 31/01/2017

16:55pm.

Algumas horas antes....

Estou no chão. Literalmente.

Jogada no chão frio do meu quarto tentando raciocinar o que acabou de acontecer.

"O Jason me traiu" da forma mais bruta e fria possível.

Está tudo aqui, as fotos estão jogadas no chão a prova está aqui, esfregando na minha cara o quão idiota eu fui nesses seis anos. Recebi a notícia que me devastou pelo correio.

Por um maldito correio!!!

Estávamos noivos, nossa vida estava traçada, e ele simplesmente jogou tudo fora.

Olho para as fotos e me arrependo. Me arrependo de ter entregado a ele minha vida, de ter vivido a vida dele, de ter escolhido ele acima de mim. Eu o amava ou pelo menos achava que sim. É possível um amor se transformar em...ódio? Sim!!! É ódio o que estou sentindo. Ódio, nojo, raiva.

-Acho que já está na hora de nos arrumar, não acha? -Ruby entra no quarto olhando o celular. -Deus, o que houve? - Sua atenção finalmente foca em mim. Não consigo emitir um som, mas vejo seu olhar cair sobre as fotos espalhadas no chão.

-EU VOU MATAR O JASON!!!!! Se eu encontrar esse estúpido, eu vou arrancar as suas bolas com as minhas próprias mãos, vou castrar ele, vou a fazer ele sofrer tanto, que ele vai se arrepender de ...- eu começo a chorar ainda mais, porque não ouvi a minha amiga?

-Eu devia ter te ouvido, Ruby... Eu devia ter te ouvido

-Ei? A culpa não é sua. É ele não sabe valorizar a mulher maravilhosa que tinha. Já falou com ele?

-Não sei se consigo. - Ele sempre consegue me dobrar, e sei que dessa vez não será diferente.

-Esse imbecil não te merece, ele não merece nenhuma dessas lágrimas. - tento me acalmar.

"Ele não me merece, ele não me merece, ele não me merece..." repito essas palavras em minha mente como um mantra.

-Agora levanta essa bunda daí e vamos nos arrumar. Temos uma festa para ir.

-Ruby...- A dor é insuportavelmente. A dor de uma traição machuca demais.

-Não vai ficar aqui chorando por um idiota. Você vai sim! E vai linda. Espere aqui. - essa é a noite. A noite que fez com que ficasse horas a mais na empresa. Organizamos tudo. Mas a única coisa que eu quero agora é lamentar minha perda sozinha.

-Vá se arrumar. Não deixa esse idiota tomar o resto da sua vida. - Ela pega o vestido e me entrega. Com muito esforço me levanto, mesmo desejando me enterrar no chão.

-Eu não sei...

-Isso não é uma opção, Mayra. Vamos!!! Levanta a cabeça. Deixa de ser boba, perdeu cinco anos da sua vida e Deus sabe como odiei isso. Mas agora você não vai perder uma noite sequer por causa desse babaca. Agora levanta e vai tomar banho.

Em muitas coisas a Ruby tem razão. Perdi anos da minha vida me privando por ele. E o que eu ganhei? um belo par de chifres. Eu organizei essa festa, é apresentação do novo presidente, não posso faltar sou a secretária.

-Eu vou!!! - digo determinada.Seco minhas lágrimas e abro um sorriso forçado.

-Isso garota. - recebo um tapa na bunda. - Fique linda!! Que oportunidade teremos de beber bebidas caras e de graça?

Forço um riso caminhando para o quarto para me arrumar. Quando termino, coloco o vestido vermelho longo com a fenda na perna que vai até a minha coxa. A alça no ombro abre um decote valorizando o que por anos escondi. Salto nude. Maquiagem feita pela Ruby, talvez um pouco além do que eu costumo usar. Mas me olho no espelho e me sinto linda.

-Olha bem pra você. - Ruby diz atrás de mim. -Essa é a sua nova fase. Hoje nós vamos aproveitar. Beber até perder a noção e quem sabe até fazer sexo...

-O que? - pergunto prendendo o riso.

-Isso mesmo. Sexo casual. Se permita viver por você e pra você. Eu te amo Mayra, e odiei cada dia desses cinco anos. Sair e te deixar, e vê a sua vida passar, enquanto ele sugava tudo de você. Não deixe isso acontecer mais. Viva!!!

-Ok, eu vou! - falo com a voz um pouco animada.

-Viva o novo começo. Esse é o fim da era sombria do Jason.

A Ruby é a minha amiga desde os quatorze anos. Eu morava no interior do Texas, em Fort Worth. Uma cidade tipicamente faroestes. Cheios de pub's, era o lugar que minha mãe mais amava na vida. Mas meu pai não, e não perdeu a oportunidade de se livrar de todas as lembranças da minha mãe, logo após a sua morte nos levou direto para Houston. Houston é longe de ser parecido com a cidade tipicamente country. Houston é uma cidade grande, eu parecia um peixe fora d'agua longe dos meus amigos, longe da minha casa, e principalmente sem a minha mãe. A escola era horrível, mas parecia ter alguém que odiava está ali mais do que eu, essa pessoa era a Ruby. Logo de cara nos tonamos melhores amigas, apesar dela ser uma ano mais velha. Não nos separamos, até que eu terminei o ensino médio e decidi que não iria conviver com a amante do meu pai. Ruby não concluiu o ensino médio, ela teve que parar, tínhamos pesadelos em casa, e decidimos que nos mudar era a melhor solução. Com dezenove anos, junto com ela, chegamos a cidade que nunca dorme, passamos alguns perrengues. Trabalhamos em lanchonetes, que foi onde inclusive conheci o idiota do Jason, ele era meu gerente. Mas, quando a oportunidade de secretaria surgiu um ano depois, me joguei como louca desesperada de limpar mesas, e depois de um ano na Carter arrastei a Ruby comigo. Nós temos uma trajetória, nós sabíamos as dores mais profundas uma da outra, e era isso que nos unia sempre, a cada capitulo dessa história chamada avida. Ruby sempre teve mais motivos para ficara amargurada, mas ela sempre foi a pessoa mais batalhadora e forte que eu conheci. Além de morar aqui, ainda sustenta a irmã em Houston fazendo faculdade. Em muitos aspectos éramos parecidas, exceto em sua beleza exuberante que permite que tenha qualquer homem aos seus pés e ela faz jus a isso, vivendo sua vida sem compromisso, sem se importar com o que falam ou pensam dela. Nesse momento sinto um pouco de inveja, por não ser como ela independente e decidida. Vai atrás do quer e na maioria das vezes as possui.

Descemos a escada do nosso velho prédio e seguimos para o centro de Manhattan. Alguns minutos depois já estamos diante do grande edifício. O prédio está bem iluminado. A festa está acontecendo no último andar, na cobertura.

-Vamos? - diz apoiando a mão no meu braço. O salão está incrível, bem do jeito que planejamos.

-Vamos! - entro no salão decidida a não só aproveitar a noite, mas aproveitar o máximo o resto da minha vida.

Sábado 31/01/2017

22:35 pm.

Festa da empresa (atualmente)

Só agora me ocorre que eu posso estar nesse momento olhando para o dito cujo. A vergonha me bate como um tijolo na minha cabeça.

"No que você estava pensando?" Sou repreendida pela minha razão. Em nada!! Como poderia pensar? Eu não consegui alinhar minha razão com a vontade que ele acendeu em mim. Me agarro a pasta de documento, na tentativa de me manter segura. Respiro fundo e tento caminhar até onde o Sr. Carter está agora com toda a família reunida, inclusive o meu novo chefe. Continuo o meu caminho até o outro lado do salão, sinto como se os olhares estivessem sobre mim, me julgando, mesmo tendo a plena certeza que é só a minha consciência me condenando.

-Mayra? Onde você estava? - Ruby segura em meu braço me fazendo saltar.

-O que? - É a única coisa que consigo formular. Ainda estou atônita pelo ocorrido.

-O que aconteceu com seu batom? - seu sorriso se alarga e vejo o seu olhar malicioso nascer. - Sua safada...

-Ruby!!! Depois a gente se fala preciso entregar isso ao Sr. Carter.

-Ok!!!- ela não consegue parar de sorrir - Antes endireita esse batom. - passo a mão na boca ajeitando o batom, mas só consigo com a ajuda da Ruby. - Depois você vai me contar tudo. Todos os detalhes.

Eu vou contar, mesmo obrigada mas talvez terei que ocultar algumas partes. Continuo o caminho e assim que chego a mesa o Marcus é o primeiro a falar.

-Mayra!!! - seu sorriso cafajeste está ali como de costume. O que me faz pensar "poderia ser ele?" Logo descarto essa possibilidade, não pode ser ele, óbvio que não!! O Marcus gosta de exibir suas conquistas ou de se auto exibir. Não faria nada escondido. - Está linda!- todos da mesa me olham, somente Christopher permanece imóvel.

-Obrigado. - dou o meu melhor sorriso forçado. Está diante deles me deixa tímida, ou é só a culpa de quase transar na mesa do meu chefe esteja pesando. -Sr. Carter, o documento.

-Menina, o que eu disse sobre o nome? - diz pegando a pasta

-Me desculpa. Arnold.

-Bom... - fala se levantando. - Quero aproveitar essa oportunidade e apresenta o seu novo companheiro de trabalho de uma forma menos informal. - ele olha para seu filho orgulhoso. - Meu filho mais velho, seu novo presidente.

O cara que até então parecia concentrado demais em seu celular, se levanta guardando o celular em seu bolso e usando da mesma mão para estender para me cumprimentar. Que inferno!!! Ele é mesmo muito lindo. Seus olhos são amendoados, mais intensos, seu cabelo está entre castanho e loiro escuro, uma cor jamais vista. Seu queixo levemente quadrado, emoldurado por uma rala barba por fazer, e sua boca... parece macia, será mesmo tão macia?

-Prazer, Srt. Mitchell! - sou bruscamente puxada dos meus pensamentos, graças a Deus, não sei onde eles me levariam. Sua mão ainda está estendida esperando a minha.

-Prazer, Sr. Carter- estendo a mão e ele a segura firme levando até seus lábios. Droga, ele beijou! Os seus lábios encostaram em minha mão, de uma forma normal, mas minha mente pervertida acha isso tão sexy.

-Será um prazer trabalhar com a Senhorita. - tudo parece tão duplo sentido. Os seus olhos me prendem ao seu. E um pequeno e discreto sorriso de bochecha surge.

Inferno de Homem!!! É muito mais bonito que nas milhares de foto que havia visto.

-Christopher, está na hora! - sua mãe quebra a nossa conexão. Ele acena com a cabeça e segue o seu pai até o palco.

Sigo para minha antiga mesa e me sento ignorando qualquer coisa que eles estão falando. Meu corpo está pegando fogo de novo. Meu coração acelerado e minha respiração embargada. Somente um pensamento me surgi.

"Poderia ser ele?" - sem querer levanto os meus olhos ao palco e ele está lá, devidamente alinhado, sorrindo recebendo os aplausos dos convidados. O seu olhar encontra meu, o que me fez perder totalmente o ar.

-Não poderia ser, né? - falo mais para me convencer.

Quebro a conexão e respiro fundo. E determino um pensamento: "Ele é o seu chefe. Não é ele."

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