05 | An righ mor
Odin, que através das runas contas a tua história, decretando a quem dar a vitória, inspiração, sabedoria e glória, na vida dos que crêem em tua oratória.
Thor, deus do trovão, habilmente nos dá tua proteção, onde há perigo, a ti uma oração, rapidamente farás a tua intervenção.
Freia, deusa da magia, radiante e bela, a todos contagia, embelezando a vida, és toda alegria, incandescentes beijos, os corações incendeia, amor o sexo, pelo mundo semeia.
Frei, deus da fertilidade, raio de sol que trás a felicidade, enriquecendo a todos, pois grande é a sua generosidade, irradiando força pelos campos e pela cidade.
Tyr, deus da justiça e da guerra, incansável guerreiro que o alvo nunca erra, rapidamente teus inimigos tombam sobre a terra.
Nerthus, deusa da terra e da natureza, enriquecendo o mundo com sua beleza, reina sobre os campos com grande nobreza, trazendo boa sorte, expulsa a pobreza, habitando os campos, é boa colheita com certeza.
Universalmente conhecida, tal qual numa correnteza.
Sua bençãos são levadas por toda a natureza.
Njord, deus da prosperidade e do mar, junto ao oceano, teu sopro vai pelo ar, ondas do mar, o teu nome a cantar, rompendo as águas, uma rede vou lançar, dando graças a ti, muitos peixes vou pescar.
Frigg, grande deusa do lar, rainha de Asgard, dos lares a cuidar, incansável fiandeira, os destinos a traçar, grande sabedoria, mas pouco vai revelar, guardiã dos mistérios, só aos justos vai falar.
Sif, esposa de thor e deusa da colheita, insulflando abundância, é ceifa perfeita, farta cabeleira, de ouro o campo enfeita.
Hella, deusa da morte e da escuridão, em teu trono estás, em grande solidão, longe do Sol, grande vastidão, lugar de silêncio, onde os mortos encontrarão, aquilo que merecem eternamente descansarão.
Disires, grande é Vosso poder, incansáveis guardiãs de todo o saber, senhoras do destino, venham por mim interceder.
Impensável é ficar sem a Vossa graça obter.
Rumo ao meu destino me levarão quando eu morrer.
Estão sempre comigo, em meu sangue está Vosso poder,
Senhoras Ancestrais, a vós só tenho o que agradecer.
(Tomas Börje Forsberg) Ace"Quorthon"
......
Essa era a principal oração dos vikings, cultuando todos os deuses para que a sorte os chegasse, e aparentemente, os deuses estavam com eles.
O céu coberto pelo negrume só evidencia mais a luminescência do fogo que aglomera o imenso castelo antes belíssimo e rústico. Corpos e madeira queimada decoram a volta todo o jardim do espaço.
Olhando de forma atenta, qualquer um que passasse ou visse pode facilmente se confundir com a imagem do próprio inferno.
Astrid Gallager olhava atentamente para a penumbra da floresta onde a princesa havia escapado, o seu povo havia entoado belamente a canção da guerra como um claro aviso de que ninguém estava imune, todos querem beber do sangue derramado.
Ainda não haviam acertado todas as contas, e por isso, os povo viking é obrigado a lutar pelo aquilo que têm direito, o direito de vingança.
A mulher prende seu capacete entre o braço direito e a lateral do seu corpo para então remover a espada ensanguentada antes cravada no corpo da Rainha da Escócia.
Ou na antiga Rainha da Escócia, no caso.
Astrid pensava cautelosamente, não deveria ter deixado a princesa fugir, mas a garota foi rápida o suficiente para escapar, mas também não é como se ela realmente estivesse muito determinada em a impedir.
Estava se deliciando, aproveitando o momento prazeroso demais que foi matar a Rainha deste reino, e faria mil vezes se fosse preciso.
Garota estúpida, nem sequer havia voltado para salvar a própria mãe.
De qualquer forma tinha certeza que a princesa não iria muito longe, portanto não seria uma dor de cabeça a alcançar, ainda assim, gesticulou com dois dedos para que dois dos homens ao seu lado esquerdo fossem em busca dela, o que obedeceram sem nem pestanejar.
Odin prometeu que a vingança é nossa, todos pagarão, de Glencoe só restará cinzas!
A lembrança da voz de seu líder ecoou forte em sua cabeça como um mantra pessoal.
Ela sabia o que deveria fazer, e jamais contestaria Magnus Haddock.
O atual líder do seu povo era um amante apaixonante, Astrid sempre amou se sentir escrava dos desejos sexuais de Magnus. Ela sempre foi sua amiga, e ela mesma sentia que ele confiava bem mais em si do que na sua própria esposa, até que tudo desmoronou em um piscar de olhos.
Talvez ela devesse ter ficado feliz ao ver que o empecilho que impossibilitava toda a sua felicidade ao lado do homem que ama havia sido retirado caminho, como se a deusa mãe, do amor e da luxúria, tivessem finalmente ouvido as suas orações, entretanto, se ela soubesse de tudo o que seria arrastado, talvez devesse ter feito suas preces em silêncio. Agora, sua única solução é se encarregar de Magnus nunca descubra.
Astrid finalmente desvia o olhar da floresta para o corpo da rainha que se encontrava deitado sobre seus pés, os longuíssimos cabelos castanhos escuros com alguns fios prateados tapam seu rosto, e, a enorme manta de pelo de urso cobre seu corpo esguio.
Um sorriso de satisfação cobre seu belo rosto por fim e enquanto atrás de si mais dois homens, estrondosamente maiores que ela, surgem entre o grupo, Astrid agacha e afasta os densos cabelos para visualizar jade o belo rosto da mulher morta.
Realmente muito bonita.
— Levem a rainha — disse tão baixo que os homens precisaram baixar para a ouvir.
Astrid levantou e se virou para então começar a se distanciar do lugar.
— Apaguem esse fogo, o nosso líder chegará a qualquer momento — ela ordenou.
....
Somos vikings, no norte partimos de costa a terra estrangeira, todos lutamos contra o homem
Somos a quem a sua alma deve, e não podem voltar agora porque a guerra não terminou
Somos a quem a sua alma, e não podem voltar cedo por que a guerra não terminou
Mil léguas do mar a fora, sem tréguas, Odin, o deus da poesia, da morte, da guerra, das runas, da vitória e do êxtase, declarou.
Escute as canções de guerra.
Magnus Haddock abriu os olhos e suspirou de orgulho.
Para ele não existia melhor canção do que essa, e com a situação se desenrolando lentamente e sentindo o mesmo prazer de ver tudo a volta a ruir, o líder dos vikings observou tudo entre às arvores que o escondiam, bem silenciosamente.
Os deuses tinham ouvido as suas preces e o clamor do seu povo, e sempre justos, lhes concederam a chance de vingança e justiça.
Os seus homens assassinavam à todos, pouco a pouco, ser misericórdia, e não havia algum resquício de piedade em seus olhos esverdeados, aliás, parecia que seu sangue fervia ainda mais de excitação, de adrenalina.
Era claro que a culpa não o corroía porque tudo não passava de um acerto de contas, embora ainda não satisfeito em não ver o corpo no rei desfalecido na grama agora completamente queimada.
Ao menos ele havia conseguido acompanhar o resto, a morte "honrosa" da Rainha da Escócia e a fuga da primogênita do clã Mclaughlin.
Magnus desmontou Nidhogg, o seu cavalo de cor negra igual o breu que envolve todo o céu, com intenções de se aproximar de todo caos, mas recuou ao ver que Astrid apenas gesticulou para que dois dos seus homens fossem a procura da princesa e ela se limitou em ficar no terreno.
O seu povo nunca foi conhecido por serem flexíveis ou amigáveis, portanto, retomou a sua posição em cima do cavalo e partiu até ao cais de Glencoe, em busca da sua presa.
Haviam ganhado a batalha, os vikings venceram a guerra e aquele grito de vitória e poeira no ar deixava o clima ainda mais satisfatório.
Quem passasse por aí, trilharia uma caminho onde só há sangue e corpos no chão, alguns pertencentes a cavalaria real e outros dos criados do castelo, tudo havia pegado fogo e o castelo é apenas um aviso de que Glencoe estará em breve em completa ruína.
Nem parece que antes do poente o reino ainda estava impecável com sua beleza rústica envaidecendo a paisagem selvagem, em outras situações, talvez se contentasse em apenas se instalar no local e ser como uma praga para os escocês, não mais com isso.
Mas sinceramente, agora o Magnus só queria ver mesmo toda família de Kendrick morta, e claro, estamos a nos referir em situações completamente diferente.
E se encontrar o rei ainda com vida, o deixará viver apenas para que ele pudesse se sentar e apreciar sua doce e querida primogênita sendo usada de prostituta pelo seus homens.
Era a melhor forma de o humilhar, a melhor forma de arrancar toda a arrogância que o moveu em sequer cogitar que mesmo desafiando o seu povo ele seria de forma impune.
Agora o líder caminha lentamente pela floresta gelada envolta a uma cerração em busca de seu troféu íntimo e não foi difícil o alcançar.
Ele havia chegado primeiro que os homens a mando de Astrid.
A princesa estava de costas e não percebia a sequer a aproximação de outras pessoas, a sua atenção estava voltada a pilha de corpos em decomposição que começava a soltar um cheiro horrível de sangue e podridão.
Mas não demorou para que seus homens estivessem próximo o suficiente para ela finalmente notar a presença de homens que definitivamente não queria o seu bem.
— Olá, Cora! — um dos homens pronunciou e quase sentiu que o seu nome saiu adocicado em seus lábios, como se ele estivesse experimentando o melhor doce.
É delicioso o pronunciar — pensou.
Seu corpo diminuto vira-se rapidamente em direção ao chamado, e os olhos arregalados expressam o puro terror, é tão palpável que Magnus sentiu uma leve excitação subir em sua espinha.
Mas antes de intervir, decidiu esperar para ver o desenrolar da situação que estava realmente o divertindo.
Os olhos esmeralda estão presos nela como um autêntico predador.
Mas o líder não poderia negar duas coisas, o facto de que o seu pavor da garota o satisfez porque era exatamente isso que ela deveria sentir, e que, a mulher é extremamente bela.
Seu corpo curvilíneo é aparente mesmo debaixo do vestido azul marinho agora amarrotado e rasgado em algumas partes. Os seus quadris são bem largos que contrastam com a sua cintura fina e o busto médio, onde a inexistência de um decote não dá possibilidade de imaginar nenhum pouco da pele alva.
O rosto arredondado com grandes olhos azuis claros, semelhantes a águas cristalinas, combinam perfeitamente com a boca pequena e rosada. Mas nada é mais belo que seus longos cabelos de um ruivo fogo que não a fazem despercebida de lugar algum.
E é uma pena, porque se assim não o fossem, talvez ela não tivesse chamado tanta atenção de Magnus Haddock, e bom, com certeza ter a atenção dele não significa uma coisa muito boa.
— Quem são vocês, e o que querem? — ela perguntou audivelmente e deu dois passos para trás a fim de se distanciar da dupla.
A garota não parecia nenhum pouco ingênua, e ele próprio não aconselharia a ser nesse exato momento se quisesse sobreviver, se bem que ela não tinha muito a fazer para se livrar deles. Um deles se atreveu em se aproximar mas a princesa não estava muito disposta a colaborar, pois não hesitou em alcançar seu arco junto de sua flecha e os mirar bem atentamente.
— Vou repetir mais uma vez, quem são vocês e o que querem? — repetiu mais firme e com o olhar mais analista.
Entretanto, o maior deles arriscou outro passo e um fleche da flecha passou tão rápido e tão perto que bastou ele virar um pouco para notar que sua bochecha foi cortada ao meio. E nem com isso, ela se abalou, pois bastou voltar a olhar para notar que outra flecha dela já estava posicionada pronta para atingir o próximo que se aproximasse.
— Sua cabra, maldita... — gritou o atingido já acelerando os passos em direção a ela.
— É um prazer finalmente a conhecer, princesa Cora Mclaughlin, primogênita do clã Mclaughlin, futura rainha da Terras Altas Escocesas — Magnus diz suavemente mas alto o suficiente para todos eles pudessem ouvir enquanto ele se revela entre as folhagens, desencorajando qualquer que fosse o próximo ato dos seus homens. — Eu sou o Magnus Haddock, líder do povo Viking.
Enquanto os seus homens se afastam dela o mais rápido possível e colocam os joelhos no chão, em sinal de completa mercê de Magnus, a mulher ágil sustenta o seu olhar agora frio nele, os lábios em uma linha reta, mas em nenhum momento ela cede em baixar a sua arma.
— Suponho que já tenha ouvido falar de mim, ou do meu povo, e mesmo não fazendo parte da minha personalidade, princesa, eu irei a oferecer a chance de se render e implorar o meu perdão — as palavras corriam soltas pelo lábio do líder que sustentava um sorriso de escárnio. — E veja bem, você com certeza não tem muitas opções.
E isso não agradou nenhum pouco a Cora.
— Implorar o seu perdão? — perguntou sarcasticamente, as palavras saíram entre os dentes. — Você trabalha para o Rowan, certo? Irei fazer questão de derramar o vosso sangue imundo pelas terras virgens de Glencoe, você, Magnus, pode ter certeza disso — jurou Cora e largou a outra flecha em direção a ele que desviou apenas milimetricamente para não ser atingido.
Magnus fez um rápido gesto para que os seus homens avançassem contra ela e Cora precisou agir rápido, ela alcançou outra flecha no seu suporte preso em suas costas e disparou cegamente enquanto tentava alcançar outra flecha e recuava cada vez mais, só se apercebendo que havia acertado em cheio no pescoço do outro homem quando ouviu um grunhido engasgado e o barulho do peso caindo no chão.
Outra flecha foi lançada dessa vez em direção ao braço do homem que ela havia cortado a bochecha, e foi então que ao tentar recuar, dando passos para trás apenas se concentrando em seu alvo, Cora não percebeu em um dos corpos no chão e caiu ao tropeçar nele.
A garota escorrega e cai no chão, arrastando-se, tentando se afastar da besta enorme que a fixava como se fosse sua presa igual ao homem do lado oposto, mas tudo isso foi por pouco tempo, já que ela ao virar para tentar levantar, é pisada brutamente nas costas fazendo-a cair de novo no chão, os pés do homem a prensam mais sobre o solo, a impedindo de se mover, e o peso a fazia não conseguir respirar.
A única coisa que ela conseguia ouvir era o barulho do mar e das botas pesadas de Magnus que caminhavam lentamente até onde ela se encontra.
— Irás fazer questão de derramar o meu sangue imundo pelas terras virgens de Glencoe, hum? — Cora não conseguia o ver mas sentiu quando ele agachou para ficar próxima de si para sussurrar. — Eu estou completamente ansioso por isso, minha querida princesa.
Em um gesto rápido o homem que a prensava tira o pé das suas costas e agarra seu cabelo por trás, Cora não evitou em soltar um grito de dor que logo foi abafado por um pano úmido colocado em seu nariz e boca, obrigando-a a inalar a substância forte que ia lentamente a entorpecendo.
