Proposta de trabalho
Otávio não tinha limites para expressar seu mau caráter, sua exacerbada arrogância. Ele perseguia Mia onde quer que ela estivesse. Já estava se tornando uma obsessão doentia. Ela se queixava aos pais e eles eram indiferentes, diziam que ela era uma "ingrata" por recusar um grande pretendente que a amava.
Agora entendia o porquê do divórcio de seus pais, eles confundiam facilmente amor com qualquer interesse superficial. Se nem seus pais poderiam protegê-la de Otávio quem mais poderia?
A última vez que ele a cercou no corredor de sua casa tentou beija-la, revoltada com seu atitude lhe lançou um tapa na cara. Ele sorriu com malícia, o que fez o sangue ferver em seu rosto. "Ele conseguia ser detestável".
O empurrou e ainda foi obrigada a ouvir essa frase "nojenta" :
___ Você ainda vai ser minha, nunca se esqueça disso. Eu geralmente tenho tudo o que quero.
A voz de Otávio tinha tom ameaçador, Mia sabia do perigo que corria com ele por perto. Ainda mais sendo tão amigo de seu pai, já era quase um hóspede em sua casa.
Ela resolveu se mudar para a casa de sua mãe, ali poderia ter abrigo contra as investidas de Otávio.
Para aliviar a tensão que sentia em relação a essa perseguição, resolveu conversar com seu ex professor de Astronomia. Era um senhor viúvo já aposentado, que recebeu Mia em sua casa como muita hospitalidade.
Pediu que a empregada preparasse um café a sua convidada e a levou para seu planetário. Uma magestosa sala toda pentada da cor do céu a noite, com infinitas estrelas. Ela se sentiu bem ali, mesmo que em um céu artificial e uma galáxia projetada no teto da sala. seu professor era muito admirado por alunos e ex alunos devido a sua sabedoria, tanto para lecionar sobre corpos celestes quanto para ensinar sobre a vida.
Aquele dia ele não recebia em sua casa uma ex aluna, que admirava pelas boas notas, mas uma amiga. Mia era a filha que ele nunca pode ter, tinha um imenso carinho por ela e acreditava no seu potencial como Astrônoma.
Ela só precisava de uma oportunidade para brilhar mais que o próprio Sol e ele ficaria feliz em poder abrir essa porta na sua vida.
A ouviu desabafar sobre sua família omissa a tudo que ela sentia, a ouviu dizer com ódio nós olhos sobre os abusos que sofria com a falta de respeito de Otávio. Seu professor de 80 anos por nome Pedro lhe deu um caminho, uma luz ainda que tímida no final do túnel, já era muita coisa para quem estava sem esperanças.
Lhe apresentou uma proposta de trabalho irrecusável.
Mia o ouviu com atenção, tudo que ele lhe dizia foi lhe tranquilizando. A esperança raiva novamente no céu de seus olhos. Ela sorria, estava ansiosa para dar sua resposta, mas Pedro já sabia que tinha aceitado.
Ele havia recebido uma carta do presidente do "Centro de pesquisas científicas do universo" a CPCU. Umas das mais importantes bases de astronomia do mundo situado no Egito.
Precisavam de um Astronomo para ficar responsável pelas pesquisas. Pedro deixou claro que não estaria apto ao cargo mas enviaria o melhor profissional que havia passado por suas mãos na universidade. E para a honra de Mia ele falava dela. Disse que seria uma fuga a trabalho já que precisava se ausentar de sua família para ter um pouco de paz de espírito.
A resposta de Mia foi enviada por email a CPCU, juntamente com seu currículo, histórico universitário e seus documentos pessoais. Não perderia essa oportunidade por nada. Além de ter a oportunidade de fazer nome como a primeira Astrônoma brasileira a fazer história na África para o mundo.
Era emoção demais e ela nem sabia como dividir aquilo com sua família. Seus pais não aceitariam, esperavam que ela arrumasse algum emprego na cidade, seu pai até a surpreendeu tentando ajeitar um trabalho de professora na faculdade na cidade vizinha. Eles a queriam por perto para controlar seus passos. Mia sabia muito bem como pensavam e agiam e já era adulta para decidir por si própria.
Resolveu marcar um encontro com Tânia na pizzaria próximo sua casa e lhe contar a novidade. Com lágrimas nos olhos Tânia a ouvia falar entusiasmada de sua partida para o Egito:
___ Você fala com tanta naturalidade como se eu não significasse nada para você! (Fala Tânia se mostrando triste)
___ Não seja boba Tânia, você mais do que ninguém sabe que eu preciso disso. Viver coisas novas, longe de toda essa pressão por parte de meus pais. Eu preciso respirar novos ares... E claro que vou sentir sua falta! Você é uma irmã para mim!
___ Me prometa que vai voltar? Que é só a trabalho? (Disse Tânia limpando a primeira lágrima que rola por sua face)
___ Eu volto! Mas se eu encontrar o homem dos meus sonhos lá eu deixo tudo para trás e fico com ele para sempre! (Fala Mia sorrindo)
____ Que homens dos seus sonhos? você nunca me falou dele... (Fala Tânia com curiosidade)
___ Tolinha é uma brincadeira. Dizem que os egípcios são lindos e sedutores, quem sabe te arrumo um.
As duas sorriem. O garçom chega com a pizza e serve os dois pratos sobre a mesa. Passam a tarde conversando, lembrando de momentos felizes da infância, brincadeiras e travessuras que compartilharam.
Toda despedida é amarga, ainda mais quando há afeto, ambas se amavam, um amor fraternal bonito de se ver. Poucos amigos podiam ter essa bem aventurança que elas tinham.
Tânia implorou para que Mia lhe desse notícias, que ligasse, fizesse vídeo chamada pelo menos três vezes ao dia,pois se assim não fosse Tânia jurou que a não a perdoaria por te-la abandonado.
Tânia era sempre dramática e Mia mais racional e pés no chão. Uma era o equilíbrio para a outra.
