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A costureira

No dia seguinte ela acordou ao som do seu alarme. Eram cinco horas da manhã. Pulou da cama animada. "Estou no Egito" Pensou com euforia. Não poderia se perdoar se perdesse a oportunidade de assistir pela janela o primeiro nascer do sol nas terras faraônicas. Espreguiçou longamente e foi às pressas para o banheiro.

Era sexta-feira, tinha só mais aquele dia para resolver sua vida pessoal antes de dedicar totalmente a profissional.

Enquanto tomava seu café um improvisado de ovo mexido com mussarela que havia comprado em uma mercearia próxima ao prédio. Nem podia sentir o sabor do que comia, estava ansiosa para sair de casa e ir a costureira como havia combinado de buscar seu uniforme.

Escovou os dentes com pressa, planejava ainda dar um passeio pela orla da praia e contemplar o mar mediterrâneo que era beleza predominante de Alexandria.

Colocou na sua bolsa protetor solar, óculos de sol e uma troca de roupa caso decidisse mergulhar. Verificou o dinheiro para o táxi e para um lanche rápido na volta. Estava amando essa nova rotina, nem em seus sonhos poderia ser tão feliz como estava sendo. Mesmo enfrentando a solidão, estando completamente só na quela terra desconhecida.

A solidão não a assustava, depois de viver 23 anos de sua vida com sua família a oprimido aquela mudança de vida era um refúgio, um "final" feliz para sua história que só estava começando.

Respirou fundo cheia de esperança, pegou a chave e seu celular deixando o apartamento.

Enquanto caminhava pela calçada atenta para encontrar um taxista disponível percebeu que muitas mulheres usavam roupas denominadas "burkas" aquilo lhes revelavam que pertenciam a religião do Islã. Mia sabia muito pouco sobre religião no oriente médio, mas a mídia passava uma imagem opressora e violenta que as mulheres árabes sofriam.

Olhou para elas com pena, só de ver a roupa enorme que usavam já dava para perceber a "opressão" que viviam. Mia caminhava livremente com sua calça jeans e camiseta. Calçava uma sandália de salto baixo e podia sentir aliviada por não ser obrigada a se vestir daquela forma.

O taxista logo atendeu ao seu aceno e estacionou o carro próximo a ela.

Mia entregou a ele o endereço que deveria ir. O homem de bigode preto não lhe disse nem um "oi", era perceptível que ele não dominava o inglês e pela aparência era bastante humilde. Mesmo assim ofereceu seu sorriso com dentes amarelados e dirigiu com cautela nas ruas movimentadas de Alexandria.

...

O bairro era bem afastado do centro urbano em que Mia estava morando. O cenário foi se tornando cada vez mais assustador, a pobreza alarmada nós rostos das pessoas que por ali caminhavam pelas ruas estreitas e sem calçamento. Muitas crianças brincavam por ali, entre os veículos que transitam. Mia assistia tudo pela janela impressionada. Não estava preparada para ver aquela realidade miserável do Egito. Mais uma vez a mídia a enganava com as imagens de magníficas construções arquitetônicas dos legados dos faraós, ostentando riqueza e poder.

O que ela via fazia com que se seu coração se apertasse de tristeza. Havia muita fome em cada olhar, havia medo, incerteza e desesperança.

Mia engoliu a própria saliva e tentou segurar o choro.

O taxista estacionou diante de uma casa velha, com paredes com imensas rachaduras.

Havia uma pequena placa informando que Mia estava no lugar correto "Costureira". Estava escrito em inglês e em Egípcio. Ela pagou a corrida e deu uma gorjeta ao gentil taxista, que agradeceu sorrindo.

Ela respirou fundo com tristeza, aquele lugar era bem mais deprimente que as favelas do Brasil. Não tinham nem comparação. Havia muito descaso por parte do poder público, nem asfaltamento as ruas tinham, havia lixo espalhado por todos os cantos e o maú cheiro era forte.

Mia apertou a caixa da campainha que soou um som estridente. As pessoas que por ali passavam ficavam a observando com curiosidade. O que era natural, Mia se destacava naquela sujeira, enlameada, com terra e lixo. Era uma verdadeira pérola no meio do chiqueiro que ali se apresentava. Não sentiu intimidada com aqueles olhares em sua direção, sentiu pena, vontade imensa de os ajudar a sair daquela vida miserável.

Um voz soou de dentro da casa, ela não compreendia o idiomas, mas entrou facilmente pelo pequeno portão frágil, que quase saiu em suas mãos quando o forçou para abri-lo.

Caminhou pelo ingrime corredor alcançando assim a porta principal da casa.

Bateu com cuidado na porta e a voz feminina, soou novamente com as palavras egípcias indecifrável.

A porta estava destrancada a abriu com cuidado se deparando com a parte interna da casa, o que muito a surpreendeu. A casa que parecia cair em "ruínas" do lado de fora parecia uma casa de "boneca" do lado de dentro.

Todo muito simples, porém limpo e organizado. A típica decoração Egípcia fazia parte dos móveis e dos objetos.

Mas uma senhora de idade avançada tomou sua atenção, ela estava sentada em frente a uma máquina de costura e parou o que fazia para observar Mia.

A senhora se mostrou surpresa com o que via e começou falar em Egípcio como se quisesse se comunicar com Mia. Os olhos brilhavam e gesticulava com as mãos em ansiedade para explicar o que as palavras diziam.

Mia não conseguia entender, então lhe entregou o bilhete da CPCU e a frágil senhora parou de falar. Pareceu compreender aquele bilhete. Caminhou devagar até um armário próximo a máquina de costura e pegou um pacote preto.

Uma outra mulher mais jovem chagou ali na sala e comprimentou Mia em inglês. Mia respirou aliviada, pois alguém poderia conversar com ela sem ser na língua Egípcia:

___ Desculpe pela confusão que minha mãe fez... Meu nome Anat. (Disse ela ajeitando o Hijab)

___ Sou Mia Mendonça, me enviaram aqui para pegar meu uniforme da CPCU. (Responde Mia sorrindo)

Anat tinha a mesa idade de Mia mas parecia ser bem mais velha para seus 24 anos. Possuía olhos verdes, tristes, cansados, os cabelos escuros eram encobertos pelo véu. E seu rosto pálido juntamente com as olheiras denunciavam noites mal dormidas. Mia era uma grande observadora e sentiu pena de uma mulher tão jovem já ser duramente marcada pela vida.

___ Eu que peço desculpas, não entendo a língua Egípcia e acho que assustei sua mãe...Deu para perceber que ela ficou nervosa com a minha presença... (Disse Mia)

___ Na verdade ela só queria te proteger, viu em você potencial para ser pega como concubina...(Disse Anat servindo a ela uma xícara de chá)

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