Capítulo 4. Ela cruzou-se com ele novamente.
No final de contas, se ela pensasse bem, a ajuda de Gabi não era assim tão má, já que ela podia ajudá-la a levar Giancarlo para os quartos, para ele poder fazer o que quisesse com a novata.
Ela sorriu vitoriosa, escondida. Embora tivesse de dividir o dinheiro com aquela idiota, pelo menos, podia servir para lhe atirar a culpa a ela, caso algo corresse mal.
— E para onde quer que eu o leve? — Gabi olhou para Ross de soslaio.
— Para o quarto da miúda nova.
Gabi arregalou os olhos ao ouvir aquelas palavras.
— Enlouqueceste? Essa rapariga nem está preparada para isso, como é que a ofereceste ao Giancarlo? Sabes o que é que ele faria com ela?
— Isso preocupa-te? — Ross olha para ela por cima do ombro com um ar severo.
Gabi olha para ele e fica em silêncio. Ela não se importava com a rapariga nova, mas se o chefe ou o Marcelo descobrissem o que estavam a fazer, poderiam meter-se em grandes sarilhos.
— Vão matar-nos se nos descobrirem.
— Queres o dinheiro ou não?
— Claro que quero!
— Então, faz o que eu digo, percebeste?
Gabi suspira, vê Marcelo a falar com Dori, morde os lábios e pergunta-se o que diabos poderá fazer para ajudar Giancarlo a entrar nos quartos.
— Deixo o resto contigo — Ross caminha em direção a Marcelo e Gabi tenta impedi-lo, mas ele já estava longe. Então, a loira olha para onde Giancarlo estava, parecendo esperar um sinal.
[...]
Após a refeição, Natalie sentou-se na cama e verificou a mala. A roupa que estava dentro era um vestido nada confortável. Ela atira a mala para o outro lado da cama enquanto olha para a porta.
— Nem pensem que vou tornar-me mais uma prostituta deste lugar.
Solta o ar contido ao mesmo tempo que cruza as pernas e as abraça, perguntando-se como diabos escaparia daquele lugar. Enfiou a cabeça no espaço criado pelos joelhos e peito.
Entretanto, Sonny terminava de assinar um último documento, mas parou de mover as mãos ao recordar-se daquele olhar cor de mel. Franziu o sobrolho notavelmente, ao mesmo tempo que apertava a caneta na mão.
— Mas que raio?! — exclama, surpreendido.
Termina de assinar a autorização, solta a caneta com relutância, encosta-se à cadeira e fica a olhar para o nada. Pergunta-se então: por que razão lhe veio à mente o olhar daquela rapariga?
Cruza os braços e afia o olhar ao recordar a cor daqueles olhos que o fitavam com firmeza e rebeldia. Ele faz com que Sonny se levante abruptamente e se dirija para a porta.
Entretanto, Natalie tenta abrir a porta com o garfo com que lhe serviram a refeição. Tenta enfiar uma das pontas metálicas no pequeno orifício da maçaneta, mas sem sucesso. Não consegue abrir a maldita porta.
No entanto, não desiste e continua a tentar, pois tinha de o fazer antes que alguém entrasse no seu quarto e a violasse.
O desespero estava a levá-la ao limite, mas ela estava disposta a fazer o impossível para se defender.
Entretanto, Gabi conseguiu levar Giancarlo para o corredor dos quartos das raparigas. A jovem estava com muito medo, mas pelo dinheiro que Ross lhe daria, não hesitou.
— Onde fica o maldito quarto dela? Giancarlo estava a ficar desesperado porque aquela mulher não parava.
— É aquele quarto — disse, apontando para a porta. Giancarlo empurrou-a bruscamente para o lado e Gabi bateu com o ombro na parede. — Tem de sair com cuidado, o Marcelo não pode ver-te a sair desta secção.
— Não se meta nos meus assuntos, vadia de merda!
Gabi vê Giancarlo a posicionar-se na porta e a fazer menção de a abrir, mas a loira nega e volta rapidamente atrás. O que quer que fosse que fosse acontecer, ela não queria estar no meio de nada.
Giancarlo olha para o corredor e vê a mulher a sair a correr, nega com a cabeça e entra no quarto.
Natalie, ao sentir que alguém tentava entrar no quarto, recuou rapidamente, sentindo o coração a bater-lhe com força no peito. Depois, lembrou-se do que tinha e escondeu-o de forma a poder pegar nele num momento em que se sentisse em perigo.
Assim que a porta se abre, os seus olhos arregalam-se ao ver um completo estranho com uma expressão lasciva no rosto. A jovem morena pisca os olhos várias vezes quando o homem fecha a porta atrás de si e sorri com extrema malícia.
— Uau! Mas que bonita você é!
— Quem é você? O que está a fazer aqui? — Natalie não podia recuar, pois tinha a cama atrás dela.
— Sabes muito bem o que vim fazer. Vamos ser rápidos nisso, o que achas?
— Quero que saia do meu quarto.
— Isso não será possível, querida! Ele trancou a porta para impedir que alguém entrasse no quarto.
Aquela ação assustou a Natalie, pois ela sabia que ninguém a iria ajudar, teria de se defender sozinha daquele homem. Agarrou no canivete, escondendo-o atrás das costas.
Nunca na vida tinha magoado ninguém, mas naquele momento era mais do que necessário.
— Vamos brincar um pouco. Só vou penetrar a tua boceta algumas vezes. Vais habituar-te e até vais gostar.
— Vá embora, seu pervertido maldito!
— Ah! Então és uma daquelas rebeldes que gostam de discutir, gosto de mulheres assim, acho que o nosso encontro vai ser divertido. Se te comportares bem, prometo que te vou recompensar com uma boa gorjeta.
Giancarlo lançou-se sobre ela sem dar tempo a Natalie para reagir. Aquele homem estava em cima dela e infiltrou-se entre as suas coxas com tanta facilidade para depois enfiar o rosto entre o seu pescoço e os seus seios.
— Não! — gritou ela, mas ele tapou-lhe a boca com tanta força que ela sentiu que estava a sufocar.
— Cala-te, puta de merda, não estragues o momento.
O garfo que ela segurava estava atrás dela e, quando ele se lançou sobre ela, ela não teve tempo de se defender, mas tentava com todas as forças tirar o braço para pelo menos ferir aquele sujeito.
— Este momento que me ofereceram não se repetirá, é melhor cooperares, vadia.
Ela nega, contorcendo-se debaixo dele, mas não consegue livrar-se dele. Giancarlo rasgou a camisola dela, deixando o sutiã à mostra, e apertou um dos seios com força, fazendo-a franzir o sobrolho.
No entanto, Natalie ficava cada vez mais furiosa sempre que aquele homem lhe apalpava o corpo sem a sua permissão. Olhou-o firmemente nos olhos e pensou em enfiar-lhe o garfo no rosto.
— Oh, sim! Que seios lindos tens, és uma puta perfeita. Não como as outras; os seios delas já não têm a firmeza que os teus têm.
A mão de Giancarlo desce pelo centro do corpo dela até à cintura das cuecas que ela usava, e é aí que Natalie se estremece com mais força, porque não pensava permitir que ele continuasse a tocá-la daquela forma.
— Fica quieta, não temos muito tempo. Só vou enfiar o meu pénis na tua vagina virgem para te fazer desfrutar do que é bom.
Ela resiste e nega, mas não consegue falar porque a mão daquele homem continua a cobrir-lhe os lábios. No entanto, isso deixava-a ainda mais irritada... Quando ele desabotoou as calças, ela abriu um pouco mais os olhos.
Sente-o a baixar as calças pelos lados e resiste com mais frequência, magoando as costas com as pontas afiadas do garfo, mas sentindo que estava a conseguir libertar o braço e que era só disso que precisava.
— Sim, mostra-me essa vagina intocada. Serei o primeiro a provar a doçura da tua boceta. Isso não te excita um pouco?
Giancarlo sorri maliciosamente, enquanto lambe os lábios, ao ver o início dos pelos pubianos da vagina dela, o que confirmava a sua virgindade. Todas as prostitutas da casa de prazer estavam sempre depiladas, mas ela não.
— Ah! Ah! És virgem! Uma maldita virgem que será só minha.
A boca dele enche-se de água em questão de segundos quando toca nos pelos pubianos castanhos da vagina dela. Ele tenta descer um pouco mais a roupa interior da rapariga, mas ela faz um movimento brusco que o obriga a franzir o sobrolho.
De seguida, sente uma forte ardência na parte de trás das costas. Giancarlo não se mexe, porque dói muito.
— Mas o quê? — pergunta ele, ao olhar um pouco para trás e ver o cabo de algo metálico nas suas costas. Que diabos é isto? Ele solta a boca de Natalie e é nesse momento que ela o empurra e consegue livrar-se das suas garras.
Natalie cai no chão e rasteja até à saída, já que as pernas não a deixavam andar. Olha para trás e vê o homem ainda em choque, o que a motiva a agarrar a maçaneta da porta para fugir.
— Mas que raio de mulher és tu? Enfiaste-me um garfo nas costas. — Vadia barata — Giancarlo arranca o garfo das costas com um único puxão e depois olha para ela com o sobrolho franzido. — Vá-se danar.
Levantou-se e correu na direção dela. Quando ela tentou fugir, agarrou-a pelos cabelos, atirou-a para trás e deu-lhe um estalo que lhe virou o rosto.
— Puta de merda! Quem pensa que é para me agredir? Não conheces as regras deste maldito lugar?
— Não! — grita ela, quando ele a agarra pelos cabelos novamente e tenta baixar as calças.
No entanto, Natalie não estava disposta a ceder e acabou por lhe dar um pontapé nos testículos, fazendo com que ele caísse de lado a gritar de dor enquanto segurava os genitais. Foi a oportunidade de que ela precisava para sair dali.
Abre a porta e corre na direção oposta, pois a outra porta não serviu de nada. Com o coração nas mãos, Natalie afasta-se daquele quarto e, depois de dar mais algumas voltas sem saber para onde a estavam a levar, a jovem de cabelo castanho esbarra novamente no corpo de alguém.
[...]
Giancarlo tremia de dor. O pontapé daquela mulher doeu mais do que a dor que sentia nas costas. Era um claro indício de que ele devia sair dali antes que alguém o apanhasse. Como pôde, levantou-se e, a mancar, abandonou aquele quarto.
Olhou para todos os lados, percebendo que ela não estava em lado nenhum.
— Maldita vadia, vais pagar-me por isso.
Caminha com passos desajeitados até à saída, segurando as bolas doloridas.
Entretanto, os olhos de Sonny não acreditavam no que viam: era a rapariga de olhos claros que ele tinha visto há muito tempo, com um ar severo, a observar as suas roupas e a perceber que nunca a tinha visto naquelas condições.
As suas roupas estavam rasgadas.
Natalie piscou os olhos várias vezes ao perceber que era o mesmo homem com quem se tinha cruzado no outro corredor. Ao perceber que ele a estava a observar, cobriu os seios expostos.
— O que aconteceu contigo? — ouve a sua voz novamente e sente um sobressalto interior, era incompreensível.
No entanto, Natalie permaneceu em silêncio, sem desviar o olhar, a perguntar-se o que deveria fazer agora. Aperta a mão contra as roupas rasgadas ao recordar o mau momento que viveu há pouco.