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Capítulo 2. Primeiro encontro com o chefe

Natalie corre pelo corredor, sentindo que pode escapar daquele lugar. Com o coração acelerado, corre sem prestar atenção a mais nada além de encontrar uma saída. No entanto, a corrida apressada e descuidada fez com que batesse de frente no peito de alguém.

A castanha cai de cara no chão e, em seguida, levanta o olhar, abrindo um pouco os olhos, ao deparar-se com o olhar intenso e sombrio de um homem alto e grande à sua frente, que vestia um fato escuro e tinha um ar assustador.

Os olhos de Natalie depararam-se com os daquele homem, que parecia uma espécie de vigilante. Se isso fosse verdade, ela estava em sérios problemas, porque não conseguiria fugir.

—Queres fugir — ouviu Natalie o barulho dos saltos altos e, em seguida, ouviu aquela voz que a fez tensionar o corpo enquanto mantinha o olhar fixo naquele sujeito. — Foi você mesma que me disse isso antes de sair a correr!

— Fugir? — A voz daquele homem era muito mais perigosa do que a sua própria presença.

— Trouxeram-me aqui contra a minha vontade — disse ela com um tom rebelde.

— E daí? Natalie arregalou ainda mais os olhos ao ouvir a resposta.

De repente, dois homens robustos apareceram atrás daquele sujeito tão estranho e acabaram por a levantar do chão de forma brusca.

— Porque estão a fazer-me isto? Eu não quero estar neste lugar.

No entanto, as suas palavras foram ignoradas, pois o homem virou-se e desapareceu do local. Natalie olhou para ele e, de seguida, para os dois homens que a encaravam com o sobrolho franzido. Viraram-se com ela nos braços e foi então que ela confrontou a mulher que a tinha denunciado.

— Achou que podia fugir daqui? — disse ele, afastando-se para permitir que aqueles homens a levassem à força de volta para o corredor.

"Não, não, eu não quero ficar aqui", gritou Natalie, contorcendo-se nas mãos daqueles homens. "Soltem-me, animais!"

Ross ri enquanto a vêem levarem, aquela idiota que pensou que poderia sair dali como se nada fosse.

O corpo de Natalie é levado de volta para o quarto, onde é trancada. A jovem levanta-se rapidamente para correr até à porta, mas ouve-a a fechar. Bate à porta algumas vezes, sentindo-se impotente.

— Não.

[...]

Sonny Martonne acende um cigarro, dá uma longa tragada, expele a fumaça e olha para o bar, confortavelmente instalado no seu escritório.

Os vidros espelhados impediam os clientes de verem o interior do escritório, no entanto, ele podia ver tudo.

Abaixa o olhar e observa as funcionárias a trabalharem diligentemente naquela noite. Os seguranças asseguravam que nenhum dos clientes se comportava de forma inadequada em público; conheciam as regras do bar: nos quartos, podiam fazer o que quisessem com elas.

De repente, Sonny viu alguém entrar e franziu o sobrolho. Tratava-se de um dos seus clientes, mas naquele momento não estava muito contente com ele devido à sua extensa dívida.

O CEO não tirou os olhos dele e percebeu que ele se sentou na área VIP do bar, o que o levou a negar, a virar-se e a voltar para a sua poltrona. De repente, alguém bate à porta e, de seguida, entra Marcelo.

— Sr. Martonne, o Sr. Giancarlo chegou.

— Eu vi! Quero que o acompanhe toda a noite e não quero que lhe apresente nenhuma das mulheres.

— Claro, senhor. Hoje à noite, os rapazes também trouxeram uma rapariga nova.

—Eu vi-a —diz Sonny, levantando uma sobrancelha ao recordar-se daquela rapariga atrevida. Há pouco, ela tentou fugir.

Marcelo fica tenso ao ouvir que o seu chefe teve um encontro com a nova jovem; isso não costumava acontecer; geralmente, ele conhecia-as quando elas já estavam adaptadas ao trabalho.

— Não voltará a acontecer, senhor.

Ela vai ficar no quarto até se acalmar — responde Sonny, enquanto assina alguns documentos. Não quero que ela cometa erros e que eu tenha de pagar as consequências por causa dela.

— Entendo, senhor. Vou mandar que ela não saia.

Sonny permanece em silêncio, mas enquanto assina aqueles papéis, não consegue deixar de pensar naqueles olhos castanhos tão claros. Aquela rapariga não se parecia com as outras que levava para casa. Ele franze um pouco a testa e pára de assinar.

O que estava ele a pensar?

Diferente?

Ele nega, o que estava a pensar era absurdo.

— Retire-se e vigie o Giancarlo.

— Imediatamente, senhor.

Assim que Sonny ficou sozinho, recostou-se na cadeira e pensou na maneira desafiadora como ela o olhara.

[...]

Natalie continuava a tentar abrir aquela maldita porta. Tinha de sair daquela casa antes que a obrigassem a prostituir-se contra a sua vontade. Já tinha ouvido muitas coisas más sobre aquele lugar.

E, pelo que já tinha visto, os rumores não estavam errados. Continuou a forçar a porta até ouvir alguém a tentar abri-la e afastou-se a tempo de ver uma mulher ruiva e gordinha a entrar.

— Olá.

— Quem é você? — pergunta a mulher, enquanto olha para as mãos da ruiva, que trazem uma bandeja com comida e uma sacola.

— Chamo-me Dori. E tu? A jovem sorri e caminha até à cama para deixar a bandeja com comida. O estômago de Natalie ronca, mas ela mantém-se firme. — Não tem nome?

A jovem ruiva olha para ela com um sorriso curioso. Natalie sabia que, se estava naquele lugar, era porque era uma prostituta como todas as outras.

— Trabalha aqui? Dori inclina a cabeça para o lado e sorri.

— Sim.

— Trouxeram-te à força? — Ela franze o sobrolho e nega.

— Claro que não. Aqui tem roupas que deve usar. Vista-as quando comer.

— Não quero usar nada disso, quero sair daqui.

Dori caminha até à porta e Natalie observa que ela está a usar um vestido muito curto, que deixa muito pouco à imaginação.

— Não devias ter vindo aqui se queres ir embora.

— Eu não vim porque quis, trouxeram-me à força. — Dori parou abruptamente; fazia muito tempo que uma rapariga não chegava contra a sua vontade.

— Sinto muito — disse ela, fazendo menção de sair.

— Natalie, o meu nome é Natalie.

A ruiva vira-se e sorri para ela, depois fecha a porta e tranca-a. Natalie soltou o ar que estava a prender e olhou para a mala e a comida. Ela não tinha comido nada e precisava de se alimentar se quisesse ficar forte para escapar daquela prisão.

[...]

Dori chega à sala de estar das raparigas. Algumas descansavam da noite, outras estavam sem fazer nada e muitas outras fumavam num canto.

— E então? De onde é a rapariga? É verdade o que o Ross disse, ela foi trazida à força?

— É verdade, ela não quer estar aqui.

— Por que razão trouxeram alguém assim? As raparigas assim são muito complicadas — murmura Marla, enquanto dá uma tragada no cigarro.

— Não sei o que aconteceu, só fiz o meu trabalho com ela.

As raparigas negam, há muito tempo que uma rapariga não chegava à casa de prazer à força. Elas eram difíceis de lidar e convencer.

— E daí? — resmunga Gabi num canto. — No final da noite, ela vai ser mais uma prostituta, o que mais importa? Ela levanta-se, ajeita o vestido e caminha até à saída.

— Não fale tanto, Gabi, e vá trabalhar, está a ficar preguiçosa.

— Não me dês ordens, Marla, sabes muito bem que te coloco no teu lugar.

— Quem vais pôr no teu lugar, sua maldita prostituta de merda? — A loira levanta-se e encara-a.

As duas enfrentam-se, quando a porta principal se abre e todas ficam inquietas ao verem Marcelo na entrada.

— O que estão a fazer todas reunidas aqui como se isto fosse uma sala de conferências? Saia agora mesmo, aquelas que estão de plantão, ou prefere que eu imponha punições severas?

— Sim, sim, já vamos — dizem todas as que estão de plantão, levantando-se e saindo pela porta apavoradas. Marcelo olha para elas por cima do ombro e depois olha para a Dori.

— Levaste roupas e comida para a nova?

— Sim, como me ordenaste.

Os dois trocam um olhar e, quando ela baixa os olhos, Marcelo foca o olhar nas outras raparigas e, em seguida, vira-se para sair dali. Todas as presentes soltam o ar contido.

A única que não o fez foi Dori, que continuava a olhar para a porta por onde ele saiu.

[...]

Ross sorri docemente para Giancarlo, pois, quando lhe foi servir as bebidas, ele atraiu-a para si e ela acabou por se sentar no seu colo. A jovem morena acaricia o homem para o agradar e para que ele a peça, pois quanto mais homens ela transasse naquela noite, mais dinheiro poderia ganhar.

— Estás muito sensual hoje, Ross. Ninguém te pegou hoje à noite? — perguntou ele, enquanto acariciava um dos seios dela, apertando o mamilo com os dedos.

— Ah! Meu amor, tu sabes que és o único que adoro foder, ninguém fode a minha cona como tu — murmurou contra os seus lábios, mas sem o beijar, já que o beijo indicava que o acordo estava feito.

No entanto, foi Giancarlo quem se afastou dos lábios dela para pegar no copo e beber um gole. A jovem percebeu que ele a estava a rejeitar e isso irritou-a.

— Já ouvi dizer que aquele gordo asqueroso, que não me tira os olhos de cima, te fodeu esta noite. Ele é um bastardo! — ela olha para o cliente e fica tensa. Sempre que aquele maldito a chamava, ninguém mais queria foder a noite toda.

— Não se preocupe, querida — disse ele, acariciando-lhe a bochecha, mas ela obrigou-o a levantar-se bruscamente.

— Não! Eu não quero. — A não ser que me digas se há alguém que valha a pena esta noite, podia dar-te uma boa gorjeta, sei que gostas de boas gorjetas.

— Alguém que valha a pena?

Pergunta confusa, todos os clientes conheciam de cor as raparigas da casa de prazer.

— Não recrutaram ninguém novo? — A jovem arregala os olhos ao perceber o que ele procurava: exclusividade.

— Isso é proibido aqui! — Sabes que posso acabar morta por te dar esse tipo de exclusividade.

Estas palavras fizeram com que Giancarlo levantasse os olhos e olhasse para o jovem com um sorriso malicioso.

— Isso significa que há alguém novo? — Ross pensou bem antes de responder, pois sabia que poderia meter-se em sarilhos com o seu chefe. — Responda, caramba, há? — Vou pagar-lhe muito bem se me der essa informação.

— Chegou uma rapariga nova e suspeito que seja virgem.

Giancarlo abriu os olhos, mostrando-se muito interessado nessa informação.

— Onde é que ela está? — Ross começa a recolher os copos vazios, enquanto olha para todos os lados; tinha de ter cuidado com o que fazia.

— Isso vai custar-te caro, meu amor. Não é uma informação que te possa dar assim tão facilmente.

Giancarlo aperta-lhe o pulso com força, fazendo com que ela o olhe com desconfiança.

— Vou pagar-te uma boa gorjeta por essa informação. Quero ser o primeiro a transar com essa virgem.

— Nesse caso, quero o dinheiro antes de te contar qualquer coisa. Não é por desconfiar, meu amor, mas assim funcionam os negócios neste lugar.

Giancarlo tira um pequeno maço de dinheiro e coloca-o entre os seios de Ross, que sorri abertamente ao vê-lo.

— É melhor dizer-me a verdade e não mentir, porque todo este dinheiro que lhe estou a dar não será em vão, vadia.

— Vai transar com uma virgem por muito pouco dinheiro, deve agradecer-me por o ajudar.

Ross acha que esta putinha inocente precisa que alguém lhe ensine o que vai fazer e quem melhor do que o próprio Giancarlo, o mais bruto e porco de todos.
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