
Resumo
Clara tem 18 anos e carrega nos olhos a ingenuidade de quem acabou de entrar na universidade… mas no coração, um desejo inconfessável. Desde o primeiro dia de aula, ela se vê irresistivelmente atraída por Otávio Martins — seu professor de Direito Penal, um homem maduro, de trinta anos, dono de um olhar frio e de uma presença que domina qualquer ambiente. Entre provas, aulas e olhares disfarçados, Clara luta contra o que sabe ser errado… mas como resistir quando a tensão cresce a cada encontro, e o professor começa a demonstrar que também não é imune à sua presença? Um amor proibido, marcado por segredos, culpa e desejo. Até onde Clara será capaz de ir… por um pecado que pode mudar sua vida para sempre?
Prólogo
Desde o primeiro dia de aula, Clara soube que estava perdida.
Sentada na terceira fileira, com a postura elegante e o olhar atento, ela parecia confiante, mas por dentro o coração batia acelerado. Morena, pele dourada e macia como seda, cabelos lisos e médios que deslizavam pelos ombros, olhos escuros e profundos misteriosos até para ela mesma. O corpo escultural, marcado pelas roupas justas que realçavam cada curva, chamava atenção sem que precisasse fazer esforço.

Mas não era qualquer homem que a fazia estremecer. Era ele.
Otávio Martins.
Professor de Direito Penal, trinta anos, dono de uma presença que calava qualquer sala. Seu porte atlético preenchia perfeitamente a camisa social branca, que ele usava sempre com os dois primeiros botões abertos, revelando parte do peito forte e másculo. As mangas, invariavelmente arregaçadas até os cotovelos, deixavam à mostra os antebraços definidos e a pele bronzeada. Os cabelos eram fartos, escuros, sempre penteados para trás com um toque displicente e perfeitamente calculado. A barba bem feita delineava o maxilar forte, e os olhos claros, enigmáticos, intensos pareciam analisar tudo ao redor, como se soubessem mais do que qualquer um naquela sala.

Ele caminhava entre as fileiras com passos seguros, e Clara não conseguia impedir o arrepio que percorria sua espinha cada vez que ele passava perto.
Júlia - Se continuar babando assim, vai chamar atenção… — sussurrou Júlia, sua melhor amiga, ao seu lado, soltando um risinho malicioso.
Júlia era o oposto de Clara: loira platinada, cabelos curtos em um corte moderno, olhos escuros sempre maquiados, a boca pintada de vermelho. Descontraída, debochada e confiante, vivia lhe lembrando de aproveitar a vida ao máximo.

Clara disfarçou o sorriso e ajeitou a blusa, tentando se concentrar na aula, mas falhou miseravelmente quando Otávio ergueu os olhos e cruzou, ainda que rapidamente, o olhar com o dela.
Um segundo. Um choque.
Foi quando, do fundo da sala, surgiu a figura altiva da diretora da faculdade, Isadora Moretti. Mulher madura, nos seus quarenta e poucos anos, impecavelmente vestida, salto alto, cabelos castanho-claros presos em um coque firme e elegante. Seu olhar atento percorreu a turma até repousar, sutilmente, sobre Otávio.

Ele também percebeu.
E, pela primeira vez, Clara viu aquele homem, sempre tão impassível, lançar um olhar diferente de interesse e… desafio — na direção da diretora.
O frio que percorreu a pele de Clara não foi só desejo. Foi também um aviso.
Aquele homem… não era só um professor. Era um perigo.
E ela estava irremediavelmente atraída por ele.
A Universidade Moretti não era apenas um lugar de ensino; era um universo isolado, onde alunos e professores viviam imersos numa rotina fechada e intensa, como se o mundo lá fora simplesmente não existisse.
O campus era enorme, cercado por altos muros de pedra cobertos por heras antigas, com jardins impecáveis, bibliotecas silenciosas, salas modernas… e alojamentos para todos.
As alunas moravam em prédios separados, mas conectados ao coração da universidade por corredores cobertos e passagens discretas. Clara e Júlia dividiam um quarto espaçoso no segundo andar, com uma janela que dava para o pátio central, onde as árvores centenárias lançavam sombras misteriosas sobre os bancos de ferro.
Júlia - Eu juro que aquele homem mora no meu pesadelo… ou no meu sonho — disse Júlia, jogando-se na cama e encarando o teto, enquanto Clara abria a cortina para espiar o movimento lá fora.
Do outro lado do pátio, em um dos prédios de vidro espelhado, estavam os alojamentos dos professores. Mais privativos, mais elegantes… e ainda assim, próximos demais.
Clara mordiscou o lábio inferior quando, como que atraído por seus pensamentos, viu Otávio atravessando o jardim, vestindo calça social escura e camisa de linho com um blaser com a pasta de couro jogada despreocupadamente no ombro.

Ele parecia ainda mais inalcançável naquele ambiente, como um predador seguro do próprio poder.
Os rumores entre os alunos eram inevitáveis: diziam que o professor Otávio, recém-chegado ao corpo docente, já havia conquistado olhares e fantasias, mas nunca, até agora, se envolvido com nenhuma aluna.
Julia- Nem adianta, Clara. Ele é inalcançável… e além disso, é nosso professor. — Júlia riu, pegando o celular.
Julia- Regra número um: não se apaixone por quem pode te reprovar.
Mas Clara não respondeu.
Porque, no fundo, ela já sabia: não era uma escolha. Era uma maldição.
E o fato de Otávio estar tão próximo, vivendo ali, nos mesmos corredores, cruzando pelos mesmos jardins, tornava tudo ainda mais perigoso… e inevitável.
Mal sabia ela que, naquela mesma noite, o destino começaria a cruzar seus caminhos de um modo do qual nenhum dos dois conseguiria escapar.
