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Capítulo 2

Leandro levantou-se de um salto da cadeira, sem nem perceber que estava caindo para trás com a força da sua raiva. —Se você fizer isso, vou garantir que tudo o que você possui seja destruído, incluindo sua querida e infiel filha!

Octávio não se deixou impressionar pela ameaça do homem. —Tudo o que você precisa fazer é convencer Mara a se casar com você e o livro será seu. De graça e sem mais.

—Você está louco! Eu não tocaria na sua filha! Você já conhece a história! Você mesmo me mostrou a prova da traição dela.

Octavio ainda guardava um pouco de orgulho e não queria admitir todos os seus erros diante daquele homem poderoso. Ele deu de ombros novamente. —Mara é uma mulher muito inteligente. Se você não consegue mantê-la fiel, então não a merece.

Leandro levantou as mãos para evitar estrangular o velho. —A confiança é recíproca. Ela traiu a minha confiança. Ele fez uma pausa para tentar recuperar a calma. —Tudo isso é irrelevante. A única coisa que quero é o livro, e isso não tem nada a ver com a sua filha.

Octavio riu baixinho enquanto balançava a cabeça negativamente. —Tem muito a ver com a minha filha. Ela me disse para colocar um preço no que eu quero. A felicidade da minha filha é o meu preço.

—Continuo sem entender.

Octavio não sabia muito bem o que dizer a aquele homem. Ele não queria trair a confiança de Mara, mas precisava oferecer alguma esperança àquele homem alto e bonito. Não importava que ele odiasse Leandro e toda a família Santillán. Ele amava a filha mais do que odiava Leandro e toda a família Santillán. Ela era a única coisa que importava para ele naquele momento. —Mara se fechou em si mesma.

—Você é ridículo, retrucou Leandro. Ela trabalha como botânica na universidade.

Octavio queria que aquele homem soubesse disso. —E ela não sai com ninguém desde... Mais uma vez, o que revelar?

—Há muito tempo, ele acabou dizendo finalmente, sem mencionar que o último homem com quem a filha dele tinha saído era ele. Ela se isolou, longe da vida e da felicidade. Ele não se lembrava de tê-la visto rir de verdade em mais de sete anos. Desde o dia em que aquele homem saiu da vida dela, Mara tinha ficado cada vez mais tranquila e reservada. Ela gostava da vida e a encarava com entusiasmo. Há sete anos, ela disse que estava apaixonada por Leandro Santillán, mas Octavio não acreditou que ela falasse sério; ela tinha apenas dezoito anos! Nenhuma mulher conhece o amor da vida nessa idade. Então, ele convenceu aquele homem a afastá-la, e sua linda filha morreu lentamente, vivendo a vida de uma reclusa. E nunca mais voltou a rir.

Ela conseguia sorrir de vez em quando, mas não rir. Fazia os movimentos quando se encontrava em uma situação social. Mas o sorriso ficava só nos lábios e nunca chegava aos olhos. Aqueles lindos olhos castanhos, que sempre brilhavam e te provocavam, demonstrando tanta vida, agora estavam mortos.

Leandro zombou da ideia de que Mara não fosse feliz. Sua natureza cínica prevaleceu e ele se recusou a acreditar que Mara não tivesse evoluído na vida. —É difícil de acreditar, considerando a foto que você me mostrou dela com aquele outro homem.

Octavio se recusava a permitir que a vergonha se intrometesse. A felicidade da filha dele estava em jogo. Ele precisava conseguir. —Então, encontre uma maneira de fazê-la esquecer qualquer outro homem que não seja você. Ele fez uma pausa e ergueu o olhar para o homem alto e furioso. Ou será que você não está à altura do desafio? Todas aquelas histórias sobre suas conquistas femininas são mentira ou propaganda?

Leandro se recusou a responder. Não era da conta dele. E a filha dele certamente não faria parte disso. Devia haver outra maneira de conseguir aquele livro. Infelizmente, o tempo não estava a seu favor. O pai dele estava pedindo o livro, implorando para que ele o encontrasse e devolvesse. O homem estava morrendo e todos sabiam disso. Que tipo de filho seria ele se não conseguisse realizar o último desejo do pai? O que aquele livro tinha de tão importante era um mistério para Leandro. Ele o tinha visto quando era criança, mas era muito jovem para se preocupar com um livro velho e mofado com imagens antigas. Havia muitas outras coisas para fazer nessa idade.

Sua mãe tinha falecido pedindo o livro e ele não tinha conseguido encontrá-lo. Agora seu pai estava morrendo e pedia o mesmo livro. Ele não iria decepcionar seu pai. Ele iria conseguir, mesmo que tivesse que se casar com aquela garota infiel. Não era como se tivesse que dormir com ela.

Mara olhou pelo microscópio e fez algumas anotações no relatório que tinha ao lado. Passou para a próxima lâmina e repetiu o processo várias vezes. Todas as lâminas mostravam a mesma coisa e ela suspirou frustrada quando a última revelou que nada havia mudado. —Pode falar, disse ela, deixando a cabeça cair entre as mãos enquanto apoiava os cotovelos na bancada preta de resina epóxi. —Por que não funcionou?

—Algum problema?, perguntou Elliot Pembroke enquanto se apoiava na outra ponta da bancada.

Mara ergueu os olhos e fez uma careta para o colega pesquisador. —Não deu certo. Ela e Elliot trabalhavam no laboratório da universidade em projetos de pesquisa semelhantes, mas ele recebia financiamento de uma fonte diferente. Eles tinham colaborado um pouco nos resultados durante o último ano, mas Mara tinha vergonha de que sua pesquisa não funcionasse tão bem quanto a dele.

Elliot suspirou e balançou a cabeça negativamente. —Achei que o último lote pudesse ser o vencedor. Ele se aproximou à mesa e examinou as lâminas. —Nenhuma dessas funcionou?

Mara cobriu a boca enquanto sua mente avaliava as possibilidades e o próximo passo em potencial. —Nenhuma. Ela pegou suas anotações e fechou o caderno. Elliot era um cara legal, mas ela não confiava em ninguém daquele laboratório. Havia uma competição acirrada entre seus colegas para descobrir uma nova variedade de trigo resistente a bactérias

e Elliot não hesitava em roubar suas ideias para ajudar em seus próprios experimentos. —Como estão indo suas ideias?, perguntou ele, mudando de assunto.

Elliot se apoiou na bancada, cruzando os braços sobre o peito. —Achei que tinha encontrado algo com a celulose da última vez, mas as bactérias não pareciam se importar que eu tivesse dado uma toxina para esses bichinhos. Elas devoraram as células.

Mara assentiu com a cabeça. —Aqui acontece a mesma coisa. Ela olhou para o relógio e suspirou. —Acho melhor a gente ir pra casa, não é? Era quase meia-noite e ela estava ali desde antes das seis da manhã, ansiosa para começar a examinar os resultados das culturas nas quais vinha trabalhando no último mês. Infelizmente, nada parecia ter dado certo.

Mas então, o celular vibrou com um nome que ela não esperava ver.

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