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Capítulo 1

Leandro Santillán entrou no escritório e observou distraidamente a deterioração geral e a falta de pessoal nos corredores. Provavelmente, o velho estaria desesperado naquele momento, exatamente como Leandro havia previsto.

Ele entrou no escritório de Octavio Barrenechea sem bater, já que o assistente dele não estava no lugar.

O velho ergueu os olhos assim que a porta se abriu, furioso com a . —O que você está fazendo aqui?, perguntou Octavio em tom brusco, franzindo as sobrancelhas grisalhas, cheias da raiva que sentia diante da arrogância de seu convidado indesejado.

Leandro desabotoou o paletó escuro antes de se sentar em uma das cadeiras de plástico verde situadas em frente à grande e pesada mesa. —Você sabe perfeitamente o que estou fazendo aqui. Ele fez uma pausa para insistir e também para deixar o outro homem desconfortável por um momento. —Quero recuperá-lo, Octavio. Leandro olhou fixamente para o idoso, escondendo sua raiva e impaciência. —Você perdeu cerca de quarenta por cento do seu império lutando nesta guerra. E vou garantir que não sobre nada se você não me der o que eu quero.

Octavio recostou-se no encosto de sua poltrona de couro, sentindo a satisfação acalmar sua raiva. Apesar do ódio que sentia pelo jovem, Octavio tinha que admitir que Leandro era um excelente exemplo de masculinidade, com sua altura de mais de um metro e oitenta e cada parte do corpo cheia de músculos duros e marcados, algo que, em silêncio, Octávio reconhecia que lhe causava inveja. Ele supunha que a maioria das mulheres consideraria Leandro Santillán um homem atraente: cabelos negros, olhos escuros e intensos, rosto anguloso... Na maioria dos círculos, as mulheres o achavam sexy e misterioso. Não nos círculos de Octavio, mas as colunas de fofoca sem dúvida gostavam de acompanhar as atividades desse homem.

Era inegável que Leandro Santillán era implacável nos negócios. Ele nunca teria acumulado uma fortuna tão grande nem controlado um império tão imenso se não fosse assim. Octavio odiava aquele homem com todas as suas forças, mas aceitava que ele devia ter qualidades redentoras se sua querida filha tivesse se apaixonado por ele. E ele suspeitava que ela ainda desejava aquele bastardo! Um fato que o corroía continuamente, mas que também o havia levado a esse confronto.

Ele odiava admitir isso, mas, se Leandro era o que sua filha queria, mesmo depois de todos esses anos, ele a ajudaria a reconquistá-lo. Não que ele fosse reconhecer seu papel na separação inicial deles. Não, esse segredo Octavio levaria para o túmulo!

Com uma intensa sensação de satisfação, Octavio recostou-se no encosto de sua cadeira rangente e cruzou as mãos sobre sua barriga proeminente. Leandro finalmente havia chegado. Tinha sido uma dura batalha trazê-lo até aqui, uma partida de xadrez dolorosa e deliberada jogada nos mercados financeiros e nas salas de reunião das empresas, mas Octavio finalmente havia vencido. O fim estava próximo e tudo ia bem para sua querida filha, Mara, se ele jogasse bem suas cartas. Ele se recostou no encosto de sua poltrona de couro, ignorando o rangido que precisava ser consertado, e continuou olhando para o jovem. —Você acha que pode me encurralar e que eu vou dar meia-volta e chorar, mas isso simplesmente não vai acontecer.

Leandro ergueu uma sobrancelha com sarcasmo. —Você mal tem mais recursos que possa vender, suas empresas perdem contratos quase diariamente e sua própria casa está tão hipotecada que até os bancos vão começar a cobrar os empréstimos. O que te resta? —Apenas me dê o que eu quero e farei com que tudo isso acabe.

Octavio riu com um som que evocava seus ancestrais gaélicos e que parecia ao mesmo tempo arrogante e divertido, denotando uma segurança em si mesmo apesar das provas concretas que negavam essa possibilidade. —Você não me entende muito bem, não é? Ele levou o cigarro à boca, inalou profundamente, enchendo os pulmões de fumaça acre, e soltou-a no ar.

Le andro ignorou a fumaça, que temporariamente lhe ocultava a visão do homem. Felizmente, o cheiro era quase agradável, se não fosse pelo fato de que as partículas eram cancerígenas e acabariam matando o velho. —Eu entendo que você é um ladrão mentiroso e um velho que está perdendo o controle de um império que antes significava muito para você —disse Leandro com desgosto. Ele escondia o melhor que podia sua raiva, sua fúria e sua repulsa por aquele homem.

—Você não sabe o quanto eu aprecio isso. Octávio riu baixinho, estreitando os olhos para o jovem para evitar rir de forma vitoriosa. Ele estava tão perto do sucesso que quase podia saboreá-lo.

Leandro estava impaciente para acabar com aquela farsa. —Tudo bem, vamos lá. Você já sabe o que eu quero. Diga suas condições e, esta tarde, você terá o dinheiro na sua conta.

Octávio balançou a cabeça negativamente com um sorriso zombeteiro. —Não quero o teu dinheiro.

Leandro esperou, mas como o homem se limitou a sorrir, balançou a cabeça negativamente. —Explica-me as tuas condições. Não tenho tempo para os teus jogos ridículos.

Era exatamente isso que Octávio queria que o jovem sentisse. Agora tinha conseguido. Todos os seus sonhos iam finalmente tornar-se realidade. —Se eu te der o que você quer, você me dá o que eu quero.

—Apenas diga seu preço, velho.

Octavio riu baixinho. —Quero que minha filha se case.

Leandro ficou paralisado, com o estômago revirado por uma raiva renovada, mas escondeu sua reação, sem querer dar nenhum poder ao inimigo. Só de saber que a filha dele ia se casar já fazia seu sangue ferver de raiva. —Muito bem —respondeu com rigidez. —Casa-a.

Octavio fez uma pausa, saboreando a tensão que se criara. Finalmente, proferiu algumas palavras que enfureceram ainda mais o jovem. —Por ti.

Leandro ficou sem fôlego por um instante. Ficou imóvel, enquanto o impacto daquelas palavras percorria seu corpo. —Impossível —resmungou Leandro. Se ele não voltasse a ver aquela mulher, tudo ficaria perfeitamente bem. Octávio deu de ombros, fingindo que a resposta do jovem não lhe importava. —Então você nunca mais verá o livro. Não vou viver para sempre e no meu testamento há instruções para que o livro seja destruído. Ele fez uma pausa para que aquelas palavras fossem assimiladas, antes de acrescentar: Embora me irrite a ideia de esconder o livro de você. Você dispõe de recursos consideráveis e, ao longo dos anos, seus investigadores me causaram muitos problemas. Tive que trabalhar duro para me manter um ou dois passos à frente deles. Talvez eu devesse destruir essa maldita coisa agora mesmo e acabar com isso de uma vez por todas.

E bem quando eu ia responder, alguém bateu à porta.
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