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O Filho do Fazendeiro: Alessandro Castellani e Serena Campos

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Maah M. R.
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Resumo

"Ela era só uma sombra no campo dele. Agora, é a tempestade que ele não pode conter." Serena Campos, uma jovem de beleza cativante e vida humilde, vê sua vida mudar drasticamente após a morte de seu amado avô, com quem vivia em um modesto barraco na vasta fazenda da poderosa família Castellani. Acolhida pela família, ela tenta encontrar seu lugar em um mundo onde o futuro parece cada vez mais incerto. Quando Alessandro Castellani, o filho arrogante e indomável do fazendeiro, é forçado a retornar à fazenda, pressionado pela obrigação de assumir os negócios da família, ele não imagina que sua chegada trará mudanças irrevogáveis. Movido por intenções duvidosas, Alessandro se aproxima de Serena, enxergando nela apenas uma distração para seu tédio. No entanto, o que começa como um jogo de conquista se transforma quando ele, inesperadamente, é obrigado a se casar com a doce e inocente Serena, a quem agora precisa suportar sob o mesmo teto. Arrastada para uma vida nova, Serena descobre que o amor ao lado de Alessandro é uma batalha constante. Ignorada e desprezada, ela se vê imersa em incertezas, mas insiste em acreditar que, por trás da arrogância dele, existe um homem capaz de amar. Alessandro, por sua vez, luta contra qualquer faísca de sentimento, determinado a manter Serena como um mero obstáculo em seu caminho. Até quando ele conseguirá ignorar a força de um amor que desperta sentimentos profundos? E será Serena capaz de sobreviver ao lado de um homem que a vê como uma inconveniência?

amorromancebilionárioAstuto / ManipuladorFrio/IndiferenteCasamento antes do amorSangue quente / Cheio de energiaDecisivo e implacávelFamília rica

Capítulo 1 - O Despertar de Serena

O sol brilhava intensamente naquele dia, atravessando as frestas do pequeno barraco onde Serena vivia. Ao abrir os olhos, ela ouviu o canto suave dos pássaros e sentiu o coração aquecido pelo cenário familiar. Lá fora, as árvores e as plantas ao redor de seu lar pareciam florescer como sempre, mas, em seu coração, havia uma sombra: seu avô, Joaquim, quem cuidou dela a vida inteira, havia partido seis meses atrás, deixando um vazio impossível de preencher.

Serena levantou-se devagar, inspirando o ar fresco da manhã enquanto espiava pelas frestas de madeira. A lembrança do avô ainda era dolorosa, e uma lágrima escorreu silenciosa em seu rosto. Mas ela logo se lembrou das palavras dele: "Nada de tristeza, minha menina. Segue firme e cuida de ti." Com um suspiro profundo, ela secou o rosto e foi até o chuveirão improvisado no quintal, onde a água fria, que seu avô tão habilidosamente havia instalado, a ajudava a despertar e revigorar-se para o novo dia.

Após o banho, Serena vestiu seu vestido branco, já surrado, que deixava seus ombros expostos, como uma cigana delicada e solta pelo vento. Seus cabelos castanhos caiam em ondas suaves e sua pele, de um tom saudável, combinava com o frescor da manhã. Pegou sua cesta para buscar frutas e legumes na fazenda dos Castellani, onde os patrões generosamente permitiam que ela colhesse alimentos.

Enquanto atravessava o caminho de terra batida, Serena se sentia em casa. Ela conhecia cada centímetro daqueles arredores, cada som e cada perfume das árvores e das flores. Contudo, não demorou muito até que uma voz rude interrompesse seu devaneio.

– Olha só quem tá aqui, a beleza selvagem da fazenda – comentou o capataz Silvino, com aquele sorriso que sempre a deixava desconfortável. – Já indo pedir esmola de novo, Serena?

Ela tentou manter a calma, respirando fundo antes de responder.

– Bom dia, Silvino. Não é esmola. Os patrões me permitem colher um pouco, e também venho para trabalhar. Eles são bons comigo – respondeu ela, com o tom mais firme que conseguiu.

Silvino a olhou com aquele mesmo olhar de sempre, cheio de insinuações, e deu alguns passos em sua direção.

– Ah, mas pra mim não deixa de ser esmola. Um rostinho como o seu merece mais do que uns restos de fazenda. Você sabe que eu posso cuidar de você... Ser minha mulher. Tá cada vez mais linda, Serena – ele completou, aproximando-se, estendendo a mão.

Serena sentiu o corpo enrijecer e o coração disparar. Com um passo rápido para trás, respondeu:

– Tenho que ir, estou atrasada – disse ela, virando-se de imediato, apressando o passo para longe de Silvino, sem sequer olhar para trás.

Assim que chegou à cozinha da fazenda, Serena encontrou a acolhedora dona Alzira, que lhe lançou um olhar curioso.

– Ora, menina, parece que viu um fantasma! E olha só, está descalça de novo. Essa menina não tem jeito mesmo!

Serena riu timidamente, sentindo o alívio de estar em um ambiente seguro.

– É que meus sapatos machucam. Já me acostumei a andar descalça, dona Alzira – respondeu, enquanto sentava-se na cozinha, absorvendo o aroma de café fresco e pães quentinhos que invadiam o ambiente.

Dona Alzira a serviu com uma xícara de café quente, e a manhã passou em um clima de tranquilidade. Mais tarde, Serena foi designada para levar o café ao senhor Inácio, o patriarca da família Castellani, que estava em seu escritório. Ao chegar, ela o encontrou com o semblante carregado e o olhar fixo na janela.

– Com licença, senhor Inácio... Aqui está seu café – disse Serena com a voz suave.

Inácio se virou, suavizando o olhar ao vê-la.

– Obrigado, Serena. E como você está, menina?

– Bem, senhor, obrigada – respondeu, inclinando a cabeça respeitosamente.

Logo, a senhora Eleonora entrou na sala. Serena a cumprimentou timidamente, mantendo-se no canto enquanto o casal discutia sobre o filho, Alessandro, que deveria chegar em breve.

– Alessandro vem, afinal? – perguntou Eleonora, visivelmente preocupada.

Inácio suspirou, contrariado.

– Sim, contra a vontade dele, mas vem. Já está na hora dele se responsabilizar pelo que é nosso.

Eleonora olhou para o marido com hesitação.

– Ele cuida bem das coisas na cidade, Inácio... Não acha que deveríamos dar mais tempo a ele?

Inácio balançou a cabeça, decidido.

– Já demos tempo demais. Agora ele precisa ver as coisas de perto. É hora de Alessandro agir como um verdadeiro Castellani.

Serena observava a conversa com interesse discreto. Eleonora, percebendo seu olhar atento, aproximou-se dela com um sorriso amável.

– E você, Serena? Já pensou sobre o que conversamos? Seria melhor você ficar na fazenda. Não é bom que fique distante sozinha – sugeriu a senhora, com um tom protetor.

Serena abaixou os olhos, hesitante.

– Sim, senhora. Estou me organizando, mas... o barraco guarda tantas lembranças do meu avô... – ela murmurou, engolindo em seco. – Mas eu prometo que, se houver qualquer problema, eu aviso.

Eleonora assentiu com um olhar carinhoso, e Serena retirou-se com uma sensação de alívio e conforto.

Mais tarde, de volta à cozinha, Serena conversava com dona Alzira enquanto descascava legumes.

– Menina, você precisa encontrar um bom homem para cuidar de você. Um que seja decente e te proteja – sugeriu Alzira.

Serena suspirou, refletindo sobre as palavras da senhora.

– Meu avô sempre conversava comigo sobre isso. Mas... não sinto que o meu amor esteja aqui.

Alzira sorriu compreensiva.

– Ah, mas e o Luiz Fernando? Ele parece gostar de você, e é um bom rapaz.

Serena riu, envergonhada.

– Luiz Fernando é gentil, mas... só o vejo como um amigo, dona Alzira.

Alzira suspirou, sacudindo a cabeça com um sorriso enquanto Serena voltava sua atenção aos legumes, tentando afastar os pensamentos confusos que sempre surgiam em relação ao futuro.

A tarde corria tranquila, mas Serena sentia uma agitação inexplicável em seu coração, como se uma tempestade se aproximasse silenciosa, mas inevitável. Enquanto olhava pela janela da cozinha para o horizonte distante, uma sensação de inquietude misturada a curiosidade a invadia.

Naquele mesmo instante, um carro de luxo adentrava o caminho da fazenda. Serena mal sabia que, em breve, sua vida tranquila estaria prestes a mudar, e que Alessandro Castellani traria consigo muito mais do que apenas novos negócios...