Capitulo 3: Lanchonete?
Saito respondeu, vendo Saori encarando o prato à sua frente, podia ver o rosto dela ganhar um tom mais corado. Mas Saori cobriu a boca para evitar a risada alta, que queria deixar seus lábios, só então ela notou o que era o prato que Saito havia escolhido. Saito olhou sem entender, ela estava envergonhada a segundo atrás, agora queria gargalhar. Ela encarou o prato novamente, o pequeno frango salpicado com molho, sentindo a risada presa em sua garganta.
— Eu sempre me pergunto se isso é um frango ou pobre pombo que estava por aí.
Saito arqueou a sobrancelha, não entendendo muito bem ao que ela se referia, ele olhou para o prato vendo pequeno frango em seu prato, ele não conseguia mais ver outra coisa agora, ele riu junto a ela.
— Deve ser daí que vem o nome, frango a passarinho?
As risadas ficaram um pouco mais altas, chamando a atenção do restaurante, Saito tentou parar de rir, mas não conseguia, ele nem sequer fazia algum esforço para parar, mesmo se fizesse, não iria conseguir fazer parar, pois, a risada dela o contagiava a continuar.
— Coitado do pombo.
Saori riu ainda mais alto, ela finalmente notou que as outras mesas olhavam em sua direção, ela se constrangeu, pensando que ele nunca devia ter passado por isso antes.
— Me desculpe, eu não gosto tanto de restaurantes assim.
Saori se desculpou, sentindo vergonha pelo seu comportamento nada educado. Saori havia crescido em uma família pobre, a situação só melhorou depois da faculdade, quando conheceu sua chefe, que foi ela que lhe ensinou sobre etiqueta e comportamento, porém, por mais que tentasse se habituar aquelas frescuras todas, não conseguia. Tinha crescido sendo criada com 7 irmãos, ela era a única garota, sendo assim era basicamente um menino quando criança.
— E o que você gosta de comer?
Ele perguntou, deixando o guardanapo de lado, ela pensou, se lembrou do restaurante perto da sua antiga casa, põe antiga nisso, foi o primeiro lugar que morou quando chegou em Tóquio. Lá tinha o melhor sanduíche da cidade, na sua humilde opinião é claro.
— Tem uma lanchonete no bairro, Yanaka, o sanduíche é incrível.
— Lanchonete Hana
Saito falou analisando a expressão de surpresa da Saori, ele levantou a mão com pressa, e o garçom não tardou a se aproximar.
— Me traga a conta, por favor.
Saori encarou Saito sem entender, o garçom voltou com a carteira de couro entregando a conta para Saito.
— Não me entenda mal, eu gosto de comer em lugares assim, mas eu sempre vou preferir uma lanchonete no subúrbio. Geralmente quando eu saio com uma mulher, elas não comem mais do que duas colher, não importa quão famintas elas estejam. Então eu nunca tenho companhia para ir até uma lanchonete.
Ele pagou a conta absurdamente cara, Saori perguntou por que as pessoas pagaram tão caro por tão pouca comida, e nem tudo era bom, ao menos era o que achava.
Saito levantou da cadeira, estendeu a mão para que Saori segurasse, ela levantou com ajuda dele, Saito esticou o braço para que a mulher de cabelos azuis pudesse entrelaçar o seu ao dele, o caminho ficou em branco para Saori, ela conseguia sentir os músculos do homem, ele era mais forte do que poderia imaginar. Eles nem sequer se importaram com os olhares sobre eles, deixaram o restaurante sendo o assunto do local, Saori dos homens e Saito das mulheres. Saito guiou a mulher pela calçada, indo para o seu carro que não estava muito longe dali.
Ao longe dois homens observavam o casal entrar no carro, o homem de cabelos pretos arrepiados, tirava múltiplas fotos dos dois, aquilo era uma rotina para eles, seguir Saito para onde quer fosse, ainda mais quando ele tinha companhia.
— E apenas mais uma vadia que ele pretende comer! Por que temos que segui-los?
A voz do parceiro dele saiu tediosa, Kasai suspirou irritado, Nakasone havia reclamado todo o caminho, eles tinham que apenas seguir Saito, não era uma tarefa difícil, preferia isso, do que entrar em embate com ele. Conhecia a fama e sabia que Saito era um assassino com experiência.
— Se ele a levar para um motel, como sempre faz, nós vamos embora. Se não continuaremos a segui-lo.
O homem de cabelos negros, falou vendo seu companheiro concordar mesmo contrariado, os olhos negros voltaram para câmera enquanto fotografava. Nakasone ligou o carro, seguindo o Audi de Saito pelas ruas iluminadas de Tóquio, eles estranharam quando Saito seguiu em direção contrária do motel que sempre ia com suas acompanhantes, eles chegaram a conclusão que ela fosse mais do que alguém que ele fosse comer.
Saori se acomodou no banco do carro, passando o cinto, a lanchonete Hana ficava 15 km da onde estavam, era longe, mas não era problema, Saito já que ele corria feito um louco pelas ruas, Saori se assustava deixando constantemente os gritinhos histéricos escaparem pela boca. Ela gostava de dirigir, mas a velocidade não era uma coisa que gostava, talvez porque grande parte das cirurgias tinham a ver com acidentes de carros. Saito ria da mulher de madeixas azuis, a cada curva fechada que ele dava, ela pulava no banco com a mão sobre o peito, sentindo o próprio batimento, enquanto respirava rapidamente.
— Quer que eu vá mais devagar?
Saori balançou a cabeça freneticamente em positivo, sentindo seu corpo mole por conta dos sustos que levará, Saito riu sem notar, Saori era uma mulher muito interessante, ele diminuiu deixando Saori menos tensa, vendo ela desgrudar do banco.
— chegamos.
Saito falou, Saori olhou pela janela vendo o prédio da lanchonete se aproximar, Deus, nada havia mudado, continuava o mesmo, ela suspirou profundamente, foi a primeira vez naquele dia lembrado do passado, o motivo de vir para essa cidade. Mas ela resolveu não pensar no passado, apenas ignorou qualquer lembrança ruim, focando no presente, vendo que o local estava apagado e com as portas fechadas. Saori suspirou em desânimo, sentindo a barriga roncar, Saito riu ouvindo o estômago dela, ele deu a volta.
