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Sem chão

Dandara ignorou todas as mensagens e ligações de sua família. Até mesmo seu pai que não tinha o costume de importuna-la lhe enviou várias ligações. Cecília então foi a que mais insistiu, estava aflita em com razão, já era tarde da noite e não tinha notícias do paradeiro da filha caçula. O mais velho Ricardo já estava nos cuidados da esposa em casa e também não sabia onde estava sua irmã quando sua mãe lhe ligou.

Ninguém podia se quer imaginar que Dandara estava em hospital tentando recuperar daquele trauma causado pelo egoísmo de Danilo. Nem mesmo ela a vítima de toda aquela situação constrangedora e humilhante estava acreditando que tudo fosse real.

Não esperava isso de Danilo, ele lhe prometia o céu em seus momentos de ternura, Dandara se iludiu com as palavras bonitas que ele lhe dizia, ele tinha lábia, sabia seduzir com os lábios e com atitudes. Quando ela poderia imaginar que seu futuro marido era um monstro em potencial a ponto de cometer o crime do estupro? Muitas vezes Danilo lhe dava sinais de quem era realmente, apenas Dandara era ingênua demais para decifrar o verdadeiro crápula que seu namorado "perfeito" sempre foi.

O doutor Tadeu se apresentou depois de todo aquele exame desagradável, ele já sabia da violência sexaul apenas por olhar no fundos dos olhos tristes de Dandara. Era Homem integro, tinha ética profissional e não aceitaria um diagnóstico de estupro sem que o responsável não pagasse dia te dá lei.

Por isso após injetar em Dandara uma injeção para não permitir a gravidez indesejada decorrente do estupro ele a acompanhou até a delegacia:

___ Esse desgraçado precisa pagar pelo mau que lhe fez! (Ele disse abrindo a porta para ela entrar)

Vários polícias faziam ronda ali na parte externa. Era uma noite de muita movimentação no interior do prédio e Dandara não estava nem um pouco segura do que iria dizer ao delegado.

O bondoso médico estava ao seu lado lhe prestando apoio para suportar tudo aquilo. Ele queria que a justiça fosse feita e estava ali para garantir de que Dandara fosse vingada por aquele crime hediondo:

___ Essa garota é minha paciente, veio prestar queixa de um estupro... Ela conhece o abusador... Vai lhe passar o nome e endereço...

O celular do doutor Tadeu começou a tocar, ele foi solicitado para uma cirurgia de risco no hospital. O dever lhe chamava, há havia salvado Dandara até aquele momento. Queria permanecer ao lado dela até o fim daquela triste história, mas não pode. Entregou a Dandara seu cartão e partiu da delegacia. O delegado presente e mais dois policiais aguardavam o relato de Dandara sobre a denuncia:

___ Pode nos contar o que aconteceu? (Pediu o delegado)

Dandara olhava para o vazio que havia em sua alma. Não conseguia ouvir o delegado, nem tão pouco sabia o que estava fazendo naquele lugar. As lágrimas ainda vertiam, corria rapidamente por sua face como se quisesse fugir de toda aquela dor que ela sentia. O silêncio de Dandara foi deixando os policiais incomodados. Eles insistiram por diversas vezes mas a garota parecia não ouvi-los, permanecia em silêncio, olhando fixo na parede branca daquela sala. O cheiro úmido a deixava zonza, era mofo, misturado a papéis envelhecidos, não era o pior dos cheiros que ela já sentiu mas a incomodava, queria ter forças para sair dali.

Seu celular tocou, ela se assustou e atendeu de forma automática:

___ Filha pelo amor de Deus onde você está? (Era Cecília)

Os policiais puderam ouvir a voz de sua mãe do outro lado da ligação:

___ Estou bem... Vou enviar a localização... (Dandara disse)

Os policiais se entre olharam confusos, havia um relato superficial de um médico alegando que a garota havia sofrido um estupro mas a própria vítima não se manifestava:

___ Vai fazer a denúncia? (Perguntou um dos policiais, ele se mostrava impaciente)

___ Eu vou para casa... (Ela disse se levantando)

Nenhum daqueles três homens puderam ver o desespero nos olhos de Dandara. Nenhum deles tiveram a sensibilidade que fosse capaz de decifrar a dor e o sofrimento que aquela jovem carregava em seu coração e em seu corpo que havia as marcas de um crime.

Dandara não teve coragem suficiente para denunciar Danilo. Ela só queria esquecer que tudo aquilo tinha acontecido, acordar daquele pesadelo e amanhecer em um dia de paz em que tudo aquele terror que havia vivido não passasse de um terrível pesadelo que pretendia se esquecer.

Cecília não entendeu o que ela fazia sozinha naquele lugar deserto, seu coração de mãe não tinha se enganado. Desde que ela havia enviado uma mensagem na hora do almoço dizendo que iria ficar na rua atrás de material para sua pesquisa de campo, Cecília sentou seu peito se apertar como se suspeotasse de que algo ruim poderia acontecer a ela. Até havia comentado com o marido que a repreendeu dizendo para deixar Dandara em paz, que ela não era mais uma criança e a uma mulher de vinte e dois anos prestes a se formar aquele ano na universidade.

Cecília passou o dia todo pensando em Dandara, imaginando coisas ruins, era uma grande pessimista, principalmente quando o assunto eram os filhos.

Mesmo exagerada era uma mãe dedicada que queria a felicidade de Dandara e Ricardo. A filha caçula cada vez estava distante da família, se escondia nos estudos intermináveis, se fechava em umu do que não tinha espaço para seus pais e Cecília se incomodava com isso.

Quando a encontrou sozinha na calçada seu coração gelou, era como ter a confirmação de todos os seus sentimentos de pressagio, ainda sentia que Dandara estava em perigo:

___ O que aconteceu filha? Porque estava aqui sozinha? (Perguntou Cecília enquanto dirigia)

___ Mamãe eu só quero ir para casa e esquecer tudo... (Ela disse chorando)

___ Esquecer o que Dandara? O que aconteceu? Por que está chorando filha?

Dandara não iria abrir seu coração a sua mãe.  Ainda mais ela que fazia de Danilo "deus" na terra. De toda forma aquilo seria um segredo apenas de Dandara em algum mento decidiria o que fazer com tanta dor sozinha.

Cecília insistiu mas teve apenas o silêncio de Dandara como resposta.  Não satisfeita depois que chegou em casa ligou para Bruna, a melhor amiga de sua filha poderia ter informações sobre ela:

___ Dona Cecília acredito que pode ser uma crise de ansiedade, afinal Dandara estava bem estranha hoje quando me contou sobre a pesquisa de campo... (Disse Brinca do outro lado da ligação)

___ Estranha como? (Perguntou Cecília)

___ Ela estava nervosa, Dandara sempre teve medo da pesquisa de campo, parecia não ter reação... Ela está bem? Aconteceu alguma coisa? (Disse Bruna)

___ Não está tudo bem sim! Só queria saber pois ela chegou tarde e muito indisposta! (Respondeu Cecília) De toda forma muito obrigada Bruna, tenha uma boa noite!

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