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Nativos da ilha

O nome Águas claras fazia todo o sentido quando a ilha foi se aproximando no horizonte. De repente diante dos olhos tristes de Dandara surgiu uma tonalidade clara no oecano que a deixou intrigada. O oceano que ela conhecia que banhava a maré da praia era bem mais escuro e pouco dava para ver as pedrinhas no fundo. Já em comparação a água que banhava a ilha era como um espelho, nítido, com uma pureza inexplicável da água naquela região. O fenômeno atraia centenas de turistas do mundo todo, encantava a todos aquele mistério da tonalidade da água. Dandara deixou se distrair com a beleza daquele lugar. Não era a  primeira vez que estava ali mas sim era a primeira em que sentia consolada por aquele lugar de beleza surreal.

O cheiro do peixe na balsa já não a incomodava, estava mais adaptada ao lugar e outros aromas se misturavam e tornava tudo suave e agradável. Mesmo angustiada, remoendo o trauma que havia vivido na noite anterior ainda tentava se distrair.

A Ilha "Águas claras" era o cenário de sua pesquisa de campo, ela teria muito trabalho pela frente e isso seria bom já que queria fugir de sua agoniante realidade.

A primeira coisa que fez quando desembarcou na ilha foi desligar seu celular. Não queria ser incomodada por ninguém, não estavam afim de abrir seu coração e deixar que vissem a ferida na carne viva. Queria esse tempo para esconder sua dor, ainda era tudo muito recente.

Pensar sobre aquilo fez seu peito se apertar e as primeiras lágrimas correram por sua face. Ela imediatamente as limpou com a manga de sua blusa. Respirou fundo como se quisesse tomar toda a coragem para manter fiel ao seu propósito de viver apesar de tudo que havia passado.

Caminhou na rua de pedra, algumas pessoas nativas a cumprimentou, de cara percebeu o quanto aquele povo simples era acolhedor.l e gentil.

Ele viviam do comércio das rendas e da venda de peixe. Dandara estava curiosa para saber algo intrigante que era a étnia daquele povo.

Havia um esteriótipo ali que praticamente revelava quem era nativa daquele lugar. As pessoas que ali viviam eram muito brancas, mas a pele havia sofrido uma mutação. Devido a exposição exagerada ao sol nos trabalhos na pesca todos tinham a pele muito bronzeada. E os olhos azuis destacavam em seus rostos queimados pelo sol. Contudo o envelhecimento precoce também era um dilema que enfrentavam. Mulheres na faxetaria dos trinta anos já tinham a aparência de uns sessenta anos. Como era um povo simples de pouquíssima instrução a maioria não fazia o uso de protetor solar. Tinha suas formas de se proteger contra o sol usando remédios caseiros o que não resolvia o problema das queimaduras. Alguns turistas que se sensibilizavam com os nativos acabavam doando os produtos e cosméticos para tratamento da pele.

Algo peculiar daquele povo e que também chamou muito atenção de Dandara naquele primeiro momento foi observar que os homens da ilha usavam cabelos crescidos, semelhante as mulheres. E os cabelos mesclavam nas cores loira de um amerelo ouro, outros mais escuros. Tinham o costume de usarem barba comprida, portabto até os adolescentes aparentavam já serem homens adultos.

O físico forte e bem definido também foi uma característica curiosa que Dandara anotou em seu caderno de anotações sobre sua pesquisa de campo. O corpo femino era delicado, não havia mulheres obesas mas demonstravam ser dotadas de muita saúde e vigor. Os homens também não havia nenhum acima do peso, todos possuíam um físico experimentado em trabalho braçais que proporcionava a presença natural dos músculos.

Dandara anotava tudo o que observava sentada em uma pedra debaixo da sombra refrescante de um coqueiro.

De repente no meio de suas anotações uma lágrima despencou de seus olhos e veio a molhar o papel. Em seguida mais lágrimas vieram, feito uma tempestade sem aviso e ela não tinha mais força nem para manter a caneta ereta em sua mão.

A angústia surgia do nada e a fazia ficar em pedaços, sem vontade de continuar a viver.

Esperou se acalmar pois um grupo de turista passava por ali e ficaram a observando. Dandara não percebia mas ela era a atração principal da ilha naquele dia, pois sua beleza estonteante deixava todos alarmados por onde passava. No meio daquele povo branco de olhos azuis e cabelos loiros Dandara se tornava um diamente negro que reluzia diante dos olhares de admiração.

Mais calma e já resistindo ao choro recolheu suas coisas e as colocou novamente dentro de sua mala. Estava com fome e mesmo com muita coisa para anotar precisava antes se alimentar para continuar sua jornada pela ilha.

Planejava fazer algumas entrevistas com os nativos, somente o relato sincero daquele povo poderia lhe dar base para sua pesquisa. A história daquele povo seria um excelente assunto para defender em sua dissertação.

Caminhou até um restaurante simples porém muito aconchegante. Uma senhora magra que usava um lenço nos cabelos já grisalho a atendeu com um sorriso e segurava um caderninho na mão para anotar seu pedido:

___ A senhorita vai ficar para pernoitar? (Perguntou a mulher)

Só então Dandara percebeu que o restaurante estava ligado a uma casa que servia de hospedagem. Seria uma experiência incrível passar a noite naquele lugar, até preferia ficar ali do que retornar para o seu "assombrado mundo real". Mas não havia planejado dormir ali, não queria que seus pais colocassem a polícia a sua procura. Sabia o quanto sua mãe era dramática quando estava preocupada com os filhos.

Mas era algo a se pensar. Dandara ficou satisfeita com a comida servida naquele lugar, tinha sabor de comida caseira, feita no fogão a lenha e o aroma despertavam em Dandara as memórias de sua infância. Já se sentia melhor após aquele almoço. Pagou a senhora de cabelos grisalhos e explicou a ela que estava fazendo uma pesquisa para a faculdade e precisava realizar algumas entrevistas:

___ Olha moça sei que sua intenção é boa... Mas sou uma mulher muito simples que mau sei escrever meu nome... (Disse a senhora)

___ E qual o seu nome? (Perguntou Dandara)

___ Me chamo Carmélia. Não pude ir a escola pois não tínhamos a balsa todos os dias, eram tempos difíceis... Mas meu filho ele conseguiu estudar mais que eu... Kadu poderá responder a todas as suas perguntas! Ele está na oficina essa hora do dia e tenho certeza que vai ficar contente em receber uma moça tão linda como você! (Disse Carmélia sorrindo)

O sorriso era tímido pois faltavam alguns dentes. Dandara se afeiçou por Carmélia, ela era uma mulher agradável de se conversar mesmo sendo tão simples e humilde. Dandara realmente não estava acostumada a pessoas simples. Não tinha convívio direto com os empregados, mas mesmo sendo funcionários da mansão Dandara notava neles um ar de superioridade que não havia no povo nativo de Águas claras.

Ela agradeceu por Carmélia indicar alguém de confiança para entrevistar, ainda mais se tratando de um homem, ela ainda estava receosa de estar a sós na presença de um.

Carmélia explicou a ela com muita gesticulação onde ficava a oficina de seu filho e Dandara caminhou na estreita rua de pedras até seu destino.

Pelo que ela percebeu se tratava de uma oficina de concertos de objetos de pesca entre outras coisas que Dandara não identificou. O mais interessante era que o estabelecimento não tinha porta. Era uma pequena construção de apenas uma janela que estava escancarada para a rua. Uma música internacional tocava em um rádio, um modelo de aparelho de som do século passado e a música também tinha característica da antiguidade. Dandara se sentiu parte de um filme de época, realmente a realidade daquele lugar não tinha nada em incomum com o mundo do outro lado da ilha.

Caminhando entre aqueles objetos e os móveis rústicos notou a presença de um homem, os cabelos loiros e longos cobriam seu rosto, ele estava sentado em uma espécie de tronco de árvore envernizado. Trabalha com muita dedicação em um pedaço de madeira, polindo e fazendo ajustes com um canivete. Usava uma calça jeans desbotada e com diversos furos e rasgos. Nós pes tinha um cutorno que de todo o vestuário simples o calçado era um belo modelo sofisticado de quem apreciavam se aventurar.

Dandara acidentalmente esbarrou em algo por onde passava e o objeto veio a cair e despertou a atenção de Kadu.

Quando levantou seus cabelos e finalmente percebeu a presença de uma mulher na oficina ele perdeu a concentração do que fazia nós olhos assustados de Dandara.

Ela estava tão perdida quanto ele, os olhos azuis brilharam intensamente em sua direção. Eram os olhos mais bonitos que Dandara já havia visto.

Porém quando Kadu se colocou de pé na sua frente o sentimento de admiração se tornou em Pânico. Aquele homem tinha quase dois metros de altura. Dandara que se julgava ser muito alta com seu 1,75 de altura, se sentiu uma anã perto de Kadu que ostentava seus 1,90.

Dandara sentiu a garganta secar e seu coração bater feito um alucinado. Ela estava em choque, com medo de que aquele homem pudesse machuca-la , ela tinha motivos de sobra para desconfiar de qualquer homem.

___ Precisa de alguma coisa? (Perguntou Kadu intrigado com a presença de Dandara)

Kadu estava muito encantado com a aparência de Dandara. Ele não era o tipo de homem que se prendia a um mulher apenas pela aparência física, mas não pode deixar de se sentir prisioneiro com a beleza estonteante daquela jovem mulher.

___ Eu quero um copo de água... (Disse Dandara quando não sabia o que realmente dizer)

Kadu deu um sorriso para ela e ela agradeceu por conseguir decifrar aquele homem pelo olhar e pelo sorriso. Ele tinha a aparência atraente mas mesmo bonito ao extremo a intimidava pelo seu tamanho e pela sua força física que estava evidenciada nós músculos que saltavam para fora de sua camiseta regata.

Kadu se dirigiu até um filtro de água e lavou na pia ao lado um copo. Dandara ficou ali o observando. Enquanto seus olhos tentavam compreender aquele homem de cabelos dourados que chegavam no cumprimento de seus ombros ela se deixou levar pela leveza daquele momento em que se sentiu segura estando ali com ele.

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