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Capítulo 4

Finalmente pronta, desço correndo. Minha mãe me dá um beijo e me entrega uma caixinha embrulhada em papel cinza com um laço rosa.

—Você não me disse que tinha um príncipe encantado, hein! Hugo! —A Elise está começando a ter pretendentes.

—Sério?

—Isso nem é verdade.

—Seria melhor para você. —Você ainda não tem idade para essas bobagens.

—Mas você conheceu o papai nessa idade, não foi?

—Sim, mas me arrependo um pouco; poderia ter estudado mais e evitado alguns problemas.

—Tudo bem. Não chore…

—Tudo bem… —Você vai se atrasar.

—Sim, já disse que sou togolesa. Bem, minha mãe tem fases em que prefere falar comigo na língua vernácula.

—Tá bom, até mais.

Saio correndo de casa com a caixa e vou pro IPESG. No caminho, abro a caixa e encontro lá dentro uma chave e um bilhete. Chego ao prédio onde fica o teu escritório. Me sinto muito desconfortável. Esse não é o meu mundo. Entro no teu apartamento. É exatamente como a Cristina diria. É enorme. Fico boquiaberta por dois ou três minutos. O barulho da porta ao se abrir me traz de volta à realidade. Eu me viro.

—Pela maneira como você está vestida, imagino que também tenha acabado de chegar.

—Me atrasaram na entrada do IPESG.

Ele tira o casaco. Está usando uma camisa linda, mas dessa vez é cinza. Ele está lindo, com o cabelo levemente despenteado.

—Já teremos tempo de colocar tudo em ordem mais tarde.

—Do que você está falando?

—Quando você faz 18 anos?

—Na próxima semana. —Mas me surpreende que você saiba coisas tão pessoais sobre mim. Achei que minha idade não fosse segredo para você. Digo isso com muito sarcasmo.

—Não gosto nada do teu humor sarcástico. Temos que conversar, então evita esse tom pelo resto da noite —diz ele com frieza. Vamos para o meu escritório. —Entra. É a primeira porta à direita.

Eu passo na frente, já que ele não avança. Assim que dou um passo, sinto uma palmada leve na bunda.

—Foi por causa dos comentários. Mas não só por isso: você tem uma bunda linda. Sinto que vou me divertir de verdade.

Um sorriso malicioso se forma em seu rosto. Fico tão surpresa que me viro e te dou um tapa. Seu olhar passa de verde para negro. Você me agarra pelos cabelos e me arrasta para outra porta. Por mais que eu grite, berre e chore, não adianta nada. Você permanece inflexível.

—Eu queria começar devagar, mas acho que vamos pular essa parte e começar direto.

Você me joga para dentro do quarto. Por sorte, o chão é de espuma. Você desabotoa dois botões da camisa, deixando à mostra um torso musculoso e bronzeado.

—Eu aguentei o teu mau humor, a tua insolência, a tua impertinência… Mas o tapa foi a gota d’água! Despe-te!

—O quê? —Abro bem os olhos—. E agora?

—Não vou repetir. O teu tom é cortante e os teus olhos estão cheios de raiva. Não me provoques, Elise.

Sinto que, se não fizer o que ele diz, vou sofrer. Mas a ideia de desafiá-lo é tentadora demais.

—Recuso-me.

Ele me dá um tapa e eu caio no chão. Não acredito. Ele realmente me deu um tapa? Devo estar sonhando, mas a dor aguda que sinto não é imaginária.

—Repete isso e te dou outro. Tira a roupa.

Levanto-me tremendo e começo a me despir lentamente diante dos olhos dele, de tão estressada que estou. Ele se coloca atrás de mim e, de repente, eu me viro tentando esconder o pouco que posso com as mãos. Vejo-o sentar-se em uma poltrona de couro vermelha que acabei de ver no quarto. Aos poucos, distingo uma cama grande, uma cruz e prateleiras com objetos que não conheço. Um sorriso zombeteiro se forma em seu rosto.

—Você terá todo o tempo do mundo para conhecer esses objetos, quando eu começar a usá-los com você. Eu tinha pensado em ter uma conversa simples, mas como você é muito impertinente, vou começar agora mesmo.

Ele se levanta e vai buscar um chicote de couro preto. Ele se aproxima de mim.

—Suba na cama e fique de quatro.

Sinto a ansiedade me invadir, mas também a vontade de saber o que vai acontecer. Ainda atordoada pelo tapa de há pouco, não quero passar por isso de novo. Fico na posição. Espero com impaciência e muito medo que ele me toque.

—Vou corrigir a tua impertinência. Ele desliza o chicote sobre minhas nádegas. Começo a ficar nervosa. Só vou dar dez chicotadas. A cada chicotada, vais pedir desculpas. Se não o fizeres, acrescentarei mais duas chicotadas.

Já não sinto a textura do chicote na minha bunda. Suponho que ele já tenha levantado o objeto e espero sentir alguma coisa. Mas não sinto nada. Quero me virar quando sinto uma dor forte no traseiro. Só levei uma, mas dói tanto que desabo na cama.

—Já estás farta, sua impertinente? Só levaste uma. Ainda faltam mais onze.

Ele me coloca na mesma posição e me dá outra surra. Não consigo evitar gritar para exteriorizar minha dor. Ele não tem piedade.

—Me perdoa… por favor…

—Tu? É melhor dizer “você”, querida.

—Me perdoa…

—Muito bem, aprendes rápido.

O resto das palmadas passa com dificuldade e lentidão. Mas consigo pedir desculpas depois de cada uma delas.

—Era o último. Espera um segundo, já volto.

Ouço-o sair do quarto. Assim que ouço a porta fechar, desabo na cama, com o traseiro em chamas. Tento virar-me para ficar deitada de barriga para cima, mas dói tanto que não consigo e fico deitada de barriga para baixo. Estou tão exausta que adormeço.

Por isso não ouço quando ele volta. Mas o que me acorda é quando ele coloca delicadamente a mão sobre a área certamente marcada pelos golpes. Sinto uma sensação de bem-estar que me invade de repente e me deixo levar. Parece que ele está massageando a área dolorida, mas talvez eu esteja enganada. De qualquer forma, é uma sensação agradável.

—Tudo bem, relaxa e descansa. Você fez um grande esforço esta noite.

—Obrigada…

—Vejo que essa lição te ajudou muito. Até mais do que eu imaginava. Isso é só o começo de algo novo para você. Mas descansa. Conversamos mais tarde.

Ela sai e me deixa dormir.

Acordo. Curiosamente, nunca tinha dormido tão bem na vida. Embora ainda sinta dor nas nádegas. Levanto-me e tento me vestir como posso. Saio em busca do Adrien. Passo por vários quartos até ouvir a voz dele. Ele parece bastante irritado. Aproximo-me devagar para tentar ouvir o que estão a dizer.

—… Conto contigo. Quero que esteja feito até à próxima semana, o mais tardar. —Onde?

—Não sei, mas o mais longe possível. Canadá, China… Onde quiseres, mas quero que esteja feito o mais rápido possível!

De repente, a porta na qual eu estava encostada para ouvir se abre, eu caio no chão e me vejo dentro de um quarto que parece ser um escritório.

—Você não é só impertinente, mas também intrometida. Pelo olhar dele, percebo que ele não está contente e abaixei imediatamente o olhar, de tão intimidada que estou. Peço desculpas como posso. Isso mereceria outro castigo. Mas, como você corre o risco de se atrasar para o jantar, desta vez eu te perdoo. Ele coloca a mão na minha bunda.

De qualquer forma, suas nádegas não aguentariam outro castigo. Mas eu adoraria te dar. De qualquer forma, terei tempo de sobra para remediar isso. Ele lambe os lábios de um jeito muito sexy. Vou te acompanhar. Já é noite e você está atrasada. Ele volta ao escritório para pegar as chaves do carro. Vai a outro cômodo e traz um pote de creme que me dá.

—Isso vai ajudar a doer menos, mas é possível que fiquem algumas marcas nos próximos dias, então evita usar roupas muito curtas.

Não respondo nada e saímos. Seguimos para o estacionamento embaixo do prédio onde ele mora. Ele aciona a abertura das portas e aparece um magnífico Mercedes cupê preto.

—Tem certeza de que é professor de matemática?

—Quem sabe —diz ele com um sorriso enigmático no rosto—. —Uma última coisa: da próxima vez que se dirigir a mim, acrescente “mestre”.

—Sim… —Mestre.

—Vejo que agora você obedece, muito bem. O que eu queria comentar antes de você ficar bravo, vamos discutir durante o trajeto.

Sento no banco do passageiro e, durante todo o trajeto, ele me fala do que espera de mim. Fala do que quer, do que pode fazer…

—Amigo, se me permites…

—Se me pedires com respeito, vai em frente, estou te ouvindo.

—Por que eu?

—Digamos que gostei de ti desde o primeiro momento e soube que contigo poderia chegar longe. Um olhar de tristeza ilumina seus olhos. Mas logo você vai entender…

Sinto que é um assunto doloroso, então não vou mais tocar nisso. Finalmente chegamos à minha casa sem que eu tenha precisado indicar o caminho. É muito prático, embora também um pouco assustador!

Eu desço e ela vai embora sem dizer nada. Corro para entrar.

—Gnonou! —Calma, querido.

Sinto que ela vai me repreender e, como está falando no dialeto, deve estar realmente brava.

—Calma, querida. Ele não chegou tão tarde e com certeza vai ter tempo de sobra para nos contar o que fez durante o jantar.

—Tudo bem, mas é melhor que ele seja bem convincente.

Digo discretamente —shhh— para o Hugo, que me responde com uma piscadela. No fim das contas, o jantar termina sem que eu precise dar muitas explicações. Assim que a refeição acaba, corro de volta pro meu quarto pra pesquisar pro meu projeto. Ouço o telefone tocar. Atendo.

—Oi, Noémie!

—Oi, querida. —Ouço música bem alta. Acho que você tá em casa; eu tô numa festa. Da última vez você parecia bem preocupado com o que o Carlos disse pra ele. Ele também contou pro Hugo? Quer vir se divertir comigo pra relaxar?

Essa é a minha Noémie. Ela não é a melhor em dar conselhos, mas está sempre lá quando mais preciso. Mesmo que só lhe venham à cabeça ideias malucas. Eu dou uma risada.

—Não se preocupe, Colette. Já estou melhor. —Você sabe muito bem que não posso sair assim…

—Ah, é! Você ainda é menor de idade. —Mas não falta muito, só duas semanas.

—Você nem imagina o quanto estou ansiosa por isso.

—Eu sei, comigo era a mesma coisa até que meus pais se recusaram a pagar minhas loucuras e eu comecei a trabalhar enquanto estudava no IPESG.

—Ha, ha, ha.???. Lembro que naquele dia você estava muito decepcionada. Tive que te convidar para um KFC, e não a caixinha pequena, para te animar.

—Bem, fico feliz em te ouvir rir. Mesmo que seja às minhas custas. Bom, vamos falar de outras coisas. Como está o teu professor tão sexy?

Quando ela achou que tudo estava sob controle, ele chegou.
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