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— Diga logo, Marjorie. Sabe que odeio rodeios. Direto ao ponto, vamos! — rudemente ele apressou-a.
— Temporariamente você deveria passar todos os seus bens, seus e os que seu pai te deixou, para o nome de outra pessoa, alguém que não seja do seu âmbito familiar. — lançou a resolução.
Ele poderia explodir de raiva naquele momento, era tanta coisa ruim acontecendo juntas que talvez morrer seria mesmo a melhor opção.
— Isso é impossível. Não confio em ninguém à esse extremo. — Comentou indignado.
— Temos uma semana antes da próxima audiência de petição da Joyce Gomez com o juíz. Espero que até lá nós consigamos resolver esse problema. — Marjorie D'Ávila pegou sua bolsa e caminhou até Lázzaro — Farei o possível para te ajudar, mas também depende de você. — com um beijo demorado na bochecha dele a mulher se despediu.
— Merda, merda e merda! — berrou jogando longe o copo vazio de álcool.
— Lázzaro? — Marjorie voltou como quem se lembrara de algo.
— O que é? Esqueceu alguma coisa?
— Não. Mas eu acabei de me lembrar daquela cláusula no testamento. — olhou-a desentendido — A qual diz que a nova senhora Bartholomeu também poderia ser a dona de tudo no seu lugar.
— A nova senhora Bartholomeu?
— Acho que a bebida e os cigarros estão fazendo você ficar burro. — exclamou ela impaciente — Isso significa que você precisa se casar! Seu pai queria muito que você, o único filho dele fosse dono de tudo e construísse um legado, um legado só é feito através de uma família, coisa que você não tem já que cada dia é uma diferente em sua cama.
— Não repita essa palavra novamente comigo. Casamento? Está maluca? — Lázzaro vociferou como se Marjorie estivesse blefando.
— Você não precisa amar alguém pra se casar. É só por conveniência.
— O que dá no mesmo da primeira opção, já que eu não confio em ninguém a ponto de me casar para entregar o legado do meu pai.
— As vezes é tão difícil te ajudar! Voltamos a estaca zero. Vou tentar pensar em mais alguma coisa, no entanto eu não posso fazer tudo sozinha. Veja se pode fazer algum esforço para se ajudar.
Marjorie se foi. Em seguida ele sentiu sua face ferver de ódio por tudo. Lázzaro sentia-se perdido, fracassado, desnorteado e sem mais nenhuma razão aparente para viver com todos os seus problemas o engolindo gradativamente como se a todo instante o universo estivesse pronto para acabar com ele.
Seguindo para seu quarto com ódio queimando no peito, encontrou uma das empregadas da casa limpando um móvel em uma posição totalmente expositiva, quando viu o patrão aproximando-se ela fingiu surpresa e endireitou a postura.
— Bom dia senhor Bartholomeu... — o cumprimentou mordendo os lábios. Não era a primeira vez que se insinuava para ele.
— Bom dia Nádia! — correspondeu e entrou para seu quarto.
Tinha tantas mulheres aos seus pés, todas as que queria, de todos os tipos e variedades. As vezes a mínima graça não existia mais, era sempre tudo monótono e igual. Para quê iria perder tempo se envolvendo com uma empregada?
Depois de sentir seu peito acalmar o ódio, seguiu para o banheiro onde tomou uma longa ducha gelada em seguida caminhando para a cama apenas com um roupão preto. Lá revirou-se na cama por várias horas seguidas antes de pegar no sono.
Meia hora depois Lázzaro acordou suado após ter tido um estranho sonho com a moça que quase atropelou mais cedo. No sonho ele tocava ainda mais intimamente a pele lisa da garota que ronronava em satisfação. Ele provava cada pedacinho dela e não se lembrou se já até mesmo na realidade, provara alguém tão saborosa – ficou assustado. Olhou para seu inferior e estava muito, muito duro.
Praguejando ele foi para o banheiro tomar outro banho, se recusaria a se tocar pensando em uma ninfeta mendiga e estranha. Era quase três horas da tarde quando decidiu que iria dar uma volta de carro pelas ruas da cidade precisava respirar um pouco de ar puro e encher a cara de novo como se não houvesse amanhã.
Vestiu uma camisa de botões preta manga longa, já que se recusava muitas vezes a sair sem roupas sociais – mesmo que para encontros casuais –, uma calça jeans preta e sapatos também sociais tomando assim o caminho pelas ruas da cidade. Sem rumo certo de para onde iria.
Lázzaro estava dirigindo há duas horas seguidas e quando deu por si, estava passando novamente pelo local de mais cedo, onde quase tinha atropelado Lia.
Dirigindo mais um pouco, seu coração maluco não evitou um salto quando ele avistou os mesmos cabelos escuros e corpo franzino que tocara na madrugada. Era ela, Lia Hamilton estava ali sentada na calçada de uma rua, quase anoitecendo e... Ela estava chorando, chorando muito.
