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2

— Acho que não. — ela recuou dois passos assustada e quase voltou a cair no precipício.

— Por que? Quero apenas saber se está machucada. Não vou abusar de você. — disse ele um tanto irritado.

Lia sentiu o hálito de bebida alcoólica e não evitou a pergunta automática e decepcionada.

— O senhor está bêbado? — afirmou mais do que perguntou. Sua expressão chocada o fez soltar uma risada baixa.

— Não. — respondeu secamente.

— Mas é claro que está! O cheiro de álcool está tão forte que eu quase posso ficar bêbada também. — disparou ela contraindo a costela mais uma vez.

— Mesmo que estivesse, por que isso seria da sua conta? — seu tom saiu mais grosseiro do que ele pretendia, porém não se importou.

Nunca se importava com ninguém.

— Talvez porque quase me atropelou e estava dirigindo bêbado! Isso é crime! - o acusou horrorizada.

— Não seja dramática, as pessoas fazem isso todos os dias. Vai me dizer que não sabe que a maioria dirige bêbado por ai? — o homem deu de ombros e bufou.

— Eu não faço ideia da imprudência das pessoas. — disse ela e sentiu a dor aumentar, não evitando outra careta.

— De qualquer forma isso não é importante agora. Deixe-me ver o seu machucado. — o homem não esperou permissão e se aproximou de Lia puxando-a para longe do barranco.

— Você é algum tipo de médico? — indagou a moça não pensando em protestar quando a dor estava ficando muito intensa.

— Não. — respondeu ele posicionando a menina em frente ao seu carro, próximo a luz.

— Então para quê quer ver meu machucado? — questionou com um frio na barriga.

— Todo ser humano deveria saber alguma coisa sobre primeiros socorros. — comentou encontrando a luz exata para que pudesse examinar a garota. — Venha, aqui será melhor. — as mãos fortes do rapaz seguraram os quadris de Lia levantando-a facilmente para sentá-la no capô do carro.

— Pelo menos sabe o que está fazendo? — a jovem perguntou receosa.

— E por que eu não saberia? — respondeu perguntando ríspido.

— O senhor está muito bêbado, não acho que consiga distinguir alguma coisa nesse estado. — a menina implicou.

— Já disse que não estou bêbado! Se você não quiser que eu veja seu ferimento, eu vou embora sem nenhum peso na consciência. Estou apenas tentando fazer uma gentileza. — vociferou ele e a jovem semicerrou os olhos indgnada.

— Então não veja, oras. O senhor quem me atropelou, deveria ser eu a ficar chateada com isso. — Lia cruzou os braços irritada.

— Se não tivesse vagando de madrugada pelas ruas, nada disso teria acontecido! — acusou-a com grosseiria.

— Não acredito que agora a culpa é minha! — gritou zangada e fez menção de descer do capô do carro, no entanto foi impedida por ele.

Lázzaro segurou suas coxas automaticamente lançando-lhe um olhar de reprovação. Odiava ser desobedecido.

Formigamentos calorosos surgiram nela no local onde foi tocado por ele e se espalharam por todo o corpo. Os dois se olharam fixamente por alguns segundos e ambos sentiram-se estranhos como nunca haviam se sentido antes.

— Não faça escândalos, odeio isso. — censurou ignorando o que sentiu.

— Eu não posso nem me defender? — ela sibilou encolhida com a repreensão do grosseiro e ele bufou — Você quase me atropelou, estou machucada e agora eu sou a culpada? Não consigo me conformar com isso! — se irritou e empurrou o corpo forte dele para longe.

Logo suas mãos foram paradas por duas três vezes maiores, em seguida ele apertou fazendo ela gemer de dor ao mesmo tempo que sentiu sua pele arder.

— Você é o que? Uma criança de cinco anos? — bramou em desaprovação.

— Ai minha mão! Seu... Seu... Ah, seu grosseiro! — sorriu, nunca havia sido xingado de forma tão doce.

— Só fica quietinha está bem? — exigiu sussurrando e ela apenas assentiu não conseguindo mais dizer uma palavra se quer quando sentiu o toque quente.

Lia parou de respirar corretamente quando ele se aproximou dela e com os dedos longos levantou um pouco sua blusa, as coxas ficaram tão perto uma da outra que acabaram se encostando, o homem sentiu a teimosia de sua masculinidade pulsar, no entanto tratou-se de concentrar no machucado.

—Há alguns arranhões aqui, nada grave. — disse ele quando se afastou.

— Mas está doendo muito. — choramingou.

— Está recente, por isso o ardor e não dor.

— Quando digo que é dor é dor. Sou eu quem estou sentindo. — sentiu a irritação subir no sangue.

— Está bem. Não quero ocupar o lugar da segunda criança nessa discussão idiota. — bufou irritado.

— Não sou criança e muito menos idiota. — se defendeu com raiva.

— É sim. Agora fica quieta, sua gritaria está me dando dor de cabeça.

— A ressaca já deve estar começando e o senhor quer me culpar pela dor de cabeça. — murmurou baixo obedecendo mesmo sem perceber ao comando dele.

Sentiu o rosto vermelho de repente quando foi fitada pelos olhos escuros daquele homem que a encarou com uma sombrancelha arqueada.

Muito teimosa e faladeira essa pessoinha. Pensou ele.

— Você está vermelha, senhorita... — sussurrou com voz grave lembrando-se de não saber como chamá-la — Como se chama?

— Lia. Lia Hamilton. — engoliu em seco — E o senhor? — Tratou-o com a educação que ganhara de sua mãe.

— Lázzaro Bartholomeu. — replicou.

Lázzaro pegou de repente o pulso de Lia colocando dois dedos no inferior, dando um leve sorriso diabólico olhou para a garota que estava parecendo uma maçã vermelha, os rostos cada vez mais perto.

— Sua pulsação, está muito acelerada, senhorita Hamilton. Você está com medo de mim? — Provocou.

— M-Medo? — Ela sorriu nervosa — C-Claro que não. — balançou a cabeça.

— Cuidado. Da próxima vez, pode ser que seja um psicopata a atropelá-la.

Repentinamente Lázzaro se afastou com um sorriso travesso entrando em seguida dentro do carro, voltando em menos de dois minutos com uma pomada. Ele sempre tinha uma mini farmácia dentro do porta luvas contendo vários remédios para situações diversas e menos prováveis possíveis.

— Aqui. — entregou a ela — Espero que eu esteja redimido com você. Foi um prazer senhorita Hamilton. — proferiu num tom um tanto rude para o gosto de Lia.

Ela já descida do capô do carro, se afastou quando ele entrou no automóvel e dirigiu para longe. Finalmente conseguiu respirar direito e se perguntou que raios de sensações foram aquelas que sentiu quando o homem estranho tocou-na.

— Os gatinhos! — lembrou-se e então olhou para baixo ignorando a dor.

Pronta para descer de volta em busca dos seus bichinhos.

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