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1

O estranho arrepio percorreu sua espinha até a nuca quando foi puxada para cima com apenas um impulso. Erguendo os olhos avistou um grande homem com o dobro do seu tamanho. Lia o encarou instantaneamente encantada com o rosto bonito à sua frente, sentiu um calor incomum e tentou se lembrar se já havia visto tal beleza antes e não conseguiu.

Ele simplesmente parecia uma obra de arte de tão bonito. Vestido num terno preto de camurça fina muito elegante, parecia até mesmo um modelo. No entanto as roupas estavam desgrenhadas, a camisa aberta e gravata borboleta sem nó, não que isso o tornasse menos bonito, pelo contrário só realçou sua beleza humana. Seus olhos castanhos escuros – muito escuros – não tão grandes, as sombrancelhas intocáveis, os lábios desenhados, a expressão dura e máscula a deixou um tanto sem fôlego.

Ele por sua vez a encarava com curiosidade e um misto de preocupação, embora seu olhar estivesse escuro, seus olhos penetraram na íris de Lia como um feiticeiro querendo ler a mente de alguém. Ele sentiu a estranha obsessão de continuar olhando para ela naquele momento.

Sentindo-se intimidada e exposta com aquele olhar, ela desviou os seus sentindo suas estranhas se contraírem e esfriarem de modo insólito. Nunca havia sentido-se de tal forma, ressaltou novamente. O homem continuou estudando-a de cima a baixo enquanto sentia o coração acelerado.

Os dois estavam.

Lia quase tinha certeza que alguém em um país distante poderia ouvir suas batidas frenéticas e ela não entendia o porquê disso.

O homem nunca havia presenciado em sua frente, moça tão bela. Uma beleza diferente de tudo que já vira antes. As feições doces e perfeitamente desenhadas chamou sua atenção. O rosto aparentemente cansado – consequências de muitas decepções recentes – , os olhos caídos se abriram na intenção de observá-la mais um pouco, ele não conseguia não olhá-la, era linda demais e o deixara intrigado.

No entanto suas roupas rasgadas e feias não passaram despercebidas por, franzindo o cenho ele pensou que tipo de pessoa vagava pelas ruas com vestes furadas exageradamente antes mesmo de amanhecer o dia? Ela poderia ser uma mendiga. Ou realmente era.

— Muito obrigada... — agradeceu quando finalmente conseguiu respirar de novo — Aí! — exclamou ela sentindo uma dor aguda nas costelas.

— Você se machucou? — perguntou ele com olhar de solicitude.

— Não sei... Acho que sim. Está doendo muito aqui. — apontou para sua costela.

Então ele se aproximou com cautela para não assustá-la, naquele momento pensou em quando havia sido gentil com alguém antes mas ignorou tal pensamento quando ela mordeu o lábio inferior e uma expressão de dor nasceu em sua bela face.

— Posso? — pediu ele fazendo menção de levantar a blusa dela somente até ver seu ferimento.

Assim sendo, ela rapidamente olhou para o lado vendo um carro esporte mas muito chique com os faróis acesos e portas abertas, entregando que a pessoa saiu às pressas dele. Constatou o óbvio em segundos, fora ele quem quase a atropelou.

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