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Capítulo 07

Philip

Essa morena não sai da minha cabeça, além do mais, meus amigos não param de falar da Sarah, porque a Sarah fez isso, porque ela é linda, porque é muito inteligente; Ouço e vejo aquele rosto perfeito todos os dias, mas não esperava ver ela aqui no prédio.

Não basta ser minha chefe, ainda mora no mesmo prédio, ou pior, ao lado do meu apartamento?

Só pode ser uma piada.

Aproveito que é final de semana e que não trabalhamos para correr um pouco, mas o que era para espairecer e me livrar desse mulher, teve efeito contrário, já que não parava de pensar nela. Ao invés de desocupar a mente, percebi que o melhor a se fazer é ocupar a mente com outras coisas diferentes dela.

Quando cheguei em casa e vi a Sarah na minha sala com minhas sobrinhas quase que enlouqueço, só poderia está delirando, mas era ela.

Percebi o rosto de alívio ao saber que eu era o tio da Laurinha e não o pai, me questiono o porquê, mas logo ela disfarçou. E coincidentemente, ela era a tal tia legal que a Laura não parava de falar, como o destino é engraçado. O universo está tirando uma com a minha cara, ele deve me detestar, só pode; e isso está a um nível surreal, eu posso provar.

Primeiro dia de trabalho dela, e quem ela entra primeiro? Eu. Volta para casa, meu centro de "paz", e quem eu encontro? Ela. A nova pessoa favorita da minha sobrinha quem é? Ela. Minha nova vizinha? Ela. Quem me odeia mais que tudo? Eu. Quem eu odeio mais que tudo? Ela.

Como disse, sou uma piada para o universo.

Reviro os olhos internamente com as minhas contestações.

Depois que minha irmã chegou a Sarah fez o que havia prometido e voltou para casa logo em seguida, mas confesso que não queria que ela fosse, na verdade, até que ela é uma boa compainha.

Para Philip, você não pensou isso.

— O que eu perdi aqui? — Mônica, minha irmã, pergunta assim que a Sarah sai do meu apartamento.

— Do que está falando? — me fingi de desentendido.

— Ela está falando das caras de apaixonados de vocês — Laurinha diz simplesmente, como se fosse uma coisa óbvia.

— Que? Não tem nada disso Laurinha, nem a conheço direito — me defendo.

— Mas pareciam bem próximos quando cheguei — Mônica diz. — Diria até que estavam quase se beijando.

— Isso nunca vai acontecer.

— Posso saber por quê? — minha irmã pergunta. Laurinha cruza os braços me olhando, assim como sua mãe faz.

— Ela é minha chefe, é mandona e me detesta.

— Os dois primeiros motivos não são motivos, e você também é muito mandão — minha irmã diz.

— É isso mesmo — Laurinha fala.

— Mas por que acha que ela não gosta de você?

— Ela sempre está de cara fechada, mal humorada, revirando aqueles olhos castanhos e sempre amarra o cabelo em um coque quando me vê — digo sem nem pensar muito bem.

Mônica da um sorriso de lado, e conheço bem esse sorriso.

— Para quem não está interessado, você está reparando demais nela, não acha?

Fui pego!

— Vão querer almoçar ou não? — mudo de assunto antes que eu confesse em voz alta que não paro de pensar na morena.

Elas fazem como se rendesse com as mãos e vem me ajudar a cozinhar.

Mas sei que para Mônica, esse assunto ainda não acabou.

- - ♡ - -

Depois do almoço a Mônica saiu com a Laurinha e a Liz, hoje era dia do meu cunhado ficar com as filhas e ela foi levar elas, espero que eles aproveitem para conversar.

Essa briga está durando mais do que deveria, amo elas, mas acho que já está na hora de voltar, as crianças sentem a falta do pai delas.

Como todas saíram, fiquei sozinho em casa e já estou tão acostumado com elas aqui que fico com tédio desse silêncio.

E é nesse momento que me vem à imagem da minha morena, que também deve está sozinha, não deve conhecer ninguém aqui na cidade.

Por um momento de coragem, penso em ir chama-lá para fazer algo.

Saio do meu apartamento e paro em frente ao dela, toco a campainha e espero por ela.

Penso em desistir e ir para casa, mas fico ali a espera dela, não sei ao certo o que fazer ou por que estou aqui.

Olho o visor do celular e fazem longos dois minutos que toquei e não escuto nenhum barulho, então me arrisco a tocar uma última vez.

Mais longos dois minutos se passam e nada dela. Penso que ela pode está dormindo ou saiu, até mesmo penso que ela saiba que sou eu, e por isso não veio atender.

Assim que me viro para ir embora ouço a porta do elevador se abrir, e lá estava ela.

Seus cabelos castanhos, lisos e compridos, tomaram espaço da minha visão, logo vejo o seu rosto, está linda como sempre, mas percebo algo de diferente nela, falta algo, que mesmo não sendo para mim, sempre o vejo estampado em seu rosto.

Seu sorriso!

Ela parece tão perdida que nem me vê, o que agradeço mentalmente, pois devo está com uma cara de bobo a olhando.

— Está tudo bem? — me arrisco a perguntar.

Ela só então parece voltar a realidade, da um sorriso forçado, pega uma mecha do cabelo e começa a enrolar ao redor do seu dedo.

— Claro — ela mente descaradamente. O movimento com os dedos parecem mais rápidos e até violentos e me arrisco a segurar suas mãos a impedindo de continuar.

— Se não quer conversar, tudo bem, mas pelo menos deixa todos os seus fios de cabelo na cabeça.

Ela dá uma risada fraca.

— O que está fazendo aqui? — ela pergunta depois de puxar sua mão, tirando de perto das minhas.

— Já esqueceu? Eu moro aqui também.

— Na minha porta? — ela diz e revira os olhos.

— Bem, as garotas saíram e fiquei sozinho, acho que já me acostumei com o barulho e bagunça que fazem — digo.

— Imagino, criança em casa é sinal de muita alegria, principalmente as suas.

— É, amo as minhas garotas.

Ela me olha e sorri, mas dessa vez é o seu sorriso lindo e verdadeiro que conheci a horas atrás no meu apartamento, mas logo se desmancha quando ela parece lembrar de algo.

— Mas ainda não sei o que está fazendo na porta do meu apartamento.

Droga, e agora?

— É... bem... — começo a gaguejar. Ela cruza os braços na altura do peito e fica me encarando.

Do nada ouço um barulho, estranho e busco o lugar de onde veio, mas percebo que era ela assim que ela põe uma das mãos na barriga alisando.

— Ainda não almocei — ela diz sem graça.

— Ainda tem um pouco da lasanha da vovó — digo dando de ombros. — Vamos entrar que te sirvo.

Digo e abro a porta do meu apartamento dando espaço para que ela entre. Ela parece relutante com a ideia, mas sua barriga ronca de novo a fazendo entrar.

— Não quero incomodar — ela diz sem graça.

— Está tudo bem, afinal, você também ajudou a fazer — pisco para ela, o que a deixa vermelha.

Ela me segue para cozinha e senta na bancada.

Coloco a lasanha que sobrou no microondas para ela. Ficou um silêncio constrangedor enquanto esperamos esquentar, mas logo ela o quebra.

— Sabe, você não é tão insuportável quanto pensei — ela diz enquanto me observa.

— Você também não é tão medusa como disseram — retruco a fazendo revirar os olhos.

— De onde que surgiu esse apelido? — ela questiona.

— Não sei, desde que ouvimos falar de uma nova chefe isso começou, acho que eles acharam que isso te ofenderia de alguma forma — dou de ombros.

— Só sinto e me machuca o que é verdade, esse apelidos são, de certo modo, insignificantes — ela diz e logo sorri.

Pego a comida do micro-ondas que acaba de apitar e a sirvo.

— Não quer comer também? — ela pergunta educada.

— Não, obrigado — digo. — Acho que seu monstrinho precisa ser alimentado.

— Não sou muito boa na sozinha, na verdade, sou uma tragédia — ela diz e ri fraco me fazendo sorri com o som da sua risada.

— Tem um restaurante aqui perto e poderia ter vindo comer aqui também.

— Não queria atrapalhar você e a sua família, e bem, eu fui ao tal restaurante, mas infelizmente não foi tão agradável quanto imaginei, então voltei sem nem ao menos pedir por algo.

— Não quer contar o que te deixou com aquela cara de assustada quando te vi no corredor? — me atrevo a pergunta.

Ela parece relutante e logo diz.

— Prefiro assim, não quero te encher com minhas coisas, muito menos ser inconveniente e desagradável, acho que podemos esquecer apenas.

Assinto e faço como deseja, não toco mais no assunto, apesar de está curioso.

Ela me olha e arquea uma sobrancelha.

Faço o mesmo sem entender.

— Para de me olhar enquanto como — ela diz divertida.

— Perdão — sorri para ela. A verdade é que nem percebi que a encarava enquanto pensava, espero não está com uma cara boba.

— Então, Philip — ela diz depois de um tempo. — O que estava fazendo na porta do meu apartamento?

— Você não desiste, não é?

— Não tão fácil pelo menos — ela diz antes de colocar mais uma garfada na boca.

— Tudo bem — bufo. Me dou por vencido e decido contar tudo, quer dizer, a parte que ela precisa saber.

Dou uma tosse falsa para coçar a garganta.

— Eu estava me sentindo um pouco sozinho e imaginei que estivesse sentindo o mesmo — digo e ela me olha atentamente esperando o resto da história. — E fui ver se você não queria fazer algo, poderia te apresentar a cidade ou algo assim.

Fico um pouco sem graça ao vê-la tão séria. Mas logo ela da um lindo sorriso.

— Iria adorar — ela responde. — Mas já conheço a cidade, na verdade, sou daqui, nascida e criada - ela diz com um sorriso.

— É mesmo? — isso era novidade para mim, apesar do seu sotaque misturado com o sergipano me deixar na dúvida. — O que te fez sair da cidade?

Ela para um pouco, parece pensar na resposta e da a impressão que está desconfortável com o assunto, até que ela finalmente responde.

— O mesmo que me fez voltar, trabalho — ela diz sem muitas explicações.

A Sarah já terminou de comer e pede licença ao levantar, e após dar à volta no balcão, leva os pratos a pia.

— Nem pense que vai lavar isso — digo autoritário. Ela vira para mim e não parece feliz com o que disse.

Ela pega a bucha de prato lentamente, coloca um pouco do detergente e passa no prato que acabou de usar.

— Ou o que? — me desafia. Semissero os olhos para ela que ao invés de recuar, arquea uma sobrancelha e faz uma cara que ainda não conhecia, debochada talvez.

E ela fica sexy assim.

Não resisto e me aproximo sem permissão. Pego a mesma e jogo nas minhas costas, a levo até a "porta" da cozinha e a deixo ali, com uma cara não muito boa.

Volto e começo a lavar a louça.

Ela volta e toma a bucha da minha mão, jogo um pouco de água dela, talvez seja o meu fim, mas não iria deixar ela ganhar essa batalha.

Sarah joga água com sabão em mim e assim se inicia uma pequena bagunça e uma guerra para lavar a louça.

Ficamos nessa pequena guerra que nem percebemos quando a minha irmã chegou com as minhas sobrinhas.

Ela pigarreia chamado nossa atenção.

— Eu jurava que tinha saido com as crianças —Mônica fala e a Laurinha ri.

— Tia Sarah — Laurinha a cumprimenta feliz em vê-la novamente.

Sarah parece um pouco vergonhosa com a nossa plateia. Mas ainda sim sorri para minha sobrinha.

— Só estava tentando usar da boa educação e lavar a louça que sujei — ela diz se explicando. — Mas seu irmão não deixou.

— Eu a convidei e visita não limpa a sujeira — digo como se fosse óbvio.

Reviro os olhos.

— Vocês adultos que se resolvam — Mônica diz. Ela não parece bem e parece que a Sarah também percebe.

— O que acha de eu dar banho nas meninas e você ficar com a louça — Sarah diz e me olha, ela não estava se rendendo, apenas querendo que eu ficasse a sós com minha irmã.

Gostei da sua atitude, ela não parece nada com a medusa que falaram, pelo menos não na maneira errada de falar, quero dizer, pelo menos as partes ruins que queriam dizer ao compará-la com a medusa.

Elas sobem e fico com a Mônica, ela senta no balcão da cozinha e fico em pé do outro lado.

— Brigamos de novo e com o calor do momento eu pedi o divórcio — ela diz como se já soubesse que perguntaria. — E ele concordou, mas eu não quero isso Phil — ela fala e começa a chorar.

Tento acalma-lá, mas sei que ela precisa disso, não há vi chorar nenhuma vez desde essa última separação e ela precisa disso.

Fico ali com ela até não ouvir mais o choro, e assim ver que ela dormiu com a cabeça no balcão da cozinha.

A pego e levo até o quarto.

A minha irmã cuidou de mim quando era mais novo, sei que é a minha vez de retribuir e faço isso como posso, mas ela não está feliz longe dele, vou ter que interferir se quiser um final bom para ela e minhas sobrinhas.

Enquanto enrolo a Mônica, ouço a Sarah cantar uma música para as meninas no quarto ao lado.

Logo para e percebo que ela deve está saindo do quarto.

Me apresso para arrumar a Mônica e vou dar um beijo de boa noite nas meninas antes de descer.

Quando chego no andar de baixo vejo a Sarah na sala de estar me esperando.

— Oi — ela diz. — Já tenho que ir, mas se precisar de algo sabe onde estou — ela dá um meio sorriso ao se despedir. — Obrigada por hoje.

Dou um beijo rápido no canto da sua boca e a abraço, ela não esperava por isso, o que foi fácil já que se ela esperasse teria me afastado.

— Eu que agradeço a companhia — digo.

Ela sorri e abro a porta para ela passar, assim que a vejo entrar no seu apartamento fecho a porta.

— Que dia longo! — digo indo em direção às escadas.

Volto ao lembrar da louça para lavar, mas chegando a cozinha estava tudo limpo e tinha um bilhete no balcão.

Obrigada pela comida e pela companhia!

Com carinho, Sarah.

Ps: Ganhei!

Ri com a última observação que faz referência a pequena guerra para lavar a louça.

Pego aquele bilhete e subo para o quarto.

Continua...

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Beijos, Larissa.

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