Confiança
É tudo culpa da Jéssica por eu estar nessa situação, maldita hora em que fui receber aquela carta e aqueles caras aparecer do nada e agora cá estou eu preso nesse lugar apertado com ele eu não estava a vontade era constrangedor demais, tentava me mover mais era impossível e ele era bem mais alto que eu, estava tão perto dele seu perfume era inebriante meio amadeirado ,olhos puxados e bem destacados que de um modo curioso, me fazia querer olhar mais para ele e seu sorriso era convidativo e eu não sabia ao certo o que estava se passando comigo, porque aquela situação não me deixava à vontade.
Eu tentava disfarçar o meu desconforto, queria parecer natural e notei que ele também estava sem graça, enquanto discutia com ele em como sair daquele lugar eu fiquei impressionado com a reação dele em ficar com medo de um rato, eu estava quase dando risada com aquela cena então ajudei ele se livrar do rato.
-Saiu?O rato saiu? Tira esse bicho de cima da minha perna.
-Calma não se mexa tanto.
-Aí é para tirar o rato e não quebrar minha perna.
-Você é mole hein.
O rato tinha saído e que tamanho de rato eu não tinha medo mais achei tão engraçado e não aguentei e comecei a rir.
-Do que está rindo?Qual é a graça?
_Desculpa mas você gritou que nem uma mulherzinha por causa do rato- Caçoe
Ele ficou todo vermelho de vergonha, virou a cara e retrucou.
-Sou homem que tem medo e nojo de Ratos e Baratas, normal.
Eu continuei rindo foi quando senti uma forte pontada no peito e minha cabeça doer, vindo de uma pessoa normal, mas para mim era a doença alertou meu corpo, sentindo uma pontada no peito, tentei me controlar e não demonstrar a ele que estava me sentindo mal, respirei fundo controlando a dor, e o sentimento que me envolvia, mais não estava dando certo foi quando Max perguntou se eu estava bem.
_ Daniel você está bem?
_Não...não se preocupe não foi nada, eu to bem, eu só queria sair daqui.
_Eu também.
E me virei percebendo que já estava controlando, era incrível como eu conseguia fazer passar a pontada no peito e a dor de cabeça foi ficando mais suave e tentava não pensar em mais nada ficar tranquilo, mesmo diante da situação em que nos encontrávamos. Enquanto ele olhava em meus olhos e eu evitava a todo custo.
O professor pegou o celular e tentou ligar para alguém, mas não consegui ver quem era.
_Que falta de sorte, droga o sinal não pega, e agora, estamos presos aqui.
_Que saco estamos presos aqui dentro.
_Vamos ter que passar a noite aqui, e eu estou com fome.
_Não ,não pode ser ,por favor nos tira daqui- Gritei batendo na porta.
_Ninguém vai nos ouvir.
Eu já tinha desistido, estava cansado e já era bem tarde da madrugada quando dei por mim ,já estava dormindo.
Max
Senti uma forte dor no pescoço acordei com alguns raios do sol que transpassaram pela pequena janela, olhei para os lados e lembrei onde eu estava, naquele quartinho úmido e apertado, quando dei por mim Daniel um dos meus alunos estavam ali comigo abraçado a mim, dormia com tranquilidade, eu não tinha coragem de acordá-lo, parecia um anjo de uma beleza incomparável, eu mal o conhecia, não sabia de onde vinha, sua história, o que tinha de triste e misterioso em seu olhar, pois era isso que ele me transmitia, olhei fixamente para ele e devagar coloquei minha mão afastando o cabelo que estava no rosto, foi quando ele sussurrou algo.
_Por favor, não me abandone !
Eu não entendi o que ele quis dizer com aquilo, não abandoná-lo , mas quem o abandonaria? Seria essa a razão de ele ser tão frio, tão reservado ,sem amigos, meus pensamentos foram interrompidos quando ele acordou olhando para mim.
_Onde estou? Porque estou aqui com você ?- Me perguntou todo sem graça se ajeitando.
_Ficamos presos aqui dentro depois de te salvar de uns capangas ,não se lembra?
_Ah sim lembro, alias eu dei a maior surra neles, então não precisava ter me salvado.
_Bela maneira de me agradecer por ter te tirado de uma tragédia, você correria perigo garoto.
Ele sem se importar começou a gritar bater na porta, para ver se alguém aparecia lá fora, foi quando ouvimos um barulho.
_Quem está aí dentro ?-Perguntou uma voz parecia ser de um velhinho.
_Por favor, podem nos tirar daqui, estamos presos.
_Oh sim, mas vocês mesmo podem sair daí de dentro, rapaz !
Como assim nos sair qual a parte de estamos presos ele não entendeu, eu quase disse isso.
_Mais como vamos sair daqui moço estamos presos-Falou Daniel.
_ É muito simples, estão vendo do lado direito tem uma tranca reserva e só vocês apertam que a porta se abre.
Eu não estava acreditando no que meus ouvidos acabaram de escutar, como eu não vi essa tal tranca, a onde ela se escondeu?
_ A gente não viu essa tranca como pode isso?
_E claro que nunca iríamos ver, praticamente você está encostado em cima dela, nunca íamos ver, isso é patético.
_O que você quer dizer com isso, acha que eu tenho culpa?
_Claro que tem culpa, e a gente batendo a cabeça para sairmos daqui e essa tranca aí o tempo inteiro.
_ Isso não é o momento de brigarmos, vamos sair logo daqui-Terminei e Daniel quase me fuzilando com os olhos.
O lugar era tão apertado que mal conseguimos nos mexer, o velhinho foi nos dando as informações como apertar mais estava sendo impossível porque eu me virava de um lado, abaixava tentava alcançar com as mãos onde estava a tranca, e Daniel não colaborava, só faltava me bater, foi quando com um empurrão forte vindo dele sobre mim, consegui abrir a tal tranca ,mais para meu azar, a porta se abre violentamente e cai eu e Daniel no chão e ele em cima de mim .
Ficamos ali parado um olhando para o outro ,só senti meu coração bater mais forte, nossos lábios quase se tocando.
Ficamos ali parados um olhando para outro, senti meu coração bater mais forte, não conseguia deixar de encarar seus lábios, nossos lábios quase se tocando, quando não muito longe dali escuto alguém gritar meu nome.
_Max o que pensa que está fazendo?
Olho para a direção da voz, e tomo um baita susto, com o ser que estava parado olhando pra gente naquela situação com os braços cruzados .
_ Gael o que você está fazendo aqui?
_Eu é que pergunto o que você está fazendo agarrando com um aluno?
_Não é nada disso que você está pensando.
Me levantei do chão e ajudei Daniel a se levantar, ele todo sem graça ,e eu sem saber onde enfiar a cara.
_Eu não preciso pensar, eu estou vendo!-Gritou ele .
_Para de gritar e dar show, não aconteceu nada, olha vamos sair daqui aqui não é o momento e nem o lugar para conversarmos e Daniel você está bem? Se quiser posso te levar para casa.
_ É por isso que você não quis ir em casa ontem a noite Max ?
_ Eu já disse, não temos nada pra falar.
_Não, não precisa eu estou bem, eu sei me virar, não preciso da ajuda de ninguém.
E Daniel saiu andando muito apressado nem me dando tempo de falar.
Achei tudo aquilo desnecessário, Gael dando um show de ciúmes e Daniel indo embora como se fugisse de algo ,eu não tive escolha acabei indo embora com Gael que ficou me falando um monte. Mas só pensava nele, tinha algo de muito misterioso em Daniel e eu queria descobrir de qualquer maneira.
Agradeci o velhinho e peguei Gael pelo braço sem dar ouvidos nas broncas, falando horrores, eu já não estava aguentando aquilo e precisava acabar com essa relação, olhei para ele, tapei a boca com uma das mãos e disse.
_Acalma-se, fique quieto por favor, agora não estou com cabeça para a gente conversar, eu preciso descansar, eu estou todo dolorido, amanhã eu falo com você, mais por favor vá para sua casa eu não quero falar com você Gael .
E o deixei em seu apartamento, Gael ficou furioso mas não disse nada e eu segui para o meu apartamento pensando em tudo que tinha acontecido entre mim e Daniel
