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6

— Não é um simples arranhão. Não acha melhor ver um médico? E se precisar de pontos? — questiono, preocupação tomando meu tom de voz.

— Isso não é nada. Não preciso de nenhum médico.

É teimoso também.

— Tudo bem. Vamos lá. — assinto nervosa e derramo o soro até limpar todo sangue.

— Agora passe um pouco de álcool no algodão e aperta levemente. — assim eu faço.

— Está doendo? Minha mão está muito pesada? — assopro por cima do algodão.

Olho em seus lindos olhos felinos mas não encontro nenhum resquício de dor ou desconforto, pelo contrário, seus lábios se curvam em um sorriso divertido.

— O que foi? — questiono.

— Você é doce. — sinto minhas bochechas esquentarem.

— Por que diz isso? — fico curiosa.

— Você está se preocupando se eu, um macho e grande Nova Espécie que tem alta resistência a dor, está sentido dor com um arranhãozinho.

— Ah...

— Não sinta-se constrangida por ser assim, é bom. — fala como se pudesse ler meus pensamentos.

Ridiculamente me sinto aliviada.

Termino de fazer um curativo básico e guardo tudo de volta na maleta, o que sujei ele vai até o lixo e joga dentro.

— Obrigado, fêmea.

Por mais que seja sexy ele me chamando assim, devo me apresentar depois de tudo.

— Me chamo Emily, Emily Gordon. Então... O que houve com seu braço?

— Sou Tyger. E isso foi um tiro de raspão.

— Perfeito para você. — sorrio — O nome, não o tiro.

— O DNA usado em mim foi de tigre, como um daqueles que por pouco não te engoliu. — estremeço lembrando-me do momento de pavor.

— Que bom que você não é feroz ou intimidador como ele. — sorrio numa falha tentativa de humor.

— Quem disse que não sou? Temos muito em comum. — franze cenho.

— Sim, claro. Mas eu não senti medo de você e dele sim, se você não me salvasse acho que teria morrido mais pelo pavor antes que ele me engolisse.

— Ele pensou que fosse um inimigo. Humanos também o machucaram. O lugar que conseguimos para eles garante que não comam carne humana, eles vomitam. Da mesma forma eu Emily, quando cruzo com meus inimigos os aterrorizo até que peçam a morte.

— Gosto disso para ser sincera, principalmente se forem os que machucaram vocês ou aqueles idiotas dos grupos de ódio. — dou um leve sorriso que surpreendentemente me é retribuído.

— Gosto do seu jeito. Hook estava enganado sobre você, nem todos os humanos são ruins e alguns de nós devemos reconhecer isso.

— Quem é Hook e o que ele disse sobre mim?

— É um Espécie com DNA felino como eu, só que de pantera para ser mais específico. Ele disse para não confiar em você, que me trairia se te desse abrigo porque humanos são traiçoeiros.

— Eu não faria isso, nunca! — exclamo indignada — Está certo que alguns humanos são bem desgraçados, mas não são todos.

— Eu sei. Sinto isso em você.

— Você tem aquela coisa de sentir a essência das pessoas? — meus olhos brilham fascinada.

— Sim. Tenho muito do animal que fui misturado, posso cheirar o medo, a excitação, o sangue, a tristeza e muito mais. Entretanto não são todos entre nós que têm essa habilidade.

— Nossa! Isso é tão legal! — não consigo conter a excitação em minha voz. — Você tem presas? — ele diz que sim com a cabeça — Posso vê-las?

— Você quer ver minhas presas? — parece surpreso mas assinto freneticamente — Então se aproxime.

Tyger está de pé na cozinha, ando até ele e ergo a cabeça para vislumbrar seu rosto, seus lábios se movem e aparecem seus dentes, retos e perfeitos com os caninos afiados, me seguro para não abrir a boca chocada positivamente. É incrível ver uma pessoa com esses dentes, tudo em Tyger é incrível.

Pensamentos esquisitos surgem na minha mente, sobre como seria sentir essas presas em minha pele e isso faz algo esquentar dentro de mim.

— Como é ter dentes afiados assim? Não atrapalha com algumas coisas? — pergunto curiosa.

Penso como seria beijá-lo. Será que machuca? Como deve ser o beijo de um Nova Espécie? Alucinante tenho certeza, se tudo nele é impressionante.

— A que tipo de coisas você se refere? — diversão lampeja em seus olhos.

— Ah, não sei... Comer determinado tipo de comida ou...

— Beijar? — sinto meu rosto muito quente de repente. Merda. — Você quer me beijar, por isso está perguntando isso?

— Eu só fiquei curiosa sobre como seria beijar alguém com dentes afiados. — respondo sentindo o coração martelar o peito.

— Alguém? Então qualquer um com dentes afiados despertaria sua vontade de beijar? — seus olhos estreitam.

— Não! É uma curiosidade, não é uma vontade. — desvio o olhar para o chão.

— Quer que eu mate sua curiosidade? — um sorriso suaviza suas feições o deixando ainda mais lindo.

Deus, eu quero muito beijá-lo. Sim!

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