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Emily Gordon
Ouço o som da porta bater quando ele sai, a sensação esquisita de vazio que fica faz-me abraçar meu corpo e correr para o sofá. Minha ficha ainda está caindo... Merda, eu estou na casa de um Nova Espécie que me salvou de ser engolida por um tigre medonho.
Jurei nunca mais confiar em um homem e odiar todos eles, são traidores, mentirosos e pervertidos mas estranhamente me sinto segura aqui, como se tivesse certeza que posso confiar. Estou assustada, confesso. Não deveria confiar nele, deveria desconfiar até dos seus fios de cabelo, homens sempre escondem as verdadeiras intenções atrás de boas ações.
Ele não é um homem! É um macho. Minha mente faz questão de me lembrar dele falando isso para mim.
Bom, isso torna as coisas bem diferentes e ele foi tão amável comigo...
Ligo a TV para mascarar um pouco o barulho da chuva como ele me indicou. Relembrar a forma cuidadosa como me confortou e disse para eu ficar a vontade em sua casa, me fez ter absoluta certeza que não era como homens comuns, não mesmo!
Sem contar que abrir os olhos e dar de cara com o rosto mais incrivelmente bonito que já vi em toda minha existência, não tem explicação. A cor marrom e o formato diferenciado dos olhos felinos deixaram-me hipnotizada querendo olhá-lo para sempre.
Sua face diferente com as maçãs do rosto marcantes e mais elevadas só o torna mais atraente. Ele é todo masculino, grande e de aparência impressionante, com toda certeza é o ser mais fascinante que meus olhos já teve o prazer de contemplar.
Aumento o volume da televisão e decido tomar um banho, subo correndo as escadas para procurar o banheiro, passo por uma porta aberta com um cama arrumada e grande dentro, entro por ela abrindo os armários na busca por uma toalha e uma camisa dele. Levando em consideração sua altura e seus ombros largos, tenho absoluta certeza que ficará bem confortável e mostrará pouquíssimo do meu corpo.
Um tempo depois, já debaixo do chuveiro pensamentos me dominam. Eu sempre ouço falar muito sobre Novas Espécies e em como eles sofreram por terem sido mantidos presos sendo multados com DNA animal e como também foi extremamente difícil que se adaptassem no meio da sociedade depois que foram libertados.
Meu coração dói pelo que passaram e como se já não fosse o bastante eles terem sofrido durante toda vida, ainda existem os malditos grupos de ódio que não os deixam em paz. Babacas sem noção. Os odeio.
Saio do banho, me seco e me troco. A camisa realmente é grande e isso é bom pois estou sem calcinha. Minhas únicas roupas ficou dentro da minha mala perdida, nem sei se terei chance de recuperá-la. Ainda bem que o pouco dinheiro que eu tenho está no banco.
Deixo tudo em ordem antes de descer, não quero que me acuse de ser uma bagunceira. Já na cozinha, coloco a roupa suja dentro de uma sacola que encontro no balcão.
Uma hora depois, já tomei banho, comi e agora estou deitada no sofá enrolada num cobertor com a tv desligada depois da chuva ter acalmado um pouco, tento dormir mas o sono não vem, agora deve ser umas três ou quatro da manhã.
Começo a ficar preocupada com sua demora para voltar, mas no mesmo segundo a porta se abre lentamente, ergo a cabeça e vejo-o entrar. Meu coração automaticamente dispara.
— Que bom que voltou. Está tudo bem? — me levanto rapidamente estudando-o.
Ele está com uma mão sobre o bíceps direito.
— Pegue para mim o kit de primeiros socorros que está na cozinha debaixo do balcão perto da pia. — arregalo meus olhos indo fazer imediatamente o que ele mandou.
— Aqui está. O que aconteceu? Você está bem? Posso te ajudar de alguma forma?
— Não faça um monte de perguntas de uma vez, é irritante. E é só um arranhão. Se quiser me ajudar, pegue o soro e derrame na ferida. — estende o braço indicando o lugar e se senta no sofá.
O sangue escorre quando tira a mão do ferimento.
