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Capítulo 3

Ela é minha vizinha há seis meses, desde que me mudei para este pardieiro. Ela se mudou uns dois meses depois de mim. Causei uma ótima primeira impressão quando a garota com quem eu tinha acabado de transar até ficar exausto saiu correndo do meu apartamento gritando obscenidades para mim. Mas, em minha defesa, eu queria um abraço. Eu não gosto de abraços. Não sou do tipo que curte o contato da pele de alguém com a minha, a menos que seja prazeroso, e não, abraços e carinhos não me dão prazer. Só de pensar nisso já me dá arrepios. Simplesmente não dá.

Enfim, voltando ao assunto. Sara? Samantha? Não me lembro. Era algo com "S". Bom, ela saiu correndo da minha casa praticamente seminua e foi direto para a Monica. Como eu sei? Porque eu estava dizendo para ela que da próxima vez que quisesse transar, deveria engasgar com o pau de outro. É, tenho quase certeza de que foram exatamente essas as palavras que eu usei. Embora, em minha defesa, eu não estivesse totalmente sóbrio na hora.

A única coisa de que me lembro perfeitamente foi a expressão de espanto e horror no rosto de Monica. Ela estava parada ali com uma caixa contendo seus pertences espalhados pelo chão. Será que ela ficou olhando, perplexa, enquanto Sasha se afastava rapidamente? Seus grandes olhos âmbar me diziam que ela não estava acostumada com aquilo. Não, não tão acostumada quanto eu, ou quanto ainda estou.

Foi então que ela olhou para mim, o rosto radiante num tom carmesim. Tão. Incrivelmente. Linda. Eu a desejei com todas as minhas forças naquele instante. Tive que me encolher por dentro, pensando em todas as coisas que eu gostaria de ter feito para ver o rosto dela corar daquela cor repetidas vezes. Eu queria ouvi-la gritar meu nome a plenos pulmões como nenhum outro homem jamais havia feito.

Jike! Jike! Jike! Igualzinha à minha líder de torcida particular.

Ela imediatamente cobriu os olhos em sinal de desculpas depois de me encarar por um bom tempo. Seus cabelos castanho-chocolate em ondas emolduravam seu rosto enquanto ela olhava para baixo, envergonhada. Olhei para baixo e notei que ela estava usando apenas uma cueca boxer. Ela também usava um short de tamanho adequado.

Por que fiz o que fiz em seguida, nunca saberei. Porque não sou do tipo que se preocupa. Não. Nunca me importei com ninguém, muito menos com seus pertences ou sentimentos.

Saí para o corredor, sem me importar nem um pouco por estar de roupa íntima. Não disse uma palavra enquanto guardava as coisas dela na caixa. Lembro-me de sentir o olhar dela em mim de vez em quando até eu terminar de arrumar tudo. A maioria das coisas dela eram romances de bolso. Ela era uma nerd, uma nerd linda. Eu disse meu nome e ela disse o dela. Nos conhecemos rapidamente, e então ela desapareceu no apartamento do outro lado do corredor.

Fiquei ali parado, encarando a porta dela, pensando em como um dia eu a foderia até ela perder a consciência. Um dia eu a arruinaria para todos os outros homens, se não a arruinaria completamente, porque é isso que eu faço. Dano irreparável. Eu quebro tudo que toco em minúsculos fragmentos porque é nisso que sou bom.

Saio dos meus pensamentos sobre dormir com a Monica assim que a porta se abre. "E aí, Jike!" Os cabelos levemente cacheados dela caem sobre o rosto enquanto ela abre aquele sorriso lindo. Ela tem uma boca perfeita, droga.

As coisas que eu faria com aquela boca. Todas as maneiras que eu a faria gritar, gemer, berrar e engasgar comigo... Droga, preciso me controlar.

Passo a mão pelos cabelos enquanto a observo. "Ei", é tudo o que consigo murmurar, como um viciado em sexo tentando esconder seu vício. Ah, espere, é porque eu sou um.

Embora pareça não estar prestando atenção, ela olha para a garrafa enorme que estou segurando. "Completamente sozinha esta noite?"

Por quê? Você quer entrar e transar comigo?

Ao pensar nisso, eu tossi e, em vez disso, respondi com um simples "Sim". Sim, provavelmente vou beber todo o conteúdo desta garrafa sozinha. Isso, mais a pilha de doses que consegui roubar da loja de bebidas bem debaixo do nariz do Sr. Sorriso-de-Merda.

Ficamos ali parados por um instante, nos encarando. É uma das poucas vezes na minha vida em que fiquei em silêncio. Minha boca é tão grande que me mete em encrenca mesmo com as melhores intenções. Agora é hora de rir porque, ha, ha, minhas intenções nunca são boas.

Monica me observa como a maioria das mulheres faz. Ela tem aquele olhar nervoso, quase tímido, enquanto me observa em silêncio. É um olhar que me tenta a dizer para ela ficar aqui. Para ficar comigo e esquecer aquele maldito emprego dela, porque eu quero agradá-la até que ela não consiga mais andar direito.

—Bom, eu vou indo. Até mais, Jike. —Ela coloca seus longos cabelos escuros e ondulados atrás das orelhas e me lança aquele olhar típico de cachorrinho pidão.

Monica é a única mulher que já conheci que me faz sentir a inocência atraída por ela. Prefiro viver na escuridão, e gosto de mulheres completamente imersas nela. Geralmente, gosto delas quase tão perturbadas quanto eu. No entanto, encontrar alguém tão completamente distorcida quanto eu é uma verdadeira façanha.

Normalmente, quando encontro alguém tão problemático quanto eu, significa que não quero compromisso. Só quero uma rapidinha. Alguém impulsivo com quem eu possa interagir ou não. E aí, vaza. Simples assim. Pode parecer sujo, mas é tão fácil. Sem complicações. Sem corações partidos no chão. Mas quem eu quero enganar? Eu nem tenho coração.

"Até logo." Assenti com a cabeça antes de observá-la desfilar pelo corredor deserto, sua bunda perfeita e carnuda balançando. O corredor nunca parecera tão apetitoso.

Quero vê-la prensada contra a parede, as calças abaixadas até os tornozelos, o líquido escorrendo até os joelhos, minha boca pressionada contra seus lábios rosados e inchados...

Droga! Preciso entrar logo nesse maldito apartamento! Abro a porta e o cheiro rançoso de álcool invade o ar. Meu Deus! Será que todo lugar que eu vou hoje tem que ter um cheiro horrível?
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