Capítulo 7
Capítulo 7
Ohana piscou os olhos algumas vezes e, pouco depois, se levantou rapidamente do sofá. Estava desnorteada, ainda não sabia o que fazer, tinha um vestido sem alças, não sabia quem a levaria para casa visto o que havia acontecido com Pablo mais cedo, mas sabia que a noite foi muito mais produtiva do que imaginou que seria, em vários sentidos.
Segurou seu vestido de forma desajeitada e olhou ao redor, procurando algo que pudesse ajuda-la naquele momento, então, encontrou, numa penteadeira que havia no local, uma jaqueta escura que, provavelmente, era dele.
A morena confirmou suas suspeitas assim que se aproximou e pegou a peça com uma das mãos, sentindo o cheiro característico de Dante, então a colocou, fechando o zíper e tentando esconder as alças destruídas e a parte de cima do vestido, que estava completamente solta.
Depois disso, ainda sem saber ao certo o que fazer, Ohana pegou suas coisas, seguiu em direção a porta e, quando a abriu, deu de cara com um dos seguranças, o mesmo que a havia ajudado. O homem a olhou e sorriu de forma gentil, era muito alto e usava roupas completamente pretas, mas, apesar da postura intimidadora, quando ele sorriu, Ohana se sentiu mais calma e segura.
— O senhor Dante me pediu para levá-la até sua casa, senhorita — falou o homem, indicando o corredor para Ohana, que caminhou um pouco a frente do segurança.
— Muito obrigada — ela agradeceu, um tanto quanto tímida.
Ele somente assentiu enquanto a guiava para fora. O caminho foi silencioso, mas não desconfortável, Ohana tentava refletir sobre o que havia acontecido e também sobre como contaria tudo aquilo para Lenor, que certamente não iria querer deixar detalhe nenhum passar.
Chegaram ao estacionamento em poucos instantes e, quando ela entrou no veículo e colocou os cintos, suspirou aliviada, por sorte todos os jornalistas também haviam ido embora, sendo assim não haveria ninguém para enche-la de perguntas.
— Qual seu nome? — ela perguntou, olhando para o homem que, naquele momento, dava partida no veículo.
— Cristian, senhorita — ele respondeu, sem sequer desviar os olhos da estrada. — Pode me passar seu endereço?
— Claro! Pode seguir pela Pioneer St., Brooklyn — falou, olhando pela janela e observando o trânsito calmo da madrugada. — Trabalha há muito tempo com ele?
Cristian desviou os olhos por um momento, rindo levemente enquanto balançava a cabeça, parando no sinal vermelho.
— Ele me mandou avisar que uma conversa comigo custaria seu telefone — respondeu o segurança, com um riso divertido.
Ohana revirou os olhos, levemente irritada, Dante certamente imaginou que ela tentaria conseguir informações do segurança e deixou seu preço. A morena abriu a bolsa e, pegando o caderninho e a caneta, anotou o próprio número, entregando a ele com certa irritação.
— Desde que ele começou — respondeu ele, acelerando o carro novamente assim que o sinal se abriu. — Ninguém imaginou que fosse chegar a tanto, Dante surpreendeu a todos.
— Parece que todos ficaram realmente muito chocados com a ascensão dele — ela comentou, o olhando com um pequeno sorriso e pensando um pouco. — E como ele concilia as duas vidas?
Cristian analisou a pergunta enquanto subia a rua que o levaria até a casa de Ohana. Passou longos minutos em silêncio, virando a esquina que ela havia indicado e procurando a casa da morena. Somente quando já estavam bem próximos, ele respondeu:
— Ele tem muita ajuda, mesmo que os que ajudem não saibam de fato o motivo de sua ausência.
A resposta foi mais que satisfatória para a morena e, quando o carro estacionou na frente de sua casa, ela sorriu levemente, assentindo para ele e abrindo a porta.
— Obrigada, Cristian, foi um prazer! — ela falou, já saindo do carro.
Cristian acenou e aguardou que Ohana entrasse em seu prédio, só depois que ela já estava dentro do local, ele ligou o carro e seguiu em direção a saída do Brooklin e seguiu seu caminho.
Ohana, por sua vez, seguiu para seu apartamento e, quando chegou a sua sala, jogou-se no sofá e arrancou a jaqueta, que havia deixado o cheiro de seu dono por toda parte. Aquele cheiro a atormentava e trazia a ela as lembranças dos dedos deliciosamente quentes de Dante em sua pele.
Decidiu não pensar em como evitar que Lenor ouvisse a gravação da entrevista que, com toda certeza, era bastante depravada para seus padrões.
A morena levantou do sofá e, enquanto caminhava em direção ao seu quarto, Pompom finalmente apareceu, esfregando-se em suas pernas e miando de forma a chamar sua atenção. Ohana o olhou com um sorrisinho e suspirou, seguindo para o quarto na companhia do felino, que a seguiu por todo o caminho até o banheiro, onde se sentou em frente a porta fechada, claramente insatisfeito por sua dona tê-lo deixado de fora do cômodo.
Ohana tomou um longo banho, deixou o vestido inutilizado de lado e, depois de sentir a água quente relaxar seu corpo o suficiente, ela saiu, colocando um pijama bem confortável e até bastante velho, deitando-se em sua cama e tentando dormir.
Queria ela poder afirmar que dormiu como um bebê, pesado e rapidamente. Porém, o tempo que demorou para dormir foi superior ao tempo que passara em sono pesado. Rolou na cama boa parte da noite, pensando e repensando a loucura que havia feito naquela noite.
Refletia sobre tudo, mas seria uma grande mentirosa se negasse que o que ocupou boa parte dos seus pensamentos foi os lábios quentes e os dedos ousados que a cobriram de carícias.
Quando adormeceu, já era quase manhã, e quando seu despertador tocou, ela queria continuar em sua cama e dormir pelo resto do dia.
Enquanto Ohana era atormentada pela timidez e vergonha por ter se rendido daquela forma a um homem que sequer havia visto o rosto, Dante pensava no gosto doce dos lábios dela e no calor de sua pele.
Como ela, ele mal dormiu, mas a noite dele não foi regada a preocupações e sim a fantasias, das mais diversas, com a morena que tomava seus pensamentos por completo. Seus lábios, perfeitente bem desenhados e carnudos, a pele macia, os seios quentes e que se encaixavam perfeitamente em suas mãos.
Dante não conseguia conter a excitação, o desejo e, mesmo que tivesse qualquer mulher que desejasse naquele momento, a única que ele de fato queria era Ohana. Mas, apesar disso, ele julgava não ser mais do que uma atração passageira, que, logo que fosse saciada, iria sumir tão rápido quanto apareceu.
Por isso, quando deitou em sua cama e recebeu a mensagem de Cristian, ele sorriu levemente, com toda certeza sacaria aquele desejo o mais rápido possível.
Dante pegou seu celular, um dos que tinha, e adicionou o número a agenda, enviando uma mensagem bem característica e, depois, o deixando de lado. Ele adorava brincar e, naquela noite, tinha certeza de que havia começado um jogo muito divertido.
Na manhã seguinte, quando acordou e obrigou-se a levantar, a primeira coisa que Ohana notou em seu celular foram as infinitas chamadas de Lenor e, além delas, uma mensagem de um número que nunca havia visto na vida.
"Espero que sua noite tenha sido ótima e que, no meio dela, tenha saciado seu desejo sozinha pensando em mim, porque eu o fiz."
Apesar de não conhecer o número, ela sabia exatamente de quem era aquela mensagem e, enquanto terminava de se arrumar, pensou em como aquela comunicação com ele era muito útil para si e para conseguir mais informações.
Por isso, enquanto descia as escadas, ela olhava para a tela e digitava rapidamente:
"Eu prefiro que meu desejo seja saciado por quem o provocou."
Então, após enviar a mensagem, guardou o celular e começou a seguir seu caminho em direção ao metrô. Não estava atrasada, sendo assim, não precisaria correr em busca de um táxi ou Uber.
Chegou a Cochicho no horário exato a sua entrada e, diferente de sempre, não encontrou Pablo esperando na entrada, também não o viu enquanto seguia para o elevador e muito menos quando entrou no andar da sala presidencial.
Enquanto seguia para a sala de sua chefe, estranhando o sumiço do seu stalker, ela se ocupou em pensar no que falaria para Lenor quando fosse questionada sobre a entrevista e, assim que se aproximou da sala, deparou-se com aquele a quem desejava evitar.
Pablo a encarou com certa irritação, mas nada disse, diferente do seu comportamento usual, simplesmente se virou e seguiu para a saída, pegando o elevador e sumindo de vista silenciosamente.
Ohana entrou na sala e encontrou sua chefe com os olhos afiados fixados nela.
Lenor estava silenciosa, tentava organizar as ideias sobre o que Pablo havia dito para ela, mas aquilo em nada havia afetado sua opinião sobre Ohana. Ela sabia que os contratempos dele eram movidos pelo seu péssimo gênio e, com toda certeza, não confiaria cegamente em suas palavras ou acusaria Ohana gratuitamente, afinal, se tinha algo que sabia ser era justa.
— Então? — perguntou ela, erguendo uma das sobrancelhas para a morena. — O que tem para me dizer?
— Consegui algumas coisas que você vai gostar — Ohana respondeu, sentando-se no sofá. — Mas antes, gostaria de falar algo.
Lenor apenas assentiu, indicando que ela iniciasse sua fala, deixando de lado o notebook e voltando os olhos castanhos para Ohana. Ela estava curiosa para ouvir a versão da morena sobre os ocorridos da noite anterior e a considerava muito mais confiável que Pablo, mas a ouviria primeiro antes de tirar suas conclusões.
— No sábado, no show, bem, antes dele na verdade — ela começou, inspirando profundamente, se sentindo completamente acuada pelo olhar analítico de Lenor —, Pablo mostrou um comportamento extremamente inadmissível, segurou meu braço com força, me ameaçou até e…
— Não precisa dizer mais nada — Lenor falou, tirando os óculos e encarando a morena seriamente. — Resolverei isso, a conduta de Pablo não me agrada há muito tempo, e Pedro é o único motivo para ele ainda estar nessa empresa.
Lenor falava de modo claramente irritado, seu tom era sério e sua expressão fechada, claramente de mau-humor. Apesar de não simpatizar muito com pessoas no geral, ela odiava homens que sentiam-se no direito de assediar e aliciar mulheres, para ela aquele era um comportamento inaceitável, principalmente na sua empresa. Havia demorado muitos anos para chegar até ali, para erguer seu império, não iria permitir que ninguém infringisse suas regras.
— Agora eu preciso que me fale sobre a entrevista — a voz de Lenor soou mais uma vez pela sala e, por um momento, Ohana sentiu o corpo gelar.
