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NTR

Dia 2 de outubro de 2015

22h00

Edrev (Eichiro Ishida)

Boa noite, leitor, tudo bem? Vou me apresentar a você. Meu nome é Eichiro Ishida, mas o meu nome artístico é Edrev. Tenho vinte e cinco anos e sou o tecladista da banda Metal And Fire. Confesso que fico impressionado com a fama que a nossa banda adquiriu em tão pouco tempo. Não imaginava chegarmos onde estamos agora. Quem diria que iríamos fazer um show na terra de onde habita a música pop ao estilo coreano, é uma loucura mesmo.

Bem, não pense, leitor, que eu sou o único que trabalha na área da música, bem pelo contrário. Eu tenho uma irmã que também está nesse ramo junto comigo. Seu nome é Natsuma Ishida e ela tem vinte e quatro anos. Ela tem um ano de diferença em relação a mim. Seu nome artístico é NTR, mas não lembro a sigla para falar para vocês, não sei de onde ela tirou isso. Seu estilo musical é o famoso prosa e ritmo, ou melhor dizendo, rap.

Assim como Metal And Fire, NTR fez muito sucesso no Japão. Ela se inspira em vários rappers americanos e inclusive japoneses mesmo. Ela consegue mesclar a batida japonesa de rap com o modo de cantar dos americanos. Ela acabou fazendo muito sucesso tanto no Japão quanto nos Estados Unidos. Quem diria que o público estrangeiro teria a atenção dela.

Depois que fomos liberados para voltarmos para a nossa casa, NTR me pediu para buscá-la de seu show. Ela sempre gostava quando eu a buscava e quando eu não podia, ela ia com o empresário dela mesmo. Incrível que estando com o sucesso que tem, ela prefere ficar com a família e ter sua atenção. Ela sempre mostrou os raps para o nosso pai ou falava para a nossa mãe o quanto que ela está crescendo na carreira. Ela sempre terá meu apoio, com certeza e eu farei de tudo para ajudá-la no que precisar. NTR sempre se deu bem com os rapazes, mas está sempre se estranhando com a Luza. Quem sabe um dia elas não se dão bem.

Bem, nesse momento, eu estou no show de NTR, ela disse para os seguranças para me liberarem, caso eu chegasse. Mesmo não tendo ingresso ou nada do tipo, ela sempre falava para me liberarem.

Quando eu cheguei, vi várias pessoas acompanhando o show dela. Uns usavam bonés, outros tinham faixas na cabeça e ainda havia aqueles que bebiam algo ou chegavam até a fumar. Diferente do nosso show que proibíamos consumo de drogas e de álcool, NTR fazia o contrário, só não liberava maconha. Mesmo que ela não fumasse, tinha um certo problema com álcool, mas sempre buscava acabar com esse problema, o que não dava muito certo no final.

Lá estava ela. Usava um boné preto, tinha a pele pálida, os olhos verdes como os meus, tinha um piercing ao lado do olho, um no nariz e outro na boca, usava um moletom branco com alguns detalhes em verde, tinha calças jeans rasgadas nós joelhos e usava um tênis de marca. Tinha também uma corrente de prata e outra de ouro pendurada em seu pescoço.

— Hora da minha última música, "cambada"! — Disse a minha irmã, que tinha um sorriso largo em seu rosto. — Hora de detonar essa porra!

Saía uma batida tradicional de hip hop misturada com música eletrônica.

— Levantem suas mãos, consagrados! Vamos! — NTR grita no microfone, enquanto erguia uma das mãos. As pessoas faziam a mesma coisa.

Kyappu o ushiromuki ni

Kataashi ni zubon o haite

Watashi wa heiwa o daihyō shimasu

Watashi ga kyūsen o ataenai to shinji raremasu ka

Anata ga watashi o dainashi ni kitara

Sore wa watashi no yūjin o kakete imasu

Anata wa watashi no teki ni narimasu

Soshite kiken no imi o shitte iru

Watashi no parusa o dainashi ni shinaide kudasai

Watashi no kazokude wa arimasen

Anata ga watashi ni chikadzuku to anata wa hahen ni narimasu

Kono torakku o yoku kiitekudasai

Watashi ga sakkyoku suru rappu

Soshite, watashi wa watashi ga iru koto o min'na ni shimeshimasu

Watashi no namae wa NTR desu

Soshite, watashi ga anata ni ataeru watashi no yubi

Shittobukai hito ni unzari shite iru

Jibun ga sōda to omou hito kara

Watashi wa anata no tame ni nenchaku-sei ga aru to iu shinjitsu o anata ni okurimasu

Anata wa dare yori mo sono bōru to anata no shiki o sageru yori mo yoku arimasen!

As pessoas gritavam e aplaudiam, enquanto NTR cantava sua música, que era a que mais fez sucesso. O nome da música era justamente NTR.

Ela continuava:

Sore wa intānetto-jō de nan-jikan mo tsuiyashimasu

Yarigai no aru koto wa nani mo shite imasen

Sore wa anata jishin o baka ni shi tsudzukemasu

Chiteki, ā, sore ga seichō suru no o mitekudasai

Anata ga honmono ga kiniiranakattara watashi wa anata ni okutta

Mōshiwakearimasenga, anata no ikende wa watashi wa ki ni shimasendeshita

Onaka ni ōsama ga iru to omottara

Jissai, anata wa wāmu de ippaidesu

Sono-gao ni kenkyo-sa o sakusei shimasu

Kono ego no yasashi-sa

Kao no mae kara sukoshi dete kudasai

Soshite anata ni chisei o ataeru nanika o shimasu

Tanin o erabanaide kudasai

Min'na ga tawagotoda to omou

Anata ga iwa no soko ni iru to iu riyū dake de

Dakara watashi wa anata ni iimasu, soko kara dete nani ka yoi koto o shimasu

— Joga a mão para cima, cambada! Deixem a madrinha orgulhosa aqui! — Grita NTR para as pessoas que gritavam o nome dela.

Ela agora fica pulando e jogando a mão para o alto e continuava a cantar depois:

Watashi to isshoni manabu

Watashi wa jibun no ibasho o mitsukeru no ni ōku no kurō o shimashita

Watashi no nakama to watashi no tomodachi ni kansha shimasu

Senbō wa watashi o okosanakatta

Watashi no adobaisu ni shitagatte kudasai

Watashi no pātonā

Anata wa kōkaishinaidarou

Watashi ga anata ni okuru kono dōtoku wa anata o seichō sa seru kotodesu

Sono atama o mochiageru

Soshite shitto suru tame ni wakare o tsugeru

Anata ni hao shiri o keru sainō ga arimasu

Anata ga watashi o forō shitakunai nonara,-sō shite kudasai

Anata ga yoku kiku watashi no namae

Soshite, anata ga oita yubi no tame ni watashi ga suru kono in

Watashi no namae wa NTR desu

Shikashi, puro ga kuru no wa rappu no joōdesu.

Ao pronunciar a última palavra, tudo para e as pessoas vão à loucura. NTR tira o casaco e estava usando uma regata preta que tinha estampada as iniciais dela. Minha irmã continuava a animar o público mesmo depois de ter terminado o show. Era incrível como ela conseguia empolgar as pessoas. O que me impressionava também é que ela era cheia de energia. Seu único defeito era as gírias e as palavras de baixo calão que me incomoda um pouco, mas não é nada de mais.

Dia 2 de outubro de 2015

22h15

Natsuma Ishida (NTR)

Depois que terminei de animar o público, vi meu irmão acenando para mim. Sorri largo e acenei de volta. Aquele filho da mãe veio mesmo. Pensei que não daria tempo por causa do show dele, mas parece que a gangue dele acabou antes de mim, ainda bem. Precisava falar com ele sobre uma coisa que envolvia nossa "coroa". Para você, "mano" que "tá" lendo essa estória, vou explicar melhor a situação. Nossa mãe está em coma, depois que ela teve uma parada cardíaca. Os médicos conseguiram salvá-la da morte, mas acabou resultando em um estado de coma. Quando a família soube disso, ficamos em choque. Ela está no hospital até hoje, já faz dois anos, mesmo tempo onde Edrev e eu fizemos sucesso nessa porra.

Acenei para ele ir comigo ao camarim. Depois de alguns segundos, aquele lerdinho me entendeu e foi até lá de uma forma discreta. Meu Deus, está tão lerdo por causa daquele teclado. Nossa, que instrumento cafona, mas tudo bem, já que a gangue dele gosta dele por causa daquele monte de botão, tudo certo.

Depois que eu me despedi do meu "bonde", fui para o meu retiro, porque eu sou filha de Deus e mereço, não concordam comigo?

Chegando ao camarim, encontrei aquele mongolão parado na frente da porta. Vai dizer que saiu do Metal And Fire e quer ser meu segurança? Qual é? (Risos)

Fiquei olhando para ele com cara de cu e cruzei os braços, fazendo posição de bandido. Isso aí, eu sou má, sou muito má. Edrev fez a mesma coisa, mas ele não leva jeito. Deixa para a Rainha do Rap, que é como sou conhecida aqui na terra dos samurais.

Abri um sorriso rindo e fui abraçar aquele "gigolô''. No fundo ele é e sempre será meu "truta".

— Natsuma, você foi incrível! — Disse Edrev.

— Que puta mentiroso você é. Só viu a última parte.

— Bem, pelo menos eu vi.

Começamos a rir e o chamei para entrar no meu camarim. Não é lá um camarim de luxo, já que eu sou humilde. Tinha só a parte do espelho e dos quilos de maquiagem, que eu odeio usar maquiagem, essas porra, um sofá velho, um tapete velho e era isso, não quero descrever nada, o leitor que lute (risos). Brincadeira. O sofá tinha cor verde oliva, o tapete era colorido e o chão era branco. A parede era rebocada com tijolo e era isso (risos). 

Meu irmão não pareceu gostar muito do camarim, mas que se foda, eu gosto dele assim.

Sentei-me na cadeira onde tinha o espelho e ele se sentou no sofá.

— "Mano", tenho uma coisa para lhe contar. — Falei para ele, assim que eu olhei em seus olhos.

— Você é lésbica. — Edrev ri e eu franzi o cenho.

— Eu tenho tanto jeito de garoto assim?

— Um pouco.

— Ah, vai tomar no cu, estou falando sério, rapaz!

Edrev fica sério, depois que eu mostrei um pouco de indignação.

— Tem a ver com a nossa "coroa". O Doutor Akamine estava cuidando dela e viu que ela tinha mexido três dedos. 

Quando eu falei aquilo, Edrev se levantou e colocou as duas mãos na boca. Ele pareceu surpreso e quem não ficaria? Até eu me encontrei surpresa quando recebi essa informação.

— Natsuma. E se… e se a nossa mãe… ela… — O bebê chorão fica com lágrimas. Ah, não vem chorar no meu camarim não, mas eu entendo a posição dele. Foi o que mais sofreu, depois que a nossa velha entrou em coma. Ela sempre o apoiava para ser um cantor. Infelizmente, ela nunca sabia que eu queria ser uma cantora também.

Lembrei do passado um pouco. Nossa mãe, Hideaki Ishida, sempre apoiava Eichiro em se tornar um cantor, mas ele nunca demonstrou talento em cantar. Na época, eu fazia meus raps e depois ia desafiar meus amigos em uma batalha na esquina. Nunca cantei dentro de casa porque eu tinha vergonha. Meus pais eram muito conservadores e culturais, não gostavam de rap. Claro que rock também não era a "onda" deles, mas como Edrev mostrou dedicação, boa vontade e "garra" em querer seguir nesse ramo, eles não tinham como convencê-lo. Por outro lado, eu era mais cagona. Não sabia se eles iriam aceitar ou não, mesmo que mostrasse "garra". Precisou a velha entrar em coma para eu tomar uma atitude. Depois que eu falei para o meu velho que eu queria ser rapper, ele não disse a não ser um "tudo bem, pode fazer o que quiser".

"Tá aí"! Virei uma puta rapper famosa, gostosa e sou idolatrada até pelo cachorro da rua. Por outro lado, depois que viram que o meu irmão não era um ótimo cantor, decidiram colocá-lo para tocar um instrumento musical. Nossa, foi cada dor de ouvido. Às vezes tinha que mandar ele se foder para parar, mas claro, é uma expressão que estou usando, mas vontade não faltava.

Mas o quê? Lágrimas estão caindo em mim? Por que estou chorando? Só porque estou vendo o frouxo do meu irmão chorar? Não, eu sei o que é. Eu sinto falta da "coroa". Mesmo que ela investisse pesado nele, ela sempre buscava me incentivar a seguir os meus sonhos, o que eu queria fazer da vida, mas o problema é que eu tinha receio em falar que queria ser rapper, nem para o meu "truta" eu falava essas coisas.

Edrev estava sentado no sofá com as mãos no rosto, encolhido. Parecia feliz, porque talvez, a nossa velha finalmente fosse acordar. Eu também estou chorando porque mesmo que eu lance umas rimas fodonas, eu queria tirar da minha garganta o que está preso, que é "mãe, eu me tornei a maior rapper do Japão". Mas até lá, eu não sei o que fazer.

Levantei-me da cadeira e dei um tapa forte no ombro dele.

— Levanta, mané. — Falei para ele e o mesmo se levanta.

Abracei o meu irmão. Sabia que ele estava sofrendo mais do que eu por causa da nossa mãe. Imagina a sua mãe entrar em coma e não saber quando ela pode acordar. Tínhamos a mesma dor. Mesmo que gastássemos nossas energias em nossas carreiras, ainda sentíamos saudade de nossa mãe, porque não adianta você ter bilhões de fãs, no meu caso, eu conquistei quarenta e cinco milhões, mas cadê a velha para nós apreciar? Tudo bem que temos o nosso pai, mas eu acho que não adianta somente ter uma figura masculina para lhe apoiar, é necessária uma figura feminina e aqui estou eu, consolando meu irmão que se derrama em lágrimas. Eu também estou em lágrimas, mas eu estou me liberando aos poucos. Não quero parecer frágil nesse momento.

Depois de alguns minutos, decidi mudar de assunto e fomos conversando até o momento em que já era hora de sair. Finalmente o fim de semana, filha da puta! Estou muito cansada nessa porra! Uhu!

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