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5 Pensamentos que se apagam

Jacob ainda quebrava a cabeça com os acontecimentos dos últimos dias. Seu melhor amigo à beira da morte e um evento do qual ele não fazia a menor ideia de onde se poderia começar a investigar. Foi pensando nisso e em todas essas coisas que Jacob decidiu para por ali mesmo, naquele dia. Mas algo incomum chamou sua atenção, melhor, duas. A primeira foi ele ter visto a garota morena subir com vários militares e agentes até a ala mais alta daquele edifício e o segundo, foi avistar a expressão preocupada do Major Wellen. Certamente que algo muito sério estava acontecendo ali, mas devido a não o comunicarem, de certo que não tinha absolutamente nada a ver com os atentados, ou, pelo menos não diretamente.

— Olívia, pra mim já deu por hoje! — disse ele, enquanto desligava o computador e apanhava seu paletó.

— Já vai? Assim tão cedo? — perguntou a mulher de cabelos ruivos.

— Não estou nada bem. — justificou. — Preciso descansar um pouco. Sei que os próximos dias vão ser bem turbulentos e aconselho a você que faça o mesmo! — concluiu apontando para ela.

— Eu, descansar? — disse de forma irônica. — Quem me dera! — riu. — Mas vai lá, vamos precisar de você e importante que esteja bem!

O homem tão somente assentiu e saiu de onde estavam a baias, caminhando normalmente em direção ao elevador. “Preciso me desligar nem que seja por alguns instantes de tudo isso, ou eu vou acabar ficando doido”! Pensou, ao mesmo tempo em que apertava o botão do térreo. “Acho que já sei o que fazer. Embora pareça um tanto fútil da minha parte, eu preciso disso”! Assim que a porta do elevador se abriu, Jacob foi até o estacionamento, entrou em seu carro e foi direto para o apartamento onde morava sozinho.

***

Briana se encontrava desesperada em um terminal de ônibus. Ela não fazia ideia de onde poderia ir àquela altura, isso por que não tinha um parente sequer vivendo naquela grande cidade. Mas havia alguém, uma única pessoa a qual pensou que poderia lhe ser de grande ajuda, então se dirigiu até uma cabine telefônica e ligou para essa pessoa.

— Alô. Connor, é você, meu irmão?

“Briana? Briana, minha irmã! Meu Deus, onde você está”?

— Connor, eu não sei por onde começar, mas será que você poderia me ajudar? Você é tudo o que eu tenho, meu irmão! — falou. Connor percebeu que a irmã se encontrava angustiada.

“Me fala onde você está e eu vou ate aí. Minha nossa, como eu fiquei preocupado com você, grota”!

— Ouça, Connor, eu não sei se você vai por vir até aqui. Eu estou em Londres! — revelou.

“Como é? Como que você veio pra cá?”

— Você também está aqui? Graças a Deus. — respondeu ela, aliviada. — Eu estou no terminal, acho que é no — olhou para a placa com a sua localização — terminal 5. Por favor, meu irmão, venha depressa.

“Briana? O que está havendo?” perguntou notando uma oscilação na voz da irmã. “Você pareceu ficar nervosa de repente”!

— Não posso falar mais, ele estão aqui. Venha rápido!

“Briana! Eles quem? BRIANA”! Connor perguntou e então saiu depressa, nem avisando nada para sua esposa. Ele pegou o carro e acelerou.

***

Um dos homens de Wellen reconheceu a jovem e avisou aos demais.

— Ela está aqui no terminal. Vai, vai, vai...

Ao avistar os homens, Briana conseguia saber exatamente o que muitos deles pensavam através de seu dom. Ela então saiu correndo, subindo e descendo as escadas no intuito de tentar escapar, mas os agentes pereciam estar por todos os lados, não dando a ela a chance de despistá-los.

— Ela pegou a escada Leste. Está indo em sua direção! — um dos agentes reportando ao outro, pelo rádio.

— Entendido. E já vi! — respondeu e continuou a perseguição.

Briana parou por alguns segundos, ela não poderia continuar com aquele jogo. Tinha uma vantagem e a usaria em seu favor. Fechou os olhos e concentrou-se em ouvir somente quem ela queria ouvir, então conseguiu canalizar sua mente nos agentes e foi assim que previu que eles a estavam cercando. Mas ela precisava chegar ao estacionamento daquele terminal, onde provavelmente seu irmão a estaria esperando. Foi então que a garota tirou o sobretudo e o pendurou em uma haste de metal, ela ouviu os um dos homens dizer que seria facilmente reconhecida pelo sobretudo marrom que usava. Ela também pegou o cachecol que usava ao redor do pescoço e o pôs sobre a cabeça como se fosse um véu. Isso a daria certa vantagem e impediria que fosse reconhecida de imediato. A estratégia funcionou, fazendo com que Briana passasse por um dos agentes sem que o homem a reconhecesse.

— Definitivamente, ela não está mais aqui, senhor! — o mesmo homem dizendo a David, elo rádio comunicador.

— Eu conheço Briana! — respondeu o Major. — Eu a treinei para esse tipo de situação. Ela já deve ter passado por você diversas vozes. Agora, are de pensar, Tenente e concentre-se, pois logo a acharemos!

— Entendido, senhor! — o Tenente então, desliga.

***

Com os agentes despistados, Briana finalmente chegou até o estacionamento do terminal. Ela não sabia nem por onde começar a localizar seu irmão. Olhava de um lado para outro, daquele estacionamento escuro. Foi então que ouviu uma voz familiar.

— Briana!

Ela olhou para trás e seus olhos se encheram de lágrimas. Apesar da barba que tapava parte de seu rosto, Connor continuava o mesmo. Os mesmos olhos serenos e amorosos, com aquele sorriso que lhe proporcionava paz. Briana correu e o abraçou. Os dois ficaram num estases que os prendeu por alguns segundos.

— Meu Deus, por onde você andou esse temo todo, minha irmã? — ele perguntou, tocando em seu rosto.

— É muito complicado para eu te explicar agora. Mas preciso da sua ajuda, eles estão atrás de mim! — falou segurando as duas mãos de Conor.

— Eles quem, Bri? — ele perguntou.

— Os agentes, Connor. Eles são militares e estão querendo me usar para algum tio de experiência. Eu estou desesperada e só tenho você! — a jovem começou a chorar diante do irmão. Connor olhava para a irmã e seu coração parecia estar se rasgando ao vê-la daquele jeito. Ele então a abraçou com força e depois de muitos anos, Briana sentiu o que era estar novamente nos braços de alguém que ela amava. — Nossos pais. Eu não pude vê-los! Eles morreram or minha culpa!

— Não, não! — disse Connor. — Você não teve culpa de nada, Briana. — respondeu encarando-a. — Mas você precisa voltar, irmã!

— Voltar para onde?

— Para o hospital, Bri. Você ainda não está totalmente recuperada, eles vão ajudar você!

Briana soltou as mãos de Connor e começou a se afastar devagar, enquanto o rapaz dizia ter recebido uma ligação dos “médicos” e que eles haviam contado a respeito das paranoias recentes da irmã. Enquanto Connor tentava convencer Briana de que ela deveria voltar ao hospital, ela começou a correr, sem querer acreditar que seu irmão, o único parente vivo que lhe restara, não acreditou em sua versão.

— Você a deixou escapar! — disse um agente que os acompanhava.

— Por favor, não machuquem a minha irmã, ela está doente! — implorou Connor, ao agente a seu lado.

— Não vamos. Estamos aqui exatamente para evitar que isso aconteça!

— Ela nunca mais vai querer saber de mim novamente. Será que o que fiz foi o certo? — o rapaz se auto questionou, com a mão nas têmporas.

Briana voltou para a parte superior do terminal. Ela seguia desesperada em tentar escapar, mas por todos os lados que olhava, lá estava um agente, mas o que deixou a garota ainda mais confusa foi o fato de não conseguir ler as mentes dos agentes que a cercava. Ela então começou a escutar os pensamentos de todos os que estavam ali, cada pessoa ao seu redor, Briana já começava a perder o controle da situação e entrar em pânico até que conseguiu avistar uma escada e correu até ela, no entanto, mal conseguia enxergar o caminho em sua frente. Segurou no corrimão à sua direita e apoiando-se no mesmo, tentava subir os degraus e assim poder escapar. Foi quando sentiu ser agarrada por um homem que surgiu bem na sua frente. Chorando, ela levantou os olhou e viu que se tratava de David, que a olhava fixamente. “Não se preocupe”! Pensava ele. “Você está segura agora!” Apavorada por conta da imensa quantidade de pensamentos percorrendo sua mente, Briana abraça David com força e se concentra em ouvir apenas os pensamentos do Major: “eu disse que sou o único que consegue entendê-la, Briana”! “Olhe para mim”, ele segurando seu delicado rosto molhado pelas lágrimas, de forma delicada, “concentre-se apenas na minha voz”! “Eu estou aqui, Briana e sempre estarei do seu lado!”

Já quase desfalecida, Briana viu que não lhe restava alternativa senão confiar em David. O Major de cabelos castanhos sinalizou com os olhos para os demais agentes, de que a situação estava sob controle. Connor foi informado de que sua irmã havia sido recuperada e que os médicos cuidariam dela para que ficasse curada de suas alucinações. David a levou de volta para o prédio da ANIS.

— O que, realmente, vocês querem de mim? — questionou ela, encarando Thomas.

— É simples, senhorita Carter. Trabalhe para nós e terá sua vida de volta! — o Coronel respondeu, sem dar meia volta.

— Realmente, eu perdi minha vida, Coronel, mas duvido que possa devolvê-la pra mim, novamente! — falou emocionada. David suspirou.

— Eu sei que você deve estar achando que somos os caras maus, senhorita, mas tudo o que queremos é salvar vidas inocentes! — respondeu. — Se concordar, eu irei lhe explicar tudo e então poderá julgar nosso caráter!

— Está bem. Me contem e eu vejo o que posso fazer!

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