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CAPÍTULO 9

AMANHÃ É O MEU MALDITO CASAMENTO e minha vontade de pegar o primeiro voo para China é grande. Eu não tenho a menor vontade de me casar com o bipolar narcisista do Salvatore.

Bipolar

Palavra perfeita para descrevê-lo, uma hora ele simplesmente diz que nosso casamento é apenas por interesse financeiro e depois que tem interesse em mim, e vem com aquela possessividade idiota. Outrora, ameaça me matar e age como um psicopata e novamente muda radicalmente a ponto de bater em minha porta e se sentar no meu sofá para assistir filme.

Eu odeio inconstância, isso me deixa insegura e em dúvida. Odeio não saber o que esperar de alguém, não saber como o que esperar de alguém pois toda vez sou tratada de maneira radicalmente distinta, e odeio o fato de que terei que lidar com isto para o resto da vida ao me casar com Vicenzo.

Olho o relógio e já são 11:00AM. Me levanto um pouco indisposta a procura de meu celular e quando finalmente o acho, vejo que tem uma notificação.

Abro a mensagem do número desconhecido e vejo nela a minha chance de me livrar do maldito casamento. Quem diria que a sorte estaria a meu favor hoje, tudo que eu precisava caiu do céu: a infidelidade do Salvatore.

Há várias imagens dele no que me parece ser um clube e nas fotos em sua maioria ele está agarrado em alguma mulher que me parece conhecida. Vou passando as fotos e vejo nitidamente que se trata de Ellora, sua ex ou seja lá o que ela for.

Me sinto um incomodada com o que vejo mas acho que seja devido ao fato de eu ter sido feita de idiota, e disto ninguém gosta.

Fui muito burra ao achar que poderia contar com sua honestidade. Nós tínhamos ciência de nossa situação e eu esperava o mínimo de sinceridade quanto a isso, já que não temos laços emocionais e não há motivo para agir de tal maneira. se ele queria sair por aí e se aventurar com outras mulheres ou fazer ela de amante, poderia ter dito, ao invés de incluir fidelidade no contrato e exigir de mim o mesmo.

Se ele pensa que isso ficará assim, ele está muito enganado. Não vou ser feita de idiota por um mimado narcisista do caralho que acha que pode fazer o que quiser. Ele nunca deveria ter me cobrado algo que não estava disposto a cumprir.

Ele descumpriu um regra importante da mafia, e isto pode custar sua vida, então espero que no mínimo ele aceite de bom grado o fim do casamento e assim não precisarei convocar os membros e fazer o tão temido julgamento.

Ouço o barulho da porta e logo vou até ela, com certeza é Lizz a essa hora querendo falar do casamento. Sorrio ao imaginar sua animação e sinto por ter que dizê-la que não haverá casamento, mas assim que abro a porta meu sorriso morre no resto.

- O que faz aqui? - pergunto tentando me manter calma.

-Temos que conversar. - ele adentra sem minha permissão.

-Sobre isto? - Mostro as fotos no celular e ele suspira.

-Não é o que está pensando... - Eu solto uma risada nasal.

-Nossa, não tinha uma frase melhor, não? Ou ao menos algo original?. - jogo o celular em cima do sofá.

-O casamento acabou, não terá cerimônia amanhã e peço que saia do meu apartamento. - Aponto para a porta e ele dá um passo a frente, no mesmo instante dou dois para trás.

-Não vai cancelar casamento nenhum. A situação ainda é a mesma, a sua vida e interesses ainda dependem disso. - ele diz impassível.

-Você quebrou uma regra do contrato e uma lei da cossa nostra. Não tem muito o que fazer além de desistir, pelo bem de sua vida. - Ameaço e ele sorri.

-Acha mesmo que é assim que irá se livrar de mim?. Eu sou o don agora, quem decide as coisas eu sou eu. E estou acima de todos, até do conselho. Conselho o qual eu posso muito bem subornar para agirem ao meu favor, Thifanny, aceite que não tem saída. - Eu balanço a cabeça em negativa e cemicerro o olhar.

-Eu não vou me casar com você!. Não honrou sua palavra e ao menos foi honesto comigo. Exigiu fidelidade de mim para minutos depois se enfiar em um clube qualquer e ir para cama com sua ex namorada ou amante, não sei ao certo o que ela é e o que ela foi, mas também não me importo. - Cuspo as palavras de maneira raivosa em sua direção.

-Eu não me fui para cama com ela, isso foi tudo armação de Eric com Ellora, para conseguir exatamente isso. - Ele não demonstra expressão alguma e não vejo mentira em seu olhar, mas isso só significa que ele mente muito bem.

-Não me interessa. Está tudo acabado e se quer tanto se casar - Dou uma pausa e olho bem no fundo de seus olhos - Ache outra.

-É com você que irei me casar. Você não tem opção, esse fato não muda o que lhe disse no começo de tudo; Se não estive na família Salvatore, meu pai fará questão de te eliminar e eu não farei nada para impedir. - Finaliza.

-Eu te odeio. - Rosno as palavras.

-Te vejo no altar - Ele anda até a porta e sai batendo a mesma.

Tenho vontade de gritar ou quebrar tudo a minha volta, mas apenas me mantenho em controle. Eu não posso acreditar que terei que me prestar a este papel, mas as coisas não vão ficar assim.

Se ele quer tanto se casar, okay. Mas isso será a ruína dele.

1-Figlio di una cagna

A porta é aberta e eu me viro pronta para lançar uma sequência de xingamentos até me dar conta de que é Alissa.

-Ah. é você, Alissa - Digo relaxando os ombros.

-Alissa? As coisas estão tensas. Fiz algo de errado? - ela pergunta com receio e faço que não.

-Não é sua culpa. - me sento no sofá e ele se põe ao meu lado.

-Vi o Salvatore no corredor, ele parecia transtornado.- comenta e eu arqueio a sobrancelha em descrença.

Como ele ousa estar "transtornado"?!. Eu que fui obrigada a aceitar um casamento para literalmente salvar minha vida, fui traída e feita de idiota um dia antes de meu casamento e ainda tenho que permanecer nisso!.

E agora ele está transtornado?!

-Ele descumpriu uma regra, me traiu. - digo sem expressão.

-Ele fez mesmo isso?! Um dia antes do casamento? - Ela faz que não com a cabeça e parece desacreditada. Eu também estaria em choque se eu não soubesse do que ele é capaz e o quão cretino e sem caráter ele é.

-Com Ellora, a ex. - complemento.

-Já ouvi falar dessa aí. Ela é conhecida por o pai ser um empresário famoso no mundo por sua marca de joias, em Paris ela sempre aparecia nas revistas , as vezes até ao lado dele.

Por algum motivo essa informação me incomoda um pouco. Talvez isso se dê ao fato de que ela me odeia e ainda tenha se metido com ele sabendo que estamos noivos.

-Eles nem sequer imaginam que por trás do empresário famoso está um mafioso, mas é assim com todos neste meio.- ela parece meio pensativa e alguns segundos depois complementa -Mas ela não esconde de ninguém a cobra que é, com aquele nariz impinado e ego inflado. Eu sempre lia nas revistas algumas polêmicas dela, as vezes em relação ao relacionamento com o Salvatore ou fofocas de como ela destrava as pessoas.

-Tem gente que não tem humildade, Lizz. - Digo por fim.

-Você ainda vai se casar, né? - pergunta hesitante e sua dúvida é explícita.

-Infelizmente. eu não tenho opção, Lizz- me dou por vencida em relação ao fato de ter que subir ao altar em pouco mais de vinte e quatro horas.

Farei a vida dele sera um inferno, ou não me chamo Thifanny Lazzari. Não posso mais me deixar enganar, não é porque ele veio aqui um dia e foi legal comida - por algum motivo que eu não sei - que significa que tenho que ser tolerante com ele.

Por mais legal que ele possa tentar ser em alguns momentos, eu não posso me esquecer quem ele é; um mimado assassino e cafajeste. E muito menos posso me esquecer de quem eu sou, não sou a mesma boba do internato, agora sou forte e sei o que vim fazer e isso não vai mudar.

A única coisa que eu não posso mudar é o que Tina me ensinou, e o que disse que faria minha mãe feliz, que é ser boa com os inocentes e me manter humilde. Pelo que sei de minha mãe, ela era uma pessoa com um coração muito nobre e generoso, sinto muito por ela ter tido que se casar com meu pai e se afundar ainda mais neste meio cruel , e principalmente por ter tido o fim trágico que teve.

Tina disse que meu pai realmente a amava, nunca quis ter filhos com ela pois não queria dividir sua atenção com ninguém mais, nem que este ser tivesse seu sangue. Isso me tornou uma filha indesejada. pelo que sei, minha mãe achava que ele mudaria de ideia depois de meu nascimento e obviamente não deu muito certo, seu falecimento foi a gota d'água para ele e isso só fez com que ele me odiasse mais.

Volto a realidade com Lizz estalando os dedos em minha frente e só assim me dou conta de meu devaneio.

-O que estava pensando, Thiffy? - eu suspiro e ela me incentiva.

-Só estava pensando na minha mãe, eu me pergunto como ela conseguiu conviver com meu pai, e também como conseguiu o amor daquele ser desprezível. - Reviro os olhos e afaga minha mão.

-Acho que pessoas boas as vezes conquistam pessoas ruins pelo fato de serem diferentes, o que falta em um tem em outro; Isso faz com que se complementem. - Eu sorrio do jeito o qual ela romantiza tudo e sempre vê o lado bom das coisas.

-Então acha que vai se apaixonar por alguém ruim? - pergunto brincando e ela balança a cabeça em negativa inúmeras vezes.

-Não! Eu quero alguém bom, Thiffy. Não só comigo mas com as pessoas em geral, mas não acho que irei conseguir isso neste meio. - Confimo com a cabeça. Ela realmente vai ter muito trabalho em achar alguém assim, para não dizer que impossível. Aqui só temos em sua maioria, sanguinários assassinos que não tem piedade nem da própria família e no melhor dos casos há alguns que chegam até a ser

condescendentes com seus familiares.

-Thiffy? - ela diz pendendo a cabeça para o lado fazendo suas belas cascatas loiras irem para o mesmo lado.

-Sim?- digo.

-Você acha mesmo que não tem chance alguma de que seu casamento dê certo? - nego - Eu sei que já ouviu isso milhões de vezes mas... - Eu a interrompo.

-Lizz, você e Tina já disseram várias vezes isso, e eu não acho que seja possível. O primeiro motivo é porque esse casamento não é da nossa vontade, o que só complica. - suspiro e dou uma pausa - Segundo que eu já estava muito determinada a fazer a vida dele um inferno, não nego que já pensei em tentar ser passível mas esse pensamento não durou sequer um dia, pois devido a bipolaridade dele eu vi que isso é impossível - Ela dá de ombros e eu complemento - Terceiro é que ele faltou com sua palavra e me traiu um dia antes do casamento, e agora estou mais destinada ainda em não ceder. - cruzo os braços.

-Não sei porque mas acho que uma hora você irá desistir disso. - Eu nego com a cabeça - Acha mesmo que vai passar todos os anos do seu casamento, que não se esqueça que é para sempre se uma desgraça não acontecer, fazendo da vida dele um inferno e implicando com ele. Pelo próximos prováveis cinquenta anos ou mais? - Eu solto uma risada nasal, não consigo me imaginar tanto tempo com alguém, não consigo me imaginar nem tanto tempo viva.

-Sim!- sorrio.

-Cazzo. Você é louca! Duvido. - nos rimos juntas.

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