Capítulo 5. Nascimento e Desapego
O narrador:
No consultório médico
Dana, em um quarto particular ao lado da sala de cirurgia, resistiu a seguir o protocolo para a punção folicular. O ginecologista, amigo de seu tio, insistiu que ela fosse sedada, ainda que levemente.
"Que situação!" exclamou a ginecologista, com desdém, quando ela mencionou o que o sogro havia exigido. "E o que acontecerá se você tiver mais filhos? Já pensou nisso? Não me parece justo", declarou a médica, em tom crítico.
"Acho que esse não é o problema dele!", acrescentou Dana com antipatia, concluindo que o ginecologista desconhecia sua esterilidade.
"Com licença!" disse o médico. "Deixe-me explicar o processo para que você entenda: vou inserir uma sonda de ultrassom para visualizar seus ovários e folículos, guiada pelo ultrassom."
"A agulha de aspiração conectada à sonda extrai o fluido folicular contendo seus óvulos, que então transfiro para tubos de ensaio. Estes são levados ao laboratório para identificação e preparação dos oócitos, para que a fertilização possa ser realizada com o esperma do seu parceiro."
"É rápido. Depois, você vai para o mesmo quarto onde o Daniel está e fica lá por cerca de trinta minutos, até o efeito da sedação passar. Você se recuperará rapidamente e poderá ir para casa."
E assim foi. Uma hora depois, Dana e Daniel saíram da clínica acompanhados pelo tio, que encontrou Abril no estacionamento.
Daniel ficou imediatamente impressionado com a presença da jovem; uma bela morena com cabelos ruivos naturalmente ondulados e impressionantes olhos cor de mel. E sua figura era simplesmente deslumbrante — ela tinha curvas muito acentuadas.
Para Dana, era exatamente o oposto: ela parecia vulgar e sem classe. Sua origem humilde era evidente até mesmo em suas roupas. Ela provavelmente havia sido seduzida por seu tio, que tinha fama de mulherengo. Obviamente, ela não estava nada satisfeita com o jeito como Daniel a olhava.
"Dr. Robinson, como vai?", cumprimentou ela, com um sorriso um tanto nervoso.
Para evitar qualquer indício de intimidade entre eles, ele a dispensou imediatamente...
"Ei, querida! Anda logo!" O Samuel me disse que estava te esperando hoje para fazer mais alguns exames", disse ele, acenando em despedida e seguindo em direção ao carro alugado que os aguardava.
"Obrigada, doutor!", respondeu ela, e caminhou para a frente com passos leves.
(***)
Naquele mesmo dia, o Dr. Samuel examinou Abril, preparou-a e sedou-a em seu consultório para realizar a implantação do embrião. Ele a manteve em observação por cerca de quarenta minutos. Quando ela se recuperou, ele a levou para a casa de sua mãe, que estava extremamente preocupada com a filha.
(***)
Quatorze dias após o implante, a ginecologista ligou novamente para Abril para fazer um teste de gravidez. Até então, ela não havia apresentado nenhum sintoma de gravidez.
Abril:
"É estranho! Não sinto nenhum sintoma que indique gravidez."
"São só essas cólicas terríveis, estão me matando", pensei enquanto desligava o telefone. Seguindo as instruções do médico, me vesti e corri para a clínica para fazer o exame...
Oito meses depois...
O narrador:
"Mamãe, mamãe!" Abril gritava, assustada, com contrações fortes, constantes e muito dolorosas. Ela estava de pé, encostada no batente da porta do banheiro em um dos quartos do rancho do Dr. Robinson, onde estava hospedada havia meses.
"Minha querida! O que houve?" perguntou a mãe em seu dialeto, surpresa com o choro comovente de Abril. Ela olhou para a barriga caída da filha, supondo que a hora do parto havia chegado.
"Mamãe, eu não aguento! Dói, dói muito!" ela chorou, com as mãos na parte inferior do abdômen, cobertas de suor.
"Por que você não me contou antes?", perguntou sua mãe, ansiosa. "Vou ligar para o Dr. Samuel", disse ela, movendo-se com agilidade.
"Está a caminho!" anunciou Abril. "Mas eu sinto que não aguento essa dor, mamãe", exclamou ela. "Não me deixe sozinha! Dói muito!" acrescentou.
Sua mãe, que havia se recuperado totalmente da cirurgia de transplante de rim à qual fora submetida alguns meses antes, o abraçou e massageou a parte inferior de suas costas.
"Você não faz ideia da dor que sinto ao vê-la sofrer assim!", enfatizou a mãe, sobrecarregada pela situação da filha e pelo que precisava fazer para que ela pudesse continuar vivendo...
(***)
Duas horas depois...
O Dr. Robinson ligou para sua querida sobrinha e lhe deu a boa notícia.
"Dana, minha filha!" exclamou ele. "Seu filho acaba de nascer, então você pode preparar seu retorno a Valparaíso. No entanto, preciso que você venha imediatamente a La Puerta para registrar a criança. Obviamente, Daniel também deve vir", ordenou.
"Obrigada, tio!" exclamou ela, emocionada.
"Avisarei o Daniel", respondeu ela, sorrindo. Finalmente, ela estaria livre das exigências dele para lhe dar um filho.
"Filha! A moça me pediu outra grande quantia em dinheiro para me dar a criança, então fale com seu marido e prepare tudo para agradá-la", acrescentou Robinson.
"Não se preocupe, tio! Só de saber que o bebê nasceu, ele já vai desembolsar o que precisar", respondeu ela, dando de ombros.
Foi assim que Daniel e Dana chegaram a La Puerta, procurando o bebê, embora ele, predisposto e irritado, ao perceber que a garota estava se aproveitando da situação, tenha depositado o valor solicitado de volta na conta de Robinson.
Poucos minutos depois, eles seguravam seu primogênito nos braços. Enquanto isso, Abril, escondida à distância no rancho do Dr. Robinson, observava o casal de lado. Eles eram, legal e biologicamente, os pais da criança que ela acabara de trazer ao mundo.
Abril:
Em pé no terraço.
Senti uma forte pressão, uma dor imensa no peito, quando tive que me despedir do bebê. Ele era lindo, com pele clara e cabelos como os meus. Embora não fosse meu filho, acho que ele se parece comigo. Durante os nove meses em que o carreguei no ventre, senti-o como meu e o amei.
"Pelo menos consegui amamentá-lo uma vez", pensei com tristeza. Naquele momento, senti que havia um laço entre nós e experimentei um desejo imenso de ficar com ele.
"Meu Deus! Sinto que uma parte de mim está indo com ele", refleti, chorando e abraçando minha mãe, que havia me acompanhado.
"Não se preocupe, querida! Você vai superar isso", ela me assegurou. "O tempo será seu melhor aliado e você conseguirá virar a página", disse minha mãe, que também chorou comigo ao se despedir do menino.
"Vamos para o quarto." "Você não deveria ter se levantado, você ainda está fraca", ela me consolou, me abraçando.
"Eu só queria vê-lo uma última vez", implorei, chorando e olhando para trás, em direção à sala onde todos estavam reunidos.
"April? O que você está fazendo aqui?", rosnou o Dr. Robinson, agarrando meu braço com força e chamando minha atenção. "Eu avisei para não sair da sala sem minha permissão, assim como sua mãe", repreendeu-me ele, furioso.
Chocada, primeiro com o susto e depois com a atitude dela para comigo, não consegui responder; apenas chorei em silêncio, deixando as lágrimas correrem. Minha mãe, como sempre compreensiva e solidária, respondeu.
"Você precisa entender o estado em que ela se encontra! Além disso, depois do parto, as mulheres ficam mais sensíveis emocionalmente, então eu agradeceria se você não gritasse com ela", ela disparou.
"Com licença, Sra. Jenny!", disse ele, explicando seus motivos. "É a situação em que estamos vivendo, e quero que a senhora entenda que isso também me afeta diretamente", argumentou.
Minha mãe e eu não fizemos mais nenhum comentário, nos afastamos e nos trancamos no quarto, onde permanecemos até que eu me recuperasse completamente.
Após minha recuperação, não tive mais contato com o Dr. Robinson, exceto pelas consultas de rotina da minha mãe após o transplante de rim. Mais tarde, nos mudamos para Valparaíso, a capital.
