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Capítulo 4. Término do relacionamento

À porta

Abril:

"Meu Deus! Estou com um nó no estômago, não pensei que esse dia chegaria tão rápido..." refleti.

Levantei cedo e fui à universidade para terminar com o César. Não vou explicar os motivos da minha decisão, mas preciso ser honesta com ele. Vou apenas dizer que estou saindo de La Puerta.

Saí de casa, deixando minha mãe devastada e com o coração partido, porque, segundo ela, essa decisão arruinaria minha vida. No entanto, minha prioridade é que ela continue vivendo, que eu a tenha ao meu lado: mamãe ainda é jovem e pode viver por mais alguns anos.

"Então, se surgiu essa oportunidade de salvar a vida dele, eu vou aproveitá-la", pensei.

Refletindo sobre tudo, peguei um ônibus público que me levaria diretamente à universidade. César deve estar me esperando no refeitório.

"Que ironia! Eu não queria ser dele quando ele me pediu em casamento, porque queria chegar ao altar virgem. E agora, vou ser mãe sem ter perdido a virgindade", refleti, deixando algumas lágrimas escorrerem por baixo dos meus óculos escuros, que eu usava para esconder a vermelhidão dos meus olhos.

Não sei quais consequências essa decisão poderá ter para mim no futuro, mas antes de tudo, minha mãe vem em primeiro lugar. Esta foi a viagem de ônibus mais longa desde que entrei na universidade.

Quase uma hora depois, desci do ônibus. Caminhei lentamente em direção à entrada da escola. Depois, fui até o refeitório, onde César estava me esperando. Decidi terminar com ele antes de explicar o que eu ia fazer.

"Olá, meu amor!" ela me cumprimentou assim que abriu a porta.

—Olá! —cumprimentei.

"O que houve?", perguntou ele, fixando o olhar no meu, que eu evitei.

—Nada. Só preciso conversar com você sobre uma decisão que minha mãe e eu tomamos — eu disse.

"Diga-me", disse ele calmamente, sem suspeitar do que ela diria.

"Minha mãe e eu estamos saindo de La Puerta!" anunciei.

"E por que isso?", perguntou ele, pegando minhas mãos que estavam sobre a mesa. "Por que essa decisão? Sua mãe ainda está doente?", indagou.

"Sim!" admiti, sentindo-me mal por ter que mentir para ele, porque se alguém tem sido um cavalheiro e sincero comigo, esse alguém é ele.

"Quando você vai embora? E para onde vai?", perguntou-me ele, sem acrescentar mais nada, acariciando-me suavemente as mãos.

—Para a capital. Lá, talvez eu consiga tudo o que preciso para prolongar a vida da minha mãe—expliquei, séria e me sentindo uma traidora pelo que estava prestes a fazer.

"Vamos manter contato, certo? Essa viagem não significa que precisamos terminar nosso relacionamento", esclareceu ele, entrelaçando seus dedos nos meus, fazendo meu corpo estremecer pela primeira vez.

"Era exatamente sobre isso que eu vim falar com você!" exclamei, tristemente.

"Não sei! Não sei quanto tempo vou ficar lá!" Menti, com o coração pesado, porque sei que não estou realmente apaixonada e que César não merecia isso. Tive que escolher entre ele e minha mãe; obviamente, escolhi minha mãe.

"Nem eu sei se vou ficar, por isso vim, para que pudéssemos terminar nosso relacionamento. Assim você ficará livre e poderá viver sua vida com uma mulher que te ama e mora aqui, perto de você", acrescentei, momento em que César soltou minhas mãos com raiva e violência.

"Não acredito em você!", afirmou ele. "Diga-me a verdade. Você tem outra pessoa? Quem é? Ao menos tenha a coragem de me dizer a verdade", exigiu ele, furioso, levantando-se bruscamente da cadeira, que caiu para trás com um estrondo, fazendo com que todos os presentes voltassem seus olhares para nós.

"Por favor, César! Estou sendo sincera com você. Não tenho mais ninguém. Foi uma decisão que tomei para o bem-estar da minha mãe, para lhe dar uma chance de viver", acrescentei, surpresa, porque nunca esperava essa reação dele.

"Uma coisa é essa. Mas é outra bem diferente se tivermos que terminar porque você vai procurar uma oportunidade para sua mãe", disse ele, passando as mãos pelos cabelos lisos.

"Não quero te prender com uma promessa de compromisso, sem saber quanto tempo levarei para conseguir o que minha mãe precisa para continuar vivendo", expliquei, levantando-me da cadeira e tirando uma corrente de ouro do meu pescoço, que ele me deu quando o aceitei como meu namorado e que coloquei sobre a mesa.

Então me virei e saí do refeitório, indo em direção à minha sala de aula. No mínimo, eu queria ter certeza de que passaria em todas as disciplinas que estava cursando neste semestre para poder continuar meus estudos mais tarde.

(***)

No escritório do Sr. Jairo Casanova, no consórcio

O narrador:

Jairo Casanova, herdeiro de um dos sócios de Daniel no Consórcio, estava conversando com Dana.

["Quando você volta?"]

[“Hoje”, ela respondeu.]

[“Lembre-se, temos algo pendente de dias atrás”, argumentou ele.]

[“Não posso esperar mais, então vou encontrar um substituto”, acrescentou com um sorriso enquanto digitava.]

[“Vamos ver quem perde mais!”, acrescentou ela com um sorriso enquanto se sentava na maca.]

Nesse momento, Jairo encerrou a chamada de vídeo quando seu pai chegou e o repreendeu por sua falta de vontade e responsabilidade nos negócios. Ele também o comparou a Daniel, ressaltando que esse era um dos motivos pelos quais o CEO sempre se destacava como empresário do ano.

"Aparentemente, Daniel é perfeito para você!", retrucou o filho.

"Um dia você vai perceber que homem medíocre e patético ele é. Ele não consegue enxergar além do próprio nariz", gritou ele com raiva, especialmente quando comparado à pessoa que ele mais odiava.

—Você deveria aprender com ele— exigiu o pai— —Daniel é um homem digno, trabalhador e honesto— observou Dom Jairo—Só porque ele é o CEO do consórcio não significa que ele perca tempo com trivialidades.

—Imagino que, se eu fosse seu filho, você se sentiria orgulhoso — acrescentou Jairo ironicamente, fazendo um gesto semelhante com o corpo.

"Sinto muito em te desapontar! Porque eu não sou nada parecido com aquele idiota", retrucou ele furiosamente, deixando o pai sozinho no escritório e batendo a porta.

(***)

No banheiro da Universidade, em La Puerta

Abril:

Olhando-me no espelho, vi a tristeza no meu rosto após o término com César. Embora eu não esteja apaixonada por ele, eu adorava a companhia dele. Ele era muito gentil e atencioso comigo. Sempre falava sobre um futuro juntos, sobre se casar comigo.

Doía ver a tristeza em seu rosto. Apesar da raiva que sentiu ao soltar minhas mãos, não vi ódio em seus olhos, muito pelo contrário. Mesmo assim, prefiro isso a vê-la grávida de outro.

"Acho que isso deve magoá-lo ainda mais."

"Deve ser ainda mais doloroso para ele, como homem, aceitar que estou passando por isso, mesmo que seja apenas para salvar minha mãe", pensei tristemente, deixando as lágrimas correrem livremente.

Não posso fazer isso em casa porque afetaria ainda mais minha mãe. Deve ser muito doloroso para ela saber como me sinto e o quanto me dói ter concordado em ser mãe de aluguel.

"E agora... para a consulta com o Dr. Samuel. Este pode ser o dia em que eu perca meus sonhos de ser mulher", pensei, lavando o rosto e me preparando para a consulta com o ginecologista...

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