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Liv - Uma pantera em minha vida

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S.K Morjo
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Notas

Resumo

Liv é um produto, sem direitos e com muito deveres sombrios. Ela é chamado por um número: "projeto 00" pelos funcionários das industrias farmacêuticas MC lida, onde é mantida em cárcere privado. Liv não se lembra de um dia em que não ouviu gritos de dor e desespero dos demais Novas espécies. As coisas pioraram quando mataram seu melhor amigo, ela tinha que fugir desse laboratório terrível. Mas a sorte de Liv deve curtir um bom humor, é engraçado para ela que o primeiro humano que Live, esbarra depois de fugir, seja seu companheiro predestinado. Ele sabe coisas sobre sobre ela e não lhe dá respostas, não importar se Nete Turner é um vilão ou um mocinho, ou se ela está atraída por ele, pois seu principal objetivo é libertar seus irmãos da MC, e ela vai sangrar lágrimas carmesim se preciso for.

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Capítulo Um: Meu inferno particular

A vida aqui embaixo é úmida e fria, não que eu me lembre do calor para saber diferenciar, apenas tenho vagas lembranças do sol banhando, por alguns minutos, minha pele. A sensação era de liberdade, um grande presente que Ellie havia me dado ao sugerir minha transferência da antiga instalação.

As boas memórias dissipam-se, tampo os ouvidos na vã tentativa de não escutar rugidos de dor vindo do corredor, colocavam os machos para acasalar com as fêmeas, muitas vezes elas não queriam, e os machos não as forçavam, forçar esse tipo de intimidade era considerado o mais baixo nível para nossa espécie.

O resultado era sempre o mesmo: batiam neles até a exaustão. Por esse motivo muitas de nós nos entregávamos, para eles não sofrerem esses abusos, e logo chegaria minha vez, mais uma semana e o prazo estaria completo.

Quando criança, em um exame de rotina, eles detectaram algo de errado com meu útero, por isso não me forçaram a acasalar com nenhum macho, ainda, esperaram meu primeiro calor e fizeram uma cirurgia. deram quatro meses para a recuperação do procedimento, cinco dias a mais nesse lugar e seria minha vez para de entregar-me a desconhecidos a qual só conhecia o grunhidos e rugidos de angústia e dor.

ㅡ Se prepare 00, mais uma semana e você vai entrar na régua, como os outros ㅡ Ele sorri, se eu não o conhecesse, diria que era um sorriso de conforto. Infelizmente o conheço perfeitamente bem. Ele colocava as mulheres cativas para dormir e abusava delas, a sala dele fica na frente da minha cela, por isso via quando ele as trazia.

Você não terá o prazer de me violar, outra já faz há tempos. Penso enquanto retribuo o sorriso sem graça.

Sento-me na minha cela e observo o lacaio do doutor se distanciar, quando o prazo acabasse, o doutor do mal viria, um arrepio se alastra pelo meu corpo, fazendo os pelos agitados. O médico que eu temia costumava "queimar arquivos" quando não lhe davam resultados, averiguando meus exames e constando que meu útero ainda tinha problemas ele me mataria sem remorsos.

Meu DNA pode ser mesclado com o de uma pantera, mas eu tenho um cérebro e não vou ficar esperando o abate. Eu tinha um plano, seria livre, custasse o que custar, se preciso for, darei até minha vida para me libertar. Tudo era melhor do que viver assim.

O relógio na parede em frente à minha cela marca dezenove horas em ponto. À distância, farejo cheiro de comida que faz minha barriga roncar de fome instantaneamente, esse aroma maravilhoso, da comida vinda do refeitório, era destinado aos empregados, em contrapartida a nossa era ração, insossa e áspera, e muito raramente carne mal passada. Ellie uma vez me confidenciou que em outras estações mais "promissoras", meus irmãos recebiam carne fresca, para mim, apenas o cheiro era o suficiente. Talvez, lá fora, eu possa experimentar?

O barulho repetitivo do sino toca, alertando-os sobre a refeição, que já estava pronta a alguns minutos, se me perguntar.

Nesse exato momento começa o deslocamento dos funcionários para o refeitório. Aproximo-me da porta da cela, e bem no canto pego um pequeno pedaço de sabonete, escondido entre as grades. Peguei-o em uma oportunidade rara no banho, guardei em um lugar que prefiro não lembrar.

Mastigo o tablete branco com gosto amargo sem fazer careta, misturando-o com a minha saliva, quando está cremoso o suficiente, empurro com a língua. A espuma espessa desce dos meus lábios, os empregados, ansiosos por uma refeição convidativa, passam pelo corredor apressados, essa é a hora.

Caio no chão da cela em um impacto duro, debato os membros ligados ao tronco freneticamente contra o piso, sem me importar com a dor incômoda.

ㅡ A cobaia 00 está tendo um ataque! Chame o enfermeiro, não vou perder minha janta cuidando dessa aberração ㅡ Um dos funcionários exclama.

ㅡ Melhor você mesmo o chamar, já que é o responsável pela ala “C” hoje. Caso contrário o doutor vai fazer de você a aberração, se algo acontecer com ela ㅡ outro o rebate.

A cela é aberta e sinto quatro mãos me levantando do chão. Conheço a ala "C" como a palma da minha mão, com os olhos fechados e com o auxílio do meu olfato sei que estou indo para Ronland, o enfermeiro chefe. O elevador para, anunciando-se com uma melodia conhecida ㅡ Ainda bem que essa cadela não é pesada igual as outras ㅡ um dos empregados fala aliviado.

Meu DNA foi entrelaçado ao de gato e pantera, por esse motivo tenho o porte pequeno, pois o de gato era mais presente, acho que sou a única com esse mesclagem, pois eles almejam a força bruta, em comparação com outras da minha espécie eu sou mais fraca nesse quesito.

ㅡ Cala essa boca e abre a maldita porta! Estou com fome poha, se demorarmos não vai sobrar nem a rapa da panela para nós ㅡ fala do da esquerda.

O ranger da porta de ferro abrindo esfaqueia meus ouvidos, fazendo-me sentir uma terrível gastura.

ㅡ Deixem-na na maca, não joguem ela de qualquer jeito seus babacas. Agora podem sair ㅡ Fala Ronland, irritado. Essa gentileza tem um preço, e é muito caro.

A porta é fechada, e meu inferno começa.

ㅡ Agora é só você e eu, docinho ㅡ sua voz doce, quase que melódica, mascara o monstro que havia dentro dele, acorrentado na frente dos outros e solto quando estávamos á sós.

Posso sentir Ronland olhando-me maliciosamente, nem um pouco preocupado com minha "convulsão", sinto o contato impertinente por cima da minha bata, suas mãos apalpam meus seios, seus dedos são impacientes na exploração não consentida. Sua língua nojenta lambe minha boca, me contenho e fico imóvel, meu plano vai por água abaixo se ele notar que estou acordada.

ㅡ Como nos velhos tempos, mas dessa vez sem tesouras.

Ele começa abrindo o botão superior da minha bata.

ㅡ Sem agulhas.

Outro botão

ㅡ E sem bisturis.

Toda semana Ronland me inspecionava, fazia exames e checavam meus sinais vitais. E também toda semana ele abusava de mim, de mim e de outras fêmeas, e eu sempre arranjava um jeito de ferí-lo com qualquer coisa. Acredito que o corte com o bisturi foi o meu melhor trabalho. A cicatriz profunda no seu pescoço prova isso, meu intuito era matá-lo, meu estado sonolento, embriagado, impediram-me de obter êxito no trabalho.

Com um puxão ele rasga minha bata, já impaciente, e ouço os pulinhos dos botões ao caírem no chão e se espalharem por toda a sala. O som da fivela do cinto dele caindo no piso me aterroriza, meu sonho de liberdade é o único que me aquece e me conforta. Sol, calor, grama fresca. Sim, eu morreria para poder sentir isso novamente.

ㅡ Não se preocupe, vou cuidar muito bem de você.

Mãos leves acariciam meus cabelos, porém esses carinhos são substituídos por um tapa forte no meu rosto, a vontade de devolver é muita, me seguro o máximo possível para não transparecer a dor. Sinto minhas lágrimas umedecerem meus olhos, prendo-as firmes, não vou chorar, simplesmente não posso.

Matá-lo colocaria o Doutor no meu rastro com mais afinidade, pois eles eram irmãos de sangue, tornaria minha caçada, um tanto quanto, pessoal.