
Resumo
Depois de engravidar aos 17 e ser expulsa de sua casa por seu pai e ignorada pelo pai de seu bebê, Alexandra Vale teve que lidar com o mundo como o conhecia sendo virado de cabeça para baixo, contando somente com a ajuda de seu melhor amigo. A vida passou e em 9 meses sua pequena, Samantha, nasceu para iluminar tudo que tocava, incluindo sua mãe. E muitas pessoas mais! Acompanhe a jornada dessa incrível mulher, que encara todas os infortúnios de ser uma mãe solo, tendo que se virar fazendo de tudo um pouco e os desastres de sua vida amorosa... Ou será que não é um grande desastre assim?
Capítulo 1 - "Olá Alexandra"
Antes:
“ – Pai, por favor não faça isso!
Ele avançou e me empurrou direto para o chão e se abaixou, gritou quando me deu um tapa no rosto e mais outro...
- Júlio para! – Minha mãe tentou segurar seu braço, mas ele a empurrou para longe e continuou a me bater.
Quando se deu por satisfeito, ele saiu de cima de mim e limpou o sangue de sua mão na calça.
- Nunca mais... – Ele ofegava – Se atreva a voltar aqui.
- Júlio, por favor, ela é nossa filha.
Ele olhou de canto para minha mãe.
- Calada, Alison. Esta mulher não é mais minha filha.
Eu chorava e o peso em minha cabeça tornava mais difícil levantar, meu rosto ardia e as lágrimas já haviam parado de cair em minhas bochechas há alguns minutos.
- Vai embora. "
Ter que explicar isso para seu melhor amigo, digamos que não é nada agradável. Eu só tinha 17 anos, um bebê na barriga e James.
- Você pode morar comigo, não tenha dúvidas disso. Não acredito que seu pai fez isso com você... – Ele pegou uma bolsa de gelo e colocou em meu rosto – Meu Deus, Alex...
- Eu sinto muito – Comecei a chorar – Eu vou arrumar um emprego, assim que juntar o suficiente eu saio daqui e te deixo no seu cantinho novamente, eu juro.
- É sério que é com isso que você está preocupada? Alexandra, eu não me importo de você morar comigo, fique o tempo que quiser... Meu Deus, eu não consigo acreditar que seu pai fez isso, e sua mãe não fez nada?
Eu movi minha cabeça lentamente, sentindo as lágrimas na minha bochecha e James me abraçou rapidamente.
- Eu vou cuidar de você, de vocês dois. Ou duas, não sei bem qual o gênero, mas eu cuido do que vier.
- Não deveria ser sua obrigação.
- Você falou com o Trevor?
- Sim, depois de ser expulsa pelo meu pai, eu fui até a casa dele e... – As lágrimas voltaram em peso ao meu rosto e James me abraçou.
- Não me fala. Não quero nem saber. O que importa é que agora somos você e eu, ruivinha.
Eu sorri em meio as lagrimas e só agradeci por tê-lo na minha vida.
Agora:
Eu pensei mil vezes em abortar durante a gestação, e juro James me apoiou em todas elas, mas no final eu sabia que era destinada a cuidar dessa garotinha.
Agora estávamos sentados no banco do parque, Sammy estava brincando no balanço e rindo para nós.
- Olha o quão alto eu consigo ir, mama.
Eu me levantei e cruzei os braços, o sorriso me invadindo a face imediatamente, ela era brilhante. Simplesmente brilhante.
- Uau! Sam, isso é muito alto!
Ela gargalha ainda mais e se lança para o alto novamente e volta. James se junta ao meu lado com o celular em mãos, reparo em seu cabelo preto altamente despenteado e seus óculos grandes.
- Ella está vindo nos encontrar, disse que o irmão está com ela.
- Ui, tudo que minha filha precisava encontrar agora, a tia babona que dá tudo que ela quer e um estranho.
- Ele não é estranho, você o conheceu.
- Sim, de vista. Troquei meras palavras com ele.
- Não diga que se apaixonou...
- Ah pelo o amor de Deus, James, eu tenho uma filha de 7 anos, trabalho numa lanchonete em todos os turnos que eu posso, isso quando não tenho que faltar para cuidar da ãn, pequena lindeza ali.
- Okay, isso só me diz que você tem uma vida chata e monótona.
- Mostra que eu não tenho tempo nenhum para namorar...
Sammy veio correndo até mim e eu a peguei no colo.
- Tio James, eu fui tão alto, mas tão alto que eu senti que podia voar.
Nós gargalhamos e avistamos Ella, a loira esbelta, com seus quadris e postura de invejar, estava com suas botas de cano alto e salto de 10cm, saia listrada, sua camisa de tricô gola alta e seu sobretudo que tem como fiel escudeiro, mesmo no clima frio ela ainda conseguia usar saia, reparei, enquanto ela realizava a tentativa de corrida direta á Samantha.
- Tia Ella! - Sam esticou os braços para ir para o colo dela e eu automaticamente pensei que minha filha era uma traidora, o irmão de Ella vinha logo atrás dela.
Vestia uma camisa social azul escuro com calça social preta e coturnos, com o sobretudo do próprio Sherlock Holmes ele vinha com as mãos no bolso.
Parando para pensar no que todos estavam vestindo, me senti desarrumada, vestia uma calça legging, uma blusa de lã branca com botões falsos na frente, um casaco e botas, o cabelo pelo menos dava para salvar, aproveitei que James tinha arrumado Sammy e fiz uma trança espinha-de-peixe no meu cabelo e coloquei meu gorro pois o tempo hoje, estava frio.
- Boa tarde princesa da tia! Como acordou hoje?
- Ótima! Sonhei que era uma princesa e a mamãe uma rainha.
- Ah meu amor, isso não é sonho, você é uma princesa – James disse.
- É mesmo, meu amor. Mesmo sua mãe não sendo uma rainha...
- Aí, já começaram as ofensas?
James e Ella riram e o irmão dela, cujo o nome escapou de minha mente, deu uma leve risada.
- Olá, Alexandra.
- Oi, ãn... - Tentei de todas as formas lembrar de seu nome, mas nada veio - Perdão, eu realmente não lembro seu nome, sabe como é? Mãe esquecida.
A carta do Alzheimer de mãe as vezes colava com algumas pessoas. Aparentemente não com ele pois sorriu de canto e olhou nos meus olhos e daí pude reparar o quão verde eram. Tipo esmeraldas mais claras e no tempo nublado ficaram mais destacados.
- Nathan Cesarini.
- Correto. Nathan, eu vou anotar no meu caderninho para nunca mais esquecer.
- Melhor se fizer uma tatuagem, tem que admitir que é um lindo nome.
Eu o encarei por um segundo e sorri com a graça.
- Se tatuar Alexandra Vale, eu faço o seu, assim nunca esqueceremos nossos nomes.
- Vale... Bonito nome.
- Posso falar o mesmo do seu, gosto de nomes com "Th".
Ele sorriu de canto e se virou para a Sammy. A pequena o encarava já.
- Olá.
- Olá.
- Como se chama?
- Como se chama?
Ele virou a cabeça lentamente e Sam fez o mesmo, então ele virou para o outro lado e novamente ela fez o mesmo, então para a minha surpresa, ele começou a pular. Exatamente. Pular, ainda com as mãos nos bolsos e ela instantaneamente tentou pular e falhou pois estava no colo de Ella. Ele parou de pular e sorriu.
- Ganhei.
- Você é um competitor a altura.
- É competidor, querida.
Ela fez uma carinha de envergonhada, detestava errar palavras, ela é a melhor na escolinha dela, mas admito que o ensino não a desafia muito no quesito fala.
- Desculpe, mama.
- Oh meu amor – Eu a peguei do colo de Ella e enchi seu rostinho de beijos – Não tem que pedir desculpas, todos nós éramos.... Olha só viu, até a mamãe errou.
Sam deu um sorriso, o sorriso que eu mais amava no mundo todo, ela estava sem um dentinho na frente o que a tornava mais adorável ainda.
- Bom, Sam está com fome?
- Muita!
- E o que você quer comer? Pode escolher o que quiser.
- Eu quero hambúrguer, batata frita e... Água com gás.
- Perdão, ela disse água com gás? – Nathan parecia chocado.
- Sim, é a bebida favorita dela. Com uma rodela de limão. Igual a mãe dela. – James explicou a ele e eu corei.
- Minha filha tende a gostar de muitas coisas que eu gosto, não é meu bem?
- Eu gosto, porque parece refrigerante, mas sem aquele gosto feio.
- Gosto ruim, amor.
- Isso aí. Vamos comer onde, tia Ella?
- Onde a princesa quiser.
- Vamos onde a mamãe trabalha, por favor.
- O que você quiser, meu amor.
Eu coloquei Samantha no chão e ela pegou a mão de Ella e de James e eles foram andando até o carro e me esqueceram com o Nathan. Fomos andando em sincronia na direção dos três.
- Então, você trabalha em uma lanchonete?
- Ah sim, sou gerente administrativa e garçonete – Dei uma risada – E você? Imagino que esteja se preparando para ser produtor, certo?
- Correto.
- Eu só não sei o que faz.
- É uma produtora gigante que patrocina os filmes que você ama e os fazem chegar até as telinhas que vocês assistem. Acho que hoje em dia somos mais uma corporação do que uma produtora, inclusive compramos uma editora de livros recentemente, ela é pequena e recebe escritores indies, li alguns dos manuscritos dos autores e fiquei encantado, pedi a continuação imediata.
- Espera, a sua empresa comprou a Fics&Books?
- Essa mesmo!
- Eu não acredito.
- Algum problema?
- Eu publiquei um livro com eles, há um tempo.
- Ah você é escritora?
- Criança prodígio que faz um pouco de tudo. Eu escrevo, desenho, canto no chuveiro e danço com a minha filha as coreografias dos filmes da Disney.
Ele gargalhou.
- Bom, você deve ser uma ótima escritora, qual o título do seu trabalho? Posso ter lido ele.
- Ah, eu acho que não. Me ofereceram um contrato bem ruinzinho e não foi promovido. Tanto que só ficou em formato e-book – Raciocinei por 5 segundos e percebi que havia dito merda – Oh meu Deus, desculpa a editora não é ruim, mil perdões se foi isso que eu dei a entender, é que para mim não foi bom, mas para outras pessoas tenho certeza de que foi ótima, já li e tenho alguns livros físicos o papel e as capas são de extrema qualidade...
- Alexandra, está tudo bem!
- Ah, me desculpe quando eu fico nervosa eu começo a falar sem para, sinta-se livre para me interromper quando isso o incomodar. Eu posso ser uma tagarela as vezes.
- Como quando fala da Samantha?
Eu o olhei com um pouco de raiva.
- Ter orgulho da minha filha não é ser tagarela.
- Oh não, não foi isso que eu quis dizer.
- Mas já disse.
Saí andando em disparado em direção ao carro de Ella e então vi que meu assento já estava ocupado.
- Você veio para cá depois de fazer compras?
- Ei, nem todas são para mim, a maior parte é para a pequena e algumas são para você. Sua bocuda.
- Você tem que parar de mima-la, Ella, quantas vezes já conversamos sobre isso, hein?
- Umas 100, e você pode falar mais 100 vezes que eu não vou obedecer. É minha afilhada, eu mimo do jeito que eu quiser, larga de ser uma mãe chata e agradece – Ela deu ombros e olhou para Samantha – Olha como ela fica feliz.
Eu olhei minha filha, toda feliz abraçando sua boneca nova, com um gorro que eu não coloquei nela e com o maior sorriso.
- Está bem, mas pode diminuir a quantidade? Daqui a pouco não vai ter mais espaço nenhuma na casa de James.
- Hum, está bem.
- Obrigada, agora pode mover as sacolas para eu entrar?
- O que? Não, são muitas e vão amassar. Vá no carro de Nathan.
Eu olhei para trás e ele acenou.
- Você realmente anda rápido quando está com raiva.
Me aproximei da janela e disse bem baixo olhando no fundo dos olhos de Ella.
- Você me paga.
Ela simplesmente deu um sorrisinho e colocou o cinto e acelerou o carro.
- Vamos?
Nathan olhou para mim e apontou para o carro dele, claro que era uma BMW, daquelas que você consegue sentir que foi caríssima só de olhar.
- Não podia ser mais extravagante com sua riqueza?
Ele deu um sorriso provocante de canto.
- Não teria graça se não pudesse ser extravagante.
Eu bufei e entrei no carro, era extremamente confortável, o couro parecia abraçar minhas costas doloridas e tinha aquecedor, por 1 segundo pude imaginar ter uma vida com bancos de couro aquecidos até o chato entrar no carro e me pegar em conforto pleno.
- Gostando?
Abri meus olhos e exalei rispidamente.
- Dá para o gasto, o da Ella é melhor.
- Ah então vejo que você não entende nada de carros.
Ele sorriu, de forma galanteadora.
- Entendo pouco mas sei que o dela é mais bonito.
- Só porque está sempre cheio de sacolas de compras.
- O que quer dizer com isso?
- Que ela adora comprar.
Ele ligou o carro e começou a dirigir, não pude deixar de observar suas mãos no volante com maestria, suas mãos eram grandes e com veias bem notáveis algo que eu achava muito atraente em homens apesar de achar que este bobão jamais me faria o achar atraente.
- Sim, mas o que isso tem a ver com eu achar mais bonito o carro dela?
- Digamos que eu sei que ela mima bastante sua filha...
Eu ergui minhas sobrancelhas em surpresa por ele ter dito aquilo daquela forma, naquele momento e então eu engoli minha raiva e esperei ele completar seu raciocínio.
- E as vezes invejo ela por ter alguém para encher o carro de sacolas e levar, acho que por isso você acha mais bonito. Mas meu carro é mais legal.
Eu dei uma risada curta, geralmente eu julgava muito as pessoas, de forma justa claro, mas ainda sim julgava.
- E obrigada por me deixar terminar de falar antes de brigar comigo, senhorita stress.
- O que? Eu não sou nenhuma "senhorita stress".
- Ah, é sim.
- Não sou não, você nem me conhece.
- Passei exatos – Ele olhou o relógio em seu pulso e eu pude ver que custava um rim – 10 minutos com você, e pude perceber que sim, você é a personificação do Stress.
- Você que é estressante.
Ele se fez de ofendido.
- Jura? Já me chamaram de muitas coisas, lindo, perfeito, gostoso, gato, sexy...
- Ridículo...
- E nenhuma vez me chamaram de estressante.
- Bom que tenha alguém na sua vida que te diga a verdade de vez em quando.
- Oh, então você está se instalando na minha vida de vez?
Eu o encarei e abri minha boca, mas nada saiu, e me virei e fiquei encarando o céu nublado, era o meu tipo favorito de tempo, eu adorava desde pequena porque significava que vinha frio, neve e depois o natal.
- Ficou sem palavras, senhorita stress?
- Não, senhor estressante, fiquei sem vontade de falar mesmo.
- Ai! – Ele colocou a mão no seu peito e fingiu dor – Essa doeu muito, senhorita stress.
Eu sorri e finalmente percebi que ainda estávamos no carro e o trajeto de lá até a lanchonete não levava mais do que 15 minutos de carro.
- O que... que caminho é esse que você pegou? Estamos demorando.
- Sabe que eu não sei?
Eu o encarei perplexa.
- Você é louco? Acabei de deixar minha filha com a Ella, que vai a entupir de doces!
- Ei calma lá, eles são os padrinhos da Sam, sabem cuidar dela.
- Você não conhece minha filha. Ela consegue persuadir até o homem mais duro do mundo se ela quiser para conseguir um doce. É olhar para os olhinhos dela e você estará pronto para dar até um milhão de doces a ela.
-Tem razão, não a conheço, mas adoraria conhecer.
Eu olhei para ele e percebi que ele estava me olhando há algum tempo já, seus olhos grudaram nos meus instintivamente e eu imediatamente corei, não gosto de atenção, detesto que me olhem muito de perto, e ele estava fazendo tudo isso e ainda mais sorrindo. Eu admitia, tinha um fraco por sorrisos bonitos.
- Me diz que você sabe onde está indo por favor.
- Sei, mamãe coruja. Fica calma, estamos na esquina. Eu só estou dando a volta no quarteirão há uns minutos.
- O que!? Por que fez isso?
- Te irritar.
Eu soltei um ruído em surpresa e então me concentrei na rua e reconheci onde estávamos na hora. Ele estacionou e eu pude ver de fora, que minha filha estava se acabando em comer batatas fritas e eu sorri.
- Ela é linda, Alexandra.
Não tinha percebido que ele estava do meu lado enquanto admirava Sam.
- Parece com você.
- Eu sei.
- O pai dela...
Eu engoli em seco.
- Vamos entrar, estou com fome.
Eu o cortei de imediato. Este é um assunto do qual eu me recusaria a falar com um completo estranho.
Ainda que seu nome fosse Nathan Cesarini.
